[Notícia] Fundação de casa do IBP em São Paulo

Após a recente notícia sobre a fundação de uma casa do IBP em Buenos Aires, temos a alegria de publicar novo comunicado do Pe. Matthieu Raffray, Superior do Distrito da América Latina, sobre a fundação de uma nova casa do Instituto Bom Pastor também em São Paulo, conforme se encontra em seu novo site “ibp-sp.org”, onde podem ser acessados também os seus horários de missa.

No dia 10 de abril passado, S. Em. o cardeal Dom Odilo Scherer, arcebispo de São Paulo, deu a permissão ao Padre Philippe Laguérie, Superior Geral do Instituto do Bom Pastor, para erigir canonicamente uma casa do IBP em São Paulo. Por meio do decreto do dia 11 de maio de 2014, festa dos santos apóstolos Felipe e Tiago, essa casa foi erigida conforme o direito canônico.

Foram nomeados para essa nova fundação dois jovens padres brasileiros formados no seminário de Courtalain (na diocese de Chatres, França), os padres Luiz Fernando Karps Pasquotto e Renato Arnellas Coelho, que irão prosseguir seus estudos superiores em São Paulo. Doravante, eles estão encarregados de celebrar a missa segundo o Usus Antiquor na paróquia São Paulo Apóstolo.

Nós damos graças a Deus por esta notícia e aproveitamos para agradecer o cardeal Scherer por sua amigável acolhida, como também todos aqueles que nos apoiaram. Nós poderemos participar, assim, segundo nosso carisma próprio, ao trabalho apostólico na diocese, para o bem das almas e por toda a Santa Igreja.

Esta nova implantação é, sobretudo, uma boa notícia para todo o nosso Instituto. Nós colocamos esta casa, seus padres e seus ministérios, sob a proteção toda especial de Nossa Senhora Aparecida, padroeira do Brasil, a fim que ela seja para todos, Rainha do Céu e Rainha dos Homens, um apoio poderoso e uma ajuda inabalável.

Pe. RaffrayPadre Matthieu Raffray, Superior do Distrito da América Latina do Instituto do Bom Pastor, dia 24 de maio de 2014

[Sermão] São Miguel, o demônio e o combate espiritual.

Sermão para a Festa da dedicação de São Miguel Arcanjo / 19º Domingo depois de Pentecostes

 29.09.2013 – Padre Daniel Pinheiro

Em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo. Amém.

Ave Maria…

“São Miguel Arcanjo, defendei-nos no combate para não perecermos no dia do juízo terrível.” (Aleluia da Missa da Festa Dedicação de São Miguel Arcanjo)

A Festa que nós celebramos hoje não é simplesmente a Festa de São Miguel Arcanjo, mas é a Festa da Dedicação de São Miguel Arcanjo. Que dedicação é essa? Originalmente, se trata, provavelmente, da dedicação a São Miguel Arcanjo, feita nos primeiros séculos, nos subúrbios de Roma, de uma Igreja que ficava próxima à Via Salaria. Esse é, talvez, o significado original da Festa. Todavia, ela significa, hoje, a dedicação da Igreja Católica a São Miguel Arcanjo, que é, então, defensor da Santa Igreja.

A doutrina comum dos teólogos admite que há anjos da guarda não só dos homens, mas também de sociedades, de países, de dioceses, de paróquias, etc. São Miguel é como o anjo da guarda da Santa Madre Igreja, como o foi do povo judeu. E como anjo da guarda ele defende a Igreja constantemente dos males e perigos. Ele combate os demônios para que não façam tanto dano quanto gostariam de fazer. Ele favorece e inspira boas decisões aos membros da hierarquia. Ele oferece a Deus nossas orações: no momento da incensação no ofertório se invoca especificamente a intercessão de São Miguel Arcanjo. O incenso representa nossa oração e São Miguel a apresenta diante de Deus. São Miguel Arcanjo nos assiste também na hora de nossa morte e, por isso, se pede a ele, na Missa de Réquiem (de Defuntos), que leve as almas à santa luz. Eis algumas das funções de São Miguel a quem a Santa Igreja se dedica.

Todavia, São Miguel é o príncipe da milícia celeste, ele nos defende no combate. E creio que seja esse o principal fruto que podemos tirar hoje dessa festa: “a vida do homem sobre a terra é um combate (militia est vita hominis super terram)”, como nos diz o livro de Jó (7, 1). E, como nos diz São Paulo, não é somente contra a carne e o sangue que temos de lutar, mas contra os principados e potestades do inferno, contra os dominadores deste mundo tenebroso, contra os espíritos malignos espalhados nos ares (Efésios 6, 12). E Nosso Senhor diz: “Não julgueis que vim trazer a paz à terra. Vim trazer não a paz, mas a espada” (Mateus 10, 34). E, assim, poderíamos multiplicar as passagens da Sagrada Escritura que nos mostram que estamos em combate, em combate pela glória e honra do Deus altíssimo, pelo bem e liberdade da Igreja e em combate pela salvação de nossas almas. E, por isso, a Igreja que está no mundo se chama Igreja Militante.

Nosso combate é, então, principalmente contra o demônio, o pai do pecado. Os demônios, os anjos caídos, têm por finalidade conduzir o homem à separação de Deus. Os demônios odeiam profundamente a Deus e odeiam a imagem e semelhança que os homens em estado de graça têm com Deus. Os demônios trabalham, portanto, para destruir a vida da graça em nós. Fazem isso por ódio a Deus e por inveja a nós, que ainda temos a possibilidade de nos salvarmos. O desejo íntimo deles é que a adoração devida a Deus seja prestada a eles. Se te prostrares a meus pés, adorando-me, eu te darei tudo isso, diz o demônio a Nosso Senhor. E, para atingir o seu propósito, satanás e seus asseclas têm armas poderosas. Evidentemente, eles tentam as pessoas individualmente, sugerindo o pecado, colocando coisas na nossa imaginação, por exemplo, tentando nos fazer consentir no mal. Lembro, porém, que os demônios não podem agir sobre nossa inteligência nem sobre a nossa vontade. Aqui, somente nós e Deus podemos agir. Mas os demônios vão além dessa tentação individual. Querendo ser como Deus, eles imitam a ação de Deus. Deus faz que todas as coisas se dirijam ao bem daqueles que o amam. Os demônios, ao contrário, tentam dirigir tudo para o mal. Eles potencializam ao máximo os pecados individuais para formar, a partir deles, estruturas de pecado, quer dizer, o demônio usa esses pecados pessoais para organizar e sistematizar uma cultura que favoreça o pecado, para organizar sociedades, grupos que favoreçam o pecado, etc. Podemos ver isso no caso das falsas religiões, que, às vezes, começam com um pecado pessoal – pensemos no caso de Lutero, por exemplo, que, com seus escrúpulos, dividiu a cristandade ao meio, criando o protestantismo para justificar a sua consciência. Podemos ver essa estrutura de pecado nas sociedades secretas, na maçonaria, verdadeira anti-Igreja. Essas estruturas de pecado estão muito bem instaladas hoje, caros católicos. Às vezes, elas são evidentes, como nos casos que acabamos de mencionar e outros: falsas religiões, sociedades secretas, indústria pornográfica, o sistema político que não leva em conta Deus e sua Igreja, etc. Muitas vezes, porém, essas estruturas são mais discretas, menos perceptíveis. É o caso de muitas das diversões de nossos dias. Quantos filmes que introduzem sorrateiramente um ponto contra a fé ou que introduzem por uma única cena a impureza em nossa alma. E a televisão, então? E quantas músicas, seja pela letra seja pelo ritmo também não favorecem o pecado, a desordem nos nossos apetites. E também os livros ruins… São João Bosco, em uma de suas visões, via a barca da Igreja sendo atacada por livros… por livros ruins. Agora, há meios bem mais eficientes de atacá-la: os filmes ruins, a televisão, internet. Não estou dizendo que essas coisas são necessariamente ruins. Podem ser boas. Mas quão raramente podemos encontrar filmes que de nenhum modo prejudiquem a nossa alma ou programas de TV que de nenhum modo prejudiquem a nossa alma. Temos também as modas ofensivas a Nosso Senhor, as máximas do mundo, jogos de computador. Em algumas coisas, o demônio se manifesta mais claramente, como na série Harry Potter, por exemplo, ou como em um jogo de computador em que o objetivo é matar o Papa. A diversão moderada é legítima, mas não é lícita a diversão quando se ofende a Deus ou quando se prejudica a nossa alma. É o demônio o principal autor da cultura de morte em que vivemos hoje, uma cultura que favorece e facilita tanto o pecado e mesmo pecados gravíssimos como o aborto, a prática homossexual, etc. Quão grande deve ser o nosso cuidado com tudo isso, para evitarmos em tudo a ofensa a Deus.

O demônio é insidioso, ele arma ciladas para nos perder, e, como nos diz São Pedro, “o demônio, nosso adversário, anda ao redor de nós como um leão que ruge, buscando a quem devorar” (1 Pedro 5, 8). O demônio ataca. Suas armas são poderosíssimas. No mais das vezes, ele é sutil, tentando fazer com que sirvamos a dois senhores, a Deus e ao mundo, mundo entendido aqui como tudo o que conduz ao pecado. O demônio nos sugere: “você pode servir a Deus, mas não precisa abandonar aquela série de TV de que você tanto gosta só porque lá se fala um pouquinho mal da Igreja ou porque lá se faz uma apologia do amor livre”; “você pode servir a Deus, mas não precisa abandonar aquela roupa de que você gosta e que atrai olhares indevidos.” “você pode servir a Deus, mas não precisa abandonar aqueles lugares mundanos que você frequenta”; “isso aqui é só um pecado leve, não pode fazer tão mal, não precisa abandoná-lo…”

O demônio ataca… e nós, nos defendemos ou nos deixamos levar por essas ciladas, caros católicos? Devemos combater o bom combate. Se as armas do demônio são poderosas, elas não são nada comparadas às armas que Deus nos dá, pois o demônio é como um nada diante de Deus. Auxiliados pela graça e apoiados em NSJC, em Nossa Senhora, nos anjos e santos, os ataques do demônio serão vãos. Para nos defender e atacar, algumas de nossas principais armas são: a fé viva, a oração, os sacramentos (confissão, comunhão e crisma, para quem ainda não é crismado), a meditação da paixão de Cristo, a devoção a Nossa Senhora, os sacramentais (em particular água benta, a bênção do lar), a fuga das ocasiões de pecado, a mortificação, etc… E, importantíssimo, caros católicos, é preciso ter um desejo profundo da santidade, de amar a Deus com todo o nosso ser e ao próximo por amor a Deus. Devemos ter esse desejo profundo de servir unicamente a Nosso Senhor Jesus Cristo. Devemos considerar com frequência a bondade de Deus, suas perfeições. Devemos considerar com frequência a alegria que é servi-lo aqui na terra e a alegria que teremos no céu, se servimos a um só Senhor aqui na terra.

O demônio, como não poderia deixar de ser, ataca também a Igreja. A tentação é clara e, mais uma vez, é, no fundo, aquela terceira tentação de Cristo no deserto: “Igreja, se te prostrares diante de mim, adorando-me e adaptando a tua doutrina e a tua moral, te darei tudo: a aceitação do mundo, maior número de fiéis, não haverá mais perseguições, etc.” Quão mentiroso é o demônio. Se a Igreja não pode sucumbir, caros católicos, pois as portas do inferno não prevalecerão, conforme as promessas de Cristo, essa tentação é bem real e bem presente para os homens da Igreja. Nós devemos, então, rezar a São Miguel para que defenda a Igreja, ele que é seu protetor. Na liturgia tradicional, após a Missa rezada, o padre diz as chamadas orações leoninas, introduzidas pelo Papa Leão XIII, e depois complementadas por São Pio X. Depois da Missa rezada, o padre se ajoelha diante do altar e recita com os fiéis três Ave-Marias, uma Salve Rainha, uma oração para Nossa Senhora na qual se pede a exaltação e a liberdade para a Igreja. Em seguida, recita a oração a São Miguel Arcanjo, contra o demônio e os outros espíritos malignos. E se concluem as orações leoninas com a invocação ao Sagrado Coração de Jesus, repetida três vezes. Assim, todos os padres no mundo inteiro imploravam diariamente e diante do altar, logo após a Missa, a intercessão de São Miguel contra as ciladas do demônio. Isso se perdeu com reforma litúrgica. Não é de se espantar que a influência do demônio tenha aumentado. Devemos recitar diariamente essa oração a São Miguel Arcanjo, caros católicos, pela Igreja e por nós mesmos, para que sejamos preservados das insídias e ciladas do demônio. E devemos usar as armas que mencionamos há pouco.

O demônio é um anjo caído, extremamente inteligente e muito capaz no mal, mas ele é uma mera criatura. O demônio não é um deus do mal, mas ele é uma pura criatura, infinitamente inferior a Deus, a Nosso Senhor Jesus Cristo. E inferior aos anjos, que possuem a graça de Deus. Em particular, ele é muito inferior a São Miguel. O nome Miguel indica justamente isso, pois Miguel quer dizer: quem é como Deus? Ninguém é como Deus, soberano Senhor e criador de todas as coisas.  Sendo uma mera criatura, o demônio só age no mundo na medida em que Deus o permite, segundo os desígnios da sua divina providência. A ação do demônio também entra nos planos da divina providência e Deus permite que ele aja para tirar da ação do demônio um bem muito superior. Vemos isso claramente durante a vida de Nosso Senhor. O demônio incitou a paixão e a morte de Nosso Senhor, pensando vencer definitivamente o Messias. Mas sem saber e sem querer, ele trabalhou para a salvação do mundo e para a sua própria derrota. Deus não quer a ação do demônio, mas ele não a impede, para tirar dela um bem superior. Como nos diz Santo Agostinho: “O Deus todo poderoso […], sendo sumamente bom, não deixaria de nenhum modo que existisse o mal, se Ele não fosse suficientemente poderoso e bom para tirar do mal um bem” (Enchiridion III, 11) e um bem maior. O demônio é uma mera criatura, e Deus, não impedindo o mal realizado pelo demônio, tira desse mal, das tentações, um bem maior, para sua glória e para nós, se buscamos em todas as coisas a vontade de Deus.

Estamos em um grande combate, caros católicos, um combate espiritual. Não só contra a nossa carne ferida pelo pecado original, não só contra o mundo, mas contra os espíritos malignos. Nesse combate, devemos recorrer aos anjos, a São Miguel em primeiro lugar, aos nossos anjos da guarda. E devemos fazer isso de forma correta, pois existem hoje várias devoções aos anjos que não estão de acordo com a prática católica. Em particular, a prática de dar nome aos anjos e de lhes atribuir determinadas funções específicas. Só conhecemos o nome de três anjos: Gabriel, Rafael, Miguel. Portanto, não se deve falar de Uriel e outros. Não se deve comparar a ação dos anjos a algo parecido com a astrologia, determinando-se um mapa astral dos anjos ou outras práticas que beiram a superstição ou o esoterismo. Em particular, a Santa Sé diz (decreto de 1992 da Congregação para a doutrina da Fé) que as “teorias (da senhora Gabriele Bitterlich, fundadora da Obra dos Santos Anjos) acerca do mundo dos anjos, dos seus nomes pessoais, dos seus grupos e funções”, são “estranhas à Sagrada Escritura e à Tradição”, e que essas teorias “não podem servir como base para a espiritualidade e atividade de associações aprovadas pela Igreja.” A Igreja só admite os três nomes conhecidos na Sagrada Escritura – Gabriel, Rafael, Miguel – como afirmam os Capítulos de Carlos Magno e o Concílio Romano realizado sob o Papa Zacarias. Na Igreja de Santa Maria dos Anjos em Roma, nos conta Bento XIV, havia uma pintura com nomes de outros anjos. Foi mandado que esses nomes fossem apagados (Bento XIV, L. IV, Cap. XXX). Sigamos a doutrina tradicional da Igreja na devoção aos anjos e não revelações privadas proibidas ou duvidosas.

Devemos rezar a São Miguel Arcanjo e ao nosso anjo da guarda. A oração “Santo Anjo do Senhor”, para o anjo da guarda, não é uma oração para crianças, mas uma oração para todos, crianças e adultos, que deve ser feita diariamente, principalmente pela manhã e em momentos de necessidade, para que nosso anjo da guarda nos ajude.

Estamos em um grande combate. Combate pela glória do Deus altíssimo.  Combate pela vida eterna. Nós fazemos parte da Igreja Militante, caros católicos, e não simplesmente da Igreja peregrina. Devemos nos armar com as armas espirituais, para que possamos dizer ao fim de nossas vidas, como São Paulo, em uma das mais belas frases da Sagrada Escritura: “combati o bom combati, guardei a fé”. Que nós possamos combater o bom combate contra a carne, o mundo, o demônio, e possamos guardar a fé, e uma fé viva, animada pela caridade. “Tende confiança, nos diz Nosso senhor, eu venci o mundo.” (Jo XVI, 33). Ânimo, coragem. Para Deus, nada é impossível.

Recorramos sempre com grande confiança a São Miguel nesse combate, ele que é o Príncipe das milícias celestes, ele que porta o estandarte da Cruz. São Miguel Arcanjo, defendei-nos nesse combate, sede nossa guarda contra a maldade e ciladas do demônio. Instantemente e humildemente pedimos que Deus sobre ele impere; e vós, príncipe da milícia celeste, com o poder divino, precipitai no inferno a Satanás e aos outros espíritos malignos, que vagueiam pelo mundo para a perdição das almas.

Em nome do pai, e do Filho, e do Espírito Santo. Amém.

[Sermão] O Bom Pastor

Sermão para o Segundo Domingo depois da Páscoa
14 de abril de 2013 – Padre Daniel Pinheiro

 

Em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo. Amém. Ave-Maria…

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Estamos hoje no Domingo do Bom Pastor. É a festa Patronal do Instituto de que faço parte, Instituto Bom Pastor. Peço que rezem pelo Instituto e por seus membros, padres e seminaristas, em particular pelo vosso servo que está aqui diante de vós.

Peço que rezem também na intenção de nosso apostolado aqui em Brasília.

E como estamos no Domingo do Bom Pastor, gostaria de lembrar que as Missas dominicais são cantadas pelo apostolado em Brasília, o que significa que elas são rezadas antes de tudo pelo bem das ovelhas, pelo bem da alma dos senhores, pelo bem da alma dos que têm ligação com esse apostolado. E isso desde o primeiro domingo que celebrei aqui.

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Ego sum Pastor Bonus.

PC-Shepherd

Eu sou o Bom Pastor. O Bom Pastor dá a sua vida pelas suas ovelhas.

Nosso Senhor Jesus Cristo recebe nas Sagradas Escrituras vários títulos. Ele é chamado de Deus, Senhor, Senhor dos senhores, Salvador, Rei, Mestre… No Evangelho de hoje Nosso Senhor se designa como o Bom Pastor. A figura do pastor sempre foi tida como nobre entre os judeus. E muitos foram os pastores no Antigo Testamento que prefiguraram Nosso Senhor, o Bom Pastor. O primeiro dos pastores foi Abel, que oferecia um sacrifício agradável a Deus.  Abraão também foi pastor, assim como Jacó e seus filhos. Moisés, sendo pastor do rebanho de seu sogro, viu Deus no monte Sinai. Também David antes de ser rei havia sido pastor e foi com as armas de um pastor que ele derrotou o gigante Golias. Mas pastor significa não somente aqueles que tomam conta dos animais, dando-lhes de comer, guiando-os e defendendo-os, mas também aqueles que governam o povo, quer dizer, os sacerdotes e os reis. O Senhor havia dito ao Rei David: “És tu que apascentarás meu povo e serás o chefe de Israel.”  E  do pagão Ciro, libertador dos judeus, o Senhor disse: “É meu pastor, executará em tudo a minha vontade.” Finalmente, o próprio Deus se designa como Pastor de seu povo, quando diz, por exemplo: “E vós, minhas ovelhas, o rebanho que apascento, vós sois homens. E eu sou o Senhor seu Deus.”

Nosso Senhor Jesus Cristo se designa, então, o Bom Pastor. O texto grego, literalmente traduzido nos diz o seguinte: Eu sou o Pastor, o Bom. Isso significa que Jesus Cristo afirma ser o pastor por excelência, o único pastor, do qual alguns são uma figura – os pastores do Antigo Testamento – e os outros uma participação – os pastores da nova e eterna aliança. Ao se afirmar como o pastor por excelência, Nosso Senhor atribui a si mesmo as boas qualidades próprias dos pastores do Antigo Testamento que acabamos de citar, mas também o sacerdócio supremo e a realeza suprema. E ao afirmar ser o pastor por excelência, Ele afirma a sua divindade, porque somente Deus é o Pastor por excelência, supremo, único, que governa todas as coisas. E Ele é o Bom Pastor, que dá a sua vida pelas suas ovelhas.

Não somente nos guiou ensinando-nos uma doutrina celestial e dando-nos o exemplo. Não somente nos defendeu contra os falsos pastores e doutores, contra os mercenários. Não somente nos alimentou, dando-nos graça em abundância. Não. A bondade de Nosso Senhor Jesus Cristo foi tanta que ele entregou sua própria vida para nos salvar, e a entregou quando ainda éramos pecadores. Ninguém a tirou, mas foi Ele quem deu a sua vida pelas ovelhas. Nosso Senhor poderia ter resistido aos seus inimigos e vencido com um sopro de sua boca, como mostrou no Jardim das Oliveiras, momentos antes de sua prisão pelos fariseus: Ele fez que seus inimigos caíssem por terra pela força de sua palavra. O Bom Pastor, porém, dá a vida pelas suas ovelhas, para salvá-las. Evidentemente, o pastor que cuida de animais, deve alimentá-los, guiá-los, defendê-los dos predadores, mas não deve jamais dar a sua vida por esses animais, pois a vida de um homem é muito superior ao bem de alguns animais. Todavia, o pastor de homens, os bispos, os padres, os governantes, os chefes de família, seguindo o exemplo de Cristo, devem dar a sua vida física pelo bem espiritual de seus súditos, porque o bem espiritual deles está muito acima do bem físico que é a vida do pastor.

A ovelha é o animal que mais requer a proteção do homem, tanto por seu instinto fraco quanto por sua incapacidade de se defender dos muitos inimigos a que está exposta. Para compensar tais deficiências ela é, por outro lado, extremamente dócil às ordens dadas pelo pastor. Se vemos hoje uma quantidade enorme de ovelhas mortas, que se perderam no caminho, ou que abandonaram o único rebanho de Cristo, isso se deve à falta de bons pastores, que não se espelham em Nosso Senhor, Bom Pastor por excelência, mas que agem como mercenários e ladrões. As ovelhas, abandonadas sem um bom pastor, terminam seguindo os lobos, seguindo qualquer ideologia, qualquer partido, qualquer seita, qualquer aparição. Daí a importância do pastor ser um bom pastor, porque as ovelhas vão segui-lo para o bem ou para o mal. O Bom Pastor dá a vida por suas ovelhas. E se ele não tem a oportunidade de morrer de fato por suas ovelhas, ele deve dar a sua vida por elas consagrando-se inteiramente ao serviço delas, ao bem delas. Para tanto, o Bom Pastor deve guiar suas ovelhas, ir adiante delas, defendê-las e alimentá-las.

Ele deve guiar as ovelhas ensinando com fidelidade extrema a verdade revelada por Deus, a exemplo de Cristo, que nos falou unicamente daquilo que Ele ouviu do Pai. Os pastores devem, então, guardar e transmitir com fidelidade extrema o depósito da fé, confiado por Nosso Senhor à sua Igreja. Os pastores devem transmitir aquilo que receberam de Cristo, dos Apóstolos e dos sucessores dos Apóstolos, sem novidades e desvios, sem alterar um só jota. É o mercenário, buscando seu bem próprio e não o bem das ovelhas, que as guia por caminhos tortuosos, ensinando não aquilo que recebeu de Deus, mas suas próprias invenções, vãs filosofias e ideologias. O Bom Pastor renuncia a si mesmo, para ser porta-voz fiel do ensinamento de Cristo e da Igreja.

O bom pastor, além de guiar as ovelhas, vai adiante delas. Porque ele não é como os fariseus mercenários que dizem e não fazem, impondo aos outros uma carga pesada que eles mesmos não suportam. O bom pastor, ao contrário, coloca sobre si mesmo e sobre suas ovelhas o jugo leve e suave da lei de Cristo, e ele vai adiante delas, praticando aquilo que ensina, assim como Nosso Senhor começou a fazer antes de ensinar e como nos diz São Pedro na Epístola de hoje: Ele nos deixou o exemplo para que sigamos seus passos. O bom pastor nos guia não somente pelas palavras, mas mostra o caminho a ser seguido também pelo seu exemplo.

O bom pastor, além de guiar a ovelhas e ir adiante delas, as defende, vigiando dia e noite para afastar os animais ferozes e os predadores, a exemplo de Davi, que defendia as ovelhas do rebanho de seu pai: quando vinha um leão ou um urso roubar uma ovelha do rebanho, diz Davi, eu o perseguia e o matava, tirando-lhe a ovelha da boca. E se ele se levantava contra mim, agarrava-o pela goela e estrangulava-o. Assim devem os pastores agir face ao inimigo, face ao mundo que quer tirar as ovelhas do único rebanho de Cristo, que é a Igreja Católica. Assim devem os pastores agir face aos falsos profetas que ensinam uma doutrina alheia à doutrina de Cristo, face aos mercenários que procuram unicamente o próprio bem e não o bem das ovelhas. O mercenário, preocupado unicamente com seu lucro, vendo os predadores e os inimigos, foge, deixando as ovelhas à mercê do lobo que as arrebata e as desgarra, quer dizer, que as conduz para fora do rebanho de Cristo ou lhe tira a vida da graça. Face ào mundo, face às falsas doutrinas, face ao aparicionismo, o mercenário foge, sem combater, ou fica, mas para aderir ao mundo.

Finalmente, o bom pastor alimenta suas ovelhas pela transmissão da graça, que se faz antes de tudo pela administração dos sacramentos, em particular pela eucaristia. Para tanto, o bom pastor deve ser instrumento agradável a Deus e dócil. Guiando, indo adiante de suas ovelhas, defendendo-as e alimentando-as, o bom pastor entregará inteiramente sua vida por suas ovelhas, buscando unicamente o bem espiritual delas. As ovelhas reconhecerão nesse bom pastor a voz de Nosso Senhor Jesus Cristo, assim como João Batista reconheceu Cristo pela voz de Nossa Senhora e como Maria Madalena reconheceu Cristo ressuscitado pela sua voz. As ovelhas de Cristo reconhecem a voz dEle.

O bom pastor tem o dever, além de cuidar das ovelhas que já pertencem ao rebanho de Cristo, de buscar as ovelhas que ainda não pertencem a tal aprisco, a fim de que haja um só rebanho e um só pastor. Ele deve então buscar essas ovelhas desgarradas, sem medir esforços, convertendo-as ao único rebanho de Cristo, que é a Igreja, una pela unidade da fé, de governo e de culto.

A tantas obrigações dos pastores corresponde a docilidade dos fiéis para com o bom pastor, a exemplo da docilidade das ovelhas quando são apascentadas. Nosso Senhor diz: eu conheço as minhas ovelhas e as minhas ovelhas me conhecem. As boas ovelhas devem, então, reconhecendo a voz de Cristo na boca dos bons pastores, conhecer o Salvador cada vez mais perfeitamente, e conhecê-Lo de um conhecimento não somente teórico, mas também prático, conhecendo sua doutrina, seu espírito, suas virtudes, unindo-se a Ele, imitando-o e estando pronto para sofrer por Ele.

Em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo. Amém.

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[Sermão] "A Parábola do Semeador" ou "Os deveres do sacerdote e dos fiéis"

Informes: visita do Pe. Julien (IBP), Santa Missa, e confraternização com os fiéis

Temos a alegria de informar que o Abbé Louis-Numa Julien (Pe. Julien), do Instituto do Bom Pastor*, por estes dias visitando o Brasil, irá celebrar no próximo domingo (7/10/12), em Brasília, a Santa Missa. A celebração ocorrerá no mesmo local e horário onde vêm acontecendo as missas do seuconfrère Pe. Daniel Pinheiro, ou seja, na Capela Santa Marcelina, às 11 horas.[Endereço: QI 05, Chácara 90, Lago Sul – atrás do Gilberto Salomão – clique para ver o mapa]

Abbé Louis-Numa Julien e Padre Daniel Pinheiro, membros do Instituto do Bom Pastor

Abbé Louis-Numa Julien (“Pe. Julien”)

Tendo já visitado o Brasil em diversas outras ocasiões – e mesmo celebrado algumas missas em Niterói -, essa será a primeira vez que o  Padre Julien, padre francês e membro do IBP, celebrará a missa publicamente em Brasília. Já hoje ele esteve presente e assistiu à Santa Missa, além de ter prestado valoroso e honroso auxílio na execução do canto litúrgico para a Missa Cantata.

O Pe. Daniel Pinheiro, ao fim da missa de hoje, também anunciou e convidou  os fiéis para uma confraternização no próximo domingo, logo após a Santa Missa.

* O Instituto do Bom Pastor, fundado em 2006 com autorização do Santo Padre, o Papa Bento XVI, tem como suas principais missões a preservação e difusão do uso litúrgico anterior à reforma conciliar e a crítica construtiva ao Concílio Vaticano II.

 

Padre Daniel Pereira Pinheiro

* Atualizado em 1º/08/12: fotos da missa no Crato-CE

* Atualizado em 11/07/12: fotos da primeira missa, em Bordeaux

Ainda com espírito de grande alegria pela ordenação sacerdotal do brasiliense Padre Daniel Pereira Pinheiro, temos a honra de publicar uma sequência de fotos das diversas missas que o neo-sacerdote rezou desde sua ordenação.

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No dia 29 de junho de 2012, Festa de São Pedro e São Paulo, para maior glória de Deus e gáudio dos católicos fiéis à liturgia tradicional, deu-se a ordenação sacerdotal (fotos) do agora padre Daniel Pereira Pinheiro, do Instituto do Bom Pastor.

Dom Fernando Guimarães, Bispo de Garanhuns, conferiu-lhe o sacramento da Ordem na Paróquia Saint-Eloi, em Bordeaux (França).

Foram ordenados também pelo bispo brasileiro mais dois padres, um francês (Yvain Cartier) e um italiano (Giorgio Lenzi); ainda, na mesma ocasião, foram ordenados diáconos os brasileiros Luis Pasquotto e Renato Coelho.

O neo-sacerdote Daniel Pinheiro é o primeiro brasileiro ordenado no IBP e faz parte da primeira geração de seminaristas formados integralmente dentro do instituto, fundado em 2006 com autorização do Santo Padre, o Papa Bento XVI, tendo como suas principais missões a preservação e difusão do uso litúrgico anterior à reforma conciliar e a crítica construtiva ao Concílio Vaticano II.

No dia 30 de junho, sábado, Pe. Daniel rezou sua primeira missa na mesma paróquia, em Bordeaux. No domingo, 1º de julho – Solenidade do Preciosissimo Sangue de N.S.J.C.  -, celebrou sua primeira Missa Solene, tendo como padre assistente o Rev. Pe. João Batista de Almeida Prado Ferraz Costa (Anápolis/GO). Na sequência, o padre esteve em Roma, onde rezou duas missas: a primeira, na Capela Clementina da Basílica de São Pedro, no Vaticano; a segunda, em uma das capelas da Basílica de Santa Maria Maior. A seguir, veio para o Brasil, onde cumpre uma agenda de missas solenes por toda parte do país, sempre acompanhado de outros cinco seminaristas brasileiros do IBP, um polonês, e dos dois diáconos recém ordenados acima referidos.

Nos dias 07 e 08 de julho, conforme anunciado nesse blog, Padre Daniel rezou missas solenes pela manhã na Paróquia Santo Cura d’Ars, na Asa Sul, em Brasília. Na primeira delas, teve como padre assistente o Pe. João Batista Costa, que também proferiu o sermão. Ainda no domingo, Pe. Daniel rezou missa solene em Anápolis, às 18h, na Capela Santa Maria das Vitórias, a convite do mesmo padre João Batista.

Ainda, ao longo do mês deverá haver celebrações no Crato (Ceará), Belo Horizonte, São Paulo e outras, das quais este blog informará em posts posteriores os seus leitores.

Deo Gratias! Temos muito a agradecer a Deus por tamanha bondade, dando-nos um novo sacerdote para defender a Fé e a Tradição em tempos tão críticos como o que vive hoje nossa Santa Igreja. Rezemos, então, pelo novo sacerdote, para que – tendo um verdadeiro coração sacerdotal, com as graças de Deus e intercessão do Imaculado Coração de Maria – seu apostolado seja pleno de frutos.

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CONFIRA AS FOTOS NOS LINKS ABAIXO

Sábado, 07 de julho de 2012

Domingo, 08 de julho de 2012 – 6º Domingo depois de Pentecostes

Sábado, 07 de julho de 2012

Quarta-feira, 04 de julho de 2012

Terça-feira, 03 de julho de 2012

Domingo, 1º de julho de 2012 – Festa do Preciosíssimo Sangue de Jesus

  • Missa Solene, Paróquia Saint-Eloi (Bordeaux, França) (em construção)

Sábado, 30 de junho de 2012 – Conversão de São Paulo, Apóstolo

Sexta-feira, 29 de junho de 2012  – Festa de São Pedro e São Paulo, Apóstolos

Missa Solene em Anápolis

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No último domingo, o Padre João Batista Costa, da Associação Santa Maria das Vitórias, de Anápolis, celebrou em sua capela missa solene com a assistência de seminaristas do Instituto do Bom Pastor. Essa foi a primeira vez que o padre rezou uma Missa Solene; a chamada Missa Solemnis distingue-se da Missa Cantata (como é comumente feita aos domingos na capela) pela presença de ministros sagrados em assistência ao padre: diácono e subdiácono (embora a substituição de um subdiácono por um outro membro do clero seja tolerada). O papel de subdiácono foi desempenhado pelo seminarista Luis Carlos; o brasiliense Diácono Daniel Pinheiro – primeiro diácono brasileiro do IBP, ordenado recentemente em Bordeaux (França) pelo eminentíssimo Cardeal Dario Castrillón Hoyos (ver fotos da ordenação aqui) – fez também o sermão da missa. Na segunda-feira seguinte, na Festa da Assunção de Nossa Senhora, celebrou-se mais uma vez a missa na sua forma solene.

Agradecemos e parabenizamos especialmente o Padre João Batista Costa por mais esse precioso testemunho de fidelidade à liturgia tradicional, buscando sempre o mais digno culto a Deus e dando aos seus fiéis conhecer cada vez mais os tesouros litúrgicos da Santa Igreja, verdadeiros alimentos espirituais da alma católica.


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