[Aviso] Festa dos Santos da Capela Nossa Senhora das Dores

Salve Maria!

Transmitimos os avisos do Padre Daniel Pinheiro sobre a Festa dos Santos na Capela Nossa Senhora das Dores, no próximo domingo, 05/11.

“Prezados, SM. Para a Festa dos Santos:
1. Adquirir o convite para participar.
2. As crianças devem se vestir após a Missa. Então, tiraremos a foto, cantaremos um pouco e almoçaremos. Depois, teremos duas rodadas do bingo.
3. Não se trata de festa à fantasia. É uma homenagem aos santos e um modo de conhecer um pouco a vida deles.
4. A criança deverá, então, conhecer um pouco da vida do Santo, para apresentá-lo muito rapidamente durante o Bingo dos Santos. Se a criança for muito bebezinha, os pais deverão fazê-lo ou ajudar.
5. A criança deverá estar trajada sempre decentemente, mesmo se a iconografia do santo indicar algo diverso. Por exemplo, São Sebastião é
representado com o torso despido atingido pelas flechas. A criança NÃO deverá vir sem camisa.
6. Na pesquisa (com fontes confiáveis) sobre a vida do santo, identificar algo na sua iconografia que possa identificá-lo com certa rapidez. Por
exemplo, a flecha para São Sebastião, o lírio para São José.
7. Os trajes podem e devem ser simples e dignos, feitos em casa com a ajuda das próprias crianças, na medida do possível.
8. No dia de finados, 02/11, haverá convites à venda ainda.
Deus abençoe.”

[Sermão] Sentido Espiritual das Cerimônias da Missa – Parte 12: O Cânon Romano IV – Consagração da Hóstia

Sermão para o 20º Domingo depois de Pentecostes

22.10.2017 – Padre Daniel Pinheiro, IBP

 

Em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo. Amém.

Ave Maria…

Gostaria de continuar, caros católicos, meu propósito de comentar o sentido espiritual das cerimônias e orações da Missa no Rito Romano Tradicional. Nós chegamos hoje na parte mais importante da Missa: a consagração. A consagração é o centro da Missa. E a Missa, sendo a renovação do sacrifício de Nosso Senhor Jesus Cristo, é o centro do mundo e da humanidade. Assim, a consagração é o centro de tudo, é o centro da Igreja, é o centro de nossas vidas, é o centro da humanidade.

A consagração é o momento em que, pelas palavras do sacerdote, Nosso Senhor se faz presente em corpo, sangue, alma e divindade sobre o altar, e renova seu sacrifício de modo sacramental, místico. Lembremos que o sacrifício da missa é exatamente o mesmo sacrifício que Cristo ofereceu no calvário. Não há diferença entre eles, a não ser no modo, pois na cruz o sacrifício foi cruento, isto é, sangrento, com efusão de sangue e sofrimento, e, na Missa, o sacrifício é incruento, sem efusão de sangue, sem sofrimento. Tudo o mais é idêntico. É o mesmo sacerdote que oferece o sacrifício: Nosso Senhor Jesus Cristo. É a mesma vítima que é oferecida: Nosso Senhor Jesus Cristo. Portanto, não se trata de sacrifícios diferentes, mas do mesmo e único sacrifício da cruz, renovado nos altares pela onipotência e pela misericórdia de Deus. O que renova o sacrifício são as palavras da consagração. É pela consagração que todas as graças alcançadas por Cristo na cruz nos são aplicadas. Portanto, a consagração é, de fato, o centro de tudo. É o momento mais sublime e santo, mais solene e frutuoso. É a essência da Missa. Estamos aqui no santo dos santos. Um silêncio profundo circunda a consagração, antes e depois, para marcar bem o mistério do que ocorrerá. Tudo na Missa até aqui foi preparação para a consagração. Tudo depois será consequência da consagração.

As palavras que realizam a consagração propriamente dita, isto é, que realizam a mudança da substância do pão na substância do corpo de Cristo e a mudança da substância do vinho na substância do sangue de Cristo são respectivamente: “isto é o meu corpo” e “este é o cálice do meu sangue, o sangue da nova e eterna aliança – mistério da fé – que será derramado por vós e por muitos em remissão dos pecados”.

Todavia, temos outras palavras que antecedem as palavras da consagração propriamente ditas. Consideremos, então, toda essa parte da Missa.

Qui pridie quam patereteur. Na véspera de sofrer, ou na véspera de sua paixão. Assim começa essa parte da Missa, fazendo referência clara à paixão de Cristo, pois a Missa é justamente a renovação de seu sacrifício que se consumou na cruz. Ele tomou o pão em suas santas e veneráveis mãos. Nosso Senhor Jesus Cristo tomou o pão em suas mãos. O pão que nos serve de alimento para o corpo e que será a matéria desse sacramento e que se tornará o Corpo de Cristo. O texto da Missa diz que Cristo o tomou em suas santas e veneráveis mãos. O “santas e veneráveis mãos” não se encontra nos textos do Novo Testamento que nos narram a instituição da Missa feita por Cristo na Última Ceia. Essas palavras e outras que não se encontram na Sagrada Escritura são consideradas de tradição divina e apostólica, ou seja, foi o próprio Cristo e os próprios apóstolos que nos deixaram pela tradição oral. É evidente que as mãos de Cristo são santas e veneráveis. Quanto bem não fez com suas mãos, quantas boas obras de misericórdia material e espiritual, curando doenças e perdoando os pecados, abençoando os homens? Mãos veneráveis, dignas de nossa devoção, mãos verdadeiramente divinas e que foram pregadas na cruz para a nossa salvação. Mãos verdadeiramente santas e veneráveis. O padre, ao dizer as palavras “tomou o pão em suas santas e veneráveis mãos”, toma a hóstia ainda não consagrada em suas próprias mãos, imitando o gesto do Salvador.

Et elevatis oculis in caelum. E, tendo os olhos elevados ao céu, voltados para Vós, Deus, Seu Pai onipotente. Mais uma vez, nas Sagradas Escrituras, não estão contidas essas palavras. Não nos é dito que Cristo tenha elevado os olhos ao céu. Sabemos disso pela tradição divina e apostólica. E é bem natural que Cristo o tenha feito. Ele elevou os olhos para multiplicar os pães, Ele elevou os olhos na ressurreição de Lázaro, e em outras ocasiões. Não levantaria nesse momento sublime de instituir a Missa, de instituir o sacrifício perfeito da nova e eterna aliança? Cristo elevou os olhos ao Pai, dando-Lhe graças por todos os seus benefícios, pela sua misericórdia para com os homens. E também abençoando o pão, para separá-lo de todo uso profano, já que esse pão será transformado no corpo de Cristo. Ao dizer essas palavras, o padre olha para a cruz no alto, depois inclina a cabeça ao mencionar a ação de graças e faz o sinal da cruz sobre o pão ao mencionar a bênção, para preparar o pão para a consagração. Durante a Missa, o sacerdote já abençoou a hóstia não consagrada inúmeras vezes, mas repete ainda uma vez essa bênção. Também já rendeu graças inúmeras vezes ao longo da Missa, como no prefácio, por exemplo.

Fregit deditque discipulis suis. E partiu-o e deu-o a seus discípulos dizendo: tomai todos e comei. Na Missa, a hóstia consagrada será partida apenas depois do Pai-Nosso e será dada apenas no momento da comunhão. Nosso Senhor dará seu corpo aos seus discípulos, cumprindo a sua promessa em São João 6, 52: “o pão que eu vos darei é a minha carne para a salvação do mundo.” Nosso Senhor se oferece em alimento para a alma de todos os homens, mas nem todos podem recebê-lo porque nem todos aceitam as suas palavras ou porque preferem permanecer no pecado mortal.

E chegamos realmente às palavras da consagração: “isto é, com efeito, o meu corpo”, hoc est enim corpus meum. São essas cinco palavras, ditas pelo sacerdote, que mudam inteiramente a substância do pão na substância do corpo de Cristo. Essas palavras não são ditas pelo padre em modo narrativo, mas em modo afirmativo, em modo intimativo. O padre não está aqui contando uma história ou simplesmente lembrando ou comemorando o que Cristo fez. O Padre está aqui fazendo verdadeiramente o que Cristo fez na Última Ceia. E isso se manifesta mesmo na tipografia, isto é, na disposição do texto no Missal. Depois das palavras “tomai todos e comei”, vem um ponto final. Há um parágrafo e, em letras maiúsculas, vêm as palavras da consagração. Não temos, portanto, dois pontos, que designam uma narrativa, nem a continuidade do texto. As palavras da consagração, ou seja, as palavras “isto é o meu corpo” estão separadas do resto. Parecem detalhes, mas é algo importantíssimo, para mostrar que a Missa é, de fato, a renovação do sacrifício de Cristo. Infelizmente, no rito novo, a tipografia não é tão clara assim, dando uma idéia mais de narração do que de realização de um ato. O fato de as palavras não reproduzirem exatamente o texto da Sagrada Escritura também nos deixa claro que não se trata de narração, mas da renovação da ação de Cristo. E, de fato, aqui é Cristo que age. O sacerdote age somente na pessoa de Cristo. Cristo é o sacerdote principal, é Cristo que opera a consagração. O padre é um instrumento nas mãos de Cristo. O Sacerdote empresta a sua voz a Cristo. É Cristo quem celebra a Missa em primeiro lugar.  Com essas palavras – isto é o meu corpo – e pela ação onipotente de Cristo, seu corpo passa a estar presente realmente e substancialmente sobre o altar tal como se encontra agora no céu, isto é, unido ao seu sangue, à sua alma e à sua divindade. Portanto, na hóstia consagrada está Cristo todo inteiro: corpo, sangue, alma e divindade. Do pão, permanecem somente as aparências: vemos pão, sentimos pão, o gosto e textura é de pão, mas sabemos, pelas palavras de Cristo, que é verdadeiramente o seu corpo que está ali.

Logo após a consagração o padre faz uma genuflexão, antes mesmo da elevação. Ora, isso é uma confissão de fé imediata de que ali está Cristo inteiro, realmente e substancialmente presente em corpo, sangue, alma e divindade. Depois dessa genuflexão é que o padre faz a elevação, para que os fiéis possam adorar Cristo. Depois da elevação, o padre faz nova genuflexão. No rito novo, infelizmente, a primeira genuflexão, imediatamente após a consagração, foi abolida, restando apenas a genuflexão após a elevação. Isso pode induzir alguns ao pensamento de que Cristo se tornaria presente não pelas palavras da consagração, mas pela fé do povo, ou seja, Cristo se tornaria presente quando é mostrado para o povo e quando o povo confessa que ele está presente. Isso é um erro gravíssimo professado por alguns protestantes.

A elevação logo após a consagração foi introduzida na idade média para combater algumas heresias eucarísticas. Por exemplo, a heresia de Berengário de Tours, que negava a presença real de Cristo nas espécies consagradas, ou o erro de alguns outros que afirmavam que o corpo de Cristo se tornava presente apenas depois da consagração do cálice. Não, na verdade, Cristo está já presente pelas palavras da Consagração ditas sobre o pão. Deve ser, então, adorado pelo padre com as duas genuflexões e pelo povo com a elevação da hóstia.

Consideremos, então, caros católicos, o milagre estupendo que se opera com as palavras da consagração. Consideremos a onipotência divina e também a sua bondade e misericórdia para conosco em se fazer presente a nós de maneira tão simples e tão humilde. E tudo isso para que possamos aproveitar mais do sacrifício de Cristo, para que possamos nos santificar e tê-lo conosco até a consumação dos séculos. Adoremos Cristo no altar reconhecendo seu soberano domínio sobre nós e sobre todas as coisas. Adoremos Cristo no altar pedindo perdão pelos nossos pecados. Pedindo as graças de que precisamos e agradecendo por todos os seus benefícios, mas em particular pela eucaristia, pela Missa e pelo sacerdócio.

Em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo. Amém.

[Avisos] São Pedro de Alcântara, Aulas e Festa dos Santos

Transmitimos os avisos do Padre Daniel Pinheiro, IBP, sobre as atividades na Capela Nossa Senhora das Dores.

1. Hoje, 19/10, Festa de São Pedro de Alcântara, Padroeiro do Brasil. Dia importante para rezar pela nossa pátria. Quem puder fazer o esforço de vir à Missa…
2. Amanhã, 20/10, após a Missa de 19:30, Vida dos Santos: São Francisco de Sales (primeira aula).
3. Sábado, após a Missa de 8h30, aula de liturgia: História do Missal Romano.
4. Os convites para a Festa de Todos os Santos estarão à venda após as Missas de domingo.

Convites:
0 a 4 anos: não precisa de convite.
5 a 11 anos: 10 reais
12 anos em diante: 20 reais

[Sermão] Sentido Espiritual das Cerimônias da Missa – Parte 11: O Cânon Romano III – Communicantes, Hanc igitur e Quam oblationem

 

Sermão para o 19º Domingo depois de Pentecostes

15.10.2017 – Padre Daniel Pinheiro, IBP

 

Em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo. Amém.

Ave Maria…

Caros católicos, continuarei hoje aquilo que já começamos há muito tempo: o comentário sobre o sentido espiritual da Missa no Rito Romano Tradicional. Recomendo vivamente que releiam as outras partes dessa exposição, muito útil para uma melhor compreensão da Missa Tridentina e de nossa adesão a ela. Aproveitando a ocasião, gostaria de lembrar que os pais devem explicar aos filhos, pouco a pouco, mas solidamente, as razões de nossa adesão ao Rito Romano Tradicional. E explicar os motivos mais profundos em primeiro lugar, enfatizando o bem imenso que faz esse rito para a nossa fé e a nossa vida espiritual. Já fizemos um bom número de sermões sobre o assunto.

Nós tínhamos parado na parte do Cânon Romano que antecede a consagração, mais precisamente na oração chamada Communicantes. No Communicantes, o padre e os presentes, reconhecendo a proximidade da consagração e consequentemente a grandeza do mistério, ficam repletos de santo temor. Para não oferecerem sozinhos o santo sacrifício, afirmam a comunhão com os santos no céu, pedindo a intercessão deles. A palavra communicantes exprime a comunhão dos santos que confessamos no credo dos apóstolos: creio na comunhão dos santos. Nós somos a Igreja militante, aquela que ainda milita, que combate na terra pela sua salvação. Na Missa, é toda a Igreja que está de algum modo presente. A nós, Igreja militante, se associa a Igreja triunfante, isto é, os santos que já estão no céu. E também a igreja padecente – as almas do purgatório – se associa à Missa, sobretudo recebendo o sufrágio para mais rapidamente poderem chegar ao céu. Não somente afirmamos a união com os santos no céu para oferecer o santo sacrifício da Missa, como afirmamos que veneramos a memória dos santos.

Em primeiro lugar – não podia ser diferente –, in primis, invocamos a Bem-Aventurada sempre Virgem maria, Mãe de Deus. Unimo-nos a ela para oferecer a Missa e a veneramos sob esse título de Mãe de Deus, definido no Concílio de Éfeso, e que mais agrada a Nossa Senhora depois de seu próprio nome.

Em seguida, é invocado o nome de São José. O nome de São José foi introduzido somente pelo Papa João XXIII no Missal de 1962. Trata-se de um acréscimo, portanto, extremamente recente. O nome de São José não estava no Cânon antes porque na Igreja primitiva não era uma devoção tão desenvolvida. Não se desenvolveu tanto nos primeiros séculos para deixar claro que Jesus Cristo é filho de Deus e não de São José, de quem é somente filho adotivo, se assim podemos dizer. Com o passar dos séculos, desenvolveu-se a devoção a São José, sobretudo com Santa Teresa d’Ávila, no século XVI. Todavia, a Igreja não achou por bem acrescentar o nome de São José no Cânon Romano, pelo princípio de que não se deveria tocar no cânon, a oração mais antiga e venerável da santa Igreja, praticamente estabelecida desde o século VI. Mudar algo no Cânon Romano, tirando ou acrescentando, poderia dar a impressão de que a própria fé poderia ser modificada, já que o Cânon é a muralha mais poderosa contra todas as heresias na Missa. Uma pequena modificação no Cânon poderia ser interpretada como a senha para que se mudassem mais coisas, colocando em perigo a nossa fé. A Igreja preferiu, até João XXIII, não tocar nessa oração tão antiga e venerável a acrescentar o nome de São José. O Papa João XXIII o fez. E as consequências não foram boas. Depois de 1500 anos algo foi modificado no Cânon Romano e muitos interpretaram isso como a brecha aberta para que outras modificações fossem feitas. Assim, com a reforma litúrgica de Paulo VI, em 1969, não só mutilaram o Cânon Romano em gestos e palavras, como acrescentaram outras orações eucarísticas, que passaram a ser usadas muito mais frequentemente e que não chegam perto da perfeição do Cânon Romano. Essas mudanças tão sérias e abrangentes na oração eucarística trouxeram, para o povo católico, a noção de que qualquer coisa na liturgia podia ser mudada e de que a própria fé podia ser mudada. Ter o nome de São José no Cânon é, em si, uma coisa boa, é evidente. Ele é o padroeiro da Igreja, Esposo de Maria Virgem, pai adotivo de Nosso Senhor Jesus Cristo. Mas o fato de ter mudado o Cânon para acrescentar o nome de São José, sobretudo em um contexto de sede de novidades, como era o contexto nos anos 60, trouxe prejuízo. Diante disso, resta-nos pedir a São José que, por sua poderosíssima intercessão, possa propagar o rito romano tradicional por todo o orbe terrestre.

São invocados, em seguida, os apóstolos. Não se inova São Matias, que será mencionado após o Cânon, mas se invoca São Paulo. Primeiramente, invocamos São Pedro e São Paulo. As colunas da Igreja Romana. O primeiro papa e o apóstolo dos gentios. Depois, vêm todos os apóstolos, também fundamentos da Igreja Católica. Isso mostra a apostolicidade da Igreja e a sua antiguidade.

Depois, são mencionados mais doze santos: cinco papas, entre os quais estão os três primeiros sucessores de São Pedro – Lino, Cleto, Clemente – para mostrar que a Igreja Católica Romana é a Igreja fundada por Cristo, isto é sobre São Pedro e seus sucessores. Depois vem um Bispo, sucessor dos apóstolos, São Cipriano. São Cipriano é o único que não foi martirizado em Roma, mas era ali venerado porque foi um grande defensor da Sé de Roma, apesar de ter cometido alguns erros em matérias doutrinárias que não estavam ainda bem esclarecidas na sua época. Morreu mártir. Ele é nomeado após São Cornélio porque foi amigo desse Papa. Em seguida, é mencionado um diácono, São Lourenço, e finalmente cinco leigos. Todos são mártires e são romanos com exceção de São Cipriano. O fato de serem todos mártires mostra a antiguidade da oração. O culto aos santos não mártires, chamados de confessores, pois são confessores da fé sem o martírio, começou a se desenvolver mais a partir do século IV. O fato de serem todos mártires mostra que essa oração antecede o século IV. O fato de serem todos romanos, com exceção de São Cipriano, mostra a origem romana da oração.

Afirma-se, finalmente, a comunhão com todos os santos e também a veneração a eles. Pedimos pelos méritos e orações deles que Deus nos proteja em todas as coisas com o seu divino auxílio.

Depois do Communicantes vem o Hanc igitur. Pedimos a Deus, suplicando, que Ele aceite aplacado, agradado, a oblação de nossa servidão e de toda a Sua família. Ao dizer essas palavras, o padre estende as duas mãos, espalmadas, sobre as oblatas. Esse gesto repete o gesto feito pelo Sumo Sacerdote do Antigo Testamento no dia da expiação e gesto feito nos sacrifícios expiatórios. Esse gesto significa que a vítima vai ser oferecida em expiação pelos nossos pecados, para que Deus seja aplacado na sua ira, para que nos conceda, misericordioso, o perdão. Ao fazer esse gesto, o sacerdote indica que Nosso Senhor veio expiar pelos nossos pecados por meio de seu sacrifício na cruz. A oblação de nossa servidão e de toda a família de Deus significa nossa submissão total a Deus, reconhecendo o seu soberano domínio sobre todas as coisas. Reconhecemos a nossa inteira dependência de Deus. Pelas primeiras palavras e pelo gesto das mãos no Hanc igitur, lembramos que a Missa é um sacrifício de adoração a Deus e também que ela é um sacrifício propiciatório, para nos alcançar o perdão de Deus, para nos arrependermos de nossos pecados. Em seguida, pedimos que Deus disponha nossos dias na paz dEle. Esse dEle é importante. Não pedimos a paz meramente humana, pedimos a paz de Deus. A paz de deus nada mais é do que viver uma vida ordenada em estado de graça. A paz de Deus na sociedade é ter uma sociedade que viva tranquila sob a lei divina, sob o jugo leve e suave de Nosso Senhor. Essa paz de Deus nos livra da condenação eterna e nos faz ser contados no número de seus eleitos. É precisamente o que pedimos ao final dessa oração.

A última oração antes da consagração é o Quam oblationem. Nela, pedimos a Deus que se digne fazer dessa oblação uma oblação abençoada, aprovada, ratificada, racional e aceitável. Essa oblação é abençoada porque é o próprio corpo e sangue de Nosso Senhor Jesus Cristo, de onde vem todas as bênçãos. Essa oblação é aprovada ou legítima porque é feita conforme à instituição e à ordem dada pelo Salvador na Última Ceia. Ratificada, confirmada porque é a oblação da nova e eterna aliança, que não mudará, ao contrário da lei mosaica, que cedeu lugar à lei de Cristo. É uma oblação racional porque a vítima é Cristo, homem e Deus, dotado de razão e de vontade. Ao contrário dos sacrifícios da velha lei, em que se ofereciam animais irracionais. Aqui é Nosso Senhor Jesus Cristo, a palavra de Deus encarnada, que é oferecido. Tudo isso faz, evidentemente, que essa oblação se torne agradável a Deus, aceita por Ele. Depois, pedimos que a oblação se torne para nós o corpo e o sangue de Nosso Senhor Jesus Cristo. Mais uma vez, é claríssimo: o que se oferece na Missa não é, em primeiro lugar, o pão e o vinho, mas o corpo, o sangue, a alma e a divindade de Cristo. E é isso que nos traz todos os benefícios. O pão e o vinho são oferecidos a Deus somente de modo secundário e subordinado ao corpo e sangue de Cristo para significar a nossa união com o sacrifício de Cristo. Essa parte final da oração nos lembra também que essa oblação, que esse sacrifício é um sacrifício eficaz.

No Quam oblationem, são feitos cinco sinais da cruz, para nos lembrar as cinco chagas de Cristo e para nos lembrar que a Missa é a renovação incruenta, isto é, não sangrenta do sacrifício de Cristo. E isso deve ser lembrado sobretudo agora, na iminência da consagração.

Mais uma vez, caros católicos, considerando essas três orações do Cânon Romano que antecedem imediatamente a consagração, podemos ver a riqueza doutrinária e espiritual do rito romano tradicional, esse monumento perfeito da fé católica, essa muralha contra as heresias, essa fonte inesgotável de graças, essa forja de santidade. Infelizmente, o Cânon Romano é tão desprezado atualmente e tão desconhecido, mesmo para nós. Devemos conhecê-lo bem e amá-lo profundamente. É a mais bela e mais eficaz oração composta pela Igreja.

Em nome do pai, e do Filho, e do Espírito Santo. Amém.

[Sermão] O papel da graça em nossa vida

Sermão para o 18º Domingo depois de Pentecostes

08.10.2017 – Padre Daniel Pinheiro, IBP

 

Em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo. Amém.

Ave Maria…

Sem Vós, não podemos Vos agradar.

Tanto a oração da coleta do dia de hoje quanto a epístola de São Paulo nos falam da graça. Na coleta, pedimos que Deus dirija o nosso coração pela obra de sua misericórdia, pois sem a ação dEle não podemos agradá-lO. Na Epístola, nos é dito que é Cristo que nos confirmará até o fim.

Nós precisamos da graça de Deus, caros católicos, para agradar a Deus e para nos salvar. A graça pode ser dividida, principalmente, em graça santificante e graça atual.

A graça santificante é um dom gratuito de Deus que muda acidentalmente a nossa alma e que nos faz participar da própria vida divina. Quando dizemos que é uma mudança acidental, queremos dizer que continuamos seres humanos quando recebemos a graça, não mudamos a nossa natureza, mas participamos da vida divina e nos tornamos dignos do céu. Não nos divinizamos propriamente. Mas, permanecendo seres humanos, participamos da vida divina.

A graça atual, por sua vez, é a ajuda pontual e transitória de Deus para que façamos o que é bom, para que evitemos o que é mau. Essa ajuda se dirige principalmente a evitar que percamos a graça santificante, se estivermos nela, ou se dirige a nos levar ao arrependimento de nossos pecados para que possamos recobrar a graça santificante, se estivermos em pecado mortal.

O nome graça significa duas coisas importantes: primeiro, é um dom gratuito de Deus. Deus não era obrigado a nos fazer participantes de sua própria vida. Não era obrigado a nos fazer seus amigos desse modo. Mas quis fazer isso pela sua infinita bondade. Não só nos criou, mas nos chamou a algo que está acima de nossa exigência, Ele nos chamou a conhecê-lo como Ele mesmo se conhece, a amá-lO como Ele mesmo se ama. Deus não poderia nos fazer algo maior e melhor por nós. E fez sem ser obrigado a isso. A graça é gratuita.

O nome graça significa também que, por ela, nós nos tornamos gratos, agradáveis a Deus. A graça santificante nos torna agradáveis a Deus. Ora, se a graça é gratuita, dada por Deus e sem ela não somos agradáveis a Ele, está claro que não podemos agradar a Deus sem Ele. Como diz a coleta: quia tibi sine te placere non possumus. Porque sem Vós não podemos Vos agradar.

Para sairmos do pecado (original ou mortal) para o estado de graça santificante, nós podemos nos dispor, implorar a Deus a sua graça, mas não podemos merecê-la propriamente. Como merecer algo que está muito acima de nós? Como merecer a graça de Deus se estamos em estado de inimizade com Ele? Para passar do pecado mortal ou original ao estado de graça santificante, é só por bondade de Deus, que leva em conta, claro, nossas disposições, sem que elas O obriguem a nos dar a sua graça. Sem Deus, nada podemos fazer que O agrade. Claro, Deus dá a graça suficiente para todos, a fim de que se salvem. Ninguém poderá chegar no dia de seu juízo particular, isto é, no instante após a própria morte e dizer: não me salvei porque Deus não me deu a graça. Deus dá a graça suficiente e abundante para que todos se salvem. Se não nos salvarmos é porque não aceitamos a Sua graça, porque não quisemos recebê-la.

Por outro lado, se estamos já em amizade com Deus em união com Ele, isto é, se estamos em estado de graça e fazemos boas obras por Deus, podemos merecer um aumento da graça, podemos merecer graças atuais. Podemos merecer porque, ao fazermos as boas obras em estado de graça, nossas obras passam a ser feitas com Ele, efetivamente.

Então, caros católicos, se por grande infelicidade, estivermos em estado de pecado mortal, devemos implorar a graça de Deus para que saiamos desse estado pelo arrependimento de nossos pecados, por uma boa confissão. Devemos suplicar essa graça de arrependimento e devemos procurar nos dispor para receber essa graça, evitando cometer o mesmo pecado e outros pecados, procurando observar os mandamentos. Se estivermos em estado de graça, devemos suplicar a Deus que nos conserve. Não podemos perseverar na graça sem a ajuda divina, sobretudo não podemos perseverar na graça até a nossa morte sem uma ajuda particular de Deus, como diz São Paulo: é Ele que nos manterá firmes até o fim. Devemos pedir a Deus que nos conserve sempre na graça e devemos pedir, em particular, essa graça da perseverança final.

Devemos nos lembrar que a causa primeira de todo bem é sempre Deus. Muitas vezes, começamos a avançar na vida das virtudes e começamos a atribuir nossas boas obras cada vez mais a nós mesmos e cada vez menos a Deus e à graça dEle. Quando vamos agindo assim, confiando muito em nós mesmos e esquecidos da graça divina, podemos ter certeza de que o abismo, de que o pecado se encontra logo adiante de nós, no nosso próximo passo. As boas obras são fruto de uma misteriosa união entre a graça divina e a nossa cooperação. A parte principal é a graça, claro. Nós cooperamos com a graça. Devemos, então, sempre reconhecer que se vamos avançando no amor a Deus, nas virtudes, nas boas obras, é, em primeiro lugar, pela graça de Deus. Graça de Deus que exige nossa cooperação, como já dissemos e repetimos. Não nos esqueçamos de que a graça de Deus é a fonte de todo bem.

Devemos confiar em Deus e desconfiar de mim mesmo. Desconfiar de mim mesmo não quer dizer que devo pensar: nunca vou me salvar, nunca vou conseguir. Desconfiar de mim mesmo é reconhecer a minha própria fraqueza e a minha própria miséria quando esqueço a graça divina e a negligencio. Desconfiar de mim mesmo é saber que irei pecar se eu não fizer a minha parte para evitar as ocasiões de pecado. Desconfiar de mim mesmo é saber que preciso rezar, que devo me apoiar na graça divina para não cair. Desconfia de mim mesmo é saber que quando penso que posso fazer o bem sozinho, sem a ajuda de Deus, irei cair seriamente em breve. Paradoxalmente, quando confiamos em nós mesmos, esquecidos da graça divina, vamos caminhando ao desespero, pois com nossas próprias forças não conseguiremos fazer o bem por muito tempo. Quando, ao contrário, temos essa desconfiança ordenada de nós mesmos, como acabamos de falar, vamos caminhando para a confiança em Deus, vamos aumentando a nossa esperança. Por isso São Paulo diz: quando estou fraco, estou forte, isto é, quando reconheço as minhas fraquezas, estou forte na graça de Deus, pois recorro a Ele e me apoio nEle e sigo o que Ele diz para vencer as minhas fraquezas.

Devemos também, caros católicos, fazer a nossa parte – ajudados por Deus – para sermos fiéis à graça. A fidelidade à graça é indispensável. Primeiramente, a fidelidade à graça santificante, fazendo tudo para preservá-la. A graça santificante, isto é, a união a Deus, a amizade com Ele, é o tesouro escondido. Tendo encontrado esse tesouro devemos deixar todo o resto para guardá-lo e fazê-lo frutificar sempre. Devemos ser fiéis a tão alto dom que nos foi dado gratuitamente por Deus. Devemos ser fiéis também às graças atuais que Deus nos dá, que são essas ajudas pontuais e transitórias para que evitemos o pecado e para que cresçamos no amor a Ele. É muito importante não negligenciar essas graças atuais que Deus nos dá. Se negligenciamos essas graças, vamos pouco a pouco nos dispondo ao pecado. Se vamos negligenciando essas graças, deixamos de progredir na vida espiritual. Se negligenciamos essas graças, terminamos perdendo muitas outras graças. Muitas graças atuais estão ligadas umas às outras como os elos de uma corrente. Se deixamos passar uma, perdemos várias outras graças que estavam atreladas a ela. Devemos ser fiéis às graças atuais, às graças que nos levam a melhor conhecer, amar e servir a Deus.

Caros católicos, lembremo-nos sempre de que a graça vem de Deus. A nós cabe suplicar a graça divina, nos dispormos a ela e sermos fiéis a ela, desconfiando de nós, confiando em Deus. Dirigi, Senhor, os nossos corações com a obra de vossa misericórdia, pois sem Vós não podemos Vos agradar. O que é a obra da misericórdia de Deus que dirige as nossas almas? A graça divina.

Em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo. Amém.

[Aviso] Conferência, aula e Festa de Todos os Santos

Transmitimos os avisos do Padre Daniel Pinheiro, IBP, sobre as atividades na Capela Nossa Senhora das Dores:

1. Hoje, sexta-feira, 13/10, Conferência após a Missa das 19:30 – A Cura da Sogra de São Pedro.

2. Amanhã, sábado, 14/10, aula de Elementos de História da Igreja – Mártires da Inglaterra.

3. No domingo, 15/10, após as três Missas, estará à disposição a lista para a Festa de Todos os Santos, a ser preenchida com o nome da respectiva criança.

Deus abençoe.

Pe Daniel Pinheiro, IBP

 

[Aviso] Jornada de Nossa Senhora Aparecida: convites e programação

Prezados, Salve Maria!

Segue, abaixo do cartaz, a programação para a Jornada de Nossa Senhora Aparecida, dia 12/10, quinta-feira.

É preciso adquirir o convite apenas para o churrasco. O resto é aberto a todos.

Haverá convites à venda na hora!

A programação da Jornada de Nossa Senhora Aparecida, dia 12/10:

8h15 – Ofício do Rosário (Terço rezado diante do Santíssimo Exposto).

9h00 – 1ª Conferência: A Imaculada Conceição e as heresias.

10h15 – 2ª Conferência: A História de Nossa Senhora Aparecida e o Brasil.

11h30 – Missa Solene

13h00 – Churrasco (necessário adquirir o convite, que será vendido na hora também).

Lembrancinha de Nossa Aparecida para as crianças após o almoço.

Campeonato de Jenga para os jovens.

Haverá Missa também às 7:00 e às 19:00.

[Aviso] Atividades, Programação daJornada de Fátima e alerta

Transmitimos os avisos do Padre Daniel Pinheiro, IBP:

Prezados, Salve Maria!
1. Amanhã, 1ª sexta-feira do mês, Missa às 6:30 e 20:00. Hora Santa às 19:00. Confissões a partir de 18:30.
2. Sábado, 1º sábado do mês, Missa às 8h30.
3. Sábado, após a Missa da manhã, aula de História da Igreja. Personagens e heróis da Cruzada: Godofredo de Bulhões.
4. Domingo será o último dia para a venda dos convites para o churrasco da Jornada de Nossa Senhora Aparecida, dia 12/10. O convite estará à venda após as Missas de domingo: 8:00, 10:00 e 19:00.
5. Preço de Convites
0 a 4 anos – 0.
5 a 11 anos – 10 reais.
12 anos em diante – 25 reais.

Um alerta: no domingo passado, após a Missa das 10:00, foi deixada uma folha sobre curso de latim nos carros. Nãos foi pedida a anuência do padre. Não sabemos quem é, o que quer e o que pensa a pessoa que assim o fez. Nem sabemos a qualidade do curso. Faz anos que insistimos para que não se aproveite a situação para se fazer qualquer propaganda de grupos ou outras coisas. Portanto, não podemos recomendar e não recomendamos.

A programação da Jornada de Nossa Senhora Aparecida, dia 12/10:

8h15 – Ofício do Rosário (Terço rezado diante do Santíssimo Exposto).

9h00 – 1ª Conferência: A Imaculada Conceição e as heresias.

10h15 – 2ª Conferência: A História de Nossa Senhora Aparecida e o Brasil.

11h30 – Missa Solene

13h00 – Churrasco (necessário adquirir o convite até o dia 08/10).

Lembrancinha de Nossa Aparecida para as crianças após o almoço.

Haverá Missa também às 7:00 e às 19:00.