[Sermão]

Sermão para a Oitava de Páscoa

23.04.2017 – Pe Daniel Pinheiro, IBP

Em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo. Amém.

Ave Maria…

“Veio Jesus, estando as portas fechadas, e pôs-se no meio e disse: a paz seja convosco.”

Caros católicos, três vezes no Evangelho de hoje Nosso Senhor deseja a paz aos discípulos. É bem sabido que os judeus se saudavam desejando a paz uns aos outros. Todavia, o desejo de paz de Jesus não se reduz aqui a uma mera saudação de formalidade. As palavras de Jesus são um desejo de verdadeira paz, verdadeira paz que só é possível porque Ele ressuscitou dos mortos ao terceiro dia após a sua morte. Nosso Senhor é o Príncipe da paz.

Entre as profecias do Antigo Testamento sobre o Salvador, um dos nomes dados pelo profeta Isaías a Nosso Senhor é justamente o de Príncipe da Paz. E o profeta continua dizendo: “seu império será grande e a paz sem fim sobre o trono de Davi e em seu reino.” (Isaías IX,7). Zacarias, pai de São João Batista, diz no canto do Benedictus que Nosso Senhor “há de iluminar os que jazem nas trevas e na sombra da morte e que Ele há de dirigir os nossos passos no caminho da paz.” (Luacs I, 79) Assim que Nosso Senhor nasce, os anjos entoam as palavras: Glória a Deus nas alturas e paz na terra aos homens de boa vontade. (Lucas II, 14). E São Paulo diz que Cristo veio para anunciar a paz aos que estavam longe, e a paz também àqueles que estavam perto, ou seja, aos pagãos e aos judeus. O mesmo apóstolo diz que Cristo é a nossa paz. (Efésios II, 14 e 17). Ainda São Paulo nos diz que Cristo restabeleceu a paz a tudo quanto existe na terra e nos céus ao preço do próprio sangue na cruz. (Colossenses I, 20). E durante a sua vida pública Nosso Senhor também nos fala da paz muitas vezes. Ele envia os apóstolos dizendo que ao entrar em uma casa devem desejar a ela paz (Mateus X, 12). À mulher curada do fluxo de sangue, Nosso Senhor diz: “Filha, a tua fé te salvou. Vai em paz e sê curada do teu mal.” (Marcos V, 34). Ao contemplar Jerusalém e a sua incredulidade, Cristo lamenta: “Oh! Se também tu, ao menos neste dia que te é dado, conhecesses o que te pode trazer a paz!” (Lucas XIX, 42). Aos díscipulos, na última ceia, o Salvador diz: “falo-vos essas coisas para que tenhais a paz em mim.” (João XVI, 33) E temos ainda os três desejos de paz que o Santo Evangelho de hoje menciona. Não há dúvida, caros católicos: Nosso Senhor é o Príncipe da Paz.

Todavia, Jesus Cristo diz também: “Não julgueis que vim trazer a paz à terra. Vim trazer não a paz, mas a espada.” (Mateus X, 34) Ou ainda, conforme São Lucas: Julgais que vim trazer paz à terra? Não, mas a separação.” Haveria, então, contradição nas palavras de Nosso Senhor? Ele veio trazer a paz ou a espada e a separação? É claro que não pode haver contradição nas palavras de Nosso Senhor, sendo Ele a própria Verdade, sendo Ele Deus. O próprio Cristo nos explica, quando na Última Ceia diz aos discípulos: “deixo-vos a paz, dou-vos a minha paz. Não vô-la dou como o mundo a dá.” (João XIV, 27) Portanto, caros católicos, Nosso Senhor veio trazer a paz ao mundo, mas essa paz não é a paz como o mundo a entende. Qual é, então, a paz de Cristo?

A paz que nos trouxe Cristo é, antes de tudo, a paz com Deus. Com sua paixão e morte de cruz, pela nossa redenção, operada com seu sangue, Nosso Senhor nos traz a reconciliação com Deus, com a Santíssima Trindade. Com o seu sacrifício na Cruz, Cristo restabelece entre Deus e os homens a paz. Deus é aplacado pela caridade infinita de Nosso Senhor Jesus Cristo. A justiça divina é satisfeita pelos sofrimentos de Cristo suportados com tamanha caridade. O Homem-Deus estabelece a paz. Ele estabelece a paz para aqueles que desejam viver em união com Ele, pela fé, acreditando e aderindo incondicionalmente aos seus ensinamentos. Ele estabelece a paz para aqueles que desejam viver em união com Ele, pela caridade, praticando os seus mandamentos. Ele estabelece a paz para aqueles que desejam viver em união com Ele, pela fidelidade à Igreja e à sua doutrina constante. Ele estabelece a paz para aqueles que desejam viver em união com Ele, pela frequência aos sacramentos da confissão e da eucaristia. Ele estabelece a paz para aqueles que desejam se arrepender de seus pecados e que desejam se voltar para Deus. Tudo isso nos ordena a Deus. E a estabilidade, a tranquilidade nessa ordenação a Deus é justamente a paz. A verdadeira paz está fundada em Cristo. Nosso Senhor não veio trazer a paz no mundo, nem a paz do mundo. Ele veio trazer a paz entre Deus e os homens. Ele insiste, sobretudo, depois da sua ressurreição, mostrando que a plenitude dessa paz será alcançada com a vida eterna.

Além da paz entre Deus e os homens, a paz de Cristo é também uma paz do homem consigo mesmo. Aquele que adere aos ensinamentos de Cristo e pratica seus mandamentos, estabelece a devida ordem em sua vida. Essa ordem estável é a paz. Aquele que vive em estado de graça ordena e submete a inteligência e a vontade a Deus. Aquele que vive em estado de graça ordena e submete os sentimentos, as emoções, as paixões, à inteligência e à vontade. Aquele que vive em estado de graça ordena e submete os bens materiais ao bem da sua alma. Cristo, pelos seus méritos, nos dá a graça de ter uma vida ordenada, ordenada a Deus: bens materiais ordenados à alma, sentimentos ordenados à inteligência e à vontade, inteligência e vontade ordenadas a Deus.

Além da paz entre Deus e os homens, além da paz do homem consigo mesmo, Nosso Senhor traz também a paz entre os homens tanto quanto ela é possível nesse mundo. Essa paz, no entanto, só será verdadeira quando for fundada na fé e na caridade, isto é, na adesão aos ensinamentos de Cristo e na prática da sua lei. Nunca se falou tanto em paz e nunca se viu tanta desordem. Isso ocorre porque se busca uma paz sem o Príncipe da Paz, que é Cristo. A verdadeira paz entre os homens existe quando eles cooperam mutuamente para ordenar a sociedade, para ordenar uns aos outros a Cristo. Muitos acham que a paz de Cristo é simplesmente unir as pessoas, um viver junto, evitando problemas, aceitando tudo o que o outro faz, mesmo os pecados. Muitos acham que a paz de Cristo é achar que todas as religiões são boas. Muitos acham que a paz de Cristo é evitar todo conflito. Muitos acham que a paz de Cristo é a união a qualquer custo. Essa é a paz do mundo, uma falsa paz. Não é a paz de Cristo. A paz de Cristo, baseada na fé e nos mandamentos, termina gerando, como Ele mesmo disse, a separação, porque nem todos desejam a verdadeira paz, mas se contentam com uma paz aparente e superficial. A paz de Cristo, nesse mundo que se opõe a Ele, é também uma espada de combate. A paz não é a mera ausência de conflitos, não é o políticamente correto, não é o simples bom mocismo. A paz não é a indiferença diante dos acontecimentos de nossa vida. Muita gente associa a paz hoje a um estado em que a alma já não deseja nada ou em que a alma não se preocupa com nada, procurando evitar assim todo sofrimento. Essa paz é própria de religiões esotéricas ou orientais. É uma paz pagã, ilusória, uma paz contrária à natureza humana e que causa enormes sofrimentos. É uma paz que destrói a nossa alma, alma que é feita justamente para amar o bem e sofrer pelo bem aqui nesse mundo. A paz do catolicismo é amar a Deus, o Bem, a Verdade e sofrer por Deus, pelo Bem, pela Verdade. A paz de Cristo é uma paz heróica. A paz é a tranquilidade, a estabilidade na ordem, na ordem a Deus. Portanto, a verdadeira paz entre os homens, na medida em que ela pode existir entre os homens, só pode ser uma paz fundada na fé e na caridade. A paz entre os povos e nações só será verdadeiramente uma paz quando povos e nações se submeterem a Cristo, Príncipe da Paz.

Para alcançar, então, a paz nesses três níveis, com Deus, consigo mesmo, com o próximo, é necessário combater. Conforme o antigo ditado latino: si vis pacem, para bellum, se queres a paz, prepara a guerra. Para alcançar a paz da graça será preciso separar-se do demônio, do pecado, do mundo. Para alcançar a paz será preciso separar-se das nossas paixões desordenadas. Para alcançar a paz será preciso, com frequência, desagradar às pessoas, pois é preciso agradar a Deus antes que aos homens. Cristo ressussistado passou antes pela cruz. Nesse mundo, a paz vai acompanhada da Cruz, do combate, da separação. A paz de Cristo é a vida da graça, a vida de união com a Santíssima Trindade.

Na Santa Missa, o padre saúda inúmeras vezes os fiéis com a saudação Dominus Vobiscum, o Senhor esteja convosco. O Bispo, nas Missas festivas, ao se dirigir aos fiéis pela primeira vez diz Pax vobis, a paz esteja convosco. As duas saudações, Dominus Vobiscum e Pax Vobis, têm o mesmo significado: que os fiéis estejam na graça de Deus, que ordenem as suas vidas a Deus. E os fiéis, com caridade, desejam a mesma coisa para o sacerdote: et cum spiritu tuo, e com o teu espírito, isto é, que a tua alma também esteja na graça do Senhor. Não respondem com presunção que Deus já está no meio deles. Contemplemos Nosso Senhor Jesus Cristo ressuscitado e aceitemos a paz que ele nos dá. Paz que começa nesse mundo acompanhada da cruz e que será plena no céu.

Em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo. Amém.

[Aviso] Jornada de Nossa Senhora Fátima

Haverá, na Capela Nossa Senhora das Dores, a Jornada em honra do centenário das aparições de Nossa Senhora em Fátima.

A programação (sujeita a pequenas alterações):

8h15 – Ofício do Rosário (Terço rezado diante do Santíssimo Exposto)

9h00 – 1ª Conferência: A vida dos Pastorinhos após as aparições – Nossa Senhora de Fátima e a santificação

10h15 – 2ª Conferência: Perspectiva geral sobre as aparições de Nossa Senhora em Fátima

11h30 – Missa Cantada

12h30 – Almoço (necessário adquirir o convite até o dia 07/05)

Atividades lúdicas para as crianças após o almoço.

[Aviso] Indulgência Plenária na Festa do Bom Pastor

Transmitimos o importante aviso do Padre Daniel Pinheiro, IBP, sobre indulgência plenária na Festa do Bom Pastor para os fiéis que frequentam os apostolados do Instituto. Faz parte das comemorações dos 10 anos do Instituto Bom Pastor.

“Prezados, Salve Maria!

A Sagrada Penitenciária Apostólica, a pedido do Superior Geral do Instituto Bom Pastor, Padre Philippe Laguérie, concede indulgência plenária para aqueles que:

  1. No dia da Festa do Bom Pastor (30/04), assistirem à Missa em algum apostolado do IBP e
  2. Acrescentarem a isso um Pai-Nosso, um Credo e uma Ave-Maria.

Além das condições usuais para a indulgência plenária:

  • desapego de todo pecado mortal e venial;
  • confissão sacramental (oito dias antes ou depois da obra);
  • comunhão (oito dias antes ou depois da obra);
  • oração pelas intenções (exaltação da Igreja, propagação da fé…) do Santo Padre. Um Pater e uma Ave, por exemplo.

Uma grande graça.

Deus abençoe.

Pe Daniel Pinheiro, IBP”

[Aviso] Missa Pontifical Solene na Festa de São Pio V, 5 de maio

Nos 10 anos do Motu Proprio Summorum Pontificum, teremos uma Missa Pontifical Solene com Dom Fernando Guimarães, Arcebispo Militar, em honra de São Pio V, propagador da liturgia romana, no dia da festa desse grande Papa, 5 de maio.

Motu Proprio reafirmou aquilo que a doutrina e a prática católicas sempre afirmaram: a Missa no Rito Romano Tradicional (chamada de Tridentina ou de São Pio V) nunca foi abolida nem pode ser abolida. Deo Gratias!

 

[Aviso] Avisos Vários

Salve Maria!
1. A confraternização anunciada para esse domingo será adiada para o Domingo seguinte (30/04), que será o Domingo do Bom Pastor, Padroeiro do IBP.
2. A partir de domingo próximo (23/04), estarão disponíveis os convites para o almoço da Jornada em honra do Centenário de Nossa Senhora de Fátima (13/05).
3. Pede-se aos que levaram o contrato da Peregrinação para que o devolvam preenchido tão logo tenham uma definição. Se alguém desistir, pede-se que devolva também o contrato.
4. Amanhã, sexta-feira, 21/04, haverá SOMENTE a Missa de 6h30.
5. No sábado (22/04), haverá aula de elementos de História da Igreja: O Início dos Cistercienses.
6. As aulas de catequese das crianças (Crisma e 1ª COmunhão) irão até 12h00 nesse próximo sábado (22/04).
7. Haverá o Catecismo de adulto normalmente nesse próximo sábado (22/04) pela tarde.
8. Vale bem a pena ver a Conferência sobre a Pedagogia de Dom Bosco e sobre o Matrimônio: Princípios e Questões Práticas.

[Vídeo] Conferência – A Pedagogia de Dom Bosco

Para ver a primeira Conferência: Matrimônio: Princípios e Questões Práticas

Conferência dada na Jornada de Formação para Casais da Capela Nossa Senhora das Dores, em Brasília, no dia 21.01.2017, pelo Padre Daniel Pinheiro, IBP.

A conferência aborda a pedagogia de Dom Bosco com exemplos tirados da vida do próprio santo, com os elementos que formaram essa pedagogia e com as explicações do santo de Turim.

Essa conferência será complementada por um outro vídeo, com a leitura de alguns trechos relativos à pedagogia de Dom Bosco. Um link será aqui indicado.

[Vídeo] Conferência – Matrimônio: Princípios e Questões Práticas

Para ver a segunda Conferência: A Pedagogia de Dom Bosco

Conferência dada na Jornada de Formação para Casais da Capela Nossa Senhora das Dores, em Brasília, no dia 21.01.2017, pelo Padre Daniel Pinheiro, IBP.

A conferência é dada em tom informal, abordando os princípios do matrimônio e questões práticas relativas, sobretudo, às crises conjugais.

Na Conferência se faz alguma referência ao livro Crises Conjugais, de Dom Rafael Llano Cifuentes. O autor aborda questões práticas bem relevantes e de modo bastante proveitoso, sobretudo na segunda parte do livro, embora tenha, por vezes, uma abordagem um pouco moderna.