[Aviso] Peregrinação Nacional do IBP a Aparecida 2018

  1. A Peregrinação Nacional do Instituto Bom Pastor a Aparecida ocorrerá de 2018 ocorrerá sábado, dia 28/07.
  2. Todos estão convidados a se juntar ao IBP nesse ato de devoção à Padroeira do Brasil.
  3. Haverá caminhada (facultativa) de 14km até Aparecida com os clérigos do IBP e fiéis de todo o Brasil.
  4. Haverá partidas das casas do IBP. Entre em contato com os padres responsáveis pelas casas.

[Aviso] Práticas quaresmais

Transmitimos o aviso do Padre Daniel Pinheiro, IBP.

Prezados, Salve Maria!

Falta uma semana para o início da Quaresma. É preciso pensar nas práticas Quresmais e fazer resoluções que realmente ajudem no amor a Deus e ao próximo. A Igreja recomenda, em geral, três tipos de práticas:

1) Oração. Por exemplo, rezar o terço todos os dias (se ainda não faço), ou fazer uma boa leitura espiritual sólida e segura (se ainda não faço), ou fazer meditação católica todos os dias (se ainda não faço), ou rezar a via-sacra alguns dias da semana (definir os dias), ou rezar a coroa das dores de Nossa Senhora.

2) Penitência. Por exemplo, pode ser ao relacionado à comida, mas pode ser também com relação à internet, a redes sociais, a whatsapp, todas essas coisas que, de modo geral, nos atrapalham bastante na vida espiritual, se não são muito bem reguladas, o que é difícil de fazer. Pode ser também com relação a assistir futebol (esporte em geral) ou ver notícias disso para os homens, o que faz perder um tempo imenso com futilidade. Para as mulheres, deixar, por exemplo, de buscar informações fúteis sobre outras pessoas na internet e fora dela. E são coisas que podem durar depois da Quaresma.

3) A caridade para com o próximo. Sobretudo no seio da família. Fazer algum bem material ou espiritual ao próximo, ter mais paciência com o próximo (marido com esposa e vice-versa), evitar falar mal do próximo, rezar por pessoas específicas e com maior intensidade, rezar por quem nos fez algum mal.

Escolher algo bem determinado e concreto em cada uma dessas frentes. E combater seriamente todo pecado, sobretudo o que mais nos atrapalha na união com Deus.

E que se façam os propósitos por amor a Deus, para avançar na santidade, na virtude e também em reparação pelos nossos pecados. Assim, receberemos graças abundantes na Quaresma, na Páscoa e ao longo da vida. As resoluções de Quaresma não obrigam, por si, sob pena de pecado.

Deus abençoe. Padre Daniel Pinheiro, IBP.

[Aviso] Devoção das 40 horas de Adoração ao Santíssimo Sacramento

Prezados, Salve Maria!

A lista de inscrição para a Adoração está disponível na Capela Nossa Senhora das Dores.

Além do horário de inscrição, é possível vir adorar o Santíssimo Sacramento em qualquer momento durante o período da Devoção. Aqueles que não se inscreverem também podem vir adora o Santíssimo Sacramento a qualquer momento.

[Sermão] Sentido Espiritual das Cerimônias da Missa – Parte 14: O Cânon Romano VII – Supplices te rogamus e Memento dos mortos

Sermão para o Domingo da Septuagésima

28.01.2018 – Padre Daniel Pinheiro, IBP

Em nome do Pai…

Ave Maria…

Caros católicos, continuamos a tratar das cerimônias e orações da Missa. No último domingo, falamos das duas primeiras orações após a consagração: o Unde et Memores e o Supra quae propitio. Elas são concluídas pela terceira oração após a consagração: o Supplices te rogamus.

O sacerdote profundamente inclinado, começa a oração: súplices, vos rogamos, Deus onipotente, façais que esses dons (o Corpo e o Sangue de Cristo) sejam levados pelas mãos de vosso santo anjo para o vosso sublime altar, diante de vossa divina majestade. Devemos notar, em primeiro lugar, que a posição do corpo do padre, profundamente inclinado, corresponde exatamente às palavras da oração. Aquele que suplica a Deus deve estar em posição de humildade diante de dEle.

O sacerdote pede, então, que o Santo Anjo leve o sacrifício ao sublime altar celeste, diante de Deus. Alguns dizem que o Anjo aqui é o anjo do grande conselho, o próprio Cristo. Outros dizem que, de fato, se trata de um anjo propriamente dito. Entre as funções angélicas encontra-se a função de levar até Deus nossas preces (Tobias 12, 12; Apocalipse 8, 3-4). Alguns dizem que é São Miguel Arcanjo, o anjo protetor da Igreja Católica, única esposa de Cristo. As três interpretações são possíveis, embora a mais apropriada talvez seja considerar que o anjo é Cristo, que efetivamente apresenta o seu próprio sacrifício diante da Santíssima Trindade.

Pedimos que o sacrifício da Igreja militante seja levado ao sublime altar de Deus, diante da majestade divina. Esse trecho significa a união entre o sacrifício da Igreja Militante e o sacrifício da Igreja Triunfante. No céu, propriamente, já não há mais sacrifício como o nosso, nem altar como nosso. O que há no céu é Nosso Senhor Jesus Cristo, sumo sacerdote e mediador, diante de Deus apresentando suas chagas para interceder por nós e nos aplicar os frutos da redenção. Cristo é o próprio altar e falamos de sacrifício no céu na medida em que está diante de Deus com as marcas de Seu sacrifício redentor aqui na terra. E a esse sacrifício celeste, se unem todos os bem-aventurados no céu. Ao pedir que os dons sejam levados ao céu, ao altar sublime e ao olhar da divina majestade, pedimos que nosso sacrifício aqui na terra seja unido a esse sacrifício celeste e pedimos que o nosso sacrifício aqui na terra seja aceito como o sacrifício celeste. Não se trata, portanto, de transportar fisicamente aos céus o Corpo e o Sangue de Cristo que estão sobre o nosso altar, mas dessa união entre a liturgia terrestre e a liturgia celeste. Devemos também lembrar que as orações da Missa nos explicam, muitas vezes, o que ocorre no instante da consagração. É o que ocorre aqui na oração do Supplices te rogamus. É no momento da consagração que Nosso Senhor une o sacrifício da Missa ao Sacrifício celeste.

Unimos o sacrifício da Missa com o sacrifício celeste, apresentamos a Ele o sacrifício de Cristo para que possamos receber os frutos abundantes que lhe são próprios. Pedimos que todo aquele que, participando deste altar, receber o Corpo e o Sangue de Cristo, seja repleto da bênção celeste e de graça. Ao mencionar a participação no altar, o padre oscula o altar, mostrando todo o seu amor por Cristo e por seu sacrifício e mostrando que é do altar que nos vêm as graças. Trata-se de um movimento ascendente – é o sacrifício que sobe até Deus –  e de um movimento descendente – as graças de Deus que descem até nós. A oração do Supplices te rogamus apresenta a realidade da escada de Jacó: ela mostra a escada misteriosa do sacrifício que toca o altar celeste com uma extremidade e que toca o altar terrestre com a outra extremidade.

A conclusão da oração do Supplices te rogamus é, na verdade, a conclusão do Unde et memores e do Supra quae propitio, deixando clara a unidade dessas três orações que pedem que o sacrifício da Missa seja agradável a Deus, tornando-O propício. Pedimos que seja agradável a Deus não tanto como sacrifício de Cristo, pois o sacrifício de Cristo é necessariamente agradável a Deus, mas pedimos que seja agradável a Deus a nossa disposição de alma com que oferecemos o sacrifício da Missa.

Após o Supplices te rogamus, vem o memento dos defuntos. O sacrifício da Missa é útil não só para os vivos, mas também para os mortos. Pela Missa, os vivos podem adorar a Deus perfeitamente, agradecer por todos os seus benefícios, pedir as graças de que precisam e expiar pelos seus pecados. Para os defuntos, aproveita apenas o aspecto de expiação dos pecados. Aqueles que estão no purgatório podem simplesmente padecer e expiar pelos pecados veniais e pelas penas temporais dos pecados com que morreram. E é nesse sentido que a Missa pode ajudá-los, expiando os seus pecados.

Lembrai-vos também, Senhor, dos vossos servos e servas que nos precederam com o sinal da fé e dormem o sono da paz. Apenas podem ser ajudados aqueles que morreram marcados com o sinal da fé e que dormem o sono da paz, quer dizer, que morreram em paz com Deus, em estado de graça, sem pecado mortal. A Igreja fala naqueles que dormem, pois a morte, aguardando a ressurreição, é uma espécie de sono. O Padre pode, então, nomear alguns defuntos por quem reza de modo especial na Missa. Ao relembrar os defuntos por quem quer rezar, o padre guarda os olhos voltados para a hóstia consagrada sobre o altar. O padre começa a oração estendendo e juntando as mãos, em gesto de súplica pelos defuntos. Ditos os nomes, o padre pede para eles e para todas as almas do purgatório, isto é, para todos aqueles que repousam em Cristo, o lugar do refrigério, da luz e da paz. Pedimos, para os fiéis defuntos, o céu. O céu é o lugar de refrigério, pois não haverá mais o calor do fogo do purgatório nem a dor de qualquer outra pena sensível. O céu é o lugar da luz. A luz significa o conhecimento. No purgatório, a alma está privada do conhecimento perfeito de Cristo. O céu é o lugar da luz, então, porque no céu ver-se-á Deus face-a-face, conhecer-se-á a Verdade, com V maiúsculo, conhecer-se-á perfeitamente Cristo, a Luz do mundo. No céu, teremos a visão beatífica.  O céu é o lugar da paz, o lugar da tranquilidade na ordem. No purgatório, ainda não há paz, pois a alma ainda não está definitivamente unida a Deus, ainda há algum resto de pecado. No céu, tudo está tranquilo, já não há o mal, já não há a possibilidade de perder o bem. No céu tudo está ordenado a Deus. Todas as nossas faculdades estarão plenamente ordenadas a Deus. Que belas expressões para designar o céu são usadas no Memento dos mortos. É preciso, porém, compreendê-las bem, como acabamos de explicar.

Ao concluir o Memento dizendo Pelo mesmo Cristo, Senhor Nosso, o padre faz uma inclinação de cabeça. Em nenhum outro lugar da Missa o padre faz inclinação ao nome Cristo separado de Jesus. A única vez em que se inclina diante da palavra Cristo, sem Jesus, é no Memento dos mortos. Por qual motivo? Para lembrar a descida de Cristo ao limbo dos justos do Antigo Testamento após a Sua morte na cruz. Já não existe mais o limbo dos justos, mas existe ainda o purgatório. Pela Missa, é como se Nosso Senhor descesse ao purgatório para aliviar as penas das almas que nele se encontram. O Padre inclina a cabeça para indicar que realmente reza em benefício das almas do purgatório.

Caros católicos, o tesouro da Missa é imenso. Agrada a Deus, nos alcança todas as graças para a nossa salvação e ajuda as almas do purgatório. O que poderíamos mais desejar? Apenas podemos agradecer a Nosso Senhor Jesus Cristo por ter instituído a Santa Missa, de modo tão sábio e tão misericordioso. E agradecer tendo grande devoção pela Santa Missa e aproveitando seus infinitos benefícios.

Em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo. Amém.

[Aviso] Festa da Purificação de Nossa Senhora, Auto de Natal e outros avisos

Prezados, Salve Maria!
1. Hoje, 02/02, é a Festa de Nossa Senhora da Candelária e 1ª sexta-feira do mês. Bênção das velas, procissão e Missa Solene às 19:30.
2. Amanhã, 03/02, é o dia de São Brás e o 1º sábado do mês. Missa às 8:30 seguida da bênção da garganta.
3. Amanhã, 03/02, voltam as aulas de história de Igreja após a Missa de 8:30. O tema será: Igrejas de Roma – Igreja de San Pietro in Vincoli.
4. No domingo, 04/02, haverá a inscrição para as 40 horas de Adoração ao Santíssimo durante o carnaval e em reparação dos pecados cometidos nele.

[Sermão] Sentido Espiritual das Cerimônias da Missa – Parte 13: O Cânon Romano VI – Unde et Memores e Supra quae propitio

Sermão para o 3º Domingo depois da Epifania

21.01.2017 – Padre Daniel Pinheiro, IBP

Em nome do Pai…

Ave Maria…

Continuemos, caros católicos, nosso propósito de tratar do sentido espiritual das cerimônias e orações da Santa Missa no Rito Romano Tradicional. Após a consagração do cálice, seguem três orações que formam um conjunto: Unde et memores, Supra quae propitio e Supplices te rogamus. Nós trataremos hoje das duas primeiras. Essas orações que sucedem a consagração vão explicitar aquilo que ocorre no momento da transubstanciação. Lembremos que o que ocorre no instante da consagração – a transformação da substância do pão e do vinho na substância do Corpo e no Sangue de Cristo – é algo de sobrenatural. Precisamos de todas as cerimônias da Missa para explicar essa conversão, esse milagre.

Unde et memores. Essa oração é chamada de anamnese, que quer dizer lembrança e ela desenvolve as palavras logo após a consagração do cálice: “toda fez que fizerdes isso, fazei-o em memória de mim.” Ela mostra que cumprimos, de fato, esse mandamento do Senhor na Última Ceia. Donde, lembrando, Senhor, nós, vossos servos e o vosso povo santo, da bem-aventurada paixão do mesmo Jesus Cristo Vosso Filho. As palavras “nós, vossos servos”, fazem referência ao próprio sacerdote, chamado de servo durante a Santa Missa. Assim é no Hanc Igitur logo antes da consagração e no Placeat tibi Sancta Trinitas antes da bênção final. O povo santo é como São Pedro e São Paulo chamavam os primeiros cristãos para destacar a dignidade dos que foram regenerados pelo batismo e para lembrar que são chamados à santidade. Primeiro, faz-se menção ao sacerdote e, em seguida, ao povo, para lembrar que é o padre que oferece propriamente o sacrifício e que o povo se une a Ele.

Lembramos da bem-aventurada paixão de Cristo, bem como da Sua ressurreição dos infernos e da sua gloriosa ascensão. A Missa é formalmente a renovação da paixão de Cristo, do calvário, da Cruz. É com Sua paixão e morte que Cristo merece infinitamente as graças para nossa salvação. Já explicamos, no Suscipe Sancta Trinitas, porque se citam a ressurreição e a ascensão de Cristo. Seria para diminuir a cruz de Cristo, para amenizá-la? Não. Deixemos o Papa Bento XIV nos explicar porque fazemos referência à ressurreição e a ascensão de Cristo na Missa. Diz o papa: “nos sacrifícios judaicos, a vítima (depois de sacrificada) era queimada no altar dos holocaustos, para que tudo que houvesse de defeituoso fosse consumido pelas chamas e para que a fumaça se elevasse ao céu em odor de suavidade como diz a Sagrada Escritura. Sob a nova Lei, a vítima (Jesus Cristo, depois de Sua morte na cruz) é consumida na Ressureição e na Ascensão. Com efeito, na ressureição, o que era mortal em Cristo é absorvido pela vida, como diz o apóstolo na segunda epístola aos coríntios, e o que podia haver de corruptível em Cristo é destruído. E, na ascensão, a vítima – que é Ele mesmo – é aceita por Deus em odor de suavidade e colocada à sua direita.” A ressurreição é, então, como o fogo do altar que consome a vítima. A ascensão é como a fumaça que sobe até Deus, mostrando que o sacrifício Lhe foi agradável. Assim, a ressurreição, que significa o fim de toda a mortalidade no corpo de Cristo, e a ascensão, que significa a aceitação do sacrifício de Cristo por parte de Deus, são, em certo sentido, parte do sacrifício da cruz. Nessa oração do Unde et memores essa verdade nos é lembrada mais uma vez. Hoje, existe com frequência uma tendência a esquecer a paixão e morte de Cristo na Missa, como se ela fosse mera comemoração da ressurreição. É um erro grave. Na prática, vemos, às vezes, a cruz do altar sendo substituída por Cristo ressuscitado. Todavia, não se pode tampouco fazer abstração da Sua ressurreição e ascensão. É mencionada a ressurreição dos infernos, lembrando que Nosso Senhor desceu ao limbo onde se encontravam os justos do Antigo Testamento, para liberá-los e conduzi-los ao céu. É desse inferno que se trata aqui, como também no Credo, quando dissemos que Cristo desceu aos infernos.

Continua a oração dizendo que oferecemos à preclara majestade de Deus dos dons que Ele mesmo nos deu: oferecemos a hóstia pura, a hóstia santa, a hóstia imaculada, o pão santo da vida eterna e cálice da salvação perpétua. Lembremos que hóstia quer dizer vítima, vítima que é Nosso Senhor Jesus Cristo. É Ele a hóstia pura, formada pelo Espírito Santo no seio de Maria Virgem, sem o pecado original. É Ele a hóstia santa, unida substancialmente ao Verbo de Deus, fonte de toda a santidade. É Ele a hóstia imaculada, sem mancha de qualquer pecado também atual. Ao dizer essas palavras, o padre faz três vezes o sinal da cruz sobre o corpo e o sangue de Cristo conjuntamente. Antes da consagração, o sinal da cruz tinha a função de abençoar e de preparar o pão e o vinho para a transubstanciação. Depois da consagração, sendo já o corpo e o sangue de Cristo, o sinal da cruz simplesmente designa a vítima, que é Nosso Senhor Jesus Cristo e nos lembra que a Missa é a renovação do calvário. Não se poderia abençoar aquele que é a causa de toda bênção. Depois, ao mencionar o pão santo da vida eterna e o cálice da salvação perpétua, o padre faz o sinal da cruz separadamente sobre o corpo de Cristo e o Seu sangue. Essas palavras lembram a promessa de vida eterna de Cristo para quem comer o seu corpo e beber o seu sangue. No total, temos cinco sinais da cruz, lembrando as cinco chagas do Senhor.

Devemos notar bem, caros católicos, como oferecemos a Deus aquilo que Ele mesmo nos deu. Nem poderia ser diferente. Só podemos oferecer a Deus algo bom. Tudo o que é bom vem de Deus. Deus é o autor de todo bem. Deus é quem realizou a obra da criação e da redenção: lembremos a oração de bênção da água no ofertório. Se podemos oferecer algo a Deus, é porque Ele mesmo nos deu esse algo. Se podemos oferecer o Corpo e o Sangue de Cristo, é porque Ele mesmo nos Deus Cristo, é porque o próprio Cristo se entregou a nós e por nós. Com essa oração, devemos reconhecer a soberania e a bondade de Deus para conosco.

Passamos à segunda oração depois da consagração, Supra quae propitio, que é continuação do Unde et memores. Dignai-vos lançar vosso olhar, propício e sereno, sobre estes dons. Pedimos a Deus que encontre nesses dons o Seu agrado, que Ele seja aplacado. E pedimos que aceite esses dons – que são o Corpo e o Sangue de Cristo – como Ele aceitou os sacrifícios de Abel, Abraão e Melquisedeque. É claro que sabemos que a Santíssima Trindade aceitará muito mais o sacrifício de Cristo do que esses sacrifícios do Antigo Testamento. Mas mencionamos esses sacrifícios para aumentar a nossa confiança. Se aceitou esses, aceitará muito mais e com muito mais fruto o sacrifício perfeito de Nosso Senhor. Pedimos isso também para que Deus se agrade com o padre que oferece o sacrifício nesse momento e com o povo que se une ao padre.

Entre tantos sacrifícios do Antigo Testamento, a oração cita os três mais célebres e que melhor significam o sacrifício da cruz. De modo proposital, não se faz menção dos sacrifícios do Templo, abolidos pelo sacrifício de Cristo.

Os sacrifícios de Abel e de Abraão prefiguraram o sacrifício sangrento da cruz. O sacrifício de Melquisedeque prefigura o sacrifício não sangrento da Missa. Abel ofereceu o melhor que tinha a Deus, as primícias de seu rebanho. Jesus, filho unigênito do Pai, oferece a vítima mais perfeita, o melhor que poderia ser oferecido, isto é, oferece a si mesmo. Abel é morto por seu irmão, como Jesus foi morto pelos judeus, seus irmãos de sangue. O sangue de Abel clama por vingança. O de Cristo clama para implorar o perdão dos pecados. Abel é chamado de puer, isto é, de criança, para significar a disposição pura de sua alma ao oferecer o seu sacrifício. Ele é chamado de justo pelo próprio Cristo nos Evangelhos. Não houve melhor disposição que a de Cristo ao se oferecer a si mesmo nem maior justiça que a de Cristo.

O sacrifício de Abraão aqui mencionado é o sacrifício de seu filho Isaac. Isaac, filho de Abraão, subia a montanha carregando a madeira que serviria para seu próprio sacrifício em obediência ao seu pai. Nosso Senhor, Filho de Deus, subiu a montanha do calvário carregando a madeira do seu próprio sacrifício, a cruz, em obediência a seu Pai, o Pai Eterno. Isaac não estava consciente de seu sacrifício. Nosso Senhor sempre esteve consciente do seu. Devemos também destacar as disposições de Abraão, obediente plenamente a Deus, a ponto de se dispor a sacrificar seu próprio filho. Sabemos bem que Deus não quis que o sacrifício fosse consumado, mandando um anjo para impedir o sacrifício de Isaac, pois Ele não quer sacrifícios humanos. Era uma provação da fé, da fidelidade, da obediência de Abrãao. Abraão é chamado nosso patriarca porque é o nosso pai na fé e é de sua descendência que se formou o povo eleito, do qual veio o Salvador.

O sacrifício de Melquisedeque prefigura a Missa. Melquisedeque oferecia pão e vinho. Na Missa, se oferecem à Santíssima Trindade o corpo e o sangue de Cristo sob as aparências de pão e de vinho. Melquisedeque era o rei de Salem, que quer dizer paz. É pelo sacrifício da cruz e pela sua renovação na Missa que podemos obter a paz com Deus e com nosso próximo. Melquisedeque não tinha genealogia (não são citados os seus ascendentes) ao contrário dos sacerdotes da lei mosaica, que precisavam comprovar toda a sua filiação. A genealogia desconhecida prefigura a genealogia misteriosa, isto é, divina de Cristo e lembra que o sacerdócio de Cristo não é um sacerdócio hereditário, reservado a uma família ou tribo como era o sacerdócio sob a lei de Moisés. Melquisedeque é aqui chamado sumo sacerdote justamente porque seu sacerdócio prefigura de modo excelente o sacerdócio de Cristo, que é, Ele, sim, o sumo e eterno sacerdote. O sacrifício de Melquisedeque é chamado santo e imaculado porque não envolvia derramamento de sangue, mas é chamado assim sobretudo porque prefigura o sacrifício da Missa.

Nessa oração, devemos enxergar como a Igreja quer que tenhamos as mesmas disposições dessas três figuras eminentes para que o sacrifício de Cristo seja aceito por Deus também como nosso sacrifício e para que possamos receber os frutos do sacrifício da cruz renovado sobre os altares. Devemos ter a justiça e a inocência de Abel, a fé e a obediência de Abraão, e devemos buscar a paz como Melquisedeque, isto é, devemos buscar a paz com Deus e com nosso próximo, pedindo o perdão de nossos pecados, amando a Deus e ao nosso próximo. Com essas disposições poderemos obter os benefícios sem fim da Santa Missa e Deus será propício e sereno para conosco.

Em nome do Pai…