Vida de Santo: Sto. Antônio M. Claret e as “Iras do inferno”

Esgarçamento de carne — Curado por Maria San­tíssima — Queda duma pedra — Fogo! Fogo! — É o demônio.

Um esquadrão de demônios viu o Pe. Claret ao lado esquerdo de sua cama, quando ainda seminarista, foi vÍtima de horrorosa tentação que se dissipou com a doce aparição de Maria Santíssima.

E este exército infernal combateu-o principalmente na época das missões, com as quais tantas almas arre­batou, o Pe. Claret, ao inferno, para apresentá-las a Jesus como gloriosos despojos de combate.

Encontrava-se em Vich o santo missionário.

Uma manhã as pessoas da casa onde ele estava hos­pedado, viram com grande surpresa que não descia pa­ra tomar seu café, na hora do costume. Temeram que estivesse indisposto. Bateram à porta, entraram no quarto e perguntaram-lhe se se encontrava adoentado.

Sinto uma dor profunda no lado esquerdo — respondeu.

Alarmados com isto, pois o Pe. Claret não costumava queixar-se, chamaram o médico. Chegando este mandou que descobrisse o lado afetado, e afastando a roupa viu no lado esquerdo uma ferida, como que se uma fera lhe houvesse despedaçado a carne com as garras, deixando à mostra algumas costelas.

Ninguém conheceu a causa desse ferimento, porque o Pe. Claret nada dizia; mas todos acreditaram ser efeito do demônio que assim queria atormentar as carnes do inocente missionário.

Voltou por duas vezes o facultativo, e vendo que havia sinais de gangrena, após uma demorada consulta, resolveu ser necessária uma intervenção cirúrgica, e determinou fazê-la na manhã seguinte.

Veio; bateu à porta do doente, mas este não respondeu. Perguntou por ele, alarmado, e enquanto esperava, apareceu risonho o doente prodigioso.

Não se espante — disse-lhe — ajude-me a agradecer a Deus este favor. Esta noite N. Senhora curou-me.

O doutor, atônito, mandou descobrir o lugar da ferida; e notou com surpresa que já havia cicatrizado, e o lugar recoberto de pele branca e firme.

— Milagre! — exclamaram a uma voz os circunstantes.

— Não é coisa natural — respondeu o médico.

E a pedido do Pe. Fortunato Bres, em cuja casa se encontrava naquela ocasião o Pe. Claret, lavraram do fato, ata oficial.

As perseguições eram mais freqüentes nas épocas das missões.

Pregava o Pe. Claret em Sarreal, província de Tarragona. As multidões comovidas, tomavam quase que de salto a igreja; invadiam-na, deixando-a repleta; e muita gente se acotovelava  o adro por não poder entrar no templo.

Quando o missionário estava mais fervoroso e patético no sermão, desprendeu-se do arco central do templo, uma pedra enorme, que caiu em pedaços sobre a multidão.

Não é nada — gritou o Pe. Claret do púlpito. — Ninguém se mova! É o demônio que quer impedir o fruto da santa missão.  Mas não tem permissão de Deus para vos fazer mal.

Assim foi; pois os diversos pedaços não feriram a ninguém. Este milagre aumentou o fervor e o entusiasmo do auditório, e assim ficou derrotado o demônio.

Pregava, d’outra feita, perante enorme concorrência. Estava já na metade da missão. O povo cada dia dava maiores demonstrações de piedade e arrependimento.

Era de noite. Quase todos os habitantes estavam reunidos na igreja. Quando o Pe. Claret tomou nas suas mãos o santo Crucifixo para findar o sermão com fervorosa súplica, um desconhecido entrou à viva força no templo, alvoroçando o povo e gritando:

— Fogo! Fogo! Que se queima uma casa. Auxílio! Socorro!

O Pe. Claret com uma grande voz, disse, interrompendo o sermão:

É o demônio! Não há casa alguma a arder. E para que vos convençais, que vá o sacristão constatar o fato. Se houver fogo iremos todos apagá-lo; mas, enquanto não vier aviso, ficai tranqüilos e sossegados.

Chegou o sacristão e disse não haver sinal nenhum de incêndio… Então o povo quis dar uma sova no homem; mas este, misteriosa e subitamente desapareceu.

Não vo-lo dizia? — exclamou o Pe. Claret. — Era o demônio, inimigo de vossas almas que pretendeu impedir o fruto desta santa missão.

E tomando pé deste fato, pregou novo sermão sobre a importância da salvação.

As lágrimas e soluços da multidão acompanhavam as palavras do Missionário. O fracasso do demônio não podia ser maior, nem mais humilhante.

 Retirado do livro: “Lembranças do Beato Claret”, do Pe. João Echevarria.

Liturgia: São Matias, Apóstolo

24 De fevereiro

São Matias, Apóstolo (II Classe, Vermelho)

São Matias, cujo nome quer dizer “o oferecido”, nasceu talvez em Belém, da Tribo de Judá. Como nos afirma São Pedro, ele jamais se afastou dos Apóstolos, depois do Batismo de Jesus, administrado por João Batista, e foi testemunha da sua Ressurreição. Quando, após a Ascensão do Senhor, foi necessário escolher um apóstolo para tomar o lugar de Judas, os cento e vinte discípulos reunidos em Jerusalém propuseram José e Matias, e a sorte caiu em Matias.

Nada de certo sabemos sobre o resto da vida de Matias. Depois de ter evangelizado a Etiópia, pode ser que tenha sofrido o martírio, ou que tenha morrido na Judéia.

Continuar lendo