[Sermão] Conselho aos jovens que querem casar (2ª versão)

Sermão para o 2º Domingo depois da Epifania

14.01.2018 – Padre Daniel Pinheiro, IBP

 

Em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo. Amém.

Ave Maria…

Acabamos de ouvir no Evangelho de hoje o milagre feito por Nosso Senhor Jesus Cristo a pedido de sua Mãe nas bodas de Caná. Nosso Senhor, com sua presença santificava, o casamento, Ele santificava a família. Mais tarde, Ele elevaria o casamento a sacramento. A união exclusiva de um homem e de uma mulher para toda a vida em vista da procriação e do auxílio mútuo é algo santo. Sem o matrimônio, sem a família assim constituída, a sociedade desmorona por completo. Mais de uma vez já falamos da importância da família, que é a base da sociedade. E não se pode insistir suficientemente sobre o assunto. Falamos da família e de sua importância capital para o Estado e para a Igreja. Está claro, falamos da família: pai, mãe e filhos. É preciso, para o bem da sociedade e da Igreja, que haja famílias profundamente católicas. Famílias com uma fé profunda, com uma grande generosidade para ser uma família numerosa, se assim Deus o permitir, com uma vida de oração familiar, com o cuidado da educação dos filhos. Os pais participam da obra da criação ao gerar os filhos e devem participar da obra da redenção, educando os filhos para Deus. E a redenção se faz com sofrimento. A educação dos filhos se faz a base de sofrimentos, de abnegação, de sacrifícios. Tudo isso junto com grandes alegrias, e a primeira dessas alegrias é a de poder formar Cristo em uma alma.

Todavia, a ordem normal das coisas é que um casamento santo, que uma família profundamente católica tenha se formado a partir de um bom namoro, de um namoro católico em todos os seus aspectos. Um bom casamento começa por um bom namoro. Um casamento que começa por um mal namoro, terminará mal ou terminará bem com muito sofrimento que poderia ter sido evitado com certa facilidade. Bastam ao casamento as cruzes que já lhe pertencem naturalmente. Não devem aqueles que vão casar acrescentar ainda outras cruzes ao matrimônio porque se deixaram levar, no tempo do namoro, pelos sentimentos e não pela razão iluminada pela fé. Os jovens devem ter todo o cuidado com o namoro para não prejudicarem a si mesmos, ao próximo e ao futuro matrimônio. Os já casados superem as cruzes do matrimônio com paciência, fé e caridade, e saibam instruir os filhos com relação a isso. É preciso conhecer o que ensina a sabedoria da Igreja a respeito desse tempo de preparação para o matrimônio. Um dos motivos pelos quais não temos famílias profundamente católicas é porque não temos bons namoros. Todavia, as famílias formadas a partir de um namoro inadequado, muitas vezes fruto da ignorância, não devem nem podem se desencorajar. Pela graça de Deus e com esforço, é plenamente possível remediar isso e formar uma família profundamente católica.

 

A primeira coisa que o jovem deve fazer é tomar a decisão de seu estado de vida, considerando em que estado de vida pode, concretamente, servir melhor a Deus e salvar a sua alma: sacerdócio (para os homens), vida religiosa, matrimônio. Aqueles que decidirem pelo sacramento do matrimônio, via comum da vida cristã e de santificação, devem seguir a sabedoria da Igreja quanto à preparação para esse sacramento. O casamento se prepara pelo namoro. É dele e de algumas coisas conexas que iremos tratar aqui. Não poderemos abordar de forma completa todos os aspectos do namoro, mas daremos algumas indicações. Quando falamos aqui de namoro, falamos de todo o tempo e de todo e processo que antecedem o matrimônio, incluindo, portanto, namoro e noivado.

O namoro tem por objetivo o conhecimento mútuo entre o rapaz e a moça, para saber se é razoável que os dois se unam até a morte. Esse conhecimento mútuo no tempo do namoro não é do corpo, mas das qualidades e defeitos morais, do temperamento, da história do outro. O namoro deve durar tempo suficiente para que ocorra esse conhecimento mútuo, mas não pode se prolongar ao ponto de começar a criar familiaridades indevidas. O namoro deve durar, então, entre um e dois anos. Menos do que isso seria imprudente, pois seria casar com quem não se conhece. Seria apostar na loteria e, quase certamente, perder. Mais do que dois anos seria casar sem respeitar profundamente o outro, em virtude das familiaridades que surgem em namoros longos. Essa falta de respeito prejudica bastante o futuro matrimônio.

Assim, é lícito começar a namorar somente quando se prevê realmente ter condições de casar dentro de um ou dois anos. Não se trata de uma previsão meramente hipotética, como por exemplo: daqui a dois anos terei terminado a faculdade e terei talvez um emprego. Na prática, o melhor é não fazer previsões. É começar a namorar já tendo a condição de casar, já tendo maturidade, já tendo emprego…

Para começar a namorar, é preciso ter maturidade. Maturidade para poder educar os filhos que serão gerados e para que prestem o devido auxílio mútuo. Maturidade, no homem, para ser um chefe de família e cuidar do bem espiritual da esposa e dos filhos. Maturidade, na mulher, para ser o coração do lar e sacrificar-se nas pequenas coisas. É preciso, então, que, antes de começar a namorar, o jovem e a jovem se perguntem: Assumo as minhas responsabilidades? Tenho as condições para ser pai? Sou um homem ou um garotão? Tenho um emprego para sustentar a minha futura família? Ou ainda não? Estou pronto para uma vida de renúncia e sacrifícios? Tenho condições para ser mãe, cuidar da saúde do lar e da família? Ou fico sonhando com as princesas de castelã encantado, achando que a vida será sem sofrimentos e sacrifícios tremendos? Rapaz e moça devem, ainda, se perguntar: Vou saber como educar meus filhos? Vendo aproximar-se a hora de começar um namoro, tenho procurado me instruir sobre o que é o matrimônio, seus direitos e deveres? Estou bem consciente da fidelidade e da indissolubilidade do matrimônio e que, uma vez casado, continuarei casado até a morte, aconteça o que acontecer? Tenho procurado me instruir em como educar bem os filhos? Li sobre as cruzes do matrimônio e como evitá-las ou resolvê-las? Tenho uma vida espiritual sólida? Vivo, em geral, seriamente, buscando o céu e praticando as virtudes? Além disso, qual é a minha condição material? Tenho o mínimo para começar uma família mais ou menos em acordo com minha condição social? Estou pronto para os sacrifícios que serão necessários na vida comum? Essas são algumas das perguntas que se devem fazer antes de começar a pensar em namorar… E não estamos falando de um ideal inatingível, mas do mínimo necessário. Se o jovem ou a jovem pensam que o amor sentimental irá superar todos os obstáculos, é o sinal mais claro de que não estão preparados para namorar.

O namoro entre um rapaz e uma moça deve começar quando se tem esperança fundada de que possa dar certo. Não se começa a namorar uma pessoa desconhecida, simplesmente porque nasceu um sentimento de uma hora para outra ou simplesmente porque os dois são católicos. O namoro deve começar porque já existe um certo conhecimento entre o rapaz e a moça e porque já existe uma certa estima e simpatia mútuas. O normal é que já se conheçam de um ambiente saudável e não de ambientes mundanos. Essa estima para se começar o namoro deve ser baseada nas virtudes que o outro tem e não em simples sentimentos e essa simpatia deve ser a alegria de estar na presença do outro, mas alegria que decorre da estima, das virtudes do outro. O sentimento pode estar presente, sim, e não é ruim, mas não pode ser o fundamento do relacionamento. Não basta, então, os dois serem católicos para começar a namorar. É preciso que haja compatibilidade dos temperamentos, e é preciso que haja já esse início de estima e de simpatia.

Está claro, assim, que não se deve começar nem continuar um namoro já começado, quando não se tem estima pelo outro ou quando se tem antipatia pelo outro. Nem se deve começar nem continuar um namoro já começado, quando o outro tem um defeito moral grave. Muito comum a pessoa começar o namoro esperando que o outro se corrija desse defeito. Ou casar esperando que, depois do casamento, a pessoa se corrija desse defeito grave. É uma grande ilusão e imprudência, causa de grandes sofrimentos. Não se deve tampouco continuar um namoro em que a confiança mútua não é profunda. Não se deve continuar um namoro que tem brigas constantes e que não diminuem, apesar dos esforços. Ainda menos se deve começar um namoro com pessoa de outra religião. A Igreja nunca favoreceu o matrimônio de uma parte católica com outra não católica. A Igreja apenas tolera esse casamento, pois ele representa um grande perigo para a fé do católico e para a educação católica dos futuros filhos. Além disso, como esperar que sejam felizes um homem e uma mulher que no principal da vida – a religião – têm concepções completamente distintas? Haverá paz nesse casamento? E as diversas questões morais no matrimônio? A parte não católica as aceitará? Por exemplo, evitar os contraceptivos, os procedimentos esterilizantes, aceitar todos os filhos que Deus enviar? É prudente unir-se profundamente com alguém que tem uma visão distinta no principal da vida? É claro que não…

No namoro que é lícito, quer dizer, em que já existe a maturidade e em que se prevê seriamente a possibilidade de casamento em dois anos no máximo, e em que vai se desenvolvendo a estima e simpatia mútuas bem como a confiança e o acordo quanto ao sentido católico da vida e do matrimônio, nesse namoro plenamente lícito, será preciso guardar também a castidade, para que ele seja perfeito. A castidade no namoro (e antes do casamento como um todo) se guarda porque Deus nos deu a faculdade reprodutiva para ser usada para a geração e educação dos filhos e essa educação se faz devidamente dentro do matrimônio, com pai e mãe unidos por um laço indissolúvel. A castidade se guarda no namoro também para que as paixões não prejudiquem o julgamento que se deve fazer do outro, sobre suas qualidades e defeitos, para saber se é possível viver o resto da vida com aquela pessoa. Os pecados contra a pureza levam os namorados a pensar que a paixão vai superar todos os obstáculos e todos os defeitos do outro. A paixão logo será superada, os problemas permanecerão. E o sofrimento será grande. A família não estará solidamente fundada e o respeito mútuo ficará bem prejudicado.

Para guardar a castidade, é preciso muita vigilância e oração. A vigilância consiste em que os namorados guardem entre eles, sempre e onde quer que estejam, uma certa reserva, uma certa modéstia, um verdadeiro pudor. Isso não somente no contato físico, mas também nos olhares, nas palavras, nos gestos. No contato físico, não passar de dar a mão e com moderação. Lembrar que o beijo apaixonado já é um pecado mortal. Precisam estabelecer limites claros, com franqueza um para com o outro. Os namorados em nenhuma hipótese podem se isolar das outras pessoas. Estejam sempre em companhia de outras pessoas de boa consciência. Podem, claro, conversar sem ser ouvidos por outros, mas jamais sozinhos, isolados. Não andem, por exemplo, sozinhos no carro. Se o fizerem, a queda virá, mais cedo ou mais tarde. E cada vez mais grave. Estejam sempre com outra pessoa no carro. Jamais devem viajar juntos ou ficar sozinhos em um aposento. É um suicídio espiritual. Se já caíram em certas situações, não podem se colocar novamente nelas. Devem ser extremamente cuidadosos nas despedidas, sempre também na presença de outras pessoas com boa consciência. A despedida é um momento crítico muitas vezes. Estejam sempre em ambientes saudáveis para a alma, evitando, então, os divertimentos que provocam em demasia os sentidos: cinema, festas mundanas, shows, a falta de moderação na bebida, locais com mais barulho e efeitos de luzes etc. O local de encontro entre os namorados deveria ser o meio familiar, até mesmo porque é vendo como o outro se comporta com a família dele que se pode conhecê-lo melhor e como ele se comportará com a família que formará. Todavia, nem sempre os familiares têm uma boa consciência e aqui a presença na casa de familiares pode ser um problema sério. É também em ambiente no meio de famílias católicas que os jovens deveriam conversar e ir se conhecendo melhor quando vai se aproximando a idade de começar um namoro legítimo. Aqui são alguns poucos exemplos do que é necessário para manter a castidade, mas que já dão um norte. Não é exagero do Padre. A experiência mostra que as coisas funcionam assim. E não se iludam os jovens achando que o amor que nutrem pelo outro é tão puro que jamais cairão em pecados contra a pureza. É o primeiro passo para cair. O amor puro vigia, evita as ocasiões de pecado para salvaguardar a honra do próximo e a própria.

O bom namoro não deve ser um namorico, muito pegajoso ou grudento, como se vê muito comumente entre jovens sem consciência nos anos escolares. Devem, então, evitar essas atitudes de namorico, mas devem mostrar, pelo comportamento, a seriedade do namoro, o que não impede uma justa delicadeza e atenção, que são devidas. Como dissemos, os namorados devem guardar entre eles, sempre e onde quer que estejam, uma certa reserva, uma certa modéstia, um verdadeiro pudor. Isso vale também para fotos. É muito comum, atualmente, as pessoas publicarem fotos de tudo o que ocorre em suas vidas, expondo-se, exibindo-se, muitas vezes por orgulho ou vanglória. E os namorados vão publicando fotos e mais fotos juntos e mesmo em situações inconvenientes: muito juntos, muito colados um no outro, etc. É preciso ter muito cuidado com esse excesso de fotos, que pode mostrar um apego muito sentimental e infantil ou mesmo impuro. E não basta evitar as fotos em situações inconvenientes. É preciso evitar as situações inconvenientes. O mesmo vale para fotos em que a pessoa está sozinha. Muito comum a pessoa ir colocando fotos e começar a querer chamar a atenção, a querer ser elogiada, fazer poses e coisas do gênero. É preciso ter muita vigilância nessas questões, uma enorme moderação.

É preciso que os namorados moderem bem a frequência e duração dos encontros. Se as tentações vão crescendo, é preciso diminuir a frequência e a duração deles. Quanto mais próximo o casamento, maiores serão as tentações e menos frequentes, portanto, devem ser os encontros. As conversas por telefone ou outros meios devem ser bem breves. Aos namorados não cabe fazer tudo juntos sempre. Muitas vezes, devem fazer as coisas realmente separados.

Se os namorados percebem ao longo do namoro que um futuro casamento não é possível porque falta a estima mútua, a simpatia, a confiança ou o acordo sobre a visão católica do mundo e do matrimônio, ou porque as personalidades simplesmente não dão certo, é preciso terminar o namoro. Será preciso terminar também quando não conseguem guardar a castidade. Antecipar um casamento por não conseguir guardar a castidade, não é, em geral, uma boa solução. E nada mais natural do que terminar um namoro quando necessário. O que não pode ocorrer é engatar um namoro atrás do outro, ainda mais quando é no mesmo ambiente, destruindo amizades. Quando a pessoa engata um namoro atrás do outro, isso demonstra a falta de seriedade e de critério para começar a namorar. Esses namoros em sequência prejudicam o respeito mútuo e prejudicarão o amor conjugal quando a pessoa vier a se casar. Quando se termina um namoro, deve-se dar um tempo razoável para a reflexão, para a oração e para evitar os mesmos erros no futuro. É preciso também acabar um namoro quando se percebe que o namoro vai durar muito mais tempo que o previsto. Nesse caso, podem terminar o namoro para reatá-lo, eventualmente, no tempo oportuno.

É preciso que os jovens se preparem para o casamento antes mesmo de começar a namorar. Como dissemos, aproximando-se a idade de começar um namoro legítimo, para casar em um ou dois anos, devem os jovens começar a se instruir sobre o matrimônio, sobre seus deveres e direitos, sobre a educação dos filhos. Devem também instruir-se sobre como deve ser um bom namoro. Além disso, é preciso que se preparem mantendo relações adequadas com as pessoas do sexo oposto, mantendo sobretudo o devido respeito. Muito comum hoje ver os rapazes e moças que já não se respeitam mutuamente, fazendo brincadeiras desrespeitosas, provocando uns aos outros à ira, fazendo piadas indevidas uns com os outros, conversando sobre o que não devem. Quando digo brincadeiras, piadas ou conversas indevidas não me refiro simplesmente a coisas contra a pureza, mas a coisas que levam a perder o respeito pelo rapaz ou pela moça ou que demonstram falta de estima. Muito comum entre jovens provocar o outro fazendo brincadeiras sem graça para chamar a atenção. Fazer provocações assim como suposto sinal de afeto leva à falta de respeito e não é digno de alguém sério. E esse respeito fará muita falta em um namoro e, principalmente, em um casamento. Esse respeito é a base sólida para a estima, simpatia e confiança mútuas entre namorados e, sobretudo, entre casados. É muito difícil manter esse respeito quando os jovens de sexo oposto se encontram completamente sozinhos entre eles sem adultos de boa consciência por perto.

Antes de começar o namoro é preciso que rapazes e moças evitem também alguns erros. Um erro comum é a pessoa começar a se desesperar porque não encontra uma boa namorada ou um bom namorado. E com o desespero ela começa a se expor cada vez mais, querendo chamar para si a atenção. Esse desespero leva muitas vezes a pessoa a casar com qualquer um. Essa ansiedade para casar logo é mais comum nas moças, mas pode também acontecer com os rapazes. É preciso ter muito claro que mais vale ficar sozinho ou sozinha do que casar com qualquer um e ter um casamento extremamente infeliz e conturbado. Vale mais ficar só do que ter um casamento com cruzes que poderiam ter sido evitadas com certa facilidade. Não se precipitar, portanto. O tempo do namoro é o tempo de ser muito exigente, de escolher bem. Depois do casamento, será o tempo da paciência. É claro que não se deve esperar o homem perfeito nem a mulher perfeita (que não existem), mas é preciso ter o mínimo de condições para um bom casamento: maturidade de ambas as partes, estima baseada nas virtudes, simpatia, confiança mútua, acordo profundo quanto à visão de mundo católica. Os jovens, sobretudo as moças, não devem, então, se precipitar. Mas os jovens devem também evitar o erro oposto, sobretudo os rapazes devem evitar o erro oposto. O erro oposto ao da precipitação é o de não amadurecer. Muitos já atingiram a idade de começar a namorar fisicamente, mas não amadureceram psicologicamente, socialmente e espiritualmente. É preciso buscar o amadurecimento, assumir responsabilidades, se instruir, levar a salvação realmente a sério. A imaturidade, mais ou menos voluntária, é uma desordem mais própria dos rapazes e muitas vezes perdura mesmo no matrimônio.

Tivemos, caros católicos, que descer a alguns detalhes práticos porque já não basta apontar somente os princípios gerais. Em outros tempos, talvez bastasse dar os princípios e cada um tiraria as conclusões. Atualmente, em nossa sociedade moderna, lenta na reflexão e formada pela televisão e redes sociais, é preciso mostrar também as conclusões mais práticas. Vocês, jovens, têm a oportunidade de ouvir essas coisas que muitos aqui não ouviram e que desejariam, talvez, ter ouvido no momento oportuno. Vocês têm a graça de poder fazer as coisas bem feitas. Vocês têm a graça de poder fazer uma boa preparação para o matrimônio. Coloquem a mão na consciência. Não desconsiderem o que diz a sabedoria da Igreja e um pai. É para o bem de vocês. Não se deixem levar pela superficialidade ou pela pressão do que todos fazem em nossa sociedade e ao nosso redor. Façam o que é certo. Não se deixem levar pelo sentimento. Sejam conduzidos pela razão e pela fé. E sejam alegres e generosos, como é próprio dos jovens, mas com uma generosidade ordenada pela caridade e com uma alegria não pueril ou infantil, mas católica.

Em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo. Amém.

[Sermão] Precisamos de famílias católicas, crucificadas com Cristo

Sermão para a Festa da Sagrada Família

07.01.2018 – Padre Daniel Pinheiro, IBP

 

Em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo. Amém.

Ave Maria…

Prezados católicos, a Festa da Sagrada Família é de instituição recente, e bem recente quando se trata da Igreja. Foi instituída pelo Papa Leão XIII no final do século XIX. Depois, com as pequenas mudanças litúrgicas feitas por São Pio X essa festa desapareceu, voltando logo em seguida durante o período da Primeira Guerra e no pós-guerra com o Papa Bento XV. Como podemos ver, então, dada a instituição dessa festa, os ataques à família já existem há um certo tempo. E muito se fala, desde aquela época e sobretudo hoje, do fracasso da família. Todavia, a instituição familiar é, enquanto tal, divina. Por isso, nunca poderá propriamente fracassar, nem deixar de existir ou ser completamente destruída na constituição que lhe foi dada pelo criador e, consequentemente, na nossa natureza. Em meio às ameaças à estabilidade da família e à sua santidade, resplandece a Sagrada Família de Nazaré e essa festa que nós comemoramos hoje.

A principal ameaça à família, porém, caros católicos, não é uma ameaça externa. A principal ameaça é uma ameaça interna, que está, infelizmente, na má formação dos cônjuges. Quando falamos de má formação, não nos referimos nem mesmo à uma formação intelectual. Não há muita dificuldade em compreender que aqueles que casam se colocam em uma união entre um só homem e uma só mulher por toda a vida e para a geração dos filhos. Isso todo mundo consegue compreender. O que falta é formação espiritual. Falta espírito de sacrifício, espírito de negação do amor próprio, de negação de si mesmo. Enfim, falta o amor à cruz que Cristo nos dá. Falta o espírito de união à Cristo crucificado. O problema no fundo, no matrimônio é no mais das vezes, de ordem espiritual. Não se trata dessa ou daquela virtude que falta, dessa ou daquela prática que deveria ser feita, mas de união e conformidade com Cristo crucificado. Não existe outro caminho a não ser o do sacrifício e o da negação de si mesmo, para que o casamento dê certo. É esse o único caminho para o bom matrimônio. E o que dizemos? Na verdade, não há outro caminho para ser cristão a não ser o caminho do sacrifício e da negação de si mesmo. Não há outro caminho para a salvação eterna.

Sem esse espírito de sacrifício e de renúncia, tudo se torna insuportável dentro do matrimônio. Fugindo da cruz, ela se tornará ainda mais pesada. No fundo, o que ocorre, é que ninguém quer ter esse espírito de sacrifício e de negação de si mesmo. Ou se o quer, o quer somente de maneira superficial. Na primeira contrariedade que lhe faz o cônjuge, ou que lhe oferece a circunstância do matrimônio, nessa primeira contrariedade já se irrita, se desespera, ou simplesmente perde o controle pela ira. No matrimônio – em que há evidentemente muitas alegrias – é preciso ter esse espírito de sacrifício sempre, constantemente. A cada dia e instante. Sem ele, já se pode renunciar a viver um bom matrimônio e, na verdade, a viver uma boa vida cristã. Sem esse espírito de sacrifício, já podemos renunciar ao Céu.

Em meio às dificuldades no matrimônio, muitos já pensam em separação. Essa praga que destrói as famílias e a sociedade. No mais das vezes, o que leva a isso são pequenas coisas, pequenos desentendimentos mal resolvidos, que se acumulam e vão ganhando em proporção. Na verdade, as pessoas não fazem ideia de quanto uma separação traz outros sofrimentos e tormentos imensamente maiores, sobretudo, se é feita sem causa grave. Sofrimentos para os cônjuges em primeiro lugar, e para os filhos, de maneira particular. É preciso dizer, caros católicos, que muitos de nós não temos ideia do que é realmente sofrer. Somos como crianças que berram porque ralaram um pouco o joelho quando caíram no chão. Fazemos das contrariedades corriqueiras um grande sofrimento que não existe. Somos nós, muitas vezes, que fazemos da nossa vida já aqui na terra um inferno, por fugir das cruzes.

Vejamos, então, as virtudes de que fala São Paulo na epístola de hoje, e virtudes tão necessárias para o matrimônio. A primeira delas a que fazemos menção é a benignidade para com o outro, a bondade para com o outro, querer efetivamente o bem do outro. Em seguida, fala também São Paulo da humildade. Não querer impor sempre a própria opinião, não querer ter sempre razão, ainda que às vezes nossa opinião possa parecer melhor que do outro. Ter paciência com os defeitos do próximo. Essa paciência que é a quintessência da caridade, da caridade fraterna. Paciência, como já dissemos em outras ocasiões, que não se confunde com a aprovação dos defeitos alheios, mas que é simplesmente esperar ou encontrar o melhor meio para fazer avançar as coisas. Finalmente, São Paulo nos diz também que devemos sofrer uns aos outros, suportar uns aos outros. Isso é preciso fazer de modo particular dentro do matrimônio. Suportar, como já dissemos, os defeitos uns dos outros, para apoiar uns aos outros, tendo em vista sempre essa finalidade última do matrimônio que é a santificação dos cônjuges e da prole. Finalmente, perdoar um ao outro, como pedimos no Pai Nosso, para que Deus nos perdoe, como perdoamos aqueles que são os nossos devedores. Devemos então, procurar perdoar aos outros, como Nosso Senhor Jesus Cristo nos perdoa se estamos verdadeiramente arrependidos, sem alimentar ressentimentos, sem alimentar espírito de vingança. O que são todas essas virtudes, senão o espírito de sacrifício e renúncia de si mesmo?

Faço aqui minha exortação de coração de pai e de pastor. Sacrifiquem-se pelas suas famílias. Não deixem o demônio vencer. Não deixem o amor próprio vencer. Vejam a Família de Nazaré. É uma luta e uma cruz constantes e cotidianas. Vale mais lutar, e vencer e abraçar a cruz do que fugir dela e sofrer, assim, bem mais fugindo da cruz que Deus nos deu. Quem foge da cruz sempre sofre mais do que aquele que a abraça. Precisamos efetivamente de famílias católicas. Famílias católicas com esse espírito de sacrifício. Famílias crucificadas com Cristo em seus sofrimentos cotidianos.

Em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo. Amém.

[Sermão] Retrospectiva 2017

Sermão para o Domingo dentro da Oitava de Natal

31.12.2017 – Padre Daniel Pinheiro, IBP

Em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo. Amém.

Ave Maria…

Estamos no último dia do ano de 2017. Foi mais um ano de provações, como sempre. Estamos aqui nessa terra, que é um vale de lágrimas. Claro, repleto também de verdadeiras alegrias. A situação na Santa Igreja Católica, infelizmente, continua preocupante. Colhemos, cada vez mais, os frutos do modernismo, que se baseia nos princípios da filosofia moderna subjetivista. O modernismo tem a intenção de adaptar a Igreja à mentalidade dos homens da época, como se o homem fosse o centro de tudo. Nós vivemos a época do culto do homem, da divinização do homem. Tudo deve ser feito para agradar à sensibilidade do homem e à sua mentalidade atual. Assim, alguns dizem que também a Igreja deve ter esse culto do homem e se adaptar a ao homem, para não ficar ultrapassada. Deve adaptar sua doutrina, sua moral, sua liturgia, de forma que que o homem seja o centro em tudo. Infelizmente, podemos perceber claramente em muitas coisas essa reviravolta, mesmo dentro da Igreja nas mentalidades dos homens da Igreja.

Deve ser, porém, o contrário. São a inteligência e a vontade dos homens que devem se submeter à verdade imutável ensinada sempre pela Igreja. Nem sempre a verdade agrada a sensibilidade. E daí? Não somos animais que buscam sempre o que agrada sensivelmente. Somos seres dotados de inteligência e de vontade que devem buscar a verdade e o bem, ainda que desagradem em certas circunstâncias. Encontraremos na verdade, no bem e no belo espiritual não algo que agrada momentaneamente a sensibilidade, mas encontraremos algo que nos traz a verdadeira felicidade. Deus é a Verdade e causa de toda verdade. Deus é o Bem e causa de todo bem. Deus é o Belo e causa de todo belo. Deus não muda. Sua Revelação não muda. A doutrina católica não muda. A moral católica não muda. A liturgia católica não pode mudar, a não ser de modo orgânico e para melhor exprimir a doutrina católica. Deus é o centro. Não é o homem. A Igreja guardará a sua juventude e vigor na medida em que permanece como uma rocha na doutrina e na moral de Cristo. Na medida em que utiliza meios semelhantes aos meios que tanto funcionaram ao longo dos séculos para converter as almas. Hoje se buscam tantos e tantos meios de evangelização e se esquece do principal: se esquece de pregar a doutrina de Cristo tal como Ele a ensinou para os apóstolos e tal como a Igreja sempre nos transmitiu. A fórmula para reenvagelizar os povos é simples: pregar o Evangelho. Sem mutilações. Sem adaptações. Sem acréscimos. Sem atenuações. Sem querer conciliar Cristo e o mundo. Pregar o Evangelho, isto é, a doutrina da Igreja.

Lembremos também que jamais devemos confundir misericórdia com o relaxamento da lei de Cristo e da Igreja. Isso seria afastar-se inteiramente do Evangelho. Contrapor justiça e misericórdia é igualmente um grande erro. Em Deus, as duas coisas estão perfeitamente harmonizadas. Deus é Misericórdia e é Justiça. O pecado continua, sim, a existir. A moral da Igreja, que é a moral de Cristo, continua a mesma de sempre. O casamento continua indissolúvel, e entre um só homem e uma só mulher. A comunhão não pode ser dada a quem se encontra em estado de pecado mortal (como os divorciados recasados) e os atos contrários à natureza humana (no campo da castidade) continuam sendo gravemente desordenados.

Devemos, em meio a essa crise que atinge todos os níveis hierárquicos da Igreja, guardar bem todos os princípios católicos. Esse ano de 2017 foi o quinto centenário da Revolução Protestante. Aproveitamos isso para mostrar como Lutero é uma das principais causas da mentalidade moderna, que gera a decadência de nossa sociedade e que tanto se opõe à doutrina de Cristo. Aproveitamos para começar uma série de sermões sobre as heresias, para mostrar como elas se repetem ao longo dos séculos, sobretudo a heresia da gnose, que serpenteia ao longo da história e que pretende fazer do homem Deus. Vemos isso, infelizmente, em filosofia e filósofos que se pretendem católicos. Vimos como não há conciliação possível entre a Igreja e os princípios filosóficos da modernidade. Claro, falamos da busca pela perfeição. Assim, falamos do papel da graça em nossas vidas, falamos da meditação, da caridade para com o próximo, do combate ao respeito humano. Falamos da paciência para com os defeitos do próximo, falamos da constância na prática do bem, tratamos da pureza no falar e da paz da alma contra a inquietação. Continuamos a falar ainda do sentido das cerimônias da Missa no Rito Romano Tradicional.

Foi o ano em que continuamos a apontar três erros muito em voga entre os católicos mais sérios: (1) O primeiro erro é a redução dos problemas somente ao problema político ou colocar a solução dos problemas na esfera política. Tem o messianismo do conservadorismo ou do monarquismo, por exemplo. Soluções eivadas de erros, quando as vemos tão como se apresentam a nós. Lembremo-nos sempre do que dizia o Cardeal Pie, grande defensor, no século XIX, da realeza social de Nosso Senhor Jesus Cristo. Ele afirmava que a “questão social será resolvida pela questão religiosa, e a questão religiosa diz respeito sobretudo à questão do culto.” Podemos acrescentar: a questão do culto diz respeito sobretudo à questão da Missa. Dentro disso, muitos reduzem o problema ao comunismo e socialismo ou à teologia da libertação, como se fossem os únicos males do mundo, como se o esquerdismo não encontrasse a sua causa no liberalismo ou como se não tivesse como causa os princípios da filosofia moderna. Dentro dessa questão toda, apontamos os graves erros do conservadorismo que se desenvolve no Brasil e no mundo, às vezes, com uma capa de catolicismo. Uma direita eivada de liberalismo, já condenado pela Igreja, mesmo o liberalismo econômico. Um conservadorismo, muitas vezes, com fundo esotérico. Um conservadorismo próximo da maçonaria e elogioso da maçonaria, inimiga jurada da Igreja. E os católicos seguindo esses conservadores filósofos, historiadores, educadores. Um conservadorismo que dissemina sutilmente seus erros com fachada de catolicismo e que muitos católicos, com os olhos embaçados, não percebem. Um conservadorismo que, sob pretexto de alta cultura e política, destrói uma verdadeira restauração de todas as coisas em Cristo. São Pio X (Editae Saepe)  diz que os inimigos da Igreja têm sobre os lábios o grito de cultura e de civilização, porque com esse nomes grandiosos podem mais facilmente esconder a malícia de seus intentos. Leão XIII (Humanum Genus) menciona também o pretexto da cultura como desculpa para que os inimigos da Igreja disseminem seus erros. Hoje, vemos com frequência o grito da alta cultura se propagar em detrimento da doutrina de Cristo. Espalha-se nesse meios conservadores também o gravíssimo erro do perenialismo, que afirma que todas as religiões são a expressão de uma única religião, que chamam de religião perene, sabedoria perene ou filosofia perene (esse último termo às vezes usado também para designar a filosofia aristotélico-tomista), como se a religião católica não fosse a única verdadeira, e como se não estivesse em contradição com as outras. Um conservadorismo que se baseia em autores que se fundamentam em filosofias modernas revolucionárias e que propagam a revolução de modo light como fizeram na revolução inglesa. Esse conservadorismo que surge tem, nas suas variadas vertentes, algum ou alguns desses erros. Direita, esquerda e centro sempre se uniram contra a Igreja na política moderna. Monsenhor Jouin, elogiado por São Pio X, dizia que as coisas iriam melhorar quando os católicos não mais recuassem de suas convicções, quando os católicos retomassem a coragem mediante a prática das virtudes, quando retomassem a via do sacrifício para seguir o Messias pobre e sofredor, quando parassem de mendigar a salvação à direita e à esquerda e quando formassem o partido de Deus de que falava o Papa (São Pio X, na Encíclica E Supremi Apostolatus). Partido de Deus que não é, em primeiro lugar, um partido político.

(2) O segundo erro é o erro do aparicionismo, que é o apego a aparições que não são devidamente aprovadas pela Igreja ou o apego desordenado mesmo àquelas aprovadas pela Igreja, baseando toda a vida espiritual em aparições, muitas vezes com interpretações puramente pessoais delas. Chamamos a atenção também para grupos que sob a aparência de promoção à devoção a Nossa Senhora, em particular a Nossa Senhora de Fátima, tiram proveito da boa-fé e da boa vontade das pessoas para conseguir dinheiro. É preciso, claro, levar a sério as aparições aprovadas pela Igreja, mas sem fazer delas o fundamento de tudo.

(3) O terceiro erro é o do culto de personalidade, que consiste em tornar uma pessoa a referência única para a solução de todos os problemas, em substituição à Igreja, à hierarquia, e ter uma reverência desordenada a essa pessoa. Muitas vezes, isso vem aliado ao fato de impedir as vocações sacerdotais e religiosas de florescerem e famílias católicas de se formarem por enfurnar rapazes em uma casa para defender uma causa sem qualquer tutela da Igreja.

Continuamos as provações em nosso país com a crise moral, com a crise na sociedade, de modo geral. Cada vez maiores dificuldades para a prática de nossa santa religião. Uma oposição cada vez mais ferrenha à lei natural e também à lei divina, com consequências cada vez piores em virtude da difusão da ideologia de gênero, por exemplo. Uma sociedade em que a vida do próximo não tem praticamente valor, em que se mata por um nada ou por algum punhado de dinheiro. Uma sociedade em que querem matar os mais indefesos, as crianças não nascidas. O Supremo Tribunal Federal continua, infelizmente, caminhando no sentido de aprovar e promover todas as ideologias absurdas anticristãs, contrárias à lei natural e mesmo ao simples bom-senso. Não conseguem aprovar no Congresso essas medidas, dado que a maioria da população é contra, passam, então, a legislar maliciosamente pelos tribunais. Os inimigos de Cristo encontram e desenvolvem meios sutis para tirar Cristo da sociedade. Os países, tendo abandonado a fé católica e tendo aderido ao laicismo, já não podem resistir à própria decadência moral e social advinda do liberalismo de todo os matizes. Muitos já não podem também resistir ao islã. Precisamos rezar pelo nosso país e pelo mundo. Precisamos fazer a nossa parte, começando por santificar a nós mesmos e as nossas famílias e buscando que a lei de Cristo seja observada em toda a sociedade. As dificuldades, as provações são também meios que Deus nos dá para exercer a virtude, para suportar os males com paciência, para vencê-los com a virtude contrária e, sobretudo, com o amor a Deus.

Essas provações, permitidas por Deus, devemos aproveitá-las para a nossa santificação. Tudo cooperará, efetivamente para o bem do justo (Rom. VIII, 28), que, nos bens e nos males, sabe encontrar meios para sua santificação e para estender o reino de Cristo na sua alma e na sociedade.

Reafirmemos, caros católicos: devemos começar pelo cuidado das nossas famílias, combater o bom combate e guardar a fé e a caridade. De pouco adianta ser um paladino da Missa no Rito Romano Tradicional e da moral católica, se, com os nossos pecados mortais não combatidos seriamente, cooperamos para o reino do demônio. Não é suficiente louvar a Cristo com a boca, se o crucificamos com nossos pecados. É preciso amar, defender e propagar a liturgia tradicional, bem como defender e propagar, na sociedade, a doutrina e a moral católicas, sobretudo guardando a fé e observando os mandamentos de Cristo. Devemos nutrir a nossa fé e a nossa alma não com redes sociais, nem com grupos de whatsapp, nem com fotos de internet com uma frase atribuída a alguém ou com mera informação, mas com os tesouros da espiritualidade e da fé católicas: os bons livros, que são nossos melhores amigos.

Procuraremos continuar combatendo o bom combate e pregando o Evangelho de modo oportuno ou importuno, como diz São Paulo. Não devemos ser, porém, pessimistas desesperados. Nem otimistas ingênuos. Devemos ser realistas com esperança sobrenatural.

Assim, tivemos nesse ano grandes alegrias, é evidente. Começando pelo nosso singelo apostolado. Muitas crianças nasceram no apostolado, e 19 batizados foram realizados. 19 pessoas nasceram para a vida da graça! Fizemos a devoção das 40 horas em reparação pelos pecados do carnaval. Tivemos uma belíssima Semana Santa na Capela, digna do céu, enquanto isso é possível. 6 crianças receberam a primeira comunhão. Uma magnífica cerimônia de Crisma com o Bispo Auxiliar de Brasília, Dom José Aparecido, com 18 crismados entre crianças e adultos. O Catecismo de Adultos esteve cheio como nunca. Duas Missas públicas diárias. Três Missas no domingo, o que foi possível pela chegada dos Padres Marcos e Luiz Fernando Pasquotto. A Providência tem ajudado muito. Nosso Cardeal Arcebispo também sempre nos ajudou e ajuda bastante. Continuamos a favorecer a devoção das primeiras sextas-feiras e dos primeiros sábados em reparação ao Sagrado Coração de Jesus e ao Imaculado Coração de Maria, respectivamente. Entronização do Sagrado Coração de Jesus nos lares de muitas famílias, aguardando aquelas que ainda não a fizeram. Nossa Senhora honrada no dia da Festa de suas Dores com bela Missa Solene. Terço com formação doutrinária e espiritual para pais e mães de família. Grupo para as meninas e para os meninos, a fim de se nutrirem, desde a mais tenra idade, com doutrina e ambiente católicos e de formarem o caráter e as virtudes. No total, mais ou menos 60 crianças presentes regularmente nesses grupos, o Grupo de Moças da Capela N. Sra. das Dores e a Sociedade da Alegria de Dom Bosco, Maior e Minor. Aulas de história da Igreja, que muito ajudam a responder aos ataques contra a Igreja. E, como disse, o Cardeal Newmann, conhecer profundamente a história é deixar de ser protestante, ou seja, é tornar-se católico. Tivemos formações sobre a Liturgia, importantes para compreender bem o Rito Romano Tradicional. Tivemos a continuação das Conferências sobre a vida dos Santos, que nos mostra concretamente a prática da virtude. Tivemos as excelentes Conferências de Quaresma sobre Nossa Senhora de Fátima, as Conferências de Advento e as conferências de férias em julho. Nesse ano, continuamos com os retiros para homens e para mulheres. Dois para cada. Tivemos também duas jornadas para casais, passeios para as jovens e para os jovens. Continuamos as importantíssimas formações para as jovens mulheres e para os jovens homens. Insistimos, em particular, sobre a necessária maturidade espiritual e humana, sobre esperar o momento certo (em todos os aspectos) para começar um namoro, sobre a prudência necessária em um namoro para guardar a pureza. Tivemos também os bons momentos com nossas tradicionais confraternizações após festas importantes. Tivemos a Festa de São João, a Festa dos Santos. Tivemos ainda a excelente jornada de Nossa Senhora de Fátima no dia 13/05 em honra dos 100 anos das aparições. Tivemos a extraordinária Jornada de Nossa Senhora Aparecida em honra dos 300 anos do encontro da imagem. Essa Jornada será institucionalizada para os próximos anos. Tivemos duas peregrinações imensamente frutuosas: a peregrinação nacional do IBP a Aparecida em julho e a peregrinação de nossa Capela a Trindade, para honrar Nossa Senhora e a Santíssima Trindade. Foram momentos de inúmeras graças em virtudes das caminhadas e de um excelente convívio, com orações e as já tradicionais cantorias. Quanta alegria! Em Aparecida, tivemos a imensa satisfação da presença de Dom Fernando Guimarães para a Missa Pontifical. Tivemos a alegria de sua presença também na Festa de São Pio V, para comemorar os 10 anos do Motu Proprio Summorum Pontificum. Tivemos a visita do Cardeal Raymond Burke, na mais bela Missa que eu já vi. E já vi um certo número na vida. Foi um ano em que Deus e Nossa Senhora das Dores nos permitiram manter e incrementar muitas coisas úteis para o progresso de cada um e das famílias. Se estamos ainda aquém do ideal, já demos, com a graça divina, alguns passos. É preciso que aproveitem tudo isso, caros fiéis, o máximo que puderem. Minha viva exortação para que participem das atividades aqui da Capela e se deixem formar pela doutrina e pela espiritualidade católicas.

O mundo precisa de famílias católicas. Precisa, ainda mais, de bons padres. E, como insistimos algumas vezes, as duas coisas caminham conjuntamente: a família católica e o sacerdócio católico. Não pode haver restauração de tudo em Cristo sem as duas coisas trabalhando em união.

A expansão, ainda que pouco a pouco e com obstáculos, da Missa Tradicional é inegável. E com a propagação da Missa Tradicional, propaga-se também a fé católica com todo seu vigor, com toda a sua clareza. E com a fé católica vêm todos os bens, naturais e sobrenaturais. A Missa é o centro de tudo, já que é a renovação nos altares do sacrifício de Cristo no calvário.

Nesse último dia do ano, é bom pararmos e refletirmos, caros católicos. Como anda a minha alma? O que fiz nesse ano para santificá-la? Aproveitei essa liturgia imemorial, esse tesouro da fé e da piedade para aproximar-me de Deus? Aproveitei os meios que tenho à disposição para me santificar e santificar a minha família? Procurei formar-me bom católico? Procurei cumprir bem os meus deveres de estado? Como jovem homem ou mulher, procuro me preparar espiritualmente, humanamente e profissionalmente para o matrimônio ou para a vocação religiosa? Procuro atingir a maturidade espiritual e humana? Tenho cumprido meus deveres de estudante? De filho? Como pai de família, tenho assumido a responsabilidade pelo bem espiritual de minha família, tenho buscado agir para o bem da família e não o meu próprio? Tenho feito o que devo para a educação dos filhos? Estou consciente de que a santificação da família depende em grande parte de minha santificação? Tenho me esforçado para garantir também o sustento material de minha família? Como mãe de família, tenho sido generosa diante dos necessários sacrifícios quotidianos e muitas vezes escondidos ou tenho murmurado? Tenho me preocupado com a educação dos filhos? Tenho me preocupado com a saúde do lar? E como cristão, tenho me acomodado? Aproveitei os sacramentos e sacramentais? Comunguei com boas disposições, com fervor? Procurei a confissão com boa disposição e com frequência? Rezei o Santo Terço diariamente? Tive uma devoção real e não meramente sentimental a Nossa Senhora? Procurei pensar nas coisas do alto? Fiz as orações diárias? Da manhã? Da noite? A meditação? A leitura espiritual?

Aproveitemos esse próximo ano que se inicia e peçamos a Deus a fidelidade à sua graça. Peçamos a Deus a docilidade diante dos ensinamentos de sempre da Santa Igreja. Peçamos a Deus a graça de receber bem e com frequência os sacramentos. Peçamos a graça de fortalecer a nossa fé diante das tormentas. Peçamos a perseverança nos bons propósitos. Peçamos a Ele a santificação de nossas famílias, dos cônjuges e das crianças. Peçamos a Ele, com toda a força da nossa alma, a graça de sermos verdadeiramente santos.

Agradeçamos a Deus pelo ano que passou, também pelas cruzes. A todos, um santo ano de 2018.

Em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo. Amém.

[Sermão] A glória de Deus no Natal

Sermão para a  Missa da Vigília de Natal

24-12-2017 – Padre Daniel Pinheiro, IBP

 

Em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo. Amém.

Ave Maria…

“Hoje sabereis que o Senhor virá e nos salvará e cedo na manhã vereis a sua glória. Será revelada a glória do Senhor e toda a carne, isto é, todo o homem verá a salvação do nosso Deus.”

Qual é essa glória de Deus de que nos fala o introito e a antífona da comunhão e que vemos no momento do nascimento do Senhor? É a glória de um Deus que tanto amou o mundo ao ponto de entregar Seu próprio Filho. É a glória de um Deus que Se fez homem para nos salvar. Devemos, caros católicos, parar e pensar seriamente. Aquele que era desejado desde Adão e Eva, o desejado por patriarcas e profetas, O desejado pelos judeus e mesmo pelos pagãos, nasceu no dia de amanhã.

E Deus com a Sua divina Providência ordenou todas as coisas de tal forma que Nosso Senhor Jesus Cristo fosse o centro de tudo, de toda a história, de toda a humanidade, de toda a vida humana. Vemos claramente no Natal, como Deus efetivamente age na história, como Ele governa todas as coisas de modo perfeito, de modo suave e forte. Tomemos o evangelho de hoje como exemplo. José se dá conta que Nossa Senhora concebeu. Não passou pela cabeça de São José que Nossa Senhora tivesse cometido algum pecado. Se São José achasse isso, sua obrigação como justo, declarado pela própria Sagrada Escritura, seria, segundo a lei mosaica, denunciar Maria. São José sabe, porém, que Nossa Senhora é casta. E diante desse mistério, São José, entrevendo que ela é a Virgem que deve conceber, se pensa indigno. Queria, então, dispensá-la secretamente. Mas a Providência queria que o santo patriarca recebesse Maria como sua esposa. Envia, então, um anjo a São José para que possa proceder desse modo. E Deus quis assim para que Nossa Senhora não fosse considerada como adúltera. Quis também que fosse assim, que São José a recebesse como esposa, para esconder do demônio que era ela a Virgem que deveria conceber o Messias. E queria assim a Providência para que ela tivesse apoio na fuga para o Egito. Eis então a Providência que age de modo claro e ao mesmo tempo sutil na história, para o bem das nossas almas e para que Nosso Senhor pudesse, nos trinta e três anos de Sua vida, operar a nossa salvação. E, assim, desse mesmo modo, a Providência age em nossas vidas e ela quer que recebamos alegremente a Cristo, agora, como nosso redentor, para que confiadamente possamos recebê-lO como juiz na nossa morte e no fim do mundo, como diz a oração da coleta. Devemos agora receber o menino Deus alegremente como nosso redentor, convertendo-nos a Ele.

Olhemos, caros católicos, para o estábulo e vejamos a salvação de Deus. Toda a carne, isto é, todo o homem pode ver a salvação de Deus. Todo homem recebe as graças para se voltar a Nosso Senhor Jesus Cristo e abandonar o pecado, o mundo e o demônio.

Vejamos, então, essa glória de Deus, que  já citamos, em particular na solução que Deus encontrou para o pecado. De fato, caros católicos, não havia solução estritamente perfeita. O pecado é uma ofensa infinita feita a Deus. Diante do pecado original e de nossos pecados pessoais, nós não tínhamos como reparar pelas ofensas feitas. Teríamos que oferecer a Deus algo que fosse mais agradável a Ele do que o pecado Lhe desagradou. Mas o pecado Lhe desagradou infinitamente. Teríamos então que agradar a Deus infinitamente. Como fazer isso? Nós abandonados a nós mesmos somos incapazes, pois somos finitos, somos limitados. Se juntássemos todos os homens com todas as suas boas obras do início da humanidade até o fim do mundo, também seria algo limitado, finito. Não seria infinitamente agradável a Deus.

Diante disso, Deus poderia ter feito duas coisas e que nós compreenderíamos com nossa inteligência humana. Deus poderia ter nos abandonado aos nossos pecados sem nenhuma injustiça de Sua parte. Ou, então, Deus poderia ter perdoado nosso pecado sem exigir uma reparação em estrita justiça. Todavia, essas seriam soluções demasiadamente humanas, caros católicos. Deus encontra então, a Sua solução, que evidentemente já conhecia desde toda a eternidade. A solução divina é a encarnação do Verbo, Seu nascimento no estábulo de Belém no dia vinte e cinco de dezembro. Solução divina porque repara em estrita justiça a glória de Deus ofendida pelos nossos pecados. Nosso Senhor é  homem e Deus. Como homem é um de nós, é o chefe do gênero humano na ordem sobrenatural. E como Deus, qualquer de Suas ações tem um valor infinito, infinitamente bom. Por outro lado, além de reparar estritamente a justiça divina, a encarnação do Verbo, Seu nascimento no estábulo de Belém, toda a Sua vida, paixão e morte são obra da misericórdia divina. Vendo tudo o que Deus fez pela nossa salvação, não temos outra opção a não ser amá-lO em troca, com amor efetivo, cumprindo os Seus mandamentos. Deus quis encarnar-se, fazer-se homem, nascer nessa madrugada do dia vinte e cinco, no frio, abandonado num estábulo de animais para assim nos mover a amá-lO. E, desse modo, Santo Afonso diz que Deus foi mais amado em pouquíssimo tempo depois da encarnação do Verbo do que durante todos os séculos que precederam a vinda de Nosso Senhor Jesus Cristo. Isso porque mais manifesto ficou o amor de Deus por nós, então, mais facilmente podemos amá-lO também. Na encarnação e no Natal, caros católicos, nós temos a união perfeita da justiça e da misericórdia. Coisa que parece tão difícil de conciliar. Mas Deus, na Sua solução divina, concilia perfeitamente a justiça e a misericórdia.

Festejemos, então, esse Natal com verdadeira alegria cristã. Convertendo-nos ao Menino Deus, vendo a salvação de Deus que se encontra no Menino, no estábulo, na manjedoura em Belém.

Em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo. Amém.

Calendário Litúrgico 2018

Prezados, Salve Maria!

Temos a alegria de anunciar que o Calendário Litúrgico 2018 da Capela Nossa Senhora das Dores já está à venda.

Para adquirir o seu pela internet, é preciso entrar em contato com o e-mail que daremos abaixo (é o único meio). O pedido é enviado somente após a confirmação do pagamento.

O VALOR DO CALENDÁRIO É 35 REAIS + FRETE.

O e-mail é: calendariumliturgicum@outlook.com

 

9º Dia da Novena de Natal

Seria conveniente fazer a meditação da Novena em família e rezar o Santo Terço em seguida.

Aqui está o arquivo PDF com a Novena completa: Novena de Natal Completa

 

Meditações de Santo Afonso de Ligório para a Novena de Natal

9º Dia – 24 de dezembro

 Novena de Natal IX

Ascendit autem et Joseph… ut profiteretur cum Maria desponsata sibi uxore praegnante.

José foi também… para se recensear juntamente com sua esposa Maria que estava grávida. (Lc 2,4).

Deus havia decretado que seu Filho nascesse não na casa de José, mas numa gruta, num estábulo, da maneira mais po­bre e mais penosa que possa nascer uma criança; e por isso dispôs que César publicasse um edito pelo qual cada um era obrigado a ir inscrever-se no lugar de sua origem

Ao receber essa ordem, José ficou inquieto não sabendo se devia deixar ou levar consigo a Virgem Mãe, pois ela estava para dar à luz. — Minha Esposa e Senhora, disse-lhe, de um lado não vos quero deixar só, e do outro, se vos levar comigo fico aflito pensando no muito que tereis de sofrer em tão longa viagem e tão rigorosa estação; minha pobreza não me permite conduzir-vos com os devidos cuidados. — Maria, porém, encorajou-o dizendo: Meu caro José, não temais; irei convosco e o Senhor nos ajudará. — Ela sabia por inspiração e pelo conhe­cimento que tinha da profecia de Miquéias, que o divino Menino devia nascer em Belém. Tomou, pois, as faixas e os pobres pa­ninhos já preparados, e pôs-se a caminho com José: Ascendit autem et Joseph… ut profiteretur cum Maria.

Acompanhemos os santos esposos em sua viagem consi­derando as piedosas conversas que nessa viagem deviam ter tido sobre a misericórdia, a bondade, e o amor do Verbo divino, que iria logo nascer e aparecer no mundo para a salva­ção dos homens. Consideremos ainda os louvores e as bên­çãos, as ações de graça, os atos de humildade e amor, que de caminho faziam esses dois nobres peregrinos. Ela sofria cer­tamente muito, essa jovem e tenra virgem prestes a dar à luz, fazendo trajeto tão longo, por caminhos difíceis e no tempo do inverno; mas sofria em paz e com amor, e oferecia a Deus to­das as suas penas unindo-as às de Jesus que levava em seu casto seio.

Ah! unamo-nos a Maria e a José, e acompanhemos com eles o Rei do céu, que vai nascer numa caverna e fazer sua primeira aparição no mundo como uma criança, e como a cri­ança mais pobre e abandonada que jamais nasceu entre os homens. Peçamos a Jesus, Maria e José, pelos méritos das penas que sofrem nessa viagem, nos acompanhem na viagem que fazemos à eternidade. Felizes de nós, se na vida e na mor­te formos sempre acompanhados por esses três grandes per­sonagens!

Afetos e Súplicas

Meu caro Redentor, sei que os anjos do céu vos acompanham nessa viagem; mas entre os habitantes da terra, quais são os que vos acompanham? Vejo convosco só José e Maria que vos leva em seu seio; ó meu Jesus, permiti que me una a eles para vos seguir. Ah! tenho sido bem ingrato para convosco! Vejo agora o mal que fiz: descestes do céu para me fazer com­panhia na terra, e eu tive tantas vezes a ingratidão de deixar-vos, ofendendo-vos. Ó meu divino Mestre, quando penso que para seguir minhas malditas inclinações tantas vezes me sepa­rei de vós renunciando à vossa amizade, quisera morrer de dor. Mas viestes para perdoar-me; perdoai-me pois agora me arrependo de toda a minha alma de vos ter tantas vezes des­prezado e abandonado. Estou resolvido e espero, com a vossa graça, não me afastar nem separar de vós, meu único amor! Sim, minha alma está tomada de amor por vós, meu amável Deus-Menino! Amo-vos, meu doce Salvador, e já que viestes à terra para me salvar e me comunicar as vossas graças, eis a única que vos peço: fazei que me não separe jamais de vós; cativai-me prendendo-me estreitamente a vós pelas doces ca­deias do vosso santo amor. Ah! meu Redentor e meu Deus, quem poderia ainda deixar-vos e viver sem vós, privado da vossa graça?

Santíssima Virgem Maria, venho fazer-vos companhia em vossa viagem a Belém; e vós, minha Mãe, não cesseis de aju­dar-me na viagem que faço à eternidade. Assisti-me sempre, mas sobretudo no fim da minha vida, quando eu chegar a esse último momento que deve decidir se estarei, ou sempre con­vosco para amar a Jesus no céu, ou sempre longe de vós para odiar a Jesus no inferno. Minha Rainha, salvai-me com vossa intercessão; e a minha salvação seja amar-vos para sempre, a Jesus e a vós, no tempo e na eternidade. Sois minha esperan­ça, espero tudo de vós.