[Sermão e Vídeo] O sentido da Ladainha de Nossa Senhora das Dores e Vídeo da Missa Solene em honra da Padroeira

Sermão para a Festa de Nossa Senhora das Dores

15.09.2017 – Padre Daniel Pinheiro, IBP

 

Em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo. Amém.

Ave Maria.

Cada um aqui, ao considerar a Ladainha de Nossa Senhora das Dores, composta para o uso privado, não litúrgico, por Pio VII, pôde observar uma ordem clara nas invocações. Começa com as três invocações iniciais a Nossa Senhora, as mesmas invocações da Ladainha Lauretana, a ladainha comum de Nossa Senhora.

Essas três invocações são: Santa Maria, Santa Mãe de Deus e Santa Virgem das Virgens. Não poderíamos deixar de começar invocando Nossa Senhora pelo próprio nome que lhe foi dado por Deus. Maria. Várias são as interpretações para o nome Maria. O Breviário Romano retém a interpretação de estrela do mar para o nome de Maria. A estrela que não perde a sua luz ao brilhar. Como Maria não perdeu a virgindade ao dar à luz seu divino Filho. A estrela do mar que orienta os navegantes pelo caminho a ser seguido. Estrela prometida para a descendência de Jacó. Em seguida vem a invocação de Mãe de Deus. É a maternidade divina que dá a Nossa Senhora todos os seus privilégios, desde a Imaculada Conceição até a sua Assunção aos céus. Foi em preparação para a maternidade divina que Nossa Senhora recebeu tantas graças e foi em consequência da maternidade divina, e por tê-la exercido perfeitamente, que ela recebeu tantas graças. A terceira invocação comum é Virgem das virgens. Mais do que a importante virgindade de Maria, antes, durante e depois do parto, a invocação significa que Nossa Senhora é a mulher por excelência, a inimiga do demônio de que se fala no Gênesis. Significa também a dedicação completa a Deus.

Depois das invocações comuns, a ladainha passa a uma série de invocações que nos mostram os sofrimentos de Maria. Pio VII não quis recorrer aos momentos dessas dores, como a profecia de Simeão, a fuga para o Egito, a perda do Menino Jesus em Jerusalém e as outras. Preferiu ele tratar da intensidade dessas dores. E com palavras que podem até deixar transparecer um certo desespero, se não são bem interpretadas. Claro, em Nossa Senhora, a dor – e a tristeza – foi a maior possível – Mãe tristíssima – mas em momento algum a dominou tirando-lhe a fé, a esperança, a caridade. Em momento algum diminuiu-lhe o uso da inteligência e da vontade. Em momento algum ofuscou-lhe a lucidez e a serenidade. Mãe lacrimosa, pois as lágrimas são a expressão exterior da tristeza de sua alma. Mãe aflita no sentido de que seu próprio corpo sofria as consequências sensíveis de suas dores. Mãe abandonada porque perdeu o seu Divino Filho e abandonada no mesmo sentido em que Nosso Senhor se diz abandonado no alto da cruz, isto é, sem consolação sensível alguma. Mãe consumida pelas tribulações, pois sem um milagre da graça não teria ela resistido a tantas dores, mas teria sido consumida por elas. Deveria ter morrido com tamanhas tribulações. Mãe repleta de angústias, pois tinha a alma tão estreitada que só passava o amor a Deus e ao próximo. Ápice dos sofrimentos, pois ninguém sofreu mais que ela, excetuando seu divino Filho. Essa parte das ladainhas nos dá um pouco a noção da intensidade das dores de Maria Santíssima.

A parte seguinte das ladainhas coloca Nossa Senhora como aquela que sustenta a virtude dos fiéis em todas as ocasiões, principalmente nas adversidades. Espelho de paciência. Âncora de confiança. Refúgio dos desamparados. Conforto dos miseráveis. Fortaleza dos fracos. Porto dos náufragos, pois é a estrela do mar. Bonança nas borrascas, pois serena a alma nas tribulações. Tesouro dos fiéis, pois nosso tesouro é a graça e Nossa Senhora é a medianeira de todas as graças, de todo o nosso verdadeiro tesouro.

Depois, Nossa Senhora é apresentada como a virtude dos santos de toda classe. Olho dos profetas, pelos quais faziam a profecia; o báculo dos apóstolos, para reger todo o rebanho do Senhor; a pérola das virgens, pois a castidade é uma joia de valor inestimável. Nossa Senhora das Dores como Corredentora, unindo-se à redenção operada pelo seu Filho, distribui tão imensas graças. Pela comunhão dos santos, ofereceu suas dores, associando-as às dores de seu Filho, pela nossa salvação eterna. E todos os santos são devotos e imitadores de Maria Santíssima.

Todavia, é na última invocação da ladainha que podemos ver a beleza da ordem com que está feita. Maria das Dores, Mãe tristíssima, é invocada como a alegria de todos os santos. Depois de invocar Maria na intensidade mais alta de suas dores, sofrimentos e tristezas, a invocamos como a alegria de todos os santos. A primeira coisa a notar é que todos os santos são alegres, por definição. De uma alegria espiritual, de uma alegria que vem da graça de Deus, de uma alegria que vem da consciência pura, da alegria que vem do fazer a vontade de Deus. A alegria que vem de sermos filhos de Deus e de sabermos que dependemos inteiramente dEle. Essa alegria estável e duradoura que vem da união com Deus. Essa alegria que persiste na alma mesmo em meio aos sofrimentos. Essa alegria que os mundanos desconhecem, que os pecadores desprezam. Essa alegria que muitas vezes chega a transbordar no exterior pelo semblante, nas conversas e nas recreações honestas. Que em nada tem a ver com a dissipação do espirito, com as risadas descompassadas ou com diversões que prejudicam a nossa alma e ofendem a Deus. Todos os santos tiveram essa alegria profunda na alma. E a fonte dessa alegria? Deus, claro. Nosso Senhor Jesus Cristo, o Verbo Encarnado. E Nossa Senhora. A Mãe das Dores. A Mãe Tristíssima é a alegria de todos os santos. Porque ela nos conduz a Deus, nos conduz sempre a seu filho. Ela nos distribui, por vontade de Deus, as graças que seu Filho alcançou na cruz. Nossa Senhora é a alegria de todos os santos.

Quem compreender isso, que Nossa Senhora das Dores é mãe da alegria terá compreendido o segredo de nossa santa religião. Encontrar a alegria da união com Deus, encontrar a alegria de nos assemelharmos a Cristo entre os sofrimentos dessa vida. Nossa Senhora, ao sofrer, guardou a sua profunda alegria de alma, pois sabia que tudo se fazia para a maior glória de Deus e para a salvação das almas. Sabia que cooperava na redenção de nossas almas. Sendo a Mãe de Deus e Mãe das Dores, somente ela pode ser a Mãe da Alegria.

Nossa Senhora das Dores, que nos mostrais o sentido da dor e da alegria, rogai por nós.

Em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo. Amém.

[Aviso] Festa da Padroeira, Missa, Confraternizações

Transmitimos alguns avisos do Padre Daniel:

  1. Hoje, dia 14/09, Festa da Exaltação da Santa Cruz. Missa rezada às 19:30.
  2. Amanhã, sexta-feira, 15/09, Festa de Nossa Senhora das Dores, Padroeira da Capela. Missa Rezada às 6:30 e Missa Solene às 19:30. Após a Missa, Bênção do Santíssimo 
  3. Em seguida, haverá Confraternização da Festa da Padroeira. Pede-se que se traga apenas bebida (suco melhor que refrigerante) nesse dia. 
  4. No sábado, 16/09, haverá aula de liturgia normalmente após a Missa da manhã.
  5. Domingo, 17/09, será a despedida do Padre Thiago Bonifácio. Missa Solene às 10:00 seguida de Confraternização. Pede-se que se traga um salgado ou doce e uma bebida (suco melhor que refrigerante) nesse dia.

Novena de Nossa Senhora das Dores

A Novena de Nossa Senhora das Dores tem início nesta quarta-feira, 06/09, e se conclui no dia 14/09. O ato de consagração a Nossa Senhora das Dores é feito no dia da Festa, 15/09.

Na Capela Nossa Senhora das Dores, a Novena será rezada, nos dias de semana, antes da Missa da noite.Ela começa às 19h30. Na quinta-feira, 07/09 e no sábado, 09/09, ela será rezada antes da Missa da manhã.

Para ver a Novena em formato PDF, clique no link abaixo.

Novena de Nossa Senhora das Dores (PDF)

À Novena, pode-se acrescentar a Coroa de Nossa Senhora das Dores. A versão da Coroa apresentada é a de Santo Afonso. Pode ser também a versão simplificada, anunciando cada dor e rezando 1 Pater e 7 Aves em seguida.

Coroa de Nossa Senhora das Dores (PDF)

 

Novena para a Festa de Nossa Senhora das Dores

Do dia 6 de setembro ao dia 14 de setembro

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“ Jesus prometeu graças extraordinárias aos devotos das dores de Maria.”

Santo Afonso Maria de Ligório, Glórias de Maria, p. 367.

Uma devoção salutar e muito favorecida pela Igreja

“Pelberto refere-nos a seguinte revelação de S. Isabel a esse respeito. São João Evangelista, depois da Assunção da Senhora, muito desejava revê-la. Obteve com efeito essa graça e sua Mãe querida apareceu-lhe em companhia de Jesus Cristo. Ouviu em seguida Maria pedir ao Filho algumas graças especiais para os devotos de suas dores, e Jesus prometer quatro principais graças. Ei-las:  esses devotos terão a graça de fazer verdadeira penitência por todos os seus pecados, antes da morte; Jesus guardá-los-á em todas as tribulações em que se acharem, especialmente na hora da morte; 3º Ele lhes imprimirá no coração a memória de sua Paixão, dando-lhes depois um prêmio especial no céu;  por fim, os deixará nas mãos de sua Mãe para que deles disponha a seu agrado, e lhes obtenha todos e quaisquer favores.” (Santo Afonso Maria de Ligório, Glórias de Maria, p. 368)

“Essa devoção recebeu a mais alta sanção da Igreja, pois está tanto no Missal quanto no Breviário. Duas festas distintas são estabelecidas em honra dessas dores. Uma em setembro (dia 15) e a outra na sexta-feira da semana da Paixão (semana que antecede a Semana Santa). A Coroa ou Rosário de Nossa Senhora das Dores, assim como várias outras devoções foram abundantemente indulgenciadas. Entre elas, pode ser mencionado o Hino Stabat Mater, a devoção de uma hora empregada em qualquer época do ano para meditar as Dores, um exercício em honra de seu coração doloroso, sete Ave Marias com o Sancta Mater istud agas, um exercício para os últimos dez dias do carnaval e uma hora ou meia hora de oração na Sexta-feira santa e nas outras sextas-feiras. Nada, portanto, falta para a aprovação dessa devoção, nem a Igreja poupou meios para atrair seus filhos a essa devoção.

A Igreja escolheu especialmente, porém, sete dores de Maria para uma devoção mais particular. Ela as colocou no Ofício Divino por meio de antífonas, e fez delas os sete mistérios do Coroa das Dores. Essas dores são (1) a Profecia de Simeão, (2) a Fuga para o Egito, (3) a Perda do Menino Jesus no Templo por três dias, (4) o Encontro de Nossa Senhora com Jesus carregando a Cruz, (5) a Crucificação, (6) a Descida da Cruz, (7) o Sepultamento de Cristo. (…) Essas sete dores são misteriosas amostras de suas inúmeras outras dores e podemos encontrar nelas, talvez, o tipo de todas as outras dores humanas.” (Padre F W Faber, The Foot of the Cross, Tan Books, pp. 64 e 65)

Novena de Nossa Senhora das Dores

A novena é igual nos nove dias. Ela é composta de (1) sete Ave-Marias, cada uma acompanhada da estrofe Sancta Materdo Hino Stabat Mater, seguidas da (2) Ladainha de Nossa Senhora das Dores com suas orações.

(1) Ave Maria, gratia   plena…Sancta Mater, istud agas,Crucifixi fige plagasCordi meo valide. Ave Maria, cheia de graça…Santa Mãe, dai-me isto,Trazer as chagas de CristoGravadas profundamente em meu coração.

(2) Ladainha de Nossa Senhora das Dores

(Composta por Pio VII em 1809, no cativeiro sob Napoleão. Para uso privado somente. Original latino em Golden Manual, 1870.)

Kyrie, eleison.

Christe, eleison.

Kyrie, eleison.

Christe, audi nos.

Christe, exaudi nos.

Pater de caelis, Deus, miserere         nobis.

Fili, Redemptor mundi, Deus,

Spiritus Sancte Deus,

Sancta Trinitas, unus Deus,

Sancta Maria, ora pro nobis

Sancta Dei Genetrix,

Sancta Virgo virginum,

Mater crucifixa,

Mater dolorosa,

Mater lacrimosa,

Mater afflicta,

Mater derelicta,

Mater desolata,

Mater filio orbata,

Mater gladio transverberata,

Mater aerumnis confecta,

Mater angustiis repleta,

Mater cruci corde affixa,

Mater maestissima,

Fons lacrimarum,

Cumulus passionum,

Speculum patientiae,

Rupes constantiae,

Ancora confidentiae,

Refugium derelictorum,

Clipeus oppressorum,

Debellatrix incredulorum,

Solatium miserorum,

Medicina languentium,

Fortitudo debilium,

Portus naufragantium,

Sedatio procellarum,

Recursus maerentum,

Terror insidiantium,

Thesaurus fidelium,

Oculus Prophetarum,

Baculus Apostolorum,

Corona Martyrum,

Lumen Confessorum,

Margarita Virginum,

Consolatio Viduarum,

Laetitia Sanctorum omnium,

Agnus Dei, qui tollis peccata mundi, parce nobis, Iesu.

Agnus Dei, qui tollis peccata mundi, exaudi nobis, Iesu.

Agnus Dei, qui tollis peccata   mundi,miserere nobis, Iesu.  

 

Oremus. Respice super nos, libera nos, salva nos ab omnibus angustiis in   virtute Iesu Christi. Amen.

Scribe, Domina, vulnera tua in corde meo, ut in eis legam dolorem et   amorem: dolorem, ad sustinendum per te omnem dolorem: amorem, ad contemnendum   per te omnem amorem.

Credo, Salve Regina, et ter Ave Maria

Senhor, tende piedade de nós. (2x)

Cristo, tende piedade de nós. (2x)

Senhor, tende piedade de nós. (2x)

Jesus Cristo, ouvi-nos. (2x)

Jesus Cristo, atendei-nos (2x)

Deus Pai dos Céus, tende piedade   de nós.

Deus Filho, Redentor do mundo,

Deus Espírito Santo,

Santíssima Trindade, que sois um só Deus,

Santa Maria, rogai por nós.

Santa Mãe de Deus,

Santa Virgem das virgens,

Mãe crucificada,

Mãe dolorosa,

Mãe lacrimosa,

Mãe aflita,

Mãe abandonada,

Mãe desolada,

Mãe despojada de seu Filho,

Mãe transpassada pela espada,

Mãe consumida pelas tribulações,

Mãe repleta de angústias,

Mãe cravada na Cruz em seu coração,

Mãe tristíssima,

Fonte de lágrimas,

Ápice dos sofrimentos,

Espelho de paciência,

Rochedo de constância,

Âncora de confiança,

Refúgio dos desamparados,

Escudo dos oprimidos,

Vencedora dos incrédulos,

Conforto dos miseráveis,

Remédio dos enfermos,

Fortaleza dos fracos,

Porto dos náufragos,

Bonança nas borrascas,

Recurso dos aflitos,

Terror dos insidiosos,

Tesouro dos fiéis,

Olho dos Profetas,

Báculo dos Apóstolos,

Coroa dos Mártires,

Luz dos Confessores,

Pérola das Virgens,

Consolação das viúvas,

Alegria de todos os Santos,

Cordeiro de Deus, que tirais os pecados do mundo, perdoai-nos, Jesus.

Cordeiro de Deus, que tirais os pecados do mundo, ouvi-nos, Jesus.

Cordeiro de Deus, que tirais os pecados do mundo, tende piedade de nós, Jesus.

 

Oremos. Lançai vosso olhar   sobre nós, livrai-nos e salvai-nos de todas as angústias pela virtude de  Jesus Cristo. Amém.

Imprimi, Senhora, as vossas feridas em meu coração, para que possa ler   nelas a dor e o amor; a dor, para suportar, por ti, toda dor; o amor para desprezar,   por ti, todo amor.

Credo, Salve Regina, e três Ave-Marias

Ato de Consagração a Nossa Senhora das Dores (para o dia 15 de setembro)

Maria, Santíssima Virgem e Rainha dos Mártires, queria ser levado ao Céu, para contemplar aí as honras dadas a vós pela Santíssima Trindade e por toda a corte celeste. Todavia, como ainda sou um peregrino nesse vale de lágrimas, recebei desse vosso servo, indigno e pecador, a mais sincera homenagem e o mais completo ato de submissão que um ser humano é capaz de vos prestar. Em vosso Coração Imaculado, transpassado por tantas espadas de dor, eu coloco, definitivamente, a minha pobre alma. Recebei-me como o companheiro de vossas dores e não permitais jamais que eu me separe daquela Cruz, na qual vosso Filho morreu por mim. Convosco, oh Maria, suportarei todas as tribulações, contradições e enfermidades com que, nessa vida, vosso Divino Filho se dignar me visitar. Eu ofereço tudo a vós, em memória das dores que sofrestes durante vossa vida na terra. Assim, que todo pensamento de minha mente, toda batida de meu coração, seja, de agora em diante, um ato de compaixão por vossas dores e um ato de comprazimento com as glórias de que agora vós desfrutais no Céu. Portanto, caríssima Mãe, enquanto eu agora me compadeço de vossas dores e me alegro de vossa glorificação, tende compaixão de mim e reconciliai-me com vosso Filho, Nosso Senhor Jesus Cristo, para que eu seja vosso filho verdadeiro e fiel. Vinde em meu último dia para assistir-me na agonia, assim como assististes ao vosso Divino Filho, a fim que, deixando esse exílio, possa partilhar de vossa glória no Céu. Amém.

[Sermão e Vídeo] A gratidão para com Deus e a cura dos 10 leprosos

Sermão para o 13º Domingo depois de Pentecostes

14.08.2016 – Padre Daniel Pinheiro, IBP

 

Em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo. Amém.

Ave Maria…

“Um deles, ao ver-se curado, voltou, glorificando a Deus em alta voz.”

Eram dez leprosos, nove judeus e um samaritano, que vieram ao encontro de NSJC. Pararam a certa distância como prescrevia a lei mosaica (Lev. 13, 45-46). Prescrevia a lei essa distância para evitar o contágio de outras pessoas com a lepra. A lepra, significa espiritualmente, a alma em estado de pecado mortal. Se a lepra vai destruindo a carne, o pecado mata a alma e a devora, tirando-lhe as forças. O pecador fica, assim, distante de Deus, porque se afastou do Senhor pelo seu pecado.

Erguem, então, a voz. Erguem a voz porque estão à certa distância, prescrita pela lei, mas erguem a voz para mostrar também a grave necessidade em que se encontram. E erguem a voz unidos para mais facilmente mover a bondade e a compaixão de Jesus. É uma oração pública, pois Deus quer que rezemos não só individualmente, o que é essencial, mas também publicamente. Devemos rezar também em sociedade porque Deus é o criador não só dos indivíduos, mas também da sociedade, ao criar o homem como animal social, isto é, como um ser que precisa de seus semelhantes para poder viver adequadamente. Clamam: “Jesus, Mestre, tende compaixão de nós.” Clamam Jesus, porque é Ele a salvação deles, o nome Jesus significa Salvador, lembremos. Pedem ao Senhor misericórdia, para que Ele os tire da miséria dessa doença e desse sofrimento. Ao pedir misericórdia, reconhecem o poder de Cristo, homem e Deus. Chamam-no Mestre, pois Nosso Senhor veio nos salvar pelo seu sacrifício e pela sua doutrina, pelos seus ensinamentos. Erro comum hoje afirmar que Nosso Senhor nada veio afirmar, mas apenas começar um vago sentimento ou movimento religioso. Erro comum mesmo entre alguns que se denominam conservadores. Nosso Senhor Jesus Cristo veio ensinar uma doutrina clara.

Nosso Senhor responde: “Ide mostrar-vos aos sacerdotes.” Os leprosos, quando ficavam curados, deviam apresentar-se ao sacerdote para que esse declarasse a pureza deles. Nosso Senhor, ao dizer aos dez leprosos para que se mostrem aos sacerdotes, afirma que vai curá-los antes que cheguem lá. E eles foram prontamente, acreditando, então, que Nosso Senhor Jesus Cristo iria curá-los. Demonstraram uma fé sincera e uma pronta obediência, além de grande confiança no Mestre.

Ainda no caminho, ficaram curados. Os dez ficaram curados. Apenas um voltou. E foi justamente o samaritano. Voltou glorificando a Deus em alta voz e prostrou-se aos pés de Nosso Senhor, que aproveita a ocasião para manifestar a ingratidão dos outros nove que haviam sido curados. Ubi sunt? Onde estão os outros nove? Esse que voltou, ao agradecer a Deus, ao se prostrar diante de Nosso Senhor, ficou curado não somente de sua lepra, mas teve a sua alma curada: “levanta-te e vai, a tua fé te salvou.” Era esse o objetivo de Jesus Cristo ao curar os dez: que pudessem ter a alma purificada, que se convertessem a Deus. São inúmeras as lições dessa parte final do Evangelho. Vemos que a cura lhes foi dada para que se convertessem a Deus, assim como tudo o que Deus nos dá é para que melhor o sirvamos. Devemos usar tudo o que temos unicamente para melhor servir a Deus. O fato da cura dos leprosos e a volta do único estrangeiro, do único que não era judeu, mostra a difusão e aceitação do cristianismo entre os pagãos, enquanto a maior parte dos judeus recusou Nosso Senhor. Vemos que o samaritano volta glorificando a Deus em alta voz. Com alta voz tinha clamado pela cura. Com alta voz agradece. É preciso ter o mesmo fervor para pedir favores a Deus e para agradecer por tudo o que nos deu e dá. Quantas vezes existe grande fervor ao pedir, mas pequeno fervor ao agradecer a Deus.

A grande lição do Evangelho de hoje é a gratidão que devemos ter para com Deus. Devemos ser reconhecidos a Deus pelos inúmeros benefícios que nos dá. Muitas vezes, quando tudo vai bem, esquecemos de agradecer a Deus ou agradecemos muito pouco. Quando as coisas vão mal, esquecemos que também as cruzes vêm das mãos de Deus, esquecemos que também elas são graças, e esquecemos de tudo o que Deus já nos fez. E no lugar de glorificar a Deus, murmuramos. Quantas graças Deus nos dá e ficamos indiferentes, apenas nos lembrando de pedir mais graças, esquecidos de agradecer a Deus. Quantas graças de boa inspiração, de arrependimento. Quantos benefícios na ordem temporal e espiritual. Quantas vezes nos livrando de perigos e ciladas de todos os tipos, dando provas sem fim de sua bondade sem medida. Mas, em geral, somos dos nove que não voltaram. Onde estão as nossas ações de graças dirigidas a Deus por tudo que nos deu? Não está dito dos nove que a fé deles os salvou, apenas daquele que voltou agradecido. Devemos agradecer e glorificar a Deus, como fez o samaritano. Glorificar a Deus não tanto com as palavras quanto com as obras. Nossa gratidão a Deus deve ser mais efetiva do que afetiva. Nossa gratidão não pode ser um mero sentimento. A gratidão que deve encher a nossa alma – gratidão sobretudo pela misericórdia que até esse momento deus tem exercido para conosco – deve ser uma gratidão manifestada também com as obras, observando, guardando as suas palavras e os seus mandamentos. Gratidão efetiva a Deus em nossas orações e em nossos obras. Gratidão a Deus com toda a nossa vida.

Em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo. Amém.

[Sermão e Vídeo] O Bom Samaritano e o desânimo na prática da religião

Sermão para o 12º Domingo depois de Pentecostes

27.08.2017 – Padre Daniel Pinheiro, IBP

 

Em nome do Pai, e do Filho e do Espírito Santo. Amém.

Ave Maria…

A pergunta do doutor da lei deve ser a pergunta das nossas vidas, caros católicos: “Mestre, o que devo fazer para alcançar a vida eterna?” Não basta perguntá-la, mas é preciso colocar a resposta em prática.

O doutor da lei chama NSJC de Mestre e lhe faz a pergunta para tentá-lo, para ver se NSJC se opõe à lei mosaica, e poder, assim, condená-lo, ou para ver se NSJC cai em alguma contradição, a fim de desacreditá-lo diante do povo. Nosso Senhor, conhecendo a malícia desse doutor da lei, deixa que o próprio doutor da lei responda. E ele o faz muito bem, mostrando conhecimento do que se deve fazer para alcançar a vida eterna, embora não pareça colocar o que sabe em prática. O doutor da lei diz que se deve amar o Senhor Deus com todo o coração, com toda a alma, com todas as forças, com todo o entendimento.

É preciso que em nossas vidas, nas decisões que tomamos, nas situações em que nos encontramos, nas ações que fazemos… é preciso sempre que nos perguntemos o que devemos fazer para alcançar a vida eterna. Como nos diz o doutor da lei, confirmado por NS, devemos amar o Senhor nosso Deus de todo o coração, quer dizer, com toda a nossa vontade, querendo unicamente Deus em nossas vidas e querendo as outras coisas somente enquanto nos levam a Ele. Devemos amar o Senhor nosso Deus com toda a nossa alma, quer dizer, com todas as faculdades, com todos os sentimentos sempre ordenados para Deus, com toda nossa vida ordenada para Deus. Como nos diz São Paulo: “quer comais, quer bebais, fazei tudo para a glória de Deus.” E devemos amá-lo com todas as nossas forças, quer dizer, devemos amá-lo ao máximo. Como diz São Bernardo: a medida do amor a Deus é amá-lo sem medida. Finalmente, devemos amá-lo com todo o nosso entendimento, quer dizer, nosso amor deve ser guiado pela fé, pois para amar realmente a Deus sobrenaturalmente, a fim de alcançar a vida eterna, é preciso conhecê-lo pela fé verdadeira, pela fé católica. Amar a Deus, caros, católicos, não é algo vago, não é um sentimento mais ou menos beato, não é sentir-se em paz ou na presença de Deus. Já falamos disso várias vezes, mas insistimos, pois é esse um dos principais erros dos nossos tempos, mesmo dentro da Igreja Católica.

Mas, padre, é impossível amar a Deus dessa forma, diriam muitos. Como renunciar a tantas coisas que quase todo mundo faz normalmente? Como conformar nossa vontade com a vontade de Deus, mesmo nas cruzes? Como educar meus filhos nesse mundo? Como eu, jovem, posso abandonar todas essas coisas que meus colegas fazem?  Nós estamos no mundo, padre, se renunciarmos a tantas coisas e buscarmos a conformidade em tudo com a vontade de Deus, seremos desprezados pelos outros, vamos sofrer muito, seremos tristes, vamos tornar a nossa vida aborrecida. É impossível conseguir viver de modo verdadeiramente católico nesse mundo em que o pecado nos espera no nosso próximo passo. É impossível amar a Deus com todo o nosso ser. É impossível na sociedade em que vivemos e no momento de crise por que passa a Igreja. Temos que nos dividir entre Deus e o mundo. Se não o fizermos, será impossível viver. Eis aqui a tentação do desespero, caros católicos. Eis a tentação daquele que busca seguir a Cristo e que quer fazê-lo bem, mas que diante de tantas dificuldades e cruzes vai pouco a pouco desanimando, arrefecendo e tem a forte tentação de desistir. E quantos, de fato, terminam desistindo, dizendo que preferem abandonar tudo, já que não são capazes de amar a Deus inteiramente. Diante dessa tentação de desespero, é preciso reagir com a esperança sobrenatural, caros católicos.  Lembremo-nos, caros católicos, que em nenhum momento NS prometeu a paz – como o mundo a entende – aqui na terra. Ao contrário, ele prometeu a espada, ele disse que seus discípulos deveriam carregar a cruz. Mas ao mesmo tempo, Ele disse que estaria conosco até o final dos tempos e que estaria conosco todos os dias. Se Deus nos faz viver hoje, nessa sociedade, nesse momento de crise na Igreja, é porque podemos amá-lo inteiramente, é porque podemos alcançar a vida eterna. Podemos esperar com toda confiança e certeza que Deus nos dará os meios necessários para nos salvar e nos dará esses meios com abundância, se buscamos com sinceridade observar os seus mandamentos. E devemos esperar com firme confiança em Deus porque Ele é infinitamente bom e todo-poderoso. Ele é infinitamente bom. Isso significa que Deus quer que nos salvemos. Isso significa que Ele nos dará todas as graças, todos os meios para que nos salvemos. Isso significa que Ele não pode nos pedir o impossível. Deus é todo-poderoso. Isso significa que para ele nada é impossível. O que para nós sozinhos é impossível, com Deus se torna plenamente possível. É evidente que, sozinhos, nos é impossível amar inteiramente a Deus, não somente nos tempos em que vivemos, mas em qualquer tempo. Com Deus, podemos amá-lo inteiramente sempre em qualquer circunstância. Como diz Santo Agostinho: “Porque Deus não manda coisas impossíveis, mas quando manda, quer que façamos o que podemos e que peçamos o que não podemos, e Ele nos ajuda a poder”. E como diz São João: “os seus mandamentos não são pesados” (1Jo 5, 3).

Devemos ter grande e firme confiança porque Nosso Senhor Jesus Cristo é o Bom Samaritano da parábola de hoje. O homem despojado dos seus bens e ferido somos nós, a humanidade, despojada da graça pelo pecado e ferida com suas más inclinações, consequências do pecado. Aquele homem descia de Jerusalém para Jericó. Jerusalém simboliza a pátria celeste, a virtude, o bem. Esse homem deixava o caminho da virtude e, viajando sozinho, colocava-se em situação de perigo, pois era bem sabido que na estrada havia assaltantes. Esse homem somos nós que, seguindo muitas vezes a sugestão do mundo, da nossa vontade própria ou do demônio, deixamos muitas vezes a vida da graça, nos colocamos em ocasião de pecado e caímos, somos feridos pelo pecado, despojados da graça, da amizade com Deus. Esse homem, assaltado e ferido pela própria negligência somos nós, que por nossa culpa, por nossos descuidos nos afastamos de Deus, de Jerusalém, do céu e descemos para Jericó, para o pecado, para o inferno. Ainda assim, sabendo que esse homem era culpado de seus próprios males e sabendo que se tratava de um inimigo (Judeus e samaritanos eram inimigos e se assume que o ferido e despojado é um judeu, embora não esteja dito explicitamente), o bom samaritano o socorreu, colocando vinho e óleo nas suas feridas, levando-o para a estalagem e pagando as despesas. O Bom Samaritano é NSJC. É NSJC que, nos vendo em estado de pecado (por nossa própria culpa, como é claro), que nos vendo inimigos de Deus, portanto, inimigos d’Ele pelos nossos pecados, vem em socorro. Quanta bondade! Quanta misericórdia! Nosso Senhor coloca o vinho para purificar nossas feridas, fazendo-nos expiar por elas por meio dos sofrimentos, e das cruzes. Nosso Senhor coloca o azeite, nos restituindo a graça, nos auxiliando nas nossas provações, tornando nosso jugo suave e leve. Ele nos leva para a estalagem que é Igreja, em particular nos leva para a confissão. É Ele quem paga, em primeiro lugar, pelo nosso estado de pecador. Ele paga sofrendo e morrendo na cruz por nós. Bondade infinita! Misericórdia infinita! A parábola do Bom samaritano deve nos dar, caros católicos, grande esperança! Vejamos o que Cristo faz com aquele que ainda é seu inimigo. Muito mais fará com aquele que busca servi-lo com todo o seu ser. Cabe a nós implorar o socorro desse Bom Samaritano e deixar que Ele nos salve. E quando, por infelicidade, cairmos, procuremos na Estalagem, que é a Igreja, o vinho e o azeite, que é a confissão dos nossos pecados. As quedas – que devemos procurar evitar a todo custo – não devem nos desanimar, ou nos fazer desesperar, ou diminuir nossas práticas religiosas. Devemos nos levantar para servir a Deus com maior vigor e afinco. Quando vier a tentação do desespero, de desistir, recitemos confiadamente o ato de esperança, praticando a virtude oposta a esse pecado. Não devemos arrefecer, não devemos abandonar nossas práticas devocionais, mas devemos mantê-las e até aumentá-las, se for possível.

Em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo. Amém.

[Aviso] Conferência, Liturgia, Grupo de Moças, Sociedade da Alegria

Salve Maria!

Transmitimos o aviso do Padre Daniel Pinheiro, IBP, sobre as atividades da Capela Nossa Senhora das Dores:

  1. Hoje, 25/08, não haverá Vida dos Santos. Em seu lugar, haverá conferência sobre o Motu Proprio Summorum Pontificum e a Instrução Universae Ecclesiae, aproveitando a ocasião dos 10 anos do Motu Proprio.
  2. Amanhã, 26/08, haverá aula sobre Liturgia Romana, após a Missa das 8:30.
  3. O Grupo de Moças foi antecipado para o sábado, dia 02/09, em razão do retiro.
  4. A Sociedade da Alegria Minor continua no sábado, dia 02/09, em seu horário habitual.
  5. A Sociedade da Alegria Maior será transferida para o sábado seguinte, dia 09/09, no seu horário habitual.