[Sermão] O sacerdote e as famílias católicas

Sermão para a Quinta-feira Santa – In Cena Domini

28.03.2018 – Pe. Daniel P Pinheiro

 

Em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo. Amém.

Ave Maria…

Caros católicos, estamos na Quinta-feira Santa, a Quinta-feira na Ceia do Senhor, a Última Ceia, que Nosso Senhor desejou com desejo ardente, “desiderio desideravi” nos diz a Sagrada Escritura. Momento soleníssimo. Na Última Ceia, Nosso Senhor, caros católicos, com maior ênfase, fala do novo mandamento que veio nos dar: “Amai-vos uns aos outros como Eu vos amei”, o amor ao próximo. O amor ao próximo que decorre necessariamente do amor a Deus. Mas não qualquer amor ao próximo, que já era mandado também no Antigo Testamento, mas o amor ao próximo como Nosso Senhor mesmo nos amou. Sem esse amor ao próximo, caros católicos, não pode haver verdadeiro amor a Deus. Junto a esse mandamento “Amai-vos uns aos outros, como Eu vos amei”, Nosso Senhor deixa claro como Ele nos ama ao instituir a Missa e a Santa Eucaristia. Ele nos lembra que Seu amor por nós foi até a morte de cruz. Seu amor por nós O levou a ficar conosco em corpo, sangue, alma e divindade, até a consumação dos séculos. Seu amor foi até perpetuar a mesma cruz do calvário sobre nossos altares pela Missa, para recebermos todas as graças da redenção. Seu amor por nós, caros católicos, é amor de sacrifício, de renúncia, pela nossa salvação.

E quando dizemos amor ao próximo ou renúncia pelo bem do próximo, sacrifício pelo bem do próximo, queremos dizer a santificação do próximo. É esse amor pelo próximo, amor de sacrifício, de renúncia, que vem se perdendo cada vez mais entre aqueles que seguem Nosso Senhor Jesus Cristo. Perde-se também, infelizmente, é forçoso constatar, pela mudança de ênfase na nova liturgia, que considera a Missa primeiramente como ceia, mais do que como a renovação do sacrifício da cruz. Esse amor ao próximo, de que Nosso Senhor nos dá o exemplo perfeitíssimo, esse amor pode, é claro, revestir variadas formas entre parentes, conhecidos, e mesmo entre desconhecidos.

Hoje, nesse dia, da Quinta-feira Santa, devemos falar do amor que o sacerdote de Cristo deve ter pelos fiéis, pelas ovelhas. Não é à toa, claro, que Sacerdócio, Missa e Eucaristia foram instituídos no mesmo ato: “Fazei isto em memória de Mim.” O amor do sacerdote deve ser de renúncia, de sacrifício, pelas almas dos fiéis que lhe foram confiados pela divina providência. O amor de pai pelos seus filhos, amor de Cristo pela Igreja, amor aos fiéis pelo amor a Deus. Nosso Senhor instituiu o sacerdócio para que o padre sirva a Deus e ao próximo, dirigindo a Deus. De tal forma os fiéis precisam do padre que sem o padre virariam bestas, animais irracionais, como diz o Santo Cura D’Ars. Sem o sacerdote que os orienta a Deus, os fiéis se orientam a todas as coisas vãs, a todas as tolices, à direita e à esquerda. É o que vemos hoje, infelizmente. Não por falta numérica de padres, mas pela falta de padres que compreendem o sacerdócio que receberam pelo sucessor dos apóstolos (bispo). Padres que não compreendem que, pelo Sacramento da Ordem que receberam, devem se ordenar a Deus inteiramente, e devem se ordenar aos fiéis para ordená-los a Deus. Isso passa pela fidelidade irretocável à doutrina de Nosso Senhor Jesus Cristo e transmitida infalivelmente pela santa Igreja. Isso passa pela fiel administração dos sacramentos, pela visita aos enfermos, pelos conselhos e mesmo pelas consolações que o padre deve muitas vezes trazer, e tantas outras coisas. Infelizmente, muitos padres não compreendem que devem ter esse amor de sacrifício por Deus e pela salvação dos homens. Sem sacerdotes assim, é impossível que os fiéis se ordenem a Deus. Mesmo quando, em alguns momentos da história, nós vemos leigos que, sem padres, conseguiram guardar a fé, como no Japão durante tantos séculos, foi porque houve um padre que no início os orientou. Os fiéis precisam de padres, padres bons, e como se diz em filosofia, padres bons, padres em ato segundo, que não só tenham o sacerdócio na sua alma pelo caráter sacerdotal, por essa marca indelével impressa na ordenação, mas que ajam como padres efetivamente, que ajam como sacerdotes de Nosso Senhor Jesus Cristo.

Mas, paradoxalmente, caros católicos, os padres precisam dos fiéis. Precisam em particular, das famílias católicas. Precisam de fiéis que rezem por eles, que ofereçam sacrifícios por eles. Os padres precisam de fiéis que ajudem no apostolado, que ajudem, em primeiro lugar, buscando a santidade. Os padres precisam das famílias católicas para ver frutificar o seu ministério. Precisam de famílias em que reine o amor de sacrifício e de renúncia entre os seus membros. Os fiéis e as famílias precisam de padres crucificados com Cristo. O padre precisa de fiéis e famílias crucificados com Cristo. Quando dissemos “crucificados com Cristo”, o padre, os fiéis ou famílias, falamos desse amor ao próximo, como é o amor de Cristo por nós. Mais uma vez, amor de sacrifício pelo verdadeiro bem do próximo.

Nesse dia em que festejamos a Eucaristia, a Missa e o Sacerdócio, é preciso que saibam que os sacerdotes aqui presentes desejam amá-los como Cristo nos amou, sacrificando-se por vocês. As alegrias legítimas de vocês, são as nossas alegrias, e as tristezas de vocês, são as nossas tristezas. Esperamos, então, poder contar com a caridade de vocês. Rezem pelos sacerdotes todos, para que sejam homens de sacrifício, para que homens do sacrifício. Para oferecermos o digno sacrifício da Santa Missa, para nos sacrificarmos nós mesmos em união com Cristo, por Deus e pela salvação da alma de vocês.

Em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo. Amém.