[Sermão] Imaculada Conceição: destruidora dos erros

Sermão para a Festa da Imaculada Conceição

08.12.2016 – Pe Daniel Pinheiro, IBP

Em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo. Amém.

Ave Maria…

Caros católicos, hoje é a Festa da Imaculada Conceição de Maria. Todos nós, após Adão e Eva, nascemos com o pecado original, separados de Deus. Nossa Senhora, não. Por antecipação dos méritos de seu Filho, Nosso Senhor Jesus Cristo, ela foi preservada do pecado original, da mácula do pecado original. Preservada em virtude da sua futura maternidade divina. O dogma foi declarado em 1854 pelo Papa Pio IX.

Nossa Senhora não esteve um momento sequer sob o domínio do demônio. Nossa Senhora em momento algum esteve no pecado, no erro, na mentira, na imperfeição. Maria, Imaculada Conceição, é aquele que esmaga a cabeça da serpente, a cabeça do demônio. O demônio tenta armar ciladas aos seus pés, mas Nossa Senhora, por meio de seu Filho e com a graça de seu Filho, esmaga a cabeça do demônio. Nossa Senhora, diz a Igreja, é a destruidora das heresias, dos erros, das ciladas do demônio. Ao longo de toda a história, o recurso a Nossa Senhora sempre ocorreu no combate aos erros, ainda que o demônio, insistente, faça os erros ressurgirem regularmente. Por exemplo, a devoção a Nossa Senhora que acabou com a heresia dos cátaros, quando São Domingos recebeu o Rosário das mãos de Maria. Quando metade, praticamente, da Cristandade, caía na heresia protestante, Nosso Senhor converteu um continente, com a aparição em Guadalupe, com a devoção a Nossa Senhora da Conceição no Brasil.

Nós estamos, hoje, imersos em um emaranhado de erros, que procuram nos afogar. Erros evidentes no campo moral, como se não houvesse a lei natural escrita no coração do homem, como diz São Paulo. Assim, temos a dissolução da família, como se a indissolubilidade e a fidelidade não estivessem escritas no coração do homem. O assassinato de crianças indefesas pelo aborto, como se a preservação da vida dos inocentes não estivesse inscrita no coração do homem. Uniões contrárias à natureza, como se a geração dos filhos e a necessária preservação e desenvolvimento do gênero humano não estivessem escritos no coração dos homens. A ideologia de gênero, como se o ser humano não nascesse homem ou mulher e como se não permanecesse homem e mulher até o fim de sua vida. O erro do feminismo, que masculiniza a mulher. O erro da emasculação dos homens, que feminiliza o homem.

Erros evidentes no campo da fé. O relativismo, como se a religião fosse uma questão de gosto e não de verdade, e verdade que nos foi dita por Deus e que devemos aceitar por ser a verdade e por ser bom para nós. O indiferentismo religioso, como se qualquer religião fosse boa ou conduzisse à salvação, como se a religião católica não fosse a única verdadeira. A afirmação de que as religiões são a expressão de uma única religião, que chamam de religião perene, sabedoria perene ou filosofia perene (esse último termo às vezes usado também para designar a filosofia aristotélico-tomista), como se a religião católica não fosse a única verdadeira e como se não estivesse em contradição com as outras. A afirmação de que haveria um conhecimento superior à fé, como se a fé não fosse o mais seguro e perfeito conhecimento possível nesse mundo. O erro de revoltar-se ou rebelar-se contra o Papa, como se não fosse o nosso Pai na fé, como se não fosse o Vigário de Cristo. O erro de não respeitar e obedecer à autoridade legítima em suas ordens legítimas. O erro do servilismo, isto é, de obedecer a eventuais ordens ilegítimas, mesmo da autoridade legítima.

Os erros nas condutas, combatendo um erro com vários outros, como se isso não fosse fazer o jogo do inimigo e fazer o inimigo triunfar de um jeito ou de outro. Atualmente, isso ocorre principalmente no combate ao socialismo com o erro do liberalismo (ver o Sermão: A doutrina social da Igreja: socialismo ou liberalismo econômico? Nem socialismo nem liberalismo econômico).O erro da direita que surge no Brasil e no mundo, eivada de um liberalismo já condenado pela Igreja, mesmo o liberalismo econômico. Uma direita, muitas vezes, com fundo esotérico (Ver o Sermão: Nem direita, nem esquerda, nem centro. Sejamos católicos).Uma direita próxima da maçonaria, inimiga jurada da Igreja. Uma direita que dissemina sutilmente seus erros com fachada de catolicismo e que muitos, católicos, com os olhos embaçados, não percebem. Uma direita que, sob pretexto de alta cultura e política, destrói uma verdadeira restauração de todas as coisas em Cristo.  Querem conciliar direitismo e catolicismo e lei natural. Não conseguem. Enganam-se a si mesmos. Têm olhos, mas não querem ver. O erro da esquerda com seu materialismo e negação de Deus e das verdades e realidades sobrenaturais. Com sua negação de uma legítima desigualdade entre os homens. Com sua negação da propriedade privada. A teologia da libertação que torna simplesmente a religião em instrumento do socialismo e comunismo, tão reiteradamente condenados pela Igreja. O erro de mendigar à direita ou à esquerda a salvação das pessoas e o bem comum da sociedade, como se tudo isso não se encontrasse na Igreja e na sua influência na sociedade. O erro da primazia da política, como se fosse por ela, pura e simplesmente, que se resolvem os problemas e não pelo fundamento sólido da religião católica.

Mas também os erros do dia-a-dia: as nossas impaciências face às cruzes, porque fomos formados na geração dos que não podem sofrer. A nossa falta de decisão em não corrigir os nossos erros e defeitos porque fomos formados na sociedade da passividade, com a televisão o tempo todo, os jogos eletrônicos, as redes sociais, que viraram a vida de muitos. A nossa falta de vontade firme, para aplicar o bem que conhecemos. O nosso orgulho para não nos submetermos à vontade de Deus, ainda quando nos for dolorosa. A nossa fraqueza, como se a finalidade de nossa vida fosse o entretenimento, a diversão e não a salvação de nossa alma. Como se tudo, mesmo a diversão, não devesse se ordenar para a glória de Deus e nossa salvação. O erro da vida mundana. O erro de querer conciliar Cristo e o mundo, entendido como aquilo que nos leva ao pecado. O erro de querer agradar aos outros, mas desagradar a Deus. O sentimentalismo, não agindo pela razão iluminada pela fé, mas pelos nossos sentimentos, pelos nossos gostos… O romantismo, como se essa vida fosse um conto de fadas e não um vale de lágrimas no qual devemos combater vigorosamente pelo triunfo da Verdade e do Bem, isto é, pelo triunfo de NSJC, pelo triunfo da Igreja. O erro de esperar uma retribuição nesse mundo pelas nossas boas obras, como se essa retribuição não fosse a graça de Deus, as cruzes e como se a retribuição não viesse na vida futura.

Quantos erros, quantas calamidades! E temos olhos… E não queremos ver. Maria Santíssima, a Imaculada Conceição, esmaga todos esses erros. Devemos recorrer a ela. Ela nos dará a graça de seu Filho, Jesus Cristo, Nosso Senhor. Para enfrentarmos os erros com vigor e alegria profunda e verdadeira, em meio às tormentas do dia-a-dia, em meio às tormentas que assolam a sociedade.  Louvor a Vós, Maria, concebida sem pecado, que esmagais as heresias e o demônio: sede nossa bondosa guia (Pequena Coroa da Santíssima Virgem).

Em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo. Amém.