[Sermão] O Bom Pastor e o Instituto Bom Pastor

Sermão para o Domingo do Bom Pastor

10.04.2015 – Pe Daniel P Pinheiro

Em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo. Amém.

Ave Maria…

Aviso

A doutrina moral católica sobre o matrimônio, sobre a família, continua a mesma, pois não pode mudar: indissolubilidade, fidelidade, filhos. A posição da Igreja relativa aos divorciados recasados continua a mesma, pois não pode mudar: divorciados recasados que vivem maritalmente estão em estado de pecado, não podem comungar e precisam remediar a sua situação. O juízo da Igreja sobre as práticas e uniões homossexuais continua o mesmo, pois não pode mudar. Existe nelas uma desordem seríssima, contra os primeiros princípios da lei natural. Nem o Papa poderia mudar a doutrina católica nesses pontos, ensinando infalivelmente algo contrário a elas. A pastoral da Igreja deve continuar fundada sempre na sua doutrina imutável. E a Igreja continua sempre agindo com caridade para com todos, ensinando-lhes a verdade e o bem, procurando que abandonem o pecado, ajudando-os para isso com zelo e verdadeira misericórdia, que não pode prescindir da lei natural nem dos ensinamentos de Cristo.

Sermão (baseado no documento “A vocação sacerdotal no Instituto Bom Pastor”)

O segundo domingo depois da Páscoa é chamado de Domingo do Bom Pastor, em virtude do Evangelho, retomado também no Aleluia e na Antífona de Comunhão, e também em virtude do texto da Epístola, que, em seu final, nos diz que éramos como ovelhas desgarradas, mas que já nos voltamos ao pastor e guardião de nossas almas, que é Cristo. Mas é principalmente em virtude do Evangelho que chamamos esse domingo o Domingo do Bom Pastor. Nele, Nosso Senhor diz: Ego sum pastor bonus. Eu sou o bom pastor. Este Ego sum, eu sou, nos lembra aquilo que Deus falou a Moisés na sarça ardente, dizendo o seu nome: Ego sum qui sum. Eu sou aquele que sou ou eu sou aquele que é. É o nome de Deus, aquele que é que existe por essência, aquele que é toda a perfeição do ser. Ego sum pastor bonus. Eu sou o bom pastor. Nosso Senhor Jesus Cristo afirma aqui a sua divindade, deixando claro que é verdadeiramente homem e verdadeiramente Deus. E Ele é o Bom Pastor. O Bom Pastor, que dá a vida pelas suas ovelhas. O Bom Pastor, que não foge diante dos lobos, que não deixa as ovelhas se dispersarem. O Bom Pastor, que conhece as suas ovelhas e que é conhecido por elas. O Bom Pastor, que busca trazer para o seu redil, para o seu rebanho aquelas ovelhas que estão fora dele. O Bom Pastor, que tem a voz reconhecida pelas ovelhas, pois é a voz da verdade, da bondade, a voz que pronuncia palavras de vida eterna. É assim que Nosso Senhor se apresenta como o Bom Pastor.

É assim que os membros do Instituto Bom Pastor têm a intenção de agir, seguindo o exemplo de Nosso Senhor Jesus Cristo, o Bom Pastor. Hoje é, então, a festa do padroeiro do Instituto de que os Padres aqui presentes fazem parte e que assegura o apostolado nesse local. O IBP foi fundado em 8 de setembro de 2006. Há dez anos, portanto, sob a égide do, na época Papa, Bento XVI. O Instituto conta com Padres das mais diversas nacionalidades e espalhados em alguns países pelo mundo: França, Itália, Polônia, Canadá, Uganda, Colômbia e Brasil.

A finalidade do Instituto Bom Pastor pode ser apenas a mesma finalidade de Jesus Cristo, o Bom Pastor: a salvação das almas para a glória de Deus. Para atingir essa finalidade, que é a salvação das almas, os membros do Instituto vêm como meio necessário a devida adesão à Tradição Católica em todos os seus aspectos: doutrinal, litúrgico, espiritual, devocional. A missão própria e específica do IBP é a difusão no seio da Igreja do tesouro da Tradição católica, em todos os seus aspectos, como dissemos, e, principalmente, a Tradição doutrinal e litúrgica.

Essa missão própria e específica do Instituto se concretiza pelo uso exclusivo do Rito Romano Tradicional em todos os seus atos litúrgicos: Missa, sacramentos, breviário, bênçãos, etc. Não se trata, porém, de um apego sentimental ou nostálgico a uma liturgia antiga. Trata-se, na verdade, da adesão a uma liturgia que se desenvolveu ao longo dos séculos de história da Igreja, desde o tempo dos apóstolos e que exprime de modo claro, sem ambiguidades, a doutrina da Igreja. Trata-se, portanto, do desejo de confessar a fé sem respeito humano. Trata-se do desejo de ter uma liturgia que não busca agradar aos homens em primeiro lugar, mas que busca agradar a Deus acima de tudo. Isso se verifica em particular com a liturgia da Missa no Rito Romano Tradicional, em que a fé católica é professada perfeitamente. A presença real e substancial de Nosso Senhor Jesus Cristo em corpo, sangue, alma e divindade é claramente mostrada, pelas palavras e pelos gestos no Rito. Basta ver o número de genuflexões que o padre faz diante da hóstia e do cálice consagrados. Basta ver como o Padre guarda unidos os indicadores e os polegares depois de tocar no Corpo de Cristo, a fim de evitar que qualquer parcela da hóstia consagrada seja profanada. No Rito Romano Tradicional, se afirma também claramente que a Missa é a renovação do sacrifício de Cristo na Cruz e que esse sacrifício se renova em nossos altares, em particular, para nos alcançar a graça do arrependimento e perdão de nossos pecados. No Rito Romano Tradicional fica clara a hierarquia existente entre o sacerdote e os fiéis, mostrando a Igreja tal como instituída por Nosso Senhor Jesus Cristo. Portanto, nos seus estatutos, o IBP afirma como seu rito exclusivo o Rito Romano Tradicional. Não por saudosismo, não por excentricidade, mas por reconhecer os benefícios imensos para a fé, pois esse Rito a professa limpidamente, e para a vida espiritual dos católicos, pois as graças no Rito Tradicional são abundantes, em virtude da perfeição de suas orações, de seus gestos, de sua integridade. Não é uma questão de gosto.

A missão própria e específica de difundir no seio da Igreja o tesouro da Tradição se concretiza também na formação espiritual, filosófica e teológica dos membros do Instituto, e na consequente transmissão disso para os fiéis. A espiritualidade baseada no fundamento sólido do dogma, sem o qual não pode haver espiritualidade sã. Espiritualidade baseada nos santos, nos clássicos católicos. A formação filosófica baseada na filosofia realista, na filosofia de São Tomás de Aquino, Doutor da Igreja. Também a teologia baseada em São Tomás de Aquino, que é o farol da teologia católica, que é o muro contra as heresias e os erros em matéria de doutrina. Formação intelectual baseada, então, em São Tomás, tão abundantemente recomendado pelos Papas durante séculos e séculos. Uma formação baseada solidamente naquilo que a Igreja sempre recomendou e igualmente baseada no Magistério infalível da Igreja, no Magistério constante da Igreja. Também essa formação espiritual, filosófica e teológica tradicionais não são um mero apego ao passado, não são um mero saudosismo. Os membros do IBP vêm tudo isso como necessário para uma vida católica minimamente saudável. E, por isso, são formados assim e se esforçam de transmitir esses tesouros infinitos para os fiéis. Os membros do IBP procuram se portar como o Bom Pastor, que não foge nem abandona as suas ovelhas. Procuram não ser o mercenário que abandona as suas ovelhas quando vem o lobo das doutrinas novas, das doutrinas erradas, das doutrinas que agradam ao homem, mas que o levam à condenação. Como o Bom Pastor, procuram dar testemunho da verdade, até a morte, se necessário for.

Essa adesão à Tradição doutrinal da Igreja implica a possibilidade – dada também explicitamente pela Santa Sé – de crítica construtiva e séria a certos atos controversos do Magistério recente, de acordo com os princípios teológicos que regem os diversos graus de Magistério e os diversos graus de assentimento que lhes são devidos. Não se trata de polêmica vã, mas de colocar à disposição da autoridade eclesiástica argumentos teológicos sérios para uma boa interpretação dos textos e mesmo para a correção de certos textos recentes problemáticos. Ao fazer isso, o Instituto não age contra a Igreja nem contra o espírito da Igreja. Ao contrário, age sempre dentro dos limites permitidos pela Igreja. Essa crítica é lícita dentro dos princípios católicos em circunstâncias precisas e quando feita de modo ordenado, para o bem das almas.

Para os membros do Instituto, a liturgia tradicional e a formação teológica fundada sobre a doutrina de São Tomás de Aquino – tantas vezes recomendado pelos Soberanos Pontífices – são meios indispensáveis para o bem do sacerdote e das almas de que cuida. O IBP tem por objetivo justamente difundir esses tesouros da Tradição da Igreja. Não se trata de guardar somente para alguns aquilo que é um tesouro inestimável.

O apostolado do Instituto, baseado sempre nesses princípios litúrgicos e doutrinais, pode se desenvolver em âmbitos diversos: Paróquias Pessoais, mas também capelanias, escolas, pregação de retiros, obras de caridade, etc. Tudo aquilo que serve para o bem das almas pode fazer parte do ministério de um padre do Instituto, dentro da missão específica do Instituto.

É dentro, então, desse quadro que o IBP procura cuidar das ovelhas, alimentando-as com o alimento da fé católica, da doutrina católica de sempre, com o alimento da liturgia tradicional, tão bela na sua profissão de fé, tão rica nas graças abundantes que nos alcança. No apostolado cotidiano, os membros do IBP, apesar de suas inúmeras deficiências e pecados, procuram dar a vida pelas ovelhas que, de alguma forma, lhes foram confiadas e procuram atrair aquelas ovelhas que estão fora do aprisco da Igreja Católica. Com a fidelidade aos ensinamentos da Igreja e àquilo que a Igreja nos transmitiu ao longo dos séculos, os padres do Instituto esperam que os fiéis possam, por meio deles, reconhecer a voz de Nosso Senhor Jesus Cristo. E esperam que possam seguir o Salvador com grande generosidade e alegria.

Portanto, aquilo que rege o IBP e, consequentemente, o apostolado que fazemos aqui, não é uma questão de mero gosto, nem de mera preferência pessoal, nem de saudosismo, nem de um apego desordenado a algo. O que está em jogo é o bem das almas. O bem de nossa alma em primeiro lugar.

Hoje e durante todo esse ano, peço as orações de todos pelo IBP e pelos seu membros, padres e seminaristas. Sobretudo, para que possamos permanecer fiéis a Jesus Cristo, o Bom Pastor. Rezem, em particular, por aqueles que estão aqui mais próximos de vocês e que procuram ajudá-los. Rezem para que, ao fim de nossas vidas, possamos dizer como São Paulo: transmiti aquilo que recebi, combati o bom combate, guardei a fé, a fé católica.

Em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo. Amém.