[Sermão] Último sermão do ano de 2015 – Ação de Graças

FESTA DE SÃO SILVESTRE
31/12/2015 | Capela N. Sr.ª das Dores
Padre Daniel Pinheiro, IBP

Em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo. Amém.

Ave Maria…

Estamos no último dia do ano de 2015. Foi um ano de provações, como sempre. Provações em nosso país com crise na economia, com crise na vida política, que há muito tempo já é bem decadente. Maiores dificuldades para a prática de nossa santa religião. Uma oposição cada vez mais ferrenha à lei natural e também à lei divina, com consequências cada vez piores em virtude da difusão da ideologia de gênero e das uniões homossexuais. Uma sociedade em que a vida do próximo não tem praticamente valor, em que se mata por nada ou por algum punhado de dinheiro. Uma sociedade em que querem matar os mais indefesos, as crianças não nascidas. No mundo, continuamos vendo o flagelo islâmico, propagando-se brutalmente. Os países, tendo abandonado a fé católica e tendo aderido ao laicismo, já não podem resistir ao islamismo. Precisamos rezar pelo nosso país e pelo mundo. Precisamos fazer a nossa parte, começando por santificar a nós mesmos e as nossas famílias e buscando que a lei de Cristo seja observada em toda a sociedade. As dificuldades, as provações são também meios que Deus nos dá para exercer a virtude, para suportar os males com paciência, para vencê-los com a virtude contrária e, sobretudo, com o amor a Deus.

Turbulência também na Santa Igreja Católica, em particular, mais uma vez, com o Sínodo dos Bispos. Que alguns Bispos da Santa Igreja Católica discutam o reconhecimento de atos e uniões contra a natureza é algo difícil de acreditar. Que se discuta também admitir à comunhão quem se encontra objetivamente em estado de pecado mortal, em adultério ou outro, é igualmente um absurdo. Confundir misericórdia com o relaxamento da lei de Cristo e da Igreja é afastar-se inteiramente do Evangelho. Contrapor justiça e misericórdia é igualmente um grande erro. Em Deus, as duas coisas estão perfeitamente harmonizadas. Deus é Misericórdia e é Justiça. Mais uma vez, devemos começar pelo cuidado das nossas famílias, combater o bom combate e guardar a fé e a caridade. De pouco adianta ser um paladino da Missa Tradicional e da moral católica, se, com os nossos pecados mortais não combatidos seriamente, cooperamos para o reino do demônio. Não é suficiente louvar a Cristo com a boca, se o crucificamos com nossos pecados. É preciso amar, defender e propagar a liturgia tradicional, bem como defender e propagar, na sociedade, a doutrina e a moral católicas, sobretudo guardando a fé e observando os mandamentos de Cristo. Devemos nutrir a nossa fé e a nossa alma não com redes sociais, fotos de internet ou mera informação, mas com os tesouros da espiritualidade e da fé católicas: os bons livros, que são nossos melhores amigos.

Essas provações, permitidas por Deus, devemos aproveitá-las para a nossa santificação. Tudo cooperará, efetivamente para o bem do justo (Rom. VIII, 28), que, nos bens e nos males, sabe encontrar meios para sua santificação e para estender o reino de Cristo na sua alma e na sociedade.

Foi o ano em que continuamos a apontar três erros muito em voga entre os católicos mais sérios: 1) A redução dos problemas somente ao comunismo e socialismo, como se fossem os únicos males do mundo, esquecendo-se do liberalismo e do modernismo, esquecendo-se da crise da Igreja que tampouco se resume à teologia da Libertação. Aliado a isso, tendência, na prática, a reduzir o problema a algo meramente político ou puramente natural, esquecendo-se de que se trata de um combate espiritual, sobrenatural. 2) O aparicionismo, que é o apego a aparições que não são devidamente aprovadas pela Igreja ou o apego desordenado mesmo àquelas aprovadas pela Igreja, às vezes com interpretações puramente pessoais delas. 3) O culto de personalidade, que consiste em tornar uma pessoa a referência única para a solução de todos os problemas, em substituição à Igreja, à hierarquia, e ter uma reverência desordenada a essa pessoa, além de impedir, muitas vezes, as vocações de florescerem e famílias católicas de se formarem.

Não devemos ser, porém, pessimistas desesperados. Nem otimistas ingênuos. Devemos ser realistas com esperança sobrenatural.

Assim, tivemos nesse ano grandes alegrias, é evidente. Começando pelo nosso singelo apostolado. Temos mais um padre para ajudar na propagação do Evangelho aqui na Capela Nossa Senhora das Dores. Muitas crianças nasceram no apostolado, e algo em torno de quinze batizados foram realizados. Missa Pontifical na Festa da Purificação de Nossa Senhora. A bênção dos sinos Maria, Miguel e Sebastião, que agora repicam anunciando as festas ou chorando os mortos. Temos os altares laterais, onde se celebram Missas. Tivemos uma belíssima Semana Santa na Capela, digna do céu. Cinco crianças receberam a comunhão pela primeira vez. Também alguns adultos a receberam pela primeira vez, vindo do protestantismo ou do paganismo. Uma digna cerimônia de Crisma com o Bispo Auxiliar de Brasília, com praticamente 20 crismandos. Missas públicas diárias. Devoção das primeiras sextas-feiras e dos primeiros sábados. Entronização do Sagrado Coração de Jesus nos lares de muitas famílias. Nossa Senhora honrada no dia da Festa de suas Dores. Terço com formação doutrinária e espiritual para pais e mães de famílias. Grupo para as meninas e para os rapazes, a fim de se nutrirem desde cedo com doutrina e ambiente católicos e formarem o caráter e as virtudes. Aulas de história da Igreja, que muito ajudam a responder aos ataques contra a Igreja. E, como disse, o Cardeal Newmann, conhecer profundamente a história é deixar de ser protestante, ou seja, é tornar-se católico. Foi um ano em que Deus e Nossa Senhora das Dores nos permitiram implementar várias coisas úteis para o progresso individual de cada um e das famílias. Se estamos ainda aquém do ideal, já demos, com a graça divina, alguns passos. É preciso que aproveitem tudo isso, caros católicos, o máximo que puderem. Ainda nos falta algo para formar de modo mais permanente os jovens rapazes e as jovens moças, para lhes dar bases ainda mais sólidas nesse mundo hostil a Cristo e para lhes dar a base que precisam para formar famílias católicas ou para que sejam bons sacerdote, religiosos ou religiosas. O mundo precisa de famílias católicas. Precisa, ainda mais, de bons padres. E como insistimos algumas vezes durante esse ano, as duas coisas caminham conjuntamente: a família católica e o sacerdócio católico. Não pode haver restauração de tudo em Cristo sem as duas coisas trabalhando em união.

A expansão, ainda que pouco a pouco e com obstáculos, da Missa Tradicional é inegável. E com a propagação da Missa Tradicional, propaga-se também a fé católica com todo seu vigor, com toda a sua clareza. E com a fé católica vêm todos os bens, naturais e sobrenaturais. A Missa é o centro de tudo, já que é a renovação nos altares do sacrifício de Cristo no calvário.

Nesse último dia do ano, é bom pararmos e refletirmos, caros católicos. Como anda a minha alma? O que fiz nesse ano para santificá-la? Aproveitei essa liturgia imemorial, esse tesouro da fé e da piedade para aproximar-me de Deus? Aproveitei os meios que tenho à disposição para me santificar e santificar a minha família? Como pai de família tenho assumido a responsabilidade pelo bem espiritual de minha família, tenho buscado agir para o bem da família e não o meu próprio? Tenho feito o que devo para a educação dos filhos. Estou consciente de que a santificação da família depende em grande parte de minha santificação? Tenho me esforçado para garantir também o sustento material de minha família? Como mãe de família, tenho sido generosa diante dos necessários sacrifícios quotidianos e muitas vezes escondidos de cada dia ou tenho murmurado? Tenho me preocupado com a educação dos filhos? Como cristão, tenho me acomodado? Aproveitei os sacramentos e sacramentais? Comunguei com boas disposições, com fervor? Procurei a confissão com boa disposição e com frequência? Rezei o Santo Terço diariamente? Tive uma devoção real e não meramente sentimental a Nossa Senhora? Procurei pensar nas coisas do alto?

Aproveitemos esse próximo ano que se inicia e peçamos a Deus a fidelidade à sua graça. Peçamos a Deus a docilidade diante dos ensinamentos de sempre da Santa Igreja. Peçamos a Deus a graça de receber bem e com frequência os sacramentos. Peçamos a graça de fortalecer a nossa fé diante das tormentas. Peçamos a perseverança nos bons propósitos. Peçamos a Ele a santificação de nossas famílias, dos cônjuges e das crianças. Peçamos a Ele, com toda a força da nossa alma, a graça de sermos verdadeiramente santos.

Agradeçamos a Deus pelo ano que passou, também pelas cruzes. A todos, um santo ano de 2016.

Em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo. Amém.