2º Dia da Novena de Natal – Santo Afonso de Ligório. Antífona – O Sapientia

Seria conveniente fazer a meditação da Novena em família e rezar o Santo Terço em seguida.

Aqui está o arquivo PDF com a Novena completa: Novena de Natal Completa

Para os horários da Novena na Capela Nossa Senhora das Dores, ver o Calendário da 2ª Quinzena de Dezembro de 2015

Meditações de Santo Afonso de Ligório para a Novena de Natal

2º Dia – 17 de dezembro

 Hostiam et oblationem noluisti; corpus autem aptasti mihi.

Não quisestes hóstia nem oblação, mas me formastes um corpo (Hb 10,5).

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Considera a grande amargura de que o coração de Jesus devia sentir-se penetrado e oprimido no seio de Maria, no momento em que seu Pai lhe colocou ante os olhos a longa série de desprezos, dores a agonias, que teria de sofrer durante sua vida para livrar os homens de seus males.

Eis como o profeta faz falar a Jesus: Desde a manhã o Senhor abriu-me o ouvido. Desde o primeiro instante de minha concepção, meu Pai me fez conhecer a sua vontade que eu levasse uma vida de penas, para ser depois imolado na cruz. E eu não contradigo… entreguei meu corpo aos que me batiam. Tudo aceitei para a vossa salvação, almas queridas, desde então abandonei meu corpo aos flagelos, aos cravos e à morte.

Tudo quanto Jesus Cristo teria de sofrer durante sua vida e na sua paixão pairou ante o seu espírito desde o seio de sua. Mãe, e Ele o aceitou com amor; mas para resignar-se a esse sacrifício e para vencer a repugnância natural dos sentidos, ó Deus! que angústia e que opressão não sofreu o coração inocente de Jesus! Ele sabia de antemão o que devia sofrer ficando encerrado nove meses na escura prisão do seio de Maria; sabia a que humilhação e penas devia sujeitar-se nascendo numa fria gruta que servia de abrigo aos animais, e passando depois trinta anos na oficina dum pobre artífice; sabia que os homens o tratariam como a um ignorante, um escravo, um sedutor, um criminoso digno de morte e da morte mais infame e mais dolorosa que se possa infligir aos celerados.

Nosso amantíssimo Redentor aceitou tudo isso a cada instante; e assim, a cada instante sofreu em conjunto todos os tormentos e todos os opróbrios que o aguardavam até a sua morte: O próprio conhecimento de sua dignidade divina lhe fazia sofrer mais profundamente as injúrias que deveria receber dos homens, e nunca as perdia de vista. A minha ignomínia está todo o dia diante de mim, dissera pelo profeta; e por essa ignomínia entendia, sobretudo, aquela confusão que devia provar um dia vendo-se despojado de suas vestes, flagelado, suspenso por três cravos de ferro e vendo assim terminar a vida no meio dos desprezos e maldições desses mesmos homens pelos quais morria: Foi obediente até a morte, até a morte da cruz. E por quê? Para salvar a nós pecadores miseráveis e ingratos.

Afetos e Súplicas

Ah! meu amado Redentor, quanto vos custou desde a vossa entrada neste mundo o livrar-me do abismo em que me lançaram os meus pecados! Para me libertardes da escravidão do demônio, ao qual me vendi voluntariamente entregando-me ao pecado, quisestes ser tratado como o pior dos escravos; e eu, sabendo isso, contristei muitas Vezes o vosso amabilíssimo coração, que tanto me amou! Mas já que vós, que sois inocente e que sois o meu Deus, aceitastes por meu amor uma vida e uma morte tão penosas, aceito por vosso amor, ó meu Jesus, todas as penas que me vierem de vossas mãos. Eu as aceito e abraço porque me vêm dessas mãos traspassadas um dia para me livrarem do inferno que tantas vezes mereci. O amor que me testemunhastes, ó meu Redentor, prontificando-vos a sofrer assim por mim, obriga-me deveras a resignar-me por vós a todos os sofrimentos, a todos os desprezos. Senhor, pelos vossos méritos, dai-me o vosso santo amor; o vosso amor tornar-me-á doces e amáveis todas as dores e todas as ignomínias. Amo-vos sobre todas as coisas, amo-vos de todo o meu coração, amo-vos mais do que a mim mesmo. Mas no decorrer de toda a vossa vida destes-me tantas e tão grandes provas de vosso amor, e eu ingrato, após tantos anos de existência, que prova de amor vos tenho dado até agora? Fazei, pois, ó meu Deus, que nos anos que me restam de vida eu vos dê qualquer prova do meu amor. Não ousaria, no dia do juízo, aparecer diante de vós, pobre como sou atualmente e sem nada haver feito por amor de vós. Mas que posso fazer sem a vossa graça? Só posso pedir me ajudeis, e mesmo essa oração é um efeito da vossa graça. Meu Jesus, socorrei-me pelos méritos das vossas dores e do sangue que derramastes por mim.

Santíssima Virgem Maria, recomendai-me a vosso divino Filho, conjuro-vos pelo amor que lhe tendes: considerai que sou uma das ovelhas pelas quais vosso Filho deu a vida.

Antífona – Ó Sabedoria

As belíssimas “Antífonas Ó” são as antífonas das Vésperas que antecedem a
Natividade de Nosso Senhor Jesus Cristo, do dia 17 ao dia 23. São uma obra-prima da liturgia católica. Deram origem ao título de Nossa Senhora do Ó.

Ó Sabedoria, que proviestes da boca do Altíssimo, atingindo de um extremo (da criação) ao outro, dispondo todas as coisas com força e suavidade: vinde para nos ensinar o caminho da prudência.