[Sermão] O nome de Jesus

Sermão para a Festa do Santíssimo Nome de Jesus

04.01.2015 – Padre Daniel Pinheiro, IBP

Em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo. Amém.

Ave Maria…

“Foi-lhe posto o nome de Jesus.”

Caros católicos. No dia 1º de janeiro, celebramos a circuncisão de Nosso Senhor e agora celebramos o seu Santíssimo Nome. Na verdade, as duas coisas ocorreram no mesmo momento. Todavia, a Igreja as separa, para que possamos tirar delas maior proveito. Entre os Judeus, então, o nome era colocado no momento da circuncisão, pois no momento em que Deus ordenou a Abrão a circuncisão, ele mudou o nome do patriarca para Abraão. Assim ficou estabelecida a prática de dar o nome à criança no momento de sua circuncisão. O nome de Jesus foi dado pelo próprio Deus, como sabemos pelas palavras do Anjo a Nossa Senhora e a São José. E, de fato, só Deus poderia dar um nome conveniente ao Verbo Encarnado. Um nome é dado do modo mais conveniente quando o nome corresponde à natureza da coisa. Somente Deus conhece perfeitamente a pessoa de Jesus Cristo, a união existente entre a natureza divina e a humana em Jesus Cristo e somente Ele conhece a finalidade da Encarnação perfeitamente. Para nós, essa união é um grande mistério, algo sobrenatural, que supera a nossa pobre inteligência. O nome de Jesus não poderia ser mais perfeito. Jesus significa Salvador. E nosso Salvador, para nos salvar de modo perfeito, só poderia ser verdadeiramente Deus e verdadeiramente homem. O nome de Jesus exprime essa união, pelo simples fato de significar Salvador. Além disso, quando Deus dá um nome a alguém, esse nome significa a graça e a missão particulares que aquela pessoa recebeu de Deus. Assim, Abrão passou a chamar-se Abraão, que significa pai de muitos, mostrando a graça que recebera de ser da ascendência do Messias. Simão, Filho de Jonas, passou a chamar-se Pedro, para manifestar que é o fundamento da Igreja, como primeiro Papa. Deus deu ao Verbo Encarnado o nome de Jesus, que significa Salvador e exprime exatamente aquilo que Cristo veio fazer entre nós: ele veio nos salvar, nos redimir, nos mostrando a verdade e nos ajudando a colocá-la em prática. É essa a missão de Jesus: a redenção.

Jesus quer dizer, então, Salvador. E podemos dizer que o nome de Jesus é, em certo sentido, superior ao próprio nome de Deus. São Paulo diz que foi dado ao Verbo Encarnado um nome que está acima de todo nome. Quando falamos Deus, nos referimos, antes de tudo, a Deus criador e à sua obra, a criação, que é, sem dúvida, uma obra admirável. Mas quando falamos o nome de Jesus nos referimos a Deus como redentor, nos referimos à redenção, que é uma obra muito mais admirável que a criação. A própria Missa no rito tradicional nos fala isso na oração em que se coloca uma gota de água no vinho durante o ofertório: “Deus que criastes a dignidade da natureza humana de um modo admirável, e que a reformastes (a redimistes) de um modo ainda mais admirável”. Isso nos mostra a grandeza do nome de Jesus e o porquê de todo joelho dever se dobrar em seu nome. A liturgia nos ensina o respeito ao nome de Jesus, pois os ministros devem fazer uma inclinação cada vez que o Nome do Salvador é dito. Tudo isso mostra a excelência do Nome de Jesus: em seu Nome se realizam milagres (os cegos vêem, os surdos ouvem, os mudos falam), em seu Nome a saúde do corpo é preservada, em seu Nome os demônios são expulsos, em seu Nome podemos obter de Deus tudo aquilo o que é necessário e útil para a nossa salvação. Quanta veneração e respeito devemos ter pelo nome de Jesus.

Todos os outros nomes que foram atribuídos ao Messias estão contidos no nome Jesus: Príncipe da Paz, Anjo do Grande Conselho, Deus forte, Pai do Futuro Século, Emanuel, que quer dizer Deus Conosco. Tudo isso está contido no nome Jesus. Porque o Salvador para ser verdadeiramente tal tinha que ser não só homem, mas também Deus e é o Salvador quem nos traz a verdadeira paz, é o Salvador que ilumina nossa inteligência, que nos conduz ao futuro século, quer dizer, à vida eterna. Ao nome de Jesus se acrescenta o nome de Cristo, que quer dizer ungido. No Antigo Testamento eram ungidos os sacerdotes, os reis e, por vezes, os profetas. Nosso Senhor é o supremo sacerdote, mediador entre Deus e os homens, o único que pode oferecer um sacrifício digno a Deus, o sacrifício da Cruz, que Ele renova sobre os altares por intermédio dos sacerdotes. Ele é o Rei dos Reis, pelo qual todas as coisas foram criadas. Ele é Rei porque adquiriu o domínio sobre todas as coisas pelo seu Sangue derramado na cruz. Ele é Rei também das nações. E Cristo é o Profeta. Ele não só anuncia a verdade divina, como os profetas faziam, mas Ele é a própria Verdade. E Cristo recebeu essa unção de rei, de sacerdote e de profeta desde o momento de sua encarnação pela união com o Verbo.

Que respeito e veneração devemos ter para com o dulcíssimo nome de Jesus! Recorramos ao nome de Jesus com frequência em nossas necessidades, nas tentações ou simplesmente para elevar nossa alma até Deus. Recorramos ao nome de Jesus com frequência, mas não como o fazem os protestantes que o invocam para tudo e sem razão, sem discernimento, dizendo, por exemplo, em nome de Jesus isso, em nome de Jesus aquilo… Por respeito ao Santíssimo Nome de Jesus não o invoquemos por motivos vãos. Não o invoquemos por impaciência, por simples admiração, ou por simples costume ou rotina. Como diz a Sagra Escritura no Eclesiástico (23 10), “o nome de Deus não esteja sempre na tua boca… porque nisso não serás isento de falta.” E “todo o homem que (…) repete a cada passo o nome de Deus não será de todo isento de pecado.” Essas coisas se aplicam também ao nome de Maria e dos santos. E procuremos também reparar as blasfêmias, as injúrias lançadas contra Deus, contra seus atributos, em particular contra sua bondade e misericórdia, contra Nossa Senhora, os santos e as coisas sagradas..

Não há canto mais suave, não há som mais alegre, não há pensamento mais doce que Jesus, o Filho de Deus e nosso Salvador. É o que cantamos hoje com a Igreja no Breviário. É o que cantaremos na comunhão durante a Missa de hoje.

Em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo. Amém.