[Sermão] A Igreja e a casa de Zaqueu

Sermão para a Festa da Dedicação da Basílica do Santíssimo Salvador

09.11.2014 – Padre Daniel Pinheiro, IBP

 

Em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo. Amém.

Ave Maria…

Avisos

Estamos hoje no 22º Domingo depois de Pentecostes, mas é a Festa da Dedicação da Basílica do Santíssimo Salvador. Sendo ela uma festa de 2ª classe e sendo uma festa de Nosso Senhor, tem precedência sobre o domingo.

Altar das relíquias. A reverência devida é uma inclinação profunda. Claro, depois de fazer a devida reverência, podem se ajoelhar e rezar diante das relíquias. Último dia em que as relíquias estarão expostas.

Sermão

 “É terrível este lugar. É a casa de Deus e a porta do céu. E será chamada a habitação do Senhor.”

Festejamos hoje, caros, católicos, a Dedicação da Basílica do Santíssimo Salvador. É o antigo nome da Basílica romana hoje mais conhecida como São João de Latrão. A Basílica do Santíssimo Salvador ou de São João de Latrão é a Catedral do Papa, ela é, portanto, a mater et caput, mãe e preceptora de todas as Igrejas da Urbe e do Orbe, ou seja, de Roma e do mundo. É importante, nesse dia de hoje, rezar pelo Santo Padre, o Papa Francisco, para que cumpra a sua missão, que é confirmar os homens na fé, ensinar o depósito revelado e confiado por Cristo à Santa Igreja, deixando de lado as novidades e rejeitando claramente a tentação de se conciliar com o mundo. Como nos diz o Concílio Vaticano I, o Espírito Santo não foi prometido aos sucessores de Pedro para que manifestem uma nova doutrina, mas para que conservem santamente e exponham fielmente a revelação transmitida pelos apóstolos, ou seja, o depósito da fé.

A Santa Igreja escolheu para as Missas de Dedicação o Evangelho de Zaqueu, chefe dos publicanos, quer dizer, um pecador público. E Nosso Senhor, vendo Zaqueu, logo lhe disse, “convém que eu fique hoje em tua casa.” O Salvador faz da casa de um pecador a sua casa, e Zaqueu logo se converte, prometendo restituir com o quádruplo o que tinha fraudado. Nosso Senhor aproxima-se dos pecadores para convertê-los, para lhes trazer a verdade e a virtude, e não para confortá-los nos seus pecados. Nosso Senhor fez da casa desse pecador a sua casa, para convertê-lo. Nosso Senhor faz da obra de nossas mãos pecadoras, que são as Igrejas, a sua casa, para nos converter até Ele, para nos dar a sua graça, pelo Santo Sacrifício da Missa, pelos sacramentos, pela sua presença real e substancial em corpo, sangue, alma e divindade na eucaristia, pelas instruções das autoridades eclesiásticas. Isso se faz pela bênção de uma Igreja, como foi feito aqui em 13 de julho, por Dom José Aparecido, ou pela dedicação ou consagração da Igreja.

Devemos, então, considerar os pontos de semelhança existentes entre a casa de Zaqueu e a Igreja:

  1. Na casa de Zaqueu, estavam Jesus e seus apóstolos. Em uma Igreja, encontramos Nosso Senhor, principalmente na Eucaristia, e encontramos os ministros do Senhor, que são os sacerdotes.
  2. Na casa se Zaqueu, além de Jesus e de seus apóstolos, estão Zaqueu e seus amigos e colegas, publicanos e pecadores, muitos deles. Em uma Igreja, estão os justos, mas também os pecadores, misturados, e todos vêm assistir livremente aos atos de culto a Deus. Os justos devem vir para buscar a perseverança na graça e uma santidade cada vez maior. Os pecadores devem vir buscar o arrependimento. Ao contrário do que muitos pensam, não é uma hipocrisia que alguém que esteja em pecado venha à Missa ou à Igreja. Na verdade, é bom e necessário que o pecador venha à Missa e à Igreja. É a sua obrigação. É assim que ele encontrará misericórdia.
  3. Na casa de Zaqueu, Nosso Senhor anuncia a todos os presentes as verdades eternas. Em uma Igreja, os sacerdotes pregam – ou, ao menos, deveriam pregar – as mesmas verdades, indistintamente a todos os presentes.
  4. Na casa de Zaqueu, acontece a sua conversão e, podemos supor, a conversão de muitos outros. Em uma Igreja, a liturgia, os sacramentos e a doutrina divina convertem continuamente os pecadores. E no confessionário o sacerdote absolve os pecados.
  5. Na casa de Zaqueu se faz um banquete, no qual estão Jesus e todos os presentes. Na Igreja, ocorre o santo Sacrifício da Missa e todos podem receber a Eucaristia, desde que tenham a fé e vivam segundo os mandamentos de Cristo e da Igreja.
  6. A casa de Zaqueu, enquanto nela esteve Jesus, foi escola de verdade, fonte de graça, casa de paz. Uma Igreja é a escola da verdade evangélica, manancial de todas as graças, e a casa de paz entre Deus e os homens, e dos homens entre si.

Em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo. Amém.