[Sermão] Prática para a Comemoração de Todos os Fiéis Defuntos (Dia de Finados)

Prática para a Comemoração de Todos os Fiéis Defuntos – Dia de Finados

03/11/2014 – Padre Daniel Pinheiro

 

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Em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo. Amém.

Ave Maria…

“Libertai, Senhor, as almas dos fiéis defuntos dos laços do pecado.”

Ontem, a Igreja, olhando para o céu, exultou de alegria com todos os santos. Hoje, voltando-se para o purgatório, ela se enche de misericórdia pelas almas do purgatório. Ela se enche de misericórdia por essas almas que, após a morte, expiam pelos pecados veniais não perdoados ou que expiam pela pena ainda não satisfeita dos pecados já perdoados. Essas almas, ao contrário daquelas que morreram em pecado mortal e que estão eternamente condenadas, expiam por suas culpas leves ou expiam pelas penas de pecados já perdoados para poderem entrar no céu. O purgatório, como o nome indica, purga, purifica essas almas.

Essas almas no purgatório já não podem merecer nada propriamente falando. Elas não podem fazer boas obras no purgatório a fim de expiar pelas suas culpas. A elas cabe, simplesmente, sofrer com paciência, unidas a Cristo. Elas formam, por isso, o que se chama de Igreja padecente, de padecer, sofrer. Pelo dogma da comunhão dos santos, nós da Igreja militante, podemos ajudá-las oferecendo por elas as nossas orações, as nossas boas obras, os nossos sofrimentos, as indulgências.

Neste dia de finados, a tristeza é bem natural. Mas deve ser uma tristeza contida, temperada pela esperança da ressurreição e temperada pelo bem que ainda podemos fazer por essas almas. Nesse dia, lembramo-nos dos entes queridos, procuramos adornar os túmulos deles com flores, etc. Mas não é esse o grande bem que podemos fazer por essas almas. Nós podemos ajudá-las realmente. Nesse dia de hoje – e não só nele, evidentemente – podemos e devemos rezar pelos nossos parentes, pelas pessoas conhecidas falecidas e por todos os fiéis defuntos. Devemos pedir ao Senhor, com insistência, que lhes dê o descanso eterno e a luz perpétua, como faz a Igreja na Missa de Requiem. Esse sufrágio, essa ajuda às almas do purgatório se faz principalmente encomendando Missas pelo descanso eterno delas. É grande obra de piedade e de misericórdia ajudar essas almas. E é também obra de justiça, quando se trata dos nossos familiares e de pessoas que lá estão por nossa culpa.

A Igreja volta-se, então, para essas almas. É o que se vê claramente na liturgia da Missa de Defuntos, da Missa de Requiem. O salmo 42, nas orações ao pé do altar, e que nos estimula à alegria é omitido, porque, diante da morte, há motivos para uma tristeza, ainda que moderada pela fé. No Introito, o Padre não faz o sinal da cruz sobre si mesmo, mas sobre o Missal, como que dirigindo uma bênção, um sufrágio às almas do purgatório. Não há o Glória, canto de alegria dos anjos. O padre não pede o perdão dos pecados depois do Evangelho porque sua preocupação não é com os vivos, mas com os defuntos. Ele não abençoa a água porque a água simboliza os fiéis vivos. No Agnus Dei não se pede a misericórdia para nós, mas se pede o descanso eterno para os fiéis defuntos. Não há a benção final. Depois da Missa, a Igreja dá a possibilidade de se fazer a absolvição sobre a essa, que é esse caixão vazio. É também um rito que alivia muito as almas do purgatório. Imitemos a Igreja e voltemo-nos para essas almas, que precisam de nossa ajuda.

Neste dia de finados, pensemos também em nossa própria morte e pensemos em nos preparar para ela. Não para daqui a 60, 50, 40, 5 anos. Mas para agora. Não sabemos nem o dia nem a hora de nossa morte. É preciso estarmos sempre preparados, caros católicos, para, na hora da nossa morte, entrarmos na vida, na vida eterna. Meditemos as palavras tremendas do Sequência da Missa de hoje, o Dies Irae, que nos faz lembrar do dia do juízo e da nossa miséria. Supliquemos a Deus misericórdia e convertamo-nos a Ele.

Em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo. Amém.