II Domingo do Advento

Missa às 17h, Capela do Instituto Bíblico de Brasília,

(Foto: agradecemos ao leitor Marcos M. pelo envio da foto acima da missa rezada no domingo passado.)

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TEXTO PARA MEDITAÇÃO

(retirado do site São Pio V)

Razão e Revelação

Lendo com atenção o Evangelho de hoje, notamos que ele é a expressão de certa inquietação.

Os discípulos de João Batista querem saber se Jesus é o Messias esperado ou se devem esperar por outro.

Jesus responde a estas dúvidas, mostrando as suas obras, para que o julguem conforme estas obras.

Domingo passado, provamos a existência de Deus: hoje demos mais um passo avante e respondamos à mesma inquietação que nos invade a respeito de Deus.

Deus existe: é certo, mas podemos nós pelas luzes da nossa razão conhecê-lo plenamente, ou precisamos de outra luz para penetrar os seus aparentes segredos?

Resolvamos esta dúvida examinando:

– O que pode a razão humana

– O que não pode por si mesma

Será um duplo raio de luz lançado sobre o grande mistério da união da razão e da revelação.

 I. O que pode a razão humana

A nossa razão pode dar-nos umas noções sobre Deus, porém, muito limitadas e incompletas.

A nossa razão é muito limitada. Ela é para as coisas intelectuais o que é o nosso olhar para as coisas materiais: vê apenas certas coisas e não perscruta nada até no fundo.

A nossa razão é finita: Deus é infinito, de modo que podemos ver apenas o que está ao nosso alcance, todo o resto nos escapa.

Remontando da sua própria existência e da das criaturas, a nossa razão pode conhecer a existência de Deus, o seu poder criador; e refletindo, pode formar-se uma idéia de certos atributos de Deus, como a sua unidade, sua eternidade, sua justiça, bondade, etc.

Temos, pois, uma idéia de Deus; e notemos que tal idéia é já uma prova da existência de Deus, pois o homem é incapaz de ter a idéia de uma coisa inexistente, em partes ou em seu todo.

Deus assim concebido permanece, entretanto, um ser incompreensível, misterioso:

a) em sua natureza, que ultrapassa infinitamente toda natureza criada;

b) em suas perfeições, que incluem todas as perfeições;

c) em seus decretos que são impenetráveis;

d) em suas obras que o manifestam, mas não o mostram senão velado, misterioso.

A nossa razão precisa, pois, de um auxílio, que lhe permita penetrar mais no fundo das verdades entrevistas, do mesmo modo como a nossa vista para enxergar o que ultrapassa o seu raio visual, precisa de um instrumento para penetrar além

O olho nu vê certas coisas, com um binóculo vê mais longe; com uma longa vista penetra mais além ainda.

Este auxílio, este instrumento que nos permite ver mais longe, mais claramente, chama-se revelação divina, ou a voz de Deus, explicando-nos o que não compreendemos.

II. O que não pode a razão humana

A razão, como acabamos de ver, tem o seu círculo visual determinado e limitado. Existência de Deus, imortalidade da alma, princípios da lei natural: eis o seu horizonte.

Para conhecer as verdades de ordem sobrenatural, a razão precisa absolutamente de uma voz reveladora e esta voz chama-se: a revelação.

Deus, diz o Apóstolo, tendo falado outrora muitas vezes e de muitos modos a nossos pais pelos profetas, ultimamente, nestes dias, falou-nos por meio de seu Filho (Hebr. I. 1-2).

Esta voz de Jesus Cristo ensinando-nos a verdade é o caminho sobrenatural, um como complemento do caminho natural da razão.

Há, sobretudo, três verdades importantes que a nossa razão não pode conhecer, são:

A origem das misérias humanas.

Os meios de expiação.

Os destinos futuros do homem.

Para estas verdades a revelação é absolutamente necessária.

Ela é moralmente necessária para serem conhecidos e com certeza os preceitos da lei natural, que devem guiar a nossa vida e os quais a razão pode apenas distinguir vagamente.

Antes do pecado original, os nossos primeiros pais conheciam perfeitamente o bem e o mal; depois do pecado, a razão humana ficou obscurecida, enfraquecida e como paralisada pelas paixões que nos dominam, falsificam a nossa vista intelectual e nos fazem tomar o mal pelo bem e o bem pelo mal, como dizia o Apóstolo: O homem faz às vezes o mal que não quer e não faz o bem que quer. (Rom. VII. 19).

É um fato de experiência que um povo sem sacerdotes para instruí-lo e exortá-lo cai inevitavelmente na ignorância das verdades da ordem natural.

É preciso que os princípios da lei natural lhe sejam, vez ou outra, claramente formulados, freqüentemente repetidos e incutidos com vigor, senão, em breve, ficam alterados ou esquecidos.

“Deixem uma paróquia sem sacerdote, dizia o santo Cura d’Ars, durante vinte anos, os seus habitantes adorarão os animais!”.

O povo precisa ser instruído até nos princípios da lei natural; com quanto mais razão nos da lei sobrenatural.

III. Conclusão

Eis, pois, duas verdades bem esclarecidas: a nossa razão enfraquecida pode conhecer a existência de Deus e umas outras verdades elementares, porém, tudo bastante superficialmente; para um conhecimento total, sobrenatural, precisamos do auxílio da revelação divina.

As conseqüências desta revelação em nossa razão são imensas e admiráveis.

É a revelação que reforma as idéias falsas, retifica as idéias inexatas, esclarece as idéias confusas, tornando impossíveis a inquietação e a dúvida.

A razão nos mostra que a alma é incorruptível; a fé nos diz que é imortal.

A razão indica uma vida futura; a fé nos dá uma promessa positiva da mesma.

A razão entrevê recompensas e castigos; a fé nos mostra a sua extensão e natureza

A razão vislumbra um destino futuro; a fé no-lo apresenta luminoso e indica os meios de adquiri-lo.

A razão nos esmaga sob o peso de nossas misérias; a fé nos levanta pela misericórdia divina.

Em suma: A revelação satisfaz todas as aspirações do homem:

O nosso espírito precisa de uma doutrina certa: a revelação lha dá.

Ele precisa de um código moral: a revelação lho fornece.

Ele precisa de uma lei social de caridade: a revelação lha ministra.

Ele precisa de conselhos de perfeição: a revelação lhos dá.

(Leia mais em: http://www.saopiov.org/2011/12/segundo-domingo-do-advento.html#ixzz1fWp3eWkU)

(MARIA, P. Júlio. Comentário Apologético do Evangelho Dominical. O Lutador, 1940, p. 25 – 30)