Padre deixa diocese para ingressar na Fraternidade São Pio X.

Apresentamos uma entrevista de um padre diocesano italiano que acaba de ingressar na Fraternidade São Pio X. Este é o mais recente caso de um movimento mais amplo de padres diocesanos que se aproximam da Tradição litúrgica e doutrinal da Igreja (já noticiamos um caso similar aqui). Dentro desse contexto devemos considerar, por exemplo, o retiro pregado por Dom Bernard Fellay (Superior Geral da Fraternidade) a trinta padres diocesanos italianos em Albano.

Fonte: Distrito Alemão da FSSPX

Tradução: Fratres in Unum.com

Don Massimo Sbicego 
Don Massimo Sbicego

O padre diocesano italiano Don Massimo Sbicego (38), do clero da diocese de Vicenza, no norte da Itália, entrou na Fraternidade Sacerdotal São Pio X antes do Natal.

Até setembro de 2009, o padre diocesano, nascido em Montecchio Maggiore (Província de Vicenza) era pároco em Astico-Tal. Lá ele cuidava de três igrejas. Ele fundamentou a sua “sofrida decisão” em uma carta ao administrador diocesano com questões sobre o Magistério e a liturgia.

Na carta ele critica entre outras coisas a resistência na diocese contra o Motu proprio “Summorum Pontificum” em favor da Missa Tridentina. Não foi uma decisão fácil para ele, mas ele tomaria a decisão de entrar para a Fraternidade São Pio X após uma “meticulosa investigação de meses”. A decisão do jovem padre diocesano preocupou a Itália (e alhures) causando alguns estardalhaços na imprensa.

Como o senhor tomou conhecimento da Fraternidade Sacerdotal São Pio X?

Em 1992 encontrei um antigo número da revista “A Tradição Católica” [periódico do Distrito Italiano da Fraternidade Sacerdotal]. Pensei comigo mesmo: “Quem sabe se eles ainda não publicam a revista!”

Tentei contatar a redação e fiz uma assinatura. Concluí o meu tempo de formação no seminário e fui ordenado sacerdote em junho de 2000 [na diocese de Vincenza]. Só em maio 2007 fiz uma primeira visita ao Priorado da Fraternidade Sacerdotal em Rimini e lá conheci o padre Luigi.

Alguém lhe falou sobre o Arcebispo Lefebvre ou sobre a Missa Tradicional no seu tempo de seminário?

Não. A Tradição em sua dimensão positiva esteve ausente das atividades letivas modernas do seminário. Quando a assim chamada “liturgia pré-conciliar” era mencionada, era apenas para ressaltar como eram inadequadas a liturgia e a teologia daquela época. Até recentemente – depois da promulgação do Motu proprio “Summorum pontificum” sobre a forma extraordinária da missa – alguns “liturgistas” utilizavam o DVD didático produzido pela Fraternidade Sacerdotal [sobre a Missa Antiga, para sacerdotes], para ridicularizar o rito e os gestos perante os estudantes.

Quais foram as suas impressões quando o senhor assistiu a celebração da “Missa de Sempre” pela primeira vez?

Eu me encontrei na presença de Deus – um pouco como Moisés no Sinai. Pela primeira vez a celebração foi “perante ELE”. E “ELE MESMO” estava lá.

No rito antigo copta, no Egito, as rubricas prescrevem que o sacerdote pise no presbitério descalço porque ele está em solo sagrado. Encontramos ainda um pouco desse espírito em nossas missas pontificais romanas, em que o bispo calça sapatos especiais para a celebração da santa missa. Quando pela primeira vez celebrei a santa Missa no rito antigo, percebi de uma vez só o porquê disso: Moisés fica perante a sarça ardente. Toda vez que me coloco diante do altar, é da mesma forma. A sarça arde pela presença de Deus.

Como é a sua vida concreta em um priorado da Fraternidade Sacerdotal?

Trata-se, sobretudo, de uma vida de simplicidade e fraternidade. O arcebispo Marcel Lefebvre, fundador da Fraternidade Sacerdotal, estabeleceu regras simples da vida comunitária do sacerdote com base em suas experiências na missão. Ele via não somente o significado do apostolado sacerdotal, mas ele queria também um lugar onde o sacerdote possa se “recarregar” espiritual e mentalmente. O arcebispo queria casas que também protegessem os sacerdotes do “espírito do mundo”. O priorato é um local assim, onde muitos sacerdotes do mundo vivem juntos.

Este é um lindo lugar, porque aqui se encontra sempre uma boa palavra, muitas vezes uma palavra alegre e nenhum interrogatório sobre a Fé. Aqui existe sempre alguma coisa para fazer ou um hóspede para receber, que, em geral, vem de longe. Aqui rezamos uma única liturgia, não separada pela diferença de idiomas nativos dos sacerdote ou fiéis individualmente. Freiras nos ajudam no funcionamento do priorado. Elas são, sobretudo, um exemplo para nós – na oração, no trabalho, na atenção, modéstia e reclusão. E temos irmãos leigos consagrados a Deus, que acolhem os sacerdotes e hóspedes e cuidam da casa com grande generosidade.

O Priorado da Fraternidade também aceita hóspedes externos?

Eu diria que o priorado está aberto a pessoas que respeitam o ritmo e a finalidade da casa. Há sempre um padre à disposição para uma conversa, um encorajamento, um tempo de retiro espiritual ou aconselhamento. Os priorados organizam encontros especiais e dias de retiro para sacerdotes e fiéis. Há também pregações dos exercícios espirituais de Santo Inácio de Loyola muitas vezes ao ano, e, de fato, segundo o lindo método do padre Ludwig Maria de Paula Vallet (1883-1947), que foi especialmente disseminado pelo padre Ludwig Maria Barielle (1897-1983), o primeiro diretor espiritual do Seminário de Ecône. Os trinta dias dos exercícios do santo fundador jesuíta são assim reduzidos a cinco dias – sem qualquer omissão de conteúdos essenciais.

Como é atualmente um dia em seu apostolado sacerdotal?

Existem dois ritmos essencialmente diferentes: dependendo se a pessoa está em casa – no priorado – ou fora – no apostolado.

No priorato levantamos às 6:00h. Alguns sacerdotes se levantam mais cedo para rezar as matinas e as laudes do breviário. Por volta das 6.30h começa a recitação comunitária das primas, em seguida vem uma meditação de meia hora e a oração do Ângelus. A Santa Missa está programada para às 7.15h, seguida de uma ação de graças. O desjejum é às 8.10h.

Em seguida temos tempo para a preparação de catequeses, palestras, pregações ou outros artigos [para revistas]. Há também trabalhos manuais ou tarefas na casa. Esse tempo é interrompido pela recitação privada do breviário (terça e nona), uma leitura das Sagradas Escrituras e etc. Às 12.15h sacerdotes e irmãos rezamos juntos as sextas e o Ângelus. Em seguida temos o almoço, às 12.30h.

À tarde temos novamente tempo para o estudo ou trabalho. Essa parte do dia termina com a recitação das vésperas. Às 18.50h há então o Terço comunitário na capela com a oração do Ângelus. Às quintas-feiras há Benção com a Exposição do Santíssimo.

O jantar é às 19.20h. E por volta das 20.45h cantamos as completas. Em seguida começa o “Grande Silêncio”, que dura até a manhã seguinte às 8.00 h.

Fora da casa, especialmente, aos sábados e domingos, geralmente é diferente. Os tempos de obrigações pastorais precisam ser adaptados. O que não muda são as obrigações clericais (Santa Missa e Breviário) ou os exercícios espirituais especiais dos membros da Fraternidade (rosário, meditação e leitura espiritual).

Eu mesmo não assumi nenhuma tarefa fixa no apostolado da Fraternidade nessa importante missão, porém vejo os meus confrades, que viajam centenas de quilômetros toda semana para ajudar os fiéis, visitá-los e celebrar a missa para eles. Ou então resolver inúmeros problemas relativos ao local das capelas de que tomam conta, instalações, a preparação das cerimônias ou a hostilidade dos bispos e párocos, que nesse sentido não são muito benevolentes.

O senhor acha que outros padres italianos seguirão o seu exemplo?

Ao que eu saiba, alguns sacerdotes e seminaristas se fazem essa pergunta com sinceridade.

Como conseqüência da própria escolha de consagrar a vida ao Senhor, descobre-se que é  importante refletir sinceramente sobre a dimensão sacerdotal do “presbiterato” e do caráter sacrifical da missa.

A onda ideológica pós-conciliar subsiste basicamente em um sistema agnóstico. Entretanto, entre os jovens sacerdotes e jovens há um despertar mais uma vez para a busca da autenticidade de nossa Fé e, assim, uma aproximação da Tradição Católica. O sacerdote moderno, a primeira vítima do novo curso eclesial, vive freqüentemente uma profunda crise de identidade, que ele só pode superar através de uma apropriação dos meios que a Tradição viva da Igreja lhe disponibiliza: em primeiro lugar, através da Santa Missa de Sempre, do breviário autêntico, em seguida, através de uma fraternidade sacerdotal verdadeira e, finalmente, através do apostolado.

Agradecemos ao Fratres pela valiosa tradução!

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