A Eucaristia e a glória de Deus

S. Pedro J. Eymard em “A Divina Eucaristia”

Ego honorífico Patrem meum.”

Eu honra ao meu Pai” (Jo 8, 49).

           Nosso Senhor não quis permanecer na terra somente pela sua Graça, sua Verdade e sua Palavra, mas sim pela sua Pessoa. Possuímos, embora sob outra forma de Vida, ao mesmo Jesus Cristo que viu a Judéia e que, revertido agora da veste sacramental, é sempre o Filho de Deus e o Filho de Maria.

           A glória do Pai, que Nosso Senhor procura na terra em primeiro lugar, é ainda, no Sacramento, o objeto de todos os seus desejos, ao ponto de se poder dizer que Jesus Cristo revestiu o estado sacramental para continuar a honrar e a glorificar ao Pai.

I

           O Verbo Divino, pela sua Encarnação, reparou e restaurou a glória do Criador, maculada, na criação, pela queda do homem, pelo orgulho. Para tal obra, o Verbo humilhou-se até unir-se à nossa mísera natureza humana; desceu em Maria, aniquilou-se, revestiu-se da forma de escravo. E depois de ter pago o resgate do homem, depois de ter rendido, por toda a sua Vida, infinita Glória a Deus, de ter purificado a terra pela sua presença, ascendeu, uma vez consumada a obra, ao Céu.

           O dia da Ascensão triunfal do Salvador foi um dia belo para os moradores do Céu e triste para a terra que, ao ver afastar-se seu Rei, seu Reparador, receou, talvez, tornar-se em breve, para o Céu, uma terra de recordação, depois do olvido, e até de cólera e de tempestades.

           Jesus deixa aos homens sua Igreja; deixa Apóstolos bons e piedosos, mas nada substitui o divino Mestre! Os Santos, é certo, imitarão a Jesus, seu modelo; mas não passam de homens, fracos, imperfeitos, sujeitos, enquanto permanecem na terra, a cair pesadamente.

           E não haverá motivo para recear que venha a perigar todo o esforço de Jesus Cristo, isto é, a reparação que operou, a glória que, pelos seus labores, adquiriu para o Pai, se tudo entregou aos homens? Não será arriscado por demais confiar a obra da Redenção e de glorificação de Deus a homens tão imperfeitos, tão inconstantes?

           Não, não se abandona assim um Reino que custou sacrifícios inauditos, que custou a Encarnação, a Morte de um Deus! Não se arrisca deste modo a Lei divina do Amor!

II

           Que fará o Salvador? Permanecerá na terra, a continuar seu ofício de adorador, de glorificador do Pai. Far-se-á o Sacramento da Glória de Deus.

           Fitai os olhos no Altar, no Tabernáculo, e vereis a Jesus. E lá, que faz Ele? Adora ao Pai, dá-lhe graças e continua a ser o medianeiro dos homens. Faz-se Vítima de propiciação. Hóstia de reparação à glória de Deus ultrajado. Permanece no seu Calvário místico a repetir sua sublime palavra: “Pai, perdoa-lhes!” Ofereço-vos por eles meu Sangue, minhas Chagas!

           Multiplica-se em toda parte, procurando sempre o que há de expiar. Onde quer que haja uma família cristã, Jesus constitui com ela sociedade de adoração e glorifica ao Pai, adorando-o, fazendo com que seja adorado em espírito e verdade. E Deus Pai, devidamente glorificado, exclama satisfeito: “Grande é o meu Nome por entre as nações, porquanto desde o levantar do sol até o deitar, oferecem-me uma Hóstia de agradável odor!”

III

Mas – Ó maravilha da Eucaristia! – Jesus presta ao Pai, em virtude do seu estado sacramental, uma homenagem nova, que jamais criatura alguma lhe prestou, homenagem esta que excede, por assim dizer, a tudo que pode fazer o Verbo Encarnado na terra.

           E qual será tão extraordinária homenagem? É a homenagem do Rei da Glória, consumado no Poder e na Majestade do Céu que, no seu Sacramento, vem imolar ao Pai, não só sua glória divina, como na Encarnação, mas sua glória humana, as qualidades gloriosas de sua Humanidade ressuscitada!

           Impossibilitado, no Céu, de honrar seu Pai pelo sacrifício de sua Glória, Jesus Cristo volta à terra, encarna-se de novo no altar, para que o Pai Celeste o possa ainda contemplar, Ele, Rei do Céu e da terra, pobre como em Belém, humilde e obediente como em Nazaré, submisso, não só à ignomínia da Cruz, mas à comunhão sacrílega, aos inimigos, aos profanadores! É o doce Cordeiro que não se lamenta, a tenra Vítima que não murmura, o bom Salvador que não se vinga!

           Admirados, perguntamos: Por que tudo isso? É para glorificar a Deus Pai pela continuação mística das mais sublimes virtudes; pelo sacrifício perpétuo de sua Liberdade, de seu Poder, de sua Glória, ligadas pelo seu Amor no Sacramento até soar a derradeira hora do mundo. Jesus Cristo, cá embaixo, contrabalançando a soberba humana pelas suas humilhações e rendendo para o coração de Deus! É a razão de ser da Presença Eucarística, mais digna do Amor de Jesus Cristo para com seu divino Pai.

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