[Liturgia] Primeiro Domingo da Quaresma

Estação em S. João de Latrão

1ª Classe – Paramentos roxos

Neste domingo que era, outrora, o primeiro dia da Quaresma *, reunia-se a estação na basílica de S. João de Latrão, dedicada ao Santo Salvador.

A cena da tentação, no limiar da vida publica de Jesus, proclama, de maneira impressionante, a inversão de situações, que a Redenção vai operar no mundo. Naquilo mesmo, em que Adão havia sucumbido, Cristo, o novo chefe da humanidade, triunfará do poder de Satanás: na hora da Paixão, será destronado o “príncipe deste mundo”. O evangelho da tentação é prenúncio da vitória de Cristo. Colocando este evangelho no principio da Quaresma, a Igreja proclama que esta vitória há-de ser a nossa. Dentro de nós e à nossa roda, é a tentação, o combate, a vitória de Cristo que continua: o nosso esforço é o seu; as nossas forças, as suas; e o nosso triunfo no dia de Páscoa será também o seu. Lancemo-nos, por conseguinte e confiadamente, no combate, cujo programa S. Paulo nos traçou na epistola da Missa. É uma revisão de toda a vida cristã. Enchamo-nos de coragem, considerando que o progresso da vida cristã em nós, é a continuação do triunfo de Cristo.

A liturgia quaresmal é uma liturgia de confiança. O salmo 90, que é essencialmente o salmo da confiança, fornece o tracto e todas as partes cantáveis da missa deste dia. Dele serão também os versículos do oficio até ao tempo da Paixão. São dias de salvação os dias da Quaresma, “o tempo propício” por excelência, para emendarmos a nossa vida. A Igreja insiste neste ponto, para que, ao chegar a Páscoa, possamos celebrar, purificados de corpo e alma, o mistério da Paixão e da Redenção do Senhor.

* – A Quarta-Feira de Cinzas e os dias seguintes foram acrescentados para completar o numero de quarenta dias de jejum.

EPÍSTOLA de S. Paulo aos Coríntios II, 6, 1-10

Exortação premente a que não recebamos em vão a graça de Deus. Ao dirigir-no-la, S. Paulo descreve o seu combate pessoal e mostra que a vitória de Cristo se manifesta numa vida como a sua.

Irmãos: Exortamo-vos a que não recebais em vão a graça de Deus. Diz ele, com efeito: Ouvi-te no tempo favorável, e ajudei-te no dia da salvação: O tempo favorável, é agora: é agora o dia da salvação 1. a ninguém sejamos ocasião de escândalo, para que o nosso ministério não seja desacreditado; ao contrário, afirmemo-nos, em tudo, como ministros de Deus, mostrando toda a paciência – nas tribulações, nas necessidades, nas angustias, nos açoites, nas prisões, nas sedições, nos trabalhos, nas vigílias, nos jejuns; com a castidade, com a ciência, com a longanimidade, com a mansidão, com o Espírito Santo, com uma caridade não fingida, com a palavra da verdade, com o poder de Deus, com as armas ofensivas e defensivas da justiça, entre a gloria e a ignomínia, entre a boa e a má reputação; tidos por impostores apesar de verazes; como pessoas obscuras, embora bem conhecidas; como gente a morrer estando bem vivos; como castigados, mas sem estar à morte; como tristes, mas sempre alegres; como pobres, mas enriquecendo a muitos: como não tendo nada, mas possuindo tudo.

1 – Isaias 49, 8.

EVANGELHO segundo S. Mateus 4, 1-11

“Não é indigno do nosso Redentor permitir que fosse tentado, Ele que viera entregar-se à morte. Convinha, porém, que, pelas suas tentações, triunfasse das nossas, pois que viera com sua morte vencer a nossa” (S. Gregório, em matinas).

Naquele tempo: Jesus foi conduzido pelo Espírito ao deserto, para ser tentado pelo demônio. Depois de jejuar quarenta dias e quarenta noites, teve fome. Aproximando-se, então, o tentador, disse-lhe: Se és Filho de Deus, dize a estas pedras que se convertam em pão. Ele, porém, respondendo disse: Está escrito: O homem não vive só de pão, mas de toda a palavra que sai da boca de Deus 1. Então o demônio transportou-O à cidade santa; e, pondo-O sobre o pináculo do templo, disse-lhe: Se és Filho de Deus, lança-te daqui abaixo. Porque está escrito: Incumbiu os seus anjos de velarem por ti: eles te tomarão em suas mãos, para que não tropeces nas pedras do caminho 2. Jesus respondeu-lhe: Também está escrito: Não tentarás o Senhor teu Deus 3. De novo o demônio o transportou a um monte muito alto, e lhe fez ver todos os reinos do mundo, e a sua magnificência. E disse-lhe: Tudo isto te darei, se, prostrado, me adorares. Então Jesus disse-lhe: Vai-te, Satanás, porque está escrito: O Senhor teu Deus adorarás, e só a Ele servirás 4. Então o demônio deixou-O: e eis que os anjos se aproximaram e o serviram.

1– Deuteronômio 8, 9.

2 – Salmo 90, 11-12.

3 – Deuteronômio 6, 16.

4 – Deuteronômio 6, 13.

Textos extraídos do Missal Romano Quotidiano.

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