[Aviso] Missas também pela manhã nessa semana (22/08 a 26/08)

Prezados, Salve Maria!

Transmitimos a informação de que haverá, nessa semana, Missa às 06h30 da manhã (além da Missa no horário habitual das 19h30) na segunda-feira, na quarta-feira e na quinta-feira:

22/08, segunda-feira: Imaculado Coração de Maria

24/08, quarta-feira: São Bartolomeu, Apóstolo

26/08, sexta-feira: Féria, comemoração de São Zeferino, Papa e Mártir.

[Download] Republicação do Calendário Trimestral de Atividades

Salve Maria!

A pedido do Padre Daniel Pinheiro, republicamos neste post o calendário trimestral de atividades da Capela Nossa Senhora das Dores (o calendário “Vida Espiritual e Doutrina Católicas”, referente aos meses de julho a setembro), que foi revisto e aumentado.

Destacamos as seguintes alterações:

  1. Início do Curso de Introdução à Sagrada Escritura no último sábado de agosto.
  2. Início da Sociedade da Alegria de Dom Bosco Minor para meninos entre 4 e 6 anos.
  3. Mudança da data do Terço das Mães de Família em setembro para o dia 1º de setembro.

Segue o arquivo para download (também sempre disponível na barra lateral do blog):

Calendário 3º Trimestre/2016

[Sermão] Gratidão a Deus – Lições de um curto Evangelho

Sermão para o 13º Domingo depois de Pentecostes

14.08.2016 – Padre Daniel Pinheiro, IBP

Em nome do Pai, e Do Filho, e do Espírito Santo. Amém.

Ave Maria…

“Um deles, ao ver-se curado, voltou, glorificando a Deus em alta voz.”

Eram dez leprosos, nove judeus e um samaritano, que vieram ao encontro de NSJC. Pararam a certa distância como prescrevia a lei mosaica (Lev. 13, 45-46). Prescrevia a lei essa distância para evitar o contágio de outras pessoas com a lepra. A lepra, significa espiritualmente, a alma em estado de pecado mortal. Se a lepra vai destruindo a carne, o pecado mata a alma e a devora, tirando-lhe as forças. O pecador fica, assim, distante de Deus, porque se afastou do Senhor pelo seu pecado.

Erguem, então, a voz. Erguem a voz porque estão à certa distância, prescrita pela lei, mas erguem a voz para mostrar também a grave necessidade em que se encontram. E erguem a voz unidos para mais facilmente mover a bondade e a compaixão de Jesus. É uma oração pública, pois Deus quer que rezemos não só individualmente, o que é essencial, mas também publicamente. Devemos rezar também em sociedade porque Deus é o criador não só dos indivíduos, mas também da sociedade, ao criar o homem como animal social, isto é, como um ser que precisa de seus semelhantes para poder viver adequadamente. Clamam: “Jesus, Mestre, tende compaixão de nós.” Clamam Jesus, porque é Ele a salvação deles, o nome Jesus significa Salvador, lembremos. Pedem ao Senhor misericórdia, para que Ele os tire da miséria dessa doença e desse sofrimento. Ao pedir misericórdia, reconhecem o poder de Cristo, homem e Deus. Chamam-no Mestre, pois Nosso Senhor veio nos salvar pelo seu sacrifício e pela sua doutrina, pelos seus ensinamentos. Erro comum hoje afirmar que Nosso Senhor nada veio afirmar, mas apenas começar um vago sentimento ou movimento religioso. Erro comum mesmo entre alguns que se denominam conservadores. Nosso Senhor Jesus Cristo veio ensinar uma doutrina clara.

Nosso Senhor responde: “Ide mostrar-vos aos sacerdotes.” Os leprosos, quando ficavam curados, deviam apresentar-se ao sacerdote para que esse declarasse a pureza deles. Nosso Senhor, ao dizer aos dez leprosos para que se mostrem aos sacerdotes, afirma que vai curá-los antes que cheguem lá. E eles foram prontamente, acreditando, então, que Nosso Senhor Jesus Cristo iria curá-los. Demonstraram uma fé sincera e uma pronta obediência, além de grande confiança no Mestre.

Ainda no caminho, ficaram curados. Os dez ficaram curados. Apenas um voltou. E foi justamente o samaritano. Voltou glorificando a Deus em alta voz e prostrou-se aos pés de Nosso Senhor, que aproveita a ocasião para manifestar a ingratidão dos outros nove que haviam sido curados. Ubi sunt? Onde estão os outros nove? Esse que voltou, ao agradecer a Deus, ao se prostrar diante de Nosso Senhor, ficou curado não somente de sua lepra, mas teve a sua alma curada: “levanta-te e vai, a tua fé te salvou.” Era esse o objetivo de Jesus Cristo ao curar os dez: que pudessem ter a alma purificada, que se convertessem a Deus. São inúmeras as lições dessa parte final do Evangelho. Vemos que a cura lhes foi dada para que se convertessem a Deus, assim como tudo o que Deus nos dá é para que melhor o sirvamos. Devemos usar tudo o que temos unicamente para melhor servir a Deus. O fato da cura dos leprosos e a volta do único estrangeiro, do único que não era judeu, mostra a difusão e aceitação do cristianismo entre os pagãos, enquanto a maior parte dos judeus recusou Nosso Senhor. Vemos que o samaritano volta glorificando a Deus em alta voz. Com alta voz tinha clamado pela cura. Com alta voz agradece. É preciso ter o mesmo fervor para pedir favores a Deus e para agradecer por tudo o que nos deu e dá. Quantas vezes existe grande fervor ao pedir, mas pequeno fervor ao agradecer a Deus.

A grande lição do Evangelho de hoje é a gratidão que devemos ter para com Deus. Devemos ser reconhecidos a Deus pelos inúmeros benefícios que nos dá. Muitas vezes, quando tudo vai bem, esquecemos de agradecer a Deus ou agradecemos muito pouco. Quando as coisas vão mal, esquecemos que também as cruzes vêm das mãos de Deus, esquecemos que também elas são graças, e esquecemos de tudo o que Deus já nos fez. E no lugar de glorificar a Deus, murmuramos. Quantas graças Deus nos dá e ficamos indiferentes, apenas nos lembrando de pedir mais graças, esquecidos de agradecer a Deus. Quantas graças de boa inspiração, de arrependimento. Quantos benefícios na ordem temporal e espiritual. Quantas vezes nos livrando de perigos e ciladas de todos os tipos, dando provas sem fim de sua bondade sem medida. Mas, em geral, somos dos nove que não voltaram. Onde estão as nossas ações de graças dirigidas a Deus por tudo que nos deu? Não está dito dos nove que a fé deles os salvou, apenas daquele que voltou agradecido. Devemos agradecer e glorificar a Deus, como fez o samaritano. Glorificar a Deus não tanto com as palavras quanto com as obras. Nossa gratidão a Deus deve ser mais efetiva do que afetiva. Nossa gratidão não pode ser um mero sentimento. A gratidão que deve encher a nossa alma – gratidão sobretudo pela misericórdia que até esse momento deus tem exercido para conosco – deve ser uma gratidão manifestada também com as obras, observando e guardando as suas palavras e os seus mandamentos. Gratidão efetiva a Deus em nossas orações e em nossos obras. Gratidão a Deus com toda a nossa vida.

Em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo. Amém.

[Aviso] Missa Solene e Confraternização – Despedida do Padre Tomás

Prezados, Salve Maria!

A pedido do Padre Daniel Pinheiro, IBP, transmitimos os seguintes avisos:

  1. Hoje, 08/08, despedida do Padre Tomás Parra, IBP, que partirá, em definitivo para Belém. Haverá Missa Solene às 19:30, seguida de Confraternização. Para a confraternização, cada um deverá trazer uma bebida e um salgado ou doce.
  2. Domingo, dia 21/08, haverá a Primeira Missa do Padre Thiago Bonifácio em Brasília. O Padre Thiago irá ajudar, desse dia em diante, o apostolado do IBP em Brasília, na Capela Nossa Senhora das Dores.
  3. Agradecemos ao Padre Tomás por toda a assistência espiritual dada durante esses onze meses. E asseguramos as nossas orações ao Padre pelo seu novo ministério sacerdotal.

[Sermão] Sentido Espiritual das Cerimônias da Missa – Parte 10: O Cânon Romano II – Te igitur e Memento vivorum

Sermão para o 11º Domingo depois de Pentecostes

31.07.2016 – Padre Daniel Pinheiro, IBP

Em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo. Amém.

 Ave Maria…

Caros católicos, continuamos hoje a tratar do significado espiritual das cerimônias da Santa Missa no Rito Romano Tradicional. Na última oportunidade, fizemos um comentário geral sobre o Canon Romano, a única oração eucarística na Missa Tradicional. O Canon Romano que, nas palavras do Concílio de Trento, é tão “puro de todo o erro, que nele não há nada que não exale a suma santidade e piedade, não há nada que não eleve a Deus as almas dos que o oferecem. O Cânon Romano que se compõe das palavras do próprio Senhor, das tradições dos Apóstolos e das piedosas instituições dos Sumos Pontífices. ” Vimos como o Canon Romano é uma fortaleza inviolável contra todo erro e toda heresia.

Começamos, hoje, a considerar cada oração do Canon Romano em particular. A primeira delas é o Te igitur. E a primeira letra dessa oração, quer dizer, a primeira letra do Canon Romano, é um T, que é uma das formas da cruz. Já a primeira letra do Canon nos indica, então, aquilo que ocorrerá durante a sua recitação pelo padre: a renovação do sacrifício da Cruz. Esse T do Te igitur foi sendo ornado, como cruz, nos Missais, até que, com o tempo, se começou a colocar Nosso Senhor Crucificado na página ao lado do início do Canon.

O igitur significa a continuidade do Canon com o prefácio e o ofertório que lhe antecederam. No Te igitur nós pedimos e rogamos, suplicantes, para que Deus aceite o sacrifício que lhe será oferecido. Para exprimir a nossa humilhação diante de Deus e a nossa súplica, o padre, antes de pronunciar as palavras, faz gestos de súplica. Primeiro, eleva as mãos e os olhos, para dirigir-se a Deus, confiado na clemência divina. Depois, juntando as mãos apoiadas sobre o altar, inclina-se profundamente. Apoia-se no altar porque o altar representa Nosso Senhor Jesus Cristo. Somente apoiados em Cristo é que ousamos pedir algo a Deus. Profundamente inclinado, mostrando a nossa miséria diante de Deus, o padre começa a oração. Essa inclinação mostra também a humildade de Nosso Senhor no momento de seu sacrifício e as suas quedas durante o caminho da cruz. O Padre dirige-se a Deus chamando-o de clementíssimo, pois confia na misericórdia divina e sabe que Deus não usa de todo o rigor da sua justiça. A clemência é a virtude que tempera o rigor do castigo. O sacerdote dirige-se a Deus clementíssimo por meio de Jesus Cristo, o perfeito intermediário, pois é Filho de Deus e Senhor nosso. É pelo nome de Jesus que conseguimos todas as graças. É por Cristo que, suplicantes, ousamos rogar e pedir a Deus que aceite e abençoe esses dons, essas dádivas e esse santo sacrifício sem mancha. Rogar e pedir parecem ser sinônimos, mas, na verdade, não são. Rogamos quando não temos direito algum de exigir aquilo que desejamos. Pedimos quando temos o direito de sermos atendidos. Nessa oração, na Missa de um modo geral e mesmo na vida, não temos, por nós mesmos, direito algum de obter de Deus o que desejamos. Podemos apenas rogar. Todavia, unidos a Jesus Cristo e em nome dEle, podemos pedir. O sacerdote, aqui no Te Igitur, não só roga, mas ousa pedir, porque o faz em nome de Jesus Cristo e porque participa do sacerdócio de Nosso Senhor Jesus Cristo.

O Padre, oscula (ósculo é o beijo litúrgico) o altar, ergue-se e, com as mãos estendidas, pede que Deus aceite e abençoe estes dons, estes presentes, e esse sacrifício. Dons e presentes podem também parecer sinônimos, mas os termos latinos empregados têm uma nuance importantíssima: donna, os dons, é aquilo que o superior dá ao inferior. Munera, presentes, é aquilo que o inferior dá ao superior. O sacrifício da cruz é um dom porque nos vem de Deus e é munera, um presente, porque nós o oferecemos a Deus. Para deixar ainda mais claro o que são esses dons e esses presentes, o padre fala em sacrifício ilibado, sem mancha, perfeito, que só pode ser, então, o sacrifício do Corpo e do Sangue de Cristo, Deus e Homem. Como no ofertório, o Te igitur considera, por antecipação, que o Corpo e o Sangue de Cristo já estão presentes, para mostrar que no momento da consagração é o Corpo e o Sangue de Nosso Senhor que são oferecidos a Deus. Tendo pedido a Deus que abençoe esse sacrifício, o próprio Padre traça sobre as oblatas, isto é, sobre o pão e vinho, três sinais da cruz ao dizer dons, presentes e sacrifício ilibado. Antes de fazer o sinal da cruz, o padre osculou o altar para mostrar que a bênção procede de Nosso Senhor. O Te igitur mostra que a Missa é um sacrifício e ao dizer que se trata de um sacrifício ilibado, sem mancha, perfeito, nos mostra que é o sacrifício de Cristo.

Continua o Te igitur: In primis, em primeiro lugar esse sacrifício é oferecido pela Santa Igreja Católica. Em cada Missa, graças imensas são dadas à Igreja. São essas graças que mantêm a Igreja sempre santa, nunca pecadora. O padre, mantendo as mãos estendidas, pede quatro graças para a Igreja: a paz, a proteção, a manutenção da unidade e para que Deus a governe. Pede-se primeiro a paz. Uma paz exterior e uma paz interior. Que a Igreja possa ter a tranquilidade na ordem e possa assim propagar o Evangelho, a doutrina de Nosso Senhor Jesus Cristo. Todavia, uma paz completa não é possível. A Igreja é combatida pelo mundo, cheio de descrença e de imoralidades. Ela deve resistir ao mundo. A sua paz não pode ser feita de acordos com o mundo. A Igreja é muitas vezes atacada também pelos seus próprios membros. A Igreja deve, então, combater e ser protegida por Deus. Vem, assim, o segundo pedido, para que Deus proteja a sua Igreja diante de todos os assaltos, para que seus membros permaneçam fiéis. Pede-se, em terceiro lugar, para que Deus mantenha a unidade de sua Igreja, para que todos permaneçamos na unidade da Igreja, unidade que se faz pela mesma fé, pela submissão à autoridade eclesiástica em suas ordens legítimas e pelos mesmos sacramentos.  Finalmente, pede-se para que Deus governe a sua Igreja por meio de bons pastores por toda a terra. Feito esse pedido, o padre reza especificamente pela hierarquia da Igreja. Primeiramente, o sacerdote reza pelo Papa, a quem professa estar unido. Depois, reza pelo bispo local, a quem também professa estar unido. Finalmente, reza pelos que professam a verdadeira fé e propagam a fé católica e apostólica, incluídos aí o restante do clero e os fiéis.

Nessa segunda parte do Te igitur, nós vemos as quatro notas da Igreja fundada por Nosso Senhor Jesus Cristo: santa, católica, una e apostólica.

O sacerdote passa, após o Te igitur, à segunda oração do Canon: o Memento dos vivos. Após rezar pela hierarquia e pelos fiéis em geral, a Igreja dá ao Padre a possibilidade de rezar por algumas pessoas em favor de quem o sacrifício será oferecido de modo mais particular. Ora, no Calvário, pouco antes do sacrifício de Cristo, o bom ladrão pede a Jesus para que se lembre dele. E esse pedido do bom ladrão é atendido. Assim, o sacerdote pede a Deus que se lembre de algumas pessoas especificamente pouco antes da renovação de seu sacrifício. Esse pedido de lembrança dará frutos como deu o pedido de lembrança do bom ladrão, que se converteu. Ao dizer o nome das pessoas por quem reza especificamente, o padre une as mãos em posição de submissão completa a Deus, suplicando para que seja atendido.  Não custa lembrar: essa posição das mãos – juntas, com os dedos estendidos, polegares cruzados, direito sobre o esquerdo – é a posição do vassalo diante de seu suserano ao prometer fidelidade e submissão a ele. A simples posição da mão do padre mostra a sua inteira submissão diante de Deus.

Após nomear algumas pessoas especificamente, o padre pede por todos aqueles que estão presentes na Missa, por todos aqueles que estão diante do altar assistindo à Missa. Uma graça particular é dada na Missa para aqueles que a ela assistem. Daí, entre outras razões, a importância de se assistir à Missa com a maior frequência possível. Daí a importância de trazer à Missa os bebezinhos, pois também eles recebem graças ao estarem diante do altar. Daí valer a pena o esforço dos pais de trazer as crianças para a Missa. Todavia, as graças recebidas por cada um na Santa Missa dependem das disposições interiores. O sacerdote menciona, então, a fé e a devoção de cada um, conhecidas por Deus. Aqueles que têm uma fé mais firme, que vivem da fé, aqueles que têm a prontidão em fazer a vontade de Deus em todas as coisas (isso é a devoção), receberão mais e maiores graças. Por esses presentes que têm a fé e a devoção conhecidas por Deus, o sacerdote oferece esse sacrifício de louvor, quer dizer, esse sacrifício de adoração, pelo qual reconhecemos o soberano domínio de Deus e queremos nos submeter a Ele. Esse sacrifício é também oferecido pela redenção da alma dos presentes e dos seus. Quer dizer, é sacrifício que aplaca a ira divina, pagando o preço do ultraje de nossos pecados e é sacrifício que dá para a nossa alma a graça do arrependimento. É um sacrifício também oferecido pela esperança de salvação e para a proteção, quer dizer, para nos alcançar as graças de que precisamos para a nossa salvação. E esses por quem o sacrifício é oferecido dirigem a Deus as suas preces. Mas o vota sua em latim é mais do que as simples preces. É no fundo a própria vida que a pessoa oferece a Deus em união com o sacrifício de Cristo. Aqueles que querem se beneficiar profundamente do sacrifício de Nosso Senhor Jesus Cristo, renovado no altar, devem colocar nas mãos de Deus a própria vida, oferecendo a Ele tudo o que são e tudo o que possuem.

É interessante notar um detalhe importante nessa oração do Memento dos vivos. Nela, o padre diz que os próprios fiéis oferecem o sacrifício. Todavia, não se trata de igualar fiéis e padre. Os fiéis oferecem esse sacrifício no sentido de que o oferecem a Deus por meio do sacerdote e no sentido de que podem apresentar as suas intenções pessoais em união com o sacrifício realizado pelo sacerdote. Lembremo-nos aqui das palavras ditas no Orate Fratres: Orai irmãos para que o meu e o vosso sacrifício seja agradável diante de Deus Pai. Nessas palavras, está dito “meu e vosso sacrifício”, pois distinto é o papel do sacerdote e dos fiéis no sacrifício da Missa. O sacerdote age na pessoa de Cristo, como outro Cristo, oferecendo realmente o sacrifício. Os fiéis se unem ao sacrifício oferecido pelo sacerdote, do qual tiram grande proveito. Sacerdote e leigos têm função bem distinta durante a Santa Missa.

Nessa segunda oração do Canon Romano, o Memento dos vivos, nós vemos claramente a Missa como sacrifício de louvor e como sacrifício de redenção, isto é, para o perdão de nossas faltas. Vemos, ainda, nessa oração, a Missa como sacrifício de salvação, ou seja, como sacrifício que nos obtém as graças para a nossa salvação. A Missa como sacrifício de ação de graças estava mostrada claramente no Prefácio.

Essas duas primeiras orações são um pedido pela Igreja militante, pela sua hierarquia, por todos os seus membros, por aqueles que o padre menciona em particular, pelos que estão presentes e pelas intenções dos presentes. São orações que mostram claramente a natureza da Missa: o sacrifício do Corpo e do Sangue de Nosso Senhor Jesus Cristo. São orações belíssimas, de profunda espiritualidade e de profunda doutrina. Por isso mesmo, os inimigos da Igreja sempre quiseram destruir o Canon Romano.

Aproveitemos, caros católicos, o melhor conhecimento dessas orações, para nos unirmos mais perfeitamente ao sacrifício de Cristo, que se renovará em instantes sobre o altar, rezando por toda a Igreja militante, em particular pela hierarquia, e oferecendo-nos inteiramente a Deus.

Em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo. Amém.

[Sermão] A oração orgulhosa, oração humilde e o orgulho de uma sociedade

Sermão para o 10º Domingo depois de Pentecostes

24.07.2016 – Pe Daniel P Pinheiro

Em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo. Amém.

Ave Maria…

Consideremos, caros católicos, a parábola de hoje. Nosso Senhor diz que dois homens subiram ao templo para rezar, um fariseu e um publicano. Subiram ao templo fisicamente, pois o templo se encontrava sobre um monte, chamado Moria, mas a subida significa também que a oração é a elevação da alma a Deus.

Todavia, bem diferente foi a oração de cada um desses dois homens. Vejamos o que podemos aprender com cada um deles. Primeiro, com o fariseu, para repetir o que ele fez bem e para evitar o que ele fez mal. O fariseu se dirige ao templo para rezar, o que é uma coisa boa. O templo é o lugar de oração por excelência. Devemos nós rezar na Igreja na medida do possível. Ele enumera boas obras, que devemos procurar também fazer: ele não é ladrão, não é injusto nem adúltero. Devemos nós ser justos e praticar a castidade segundo o nosso estado. Ele jejuava e pagava o dízimo. Devemos nós fazer mortificações e ajudar no sustento da Igreja e de seus ministros.

A oração do fariseu, porém, foi desagradável a Deus por dois motivos: orgulho e desprezo do próximo. Com a boca somente, o fariseu agradece a Deus pelas suas boas obras, pois fica claro que ele atribui as suas boas obras a ele mesmo e não a Deus. Ele se considera perfeito e não um pecador. O fariseu não pede nada a Deus, dando a entender que não precisa de nada de Deus, pois já tem todas as virtudes e perfeições adquiridas pelos seus próprios esforços. Ele não pede perdão pelos seus pecados, pois julga não possuí-los. Ele não pede perdão pelos pecados de que talvez não se lembre ou que foram cometidos sem que ele notasse. Ele basta a si mesmo e é ele – não Deus – a causa de suas boas obras. O fariseu faz uma oração orgulhosa, exaltando de modo desordenado a própria excelência, não reconhecendo que tudo o que fazemos de bem nos vem de Deus.

A oração do fariseu não foi uma oração humilde. A humildade é verdade e justiça. A humildade é verdade, quer dizer, é reconhecer nossas qualidades e defeitos, nossas virtudes e vícios. E a humildade é justiça (atribuir a cada um o que lhe é devido), quer dizer, atribuir a Deus as nossas qualidades e virtudes e atribuir somente a nós nossos defeitos e vícios. São Paulo, por exemplo, enumera várias de suas obras, mas não se vangloria nem se exalta, pois reconhece com profunda humildade que tudo isso se faz pela graça de Deus, reconhece que tudo de bom que ele tem lhe foi dado por Deus. Como estamos distantes da santidade de São Paulo, não convém muito enumerarmos nossas eventuais boas obras, pois dificilmente estaremos isentos de orgulho. O fariseu em sua oração não é humilde. Ele falta com a humildade porque não reconhece toda a verdade ao não reconhecer seus defeitos e pecados, mas apenas as suas boas obras. E ele falta com a humildade também porque não atribui realmente a Deus as boas obras, mas somente com a boca.

Do orgulho, o fariseu passa ao desprezo do próximo e ao juízo temerário com relação ao próximo. Ao nos exaltarmos indevidamente, é quase natural que passemos a desprezar os outros, pois ficamos cegos para os nossos defeitos, mas tendemos a ver facilmente os defeitos dos outros e a exagerá-los. Tendo se exaltado de modo tão desordenado e esquecido de Deus, saiu de lá o fariseu humilhado, isto é, sem a graça divina.

Devemos tirar de sua oração orgulhosa uma importante lição para a vida espiritual: quando fazemos boas obras, quando começamos a avançar no caminho da virtude, o demônio tentará nos fazer cair pelo orgulho, fazendo que nos exaltemos e que esqueçamos que a causa de tudo é Deus. Ao contrário, devemos sempre manter a humildade, reconhecendo que somos pobres pecadores e que, se fazemos algum bem, por menor que seja, é pela graça de Deus.

Nossa oração, ao contrário da oração do fariseu, deve ser humilde, o que nos leva à oração do publicano. O publicano não se atreve a se aproximar do altar. Aqui, devemos considerar não tanto o aspecto físico, mas o que significa isso espiritualmente. Essa distância significa que, se reconhecendo pecador, ele estima ser indigno de se aproximar de Deus, que é a própria santidade, como os leprosos que não ousavam se aproximar de Cristo e que de longe imploravam a sua misericórdia. Segundo, para significar que, por seus pecados, ele se afastou de Deus, como o filho pródigo que deixou a terra do pai e foi para uma terra longínqua. De fato, pelos nossos pecados, nos tornamos indignos de nos aproximar de Deus e nos afastamos dEle.

Em seguida, nos é dito que o publicano não levantava os olhos. Aqui também devemos considerar mais o significado espiritual do que o aspecto físico. Não ousava levantar os olhos por vergonha de ter pecado contra Deus, de ter ofendido a Deus, que é o sumo bem e infinitamente amável. Não levantava os olhos para significar que, com o pecado mortal, não poderemos chegar ao céu e ver Deus face a face.

E o publicano batia no peito, para significar o seu coração despedaçado pela ofensa cometida a Deus, para significar o arrependimento pelos seus pecados. O publicano sabe que Deus é misericordioso e que está pronto para perdoar, se estamos verdadeiramente arrependidos, isto é, se reconhecemos o mal que fizemos, se detestamos esse mal e se nos determinamos a não mais pecar.

A oração humilde do publicano agradou a Deus. Ele reconheceu seus pecados, reconheceu que a culpa era sua e, com verdadeiro arrependimento e grande confiança, pediu a Deus misericórdia. Tendo se humilhado ao reconhecer seus pecados e ao implorar a divina justiça, saiu de lá o publicano, exaltado, isto é, com a graça de Deus. É o que devemos fazer.

O orgulho, caros católicos, pode ser também coletivo, pode ser um orgulho da sociedade. Infelizmente, vivemos hoje em uma sociedade orgulhosa que se baseia no non serviam, no não servirei do demônio. Uma sociedade esquecida dos direitos invioláveis de Deus sobre a humanidade e sobre todas as coisas, uma sociedade que não cumpre os seus deveres para com Deus, mas que, ao contrário, se baseia na autonomia total com relação a Deus e à sua Igreja. E mais do que em uma autonomia, a sociedade moderna se baseia em uma revolta contra Deus e favorece essa revolta contra Deus nos indivíduos. Quantos, por um orgulho que os cega, terminam abandonando a Igreja ou terminam não praticando a religião católica. O orgulho pode ser não somente individual, mas também da sociedade. Vivemos em uma sociedade orgulhosa incapaz de reconhecer que seus problemas são causados por ela mesma e por seu abandono a Deus e incapaz de reconhecer que todo o bem tem Deus como fonte.

Quando os judeus, por orgulho, se tornavam infiéis a Deus, abandonando-o e confiando em falsos deuses, Deus os castigava, humilhando-os, de algum modo, muitas vezes entregando-os nas mãos de seus inimigos. Hoje, com a revolta da sociedade moderna, Deus usa basicamente dois castigos, para humilhá-la. O primeiro desses castigos é o islã, sempre considerado, ao longo da história, um flagelo na mão de Deus. Apenas o catolicismo foi capaz, ao longo da história de deter o islamismo. Em 732, com Carlos Martel, em Poitiers, praticamente no coração da França. Em 1456 com São João Capistrano, Franciscano, na Hungria. Em 1571 com os exércitos católicos reunidos por São Pio V, na batalha naval de Lepanto. Em 1601, com São Lourenço de Brindisi, capuchinho, também na Hungria. Em 1683, com Sobieski, rei da Polônia, em Viena. Em 722 com Don Pelayo, em Covadonga no norte da Espanha, marcando o início da reconquista da Espanha pelos católicos que se concluiu em 1492 com os chamados Reis Católicos, Isabel e Fenando. São alguns exemplos de como o catolicismo sempre resistiu frontalmente ao islã. O primeiro desses castigos é, então, o islã. O segundo castigo é o abandono dos homens à sua própria cegueira, ao seu próprio orgulho e às suas próprias paixões. Esse segundo castigo é, sem dúvida, o pior. Peçamos a Deus misericórdia, como faz o publicano, misericórdia para nós e para a sociedade.

Em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo. Amém.