[Sermão] A oração orgulhosa, oração humilde e o orgulho de uma sociedade

Sermão para o 10º Domingo depois de Pentecostes

24.07.2016 – Pe Daniel P Pinheiro

Em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo. Amém.

Ave Maria…

Consideremos, caros católicos, a parábola de hoje. Nosso Senhor diz que dois homens subiram ao templo para rezar, um fariseu e um publicano. Subiram ao templo fisicamente, pois o templo se encontrava sobre um monte, chamado Moria, mas a subida significa também que a oração é a elevação da alma a Deus.

Todavia, bem diferente foi a oração de cada um desses dois homens. Vejamos o que podemos aprender com cada um deles. Primeiro, com o fariseu, para repetir o que ele fez bem e para evitar o que ele fez mal. O fariseu se dirige ao templo para rezar, o que é uma coisa boa. O templo é o lugar de oração por excelência. Devemos nós rezar na Igreja na medida do possível. Ele enumera boas obras, que devemos procurar também fazer: ele não é ladrão, não é injusto nem adúltero. Devemos nós ser justos e praticar a castidade segundo o nosso estado. Ele jejuava e pagava o dízimo. Devemos nós fazer mortificações e ajudar no sustento da Igreja e de seus ministros.

A oração do fariseu, porém, foi desagradável a Deus por dois motivos: orgulho e desprezo do próximo. Com a boca somente, o fariseu agradece a Deus pelas suas boas obras, pois fica claro que ele atribui as suas boas obras a ele mesmo e não a Deus. Ele se considera perfeito e não um pecador. O fariseu não pede nada a Deus, dando a entender que não precisa de nada de Deus, pois já tem todas as virtudes e perfeições adquiridas pelos seus próprios esforços. Ele não pede perdão pelos seus pecados, pois julga não possuí-los. Ele não pede perdão pelos pecados de que talvez não se lembre ou que foram cometidos sem que ele notasse. Ele basta a si mesmo e é ele – não Deus – a causa de suas boas obras. O fariseu faz uma oração orgulhosa, exaltando de modo desordenado a própria excelência, não reconhecendo que tudo o que fazemos de bem nos vem de Deus.

A oração do fariseu não foi uma oração humilde. A humildade é verdade e justiça. A humildade é verdade, quer dizer, é reconhecer nossas qualidades e defeitos, nossas virtudes e vícios. E a humildade é justiça (atribuir a cada um o que lhe é devido), quer dizer, atribuir a Deus as nossas qualidades e virtudes e atribuir somente a nós nossos defeitos e vícios. São Paulo, por exemplo, enumera várias de suas obras, mas não se vangloria nem se exalta, pois reconhece com profunda humildade que tudo isso se faz pela graça de Deus, reconhece que tudo de bom que ele tem lhe foi dado por Deus. Como estamos distantes da santidade de São Paulo, não convém muito enumerarmos nossas eventuais boas obras, pois dificilmente estaremos isentos de orgulho. O fariseu em sua oração não é humilde. Ele falta com a humildade porque não reconhece toda a verdade ao não reconhecer seus defeitos e pecados, mas apenas as suas boas obras. E ele falta com a humildade também porque não atribui realmente a Deus as boas obras, mas somente com a boca.

Do orgulho, o fariseu passa ao desprezo do próximo e ao juízo temerário com relação ao próximo. Ao nos exaltarmos indevidamente, é quase natural que passemos a desprezar os outros, pois ficamos cegos para os nossos defeitos, mas tendemos a ver facilmente os defeitos dos outros e a exagerá-los. Tendo se exaltado de modo tão desordenado e esquecido de Deus, saiu de lá o fariseu humilhado, isto é, sem a graça divina.

Devemos tirar de sua oração orgulhosa uma importante lição para a vida espiritual: quando fazemos boas obras, quando começamos a avançar no caminho da virtude, o demônio tentará nos fazer cair pelo orgulho, fazendo que nos exaltemos e que esqueçamos que a causa de tudo é Deus. Ao contrário, devemos sempre manter a humildade, reconhecendo que somos pobres pecadores e que, se fazemos algum bem, por menor que seja, é pela graça de Deus.

Nossa oração, ao contrário da oração do fariseu, deve ser humilde, o que nos leva à oração do publicano. O publicano não se atreve a se aproximar do altar. Aqui, devemos considerar não tanto o aspecto físico, mas o que significa isso espiritualmente. Essa distância significa que, se reconhecendo pecador, ele estima ser indigno de se aproximar de Deus, que é a própria santidade, como os leprosos que não ousavam se aproximar de Cristo e que de longe imploravam a sua misericórdia. Segundo, para significar que, por seus pecados, ele se afastou de Deus, como o filho pródigo que deixou a terra do pai e foi para uma terra longínqua. De fato, pelos nossos pecados, nos tornamos indignos de nos aproximar de Deus e nos afastamos dEle.

Em seguida, nos é dito que o publicano não levantava os olhos. Aqui também devemos considerar mais o significado espiritual do que o aspecto físico. Não ousava levantar os olhos por vergonha de ter pecado contra Deus, de ter ofendido a Deus, que é o sumo bem e infinitamente amável. Não levantava os olhos para significar que, com o pecado mortal, não poderemos chegar ao céu e ver Deus face a face.

E o publicano batia no peito, para significar o seu coração despedaçado pela ofensa cometida a Deus, para significar o arrependimento pelos seus pecados. O publicano sabe que Deus é misericordioso e que está pronto para perdoar, se estamos verdadeiramente arrependidos, isto é, se reconhecemos o mal que fizemos, se detestamos esse mal e se nos determinamos a não mais pecar.

A oração humilde do publicano agradou a Deus. Ele reconheceu seus pecados, reconheceu que a culpa era sua e, com verdadeiro arrependimento e grande confiança, pediu a Deus misericórdia. Tendo se humilhado ao reconhecer seus pecados e ao implorar a divina justiça, saiu de lá o publicano, exaltado, isto é, com a graça de Deus. É o que devemos fazer.

O orgulho, caros católicos, pode ser também coletivo, pode ser um orgulho da sociedade. Infelizmente, vivemos hoje em uma sociedade orgulhosa que se baseia no non serviam, no não servirei do demônio. Uma sociedade esquecida dos direitos invioláveis de Deus sobre a humanidade e sobre todas as coisas, uma sociedade que não cumpre os seus deveres para com Deus, mas que, ao contrário, se baseia na autonomia total com relação a Deus e à sua Igreja. E mais do que em uma autonomia, a sociedade moderna se baseia em uma revolta contra Deus e favorece essa revolta contra Deus nos indivíduos. Quantos, por um orgulho que os cega, terminam abandonando a Igreja ou terminam não praticando a religião católica. O orgulho pode ser não somente individual, mas também da sociedade. Vivemos em uma sociedade orgulhosa incapaz de reconhecer que seus problemas são causados por ela mesma e por seu abandono a Deus e incapaz de reconhecer que todo o bem tem Deus como fonte.

Quando os judeus, por orgulho, se tornavam infiéis a Deus, abandonando-o e confiando em falsos deuses, Deus os castigava, humilhando-os, de algum modo, muitas vezes entregando-os nas mãos de seus inimigos. Hoje, com a revolta da sociedade moderna, Deus usa basicamente dois castigos, para humilhá-la. O primeiro desses castigos é o islã, sempre considerado, ao longo da história, um flagelo na mão de Deus. Apenas o catolicismo foi capaz, ao longo da história de deter o islamismo. Em 732, com Carlos Martel, em Poitiers, praticamente no coração da França. Em 1456 com São João Capistrano, Franciscano, na Hungria. Em 1571 com os exércitos católicos reunidos por São Pio V, na batalha naval de Lepanto. Em 1601, com São Lourenço de Brindisi, capuchinho, também na Hungria. Em 1683, com Sobieski, rei da Polônia, em Viena. Em 722 com Don Pelayo, em Covadonga no norte da Espanha, marcando o início da reconquista da Espanha pelos católicos que se concluiu em 1492 com os chamados Reis Católicos, Isabel e Fenando. São alguns exemplos de como o catolicismo sempre resistiu frontalmente ao islã. O primeiro desses castigos é, então, o islã. O segundo castigo é o abandono dos homens à sua própria cegueira, ao seu próprio orgulho e às suas próprias paixões. Esse segundo castigo é, sem dúvida, o pior. Peçamos a Deus misericórdia, como faz o publicano, misericórdia para nós e para a sociedade.

Em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo. Amém.

[Sermão] O combate pela virtude da castidade (2ª versão)

Sermão para o 9º Domingo depois de Pentecostes

17.07.2016 – Padre Daniel Pinheiro, IBP

Em nome do Pai…

Ave Maria…

“Nem nos demos a impurezas, como alguns deles, e morreram num dia vinte e três mil.”

Diz o Santo Cura d’Ars que nenhum pecado destrói tão rapidamente a alma quanto esse pecado vergonhoso que nos tira da mão de Deus e nos joga na lama. São Tomás de Aquino diz algo semelhante: pela luxúria ou impureza somos afastados ao máximo de Deus. Os santos não estão dizendo aqui que o pecado da impureza é, em si mesmo, o pecado mais grave. O pecado de ódio a Deus ou um pecado contra a fé são em si mais graves, por exemplo. Todavia, os santos dizem que a impureza afasta mais de Deus que outros pecados em razão da dificuldade em emendar-se quando se contrai o mau hábito de cair nesses pecados vergonhosos de impureza. Levado pela ferida do pecado original, o ser humano se deixa escravizar facilmente por esse pecado. E daí vêm consequências gravíssimas.

Sobre as consequências drásticas desse pecado para uma alma e para a sociedade, sobre as filhas da luxúria ou impureza, falamos em um importante sermão nos dias do carnaval. Não custa enumerar essas consequências novamente. O vício da impureza gera: cegueira de espírito, precipitação, inconsideração, inconstância, amor desordenado de si mesmo, ódio a Deus, apego à vida presente, desespero com relação à salvação. A luxúria, por tudo isso, leva também a pessoa, com o tempo, a perder a fé, a desprezar as verdades reveladas e a se obstinar no pecado, esquecida do juízo e do inferno. Para fazer uma alma perder a fé, é muitas vezes mais eficaz fazê-la se afundar na luxúria do que combater a fé diretamente. As músicas sensuais pelas letras e ritmos, filmes, séries de TV, roupas indecentes, etc., contribuem muitíssimo para a perda da fé sem atacá-la diretamente. Os que combatem a Igreja sabem muito bem disso. Podemos citar ainda, entre as filhas da luxúria, o aborto, que é assassinato, e a eutanásia, que é suicídio ou homicídio. A luxúria leva ao aborto porque as pessoas querem satisfazer suas paixões desordenadas sem responsabilidade. Leva à eutanásia porque se a pessoa já não pode aproveitar a vida, melhor que morra. Quantos males gravíssimos e quantas calamidades espirituais são causados pela busca de um prazer desordenado instantâneo, passageiro. Se de nada vale ao homem ganhar o mundo inteiro, se ele vier a perder a sua alma, o quanto vale ao homem cometer tão vergonhoso e torpe pecado, que lhe faz perder o céu e merecer o inferno? Diz Santo Afonso que, entre os adultos, são poucos os que se salvam por causa desse pecado. Ele dizia isso no século XVIII. Podemos imaginar a situação em nossos dias… Por tão pouca e vergonhosa coisa.

Tendo, então, uma breve ideia das consequências desse pecado, procuremos os meios para adquirir ou avançar na virtude oposta a esse vício, quer dizer, na virtude da castidade. A virtude da castidade é a virtude derivada da virtude de temperança que nos faz ordenar o apetite venéreo/carnal conforme a razão iluminada pela fé, que reconhece que tais atos se reservam aos cônjuges no bom uso do matrimônio, isto é, sem que a procriação seja impedida, podendo, nesse caso, ser verdadeiramente um ato meritório diante Deus. Nossa razão reconhece que esse ato é ordenado à procriação e à subsequente educação dos filhos, que se faz devidamente dentro de um matrimônio indissolúvel.

Para que possa haver castidade, é preciso que haja, primeiro, nos diz São Tomás, a vergonha e a honestidade. A vergonha é o sentimento louvável de temer a desonra e a confusão que são consequências de um pecado tão baixo. A honestidade é o amor à beleza que provém da prática da virtude. Devemos ter essa vergonha e essa honestidade. Outra raiz da pureza é a modéstia no nosso exterior, isto é, no falar (evitando palavrões, palavras de duplo sentido, piadas baixas, palavras chulas), nos modos, no vestir, etc. Sem a modéstia no nosso exterior, a pureza será impossível para nós e seremos também causa da queda para os outros. É impossível encontrar um homem imoral na linguagem e puro nos costumes (Catecismo Católico Popular).

Colocadas essas bases, para alcançar a castidade, é preciso também rezar muitíssimo, pedindo essa graça. Rezar, sobretudo, para Nossa Senhora, Mãe Castíssima, que sabe ensinar a seus filhos a castidade. A devoção das três Ave-Marias quando se acorda e antes de dormir, pedindo a graça da pureza é muito eficaz para se adquirir a pureza ou para perseverar nela. Também a devoção a São José é muito eficaz no combate pela pureza, pela castidade, sobretudo para os homens. São José ensina aos homens a verdadeira virilidade, que consiste em ter o domínio sobre suas paixões. O homem que se deixa levar pelas paixões, pela impureza, é considerado, em nossa sociedade decadente, como viril. Ora, esse homem é, ao contrário, efeminado, pois efeminado, tecnicamente, é aquele que se deixa levar pelas paixões, pelas más inclinações, que não tem força para combatê-las e vencê-las. O homem que se deixa levar pelas paixões é um fraco, pois não tem força para enfrentar as dificuldades que existem na prática da virtude. Portanto, a devoção a São José vai nos ensinar a verdadeira virilidade, que traz consigo a castidade. Como diz o Salmo (30, 25): Agi com virilidade e fortalecei o vosso coração, vós que esperais no Senhor. Viriliter agite et confortetur cor vestrum qui speratis in Domino.  Outro meio para manter a castidade é invocar o nome de Jesus, Maria e José na hora das tentações. Eles são de uma eficácia particular para se guardar a pureza.

Para sermos castos, é preciso também mortificar os sentidos, sobretudo os olhos. Jó fez um pacto com seus olhos para não olhar para as moças e, assim, se manteve casto. Diz-se de São Luís Gonzaga que, após passar um tempo na corte na Espanha, ele não conseguia distinguir visualmente a Rainha da Espanha das outras mulheres, pois jamais havia levantando seus olhos para vê-las. Evitar a vã curiosidade, não parar os olhos em algo que possa suscitar maus pensamentos ou imaginações. Mortificar a curiosidade mesmo no que é lícito, para mais facilmente vencer o que é ilícito. E é preciso mortificar nossa imaginação, controlando-a, ordenando-a, não a deixando passear por esses pensamentos.

É preciso evitar também as ocasiões de pecado, isto é, os ambientes, as pessoas, as coisas, as circunstâncias que podem levar a pecados contra a pureza. Muito cuidado é necessário no namoro ou no noivado. Namorados e noivos devem estar sempre em locais públicos com outras pessoas de boa consciência que lhes impeçam de cometer pecados contra a pureza. Devem evitar andar de carro sozinhos, por exemplo. Namoro e noivado devem durar entre um e dois anos, tempo suficiente para conhecer a alma do outro e que impede o surgimento de familiaridades indevidas. Bastaria um beijo apaixonado para haver um pecado grave entre (conforme decreto do Santo Ofício de 1666, sob o Papa Alexandre VII). Os pecados contra a pureza aqui prejudicam também o correto juízo que se deve fazer da alma do outro, de suas qualidades e defeitos, a fim de saber se é possível ou não viver uma vida inteira com a pessoa… Levada pelos sentimentos e paixões, o julgamento será falseado. Sobre isso já tratamos com detalhes em outro sermão.

Outra ocasião de pecado muito séria hoje é o computador, o celular, a internet. Deve-se usar a internet com um objetivo preciso, definido, fazendo uma oração antes ou depois. Quem navega à toa na internet dificilmente se preserva de pecado nessa matéria. Redes sociais também são grande fonte de perigo. Se uma pessoa já caiu várias vezes por meio de internet, reze antes de usá-la, coloque uma imagem de Nosso Senhor ou Nossa Senhora perto, para lembrar a presença de Deus, utilize o computador em local público, a que outras pessoas têm acesso. Se nada disso adianta, a solução é simples: renunciar à internet, ao menos temporariamente. Mais vale entrar no céu sem internet do que com ela ser condenado eternamente. O mesmo vale para TV, filmes, séries e coisas do gênero. É preciso lembrar-se sempre de que o mais oculto dos pecados é conhecido por Deus e será conhecido por todos no dia do juízo. É preciso fugir das ocasiões de pecado. Como diz São Felipe Neri, na guerra contra esse vício, os vitoriosos são os covardes, quer dizer, aqueles que fogem das ocasiões de pecado.

Além da oração, da mortificação dos sentidos e da fuga das ocasiões, é preciso evitar a ociosidade. A ociosidade é mãe de inúmeros pecados, a começar pela impureza. O Rei Davi pecou cometendo adultério e homicídio porque em um momento de ociosidade olhou para a mulher do próximo. Evitar a ociosidade organizando e ocupando bem o tempo.

É preciso também mortificar-se, fazendo penitências, jejuns, abstinência de carne. Devemos começar observando a penitência da sexta-feira imposta pela Igreja, procurando fazê-la do modo tradicional, quer dizer, nos abstendo de carne. As mortificações facilitam o domínio da razão e da vontade sobre as paixões. É preciso mortificar-se em coisas lícitas para aprender a vencer a si mesmo na hora da tentação. É preciso, de modo particular, ter uma sobriedade imensa no beber álcool.

No combate pela castidade, é preciso se aproximar dos sacramentos com frequência. É preciso se confessar com frequência não só depois da queda, mas também para evitá-la. Aqueles que têm o vício da luxúria ou impureza devem procurar a confissão uma vez por semana, ou pelo menos uma vez a cada duas semanas, mesmo que tenham apenas pecados veniais. É preciso comungar com frequência, estando em estado de graça, para evitar quedas futuras. Com o método preventivo e não só curativo, se impede que o pecado lance raízes mais profundas.

É preciso também pensar no inferno, na condenação eterna que se merece por tão pouca coisa, por algo tão passageiro e instantâneo. Perde-se o céu, se merece o inferno, se crucifica Nosso Senhor novamente por pecado tão baixo, tão vil. Usar dessa faculdade fora do matrimônio, nos assemelha aos animais brutos, irracionais. Como diz São Tomás, o impuro não vive segundo a razão. Portanto, é preciso pensar no inferno e na nossa morte, da qual não sabemos o dia nem a hora. Não devemos adiar nossa conversão. Pode ser que Deus não nos dê a graça da conversão depois. É preciso aproveitá-la agora. Aquele que vive afogado nesse pecado, está muito próximo da condenação eterna. Deve colocar a mão na consciência e emendar-se decididamente. Não falo isso para que haja desespero, mas para que a pessoa se emende o quanto antes com todo vigor, sendo fiel às graças divinas.

Na hora da tentação propriamente dita, é preciso rezar. Em particular, invocando o nome de Jesus, Maria e José. É preciso, igualmente, pensar em outra coisa, distrair o pensamento com algo bom, lícito, ainda que sem importância, como enumerar as capitais dos estados, por exemplo. O importante é que ocupemos a imaginação e o pensamento com outra coisa. É preciso cortar a tentação imediatamente. E enquanto durar a tentação, continuar o combate. Se cair, procurar levantar-se o quanto antes, buscando a confissão com verdadeiro arrependimento e propósito de emenda. Existe uma tendência em desmoronar depois da primeira queda, cometendo outros pecados de impureza. Isso agrava muitíssimo as coisas, multiplicando os pecados, as penas, solidificando o mau hábito, dificultando tremendamente a conversão.

Quem tem o vício da impureza não deve desesperar, mas deve se apoiar em Deus, em Nossa Senhora, nos anjos e santos e aplicar os meios que mencionamos com muita determinação. Não basta um eu quisera, um eu gostaria. Também não adianta dizer: eu não consigo. Com a graça de Deus, consegue. Mas a decisão de vencer o pecado impuro, contra a castidade, tem que ser um eu quero firme, disposto a empregar os meios necessários para atingir o fim buscado, que é a pureza.  Só vai conseguir vencer esse pecado aquele que empregar seriamente os meios que mencionamos. Ao ser humano, pode parecer impossível livrar-se de tal pecado uma vez que se contraiu o vício. De fato, não é fácil. Mas com Deus é perfeitamente possível. Quem realmente quer se livrar desse vício e se apoia em Deus, consegue ter uma vida pura. Aqueles que não têm tal vício devem continuar vigiando e rezando, desconfiando de si, pois se acharem que não estão mais em perigo de cair nesses pecados de impureza, cairão.

Combater pela pureza é necessário. Devemos fazê-lo com determinação e rezando muito. Diz Santo Agostinho que nessa espécie de pecado a batalha é de muitos, mas que a vitória é de poucos. Mas bem determinados, vigiando, rezando, empregando os meios que citamos, é plenamente possível. E que grande liberdade nos dá a castidade, que grande alegria viver segundo a razão e a fé e ter a nossa alma voltada para as coisas do céu e não mergulhada em coisas baixas desse mundo.

Dirijo-me agora aos pais e aos que ajudam na educação das crianças. Os pais devem vigiar e favorecer a pureza dos filhos desde a mais tenra idade, para que adquiram a vergonha e a honestidade, para que sejam modestos no falar, nos modos, nas vestes… Cabe aos pais evitar que os filhos adquiram maus hábitos nesse campo, ainda que os filhos não entendam a malícia do que estão fazendo, pois depois não conseguirão se livrar do vício. Cuidado pais, cuidado com as crianças. Vejamos o que diz Pio XII: “Por desgraça, às vezes acontece que pais cristãos com tantos cuidados na educação de um filho ou de uma filha, que são mantidos sempre longe dos perigosos prazeres e das más companhias, de repente vêem os filhos, com a idade de 18 ou 20 anos, vítimas de miseráveis e escandalosas quedas: o bom grão que semearam foi arruinado pela cizânia. Quem foi o inimigo do homem que fez tanto mal? O que ocorreu foi que no próprio lar, nesse pequeno paraíso, se introduziu furtivamente o tentador, o inimigo astuto, e encontrou ali o fruto corruptor para oferecer a mãos inocentes. Um livro deixado por acaso na mesa do pai foi o que destruiu no filho a fé de seu batismo, um romance abandonado no sofá ou no quarto pela mãe foi o que ofuscou na filha a pureza de sua primeira comunhão.” Até aqui o Papa. A cizânia pode entrar ao se folhearem revistas de notícias ou jornais largados na casa. A cizânia pode entrar pela televisão por um trecho do jornal televiso a que a criança assistiu por acaso. A cizânia pode entrar pelas propagandas e pelos vídeos sugeridos quando a criança assiste sozinha a vídeos inocentes na internet. Ela pode entrar ao se deixar a criança navegando na internet sozinha.  Vigiem, pais, vigiem pela alma dos filhos. Por favor, mantenham-nos longe de usar sozinhas a internet, smartphones e tablets, em que podem acessar verdadeiramente qualquer coisa. Muitas vezes, é procurando algo inocente que surgem as piores coisas na internet. E por curiosidade no início e malícia depois, a criança ou o jovem verá coisas impuras. Os pais que entregam aos filhos em formação coisas desse tipo odeiam os filhos. Que, antes de usar esses meios, já tenha sido formada neles uma virtude sólida.  Eles já veem tanta coisa ruim mundo afora. Que ao menos dentro de casa possam encontrar a pureza e a virtude, a começar pelo exemplo dos pais.

De que vale ganhar o mundo inteiro se viermos a perder a nossa alma? De que vale uma satisfação instantânea, tão passageira, tão baixa, e que nos faz perder o céu, merecer o inferno e que crucifica novamente Nosso Senhor? Confiando em Deus, desconfiando de nós mesmos, com uma determinação muito determinada, sejamos castos e puros.

Em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo Amém.

[Aviso] Conferência e Escapulário

Salve Maria!

A pedido do Padre Daniel Pinheiro, publicamos os seguintes lembretes:

  1. Hoje, sexta-feira, 15/07, Conferência de julho após a Missa(19h30): Alguns aspectos práticos da liturgia. Entre outros: repostas da Missa, pronúncia do latim, postura, manuseio e explicação do Missal. Trazer o Missal de fiéis (quem tiver). A primeira Conferência de julho, em 08/07, teve por tema: Os princípios da maçonaria, inconciliáveis com a Igreja Católica.
  2. Sábado, 16/07, Festa de Nossa Senhora do Carmo e Imposição do Escapulário após a Missa (8h30).
  3. Domingo, 17/07, Imposição do Escapulário após as Missas da manhã e da noite.
  4. Haverá Escapulários à venda na lojinha São Francisco de Sales.

Veja mais sobre o Escapulário

[Notícia] Ordenações do Instituto Bom Pastor em Bordeaux

Te Deum laudamus: te Dominum confitemur.
Te æternum Patrem omnis terra veneratur.

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Ordenações Sacerdotais em Bordeaux, 25 de junho de 2016 (Foto: Pedro Zucchi)

Com grande alegria noticiamos que neste sábado, dia 25 de junho, Festa de São Guilherme Abade, ocorreu mais uma cerimônia de ordenação do Instituto Bom Pastor na Paróquia Saint-Éloi, na cidade de Bordeaux, França. Sua Excelência Revma. Dom François Bacqué, Núncio Apostólico e Arcebispo Titular de Gradisca, ordenou cinco novos sacerdotes e também cinco novos diáconos. Entre os sacerdotes, dois brasileiros: Padre José Luiz Zucchi, de São Paulo, e o Padre Thiago Bonifácio da Silva, de Belo Horizonte; também  foram ordenados sacerdotes um francês, Pe. Guillaume Touche, um chileno, Pe. Adolfo Hormazábal, e um polonês, Pe. Wojciech Pobudkowski. Entre os diáconos, também mais dois brasileiros – o Diác. Ivan Chudzik e o Diác. Marcos Vinicius Mattke, ambos do Paraná. Continuar lendo