[Sermão] Os bens do matrimônio e os três presentes dos reis magos

Sermão para a Solenidade Externa da Epifania

08.01.2016 – Padre Daniel Pinheiro, IBP

 

Em nome do Pai, e do Filho e do Espírito Santo. Amém.

Ave Maria…

A Festa da Epifania é Festa importantíssima. Na Epifania, pouco depois do nascimento do Salvador, nós vemos esses três reis pagãos, irem até Belém para adorar o Menino Deus. Eles significam a vocação dos pagãos, são as primícias dos pagãos que se converterão a Jesus Cristo. Esses três reis reconheciam o Menino Jesus como rei, como Deus e como homem. Assim, levaram ouro, que é o presente dado aos reis. Ouro que é o metal mais precioso e que não se corrompe. Levaram incenso que é oferecido somente a Deus. Na antiguidade, quando queriam que os cristãos negassem o Deus único e verdadeiro, uno e trino, tentavam fazer que eles oferecessem ao menos um grão de incenso aos deuses pagãos, falsos deuses. Oferecer o incenso é um ato de latria, quer dizer, de adoração, o que se pode fazer somente a Deus. Levaram mirra, que serve para embalsamar o corpo e que tem um gosto amargo. Significa o sofrimento e a morte, quer dizer, significa que Jesus Cristo vai sofrer e morrer, que Ele é homem, portanto. Já temos uma bela confissão de fé feita por esses três reis pagãos e logo no início do Evangelho: Cristo é Rei, Deus e homem. A Epifania era a festa mais expressiva da Realeza de Cristo, antes de ser criada a Festa de Cristo Rei. Na Epifania e nos acontecimentos que a circundam, vemos como todos reconhecem que o Menino que nasceu é Rei. Os magos perguntam a Herodes onde está o rei dos judeus, que nasceu. Herodes não contesta isso. Ao contrário, tanto acredita que vai procurar matar o Menino Jesus depois, com medo de perder o seu reinado terrestre, já que não entendeu que o reinado de Cristo é espiritual em primeiro lugar. E toda a cidade se perturbou junto com Herodes diante de tal pergunta, mas ninguém parece ter negado a realeza de Cristo. Os príncipes dos sacerdotes e os escribas do povo também não questionam. Ao contrário, dizem que ele deve nascer em Belém. Todos afirmam a realeza de Cristo. Os três reis magos vêm para adorar o rei dos judeus. Como dissemos, o ouro significa a realeza de Cristo. Mas os outros dois presentes indicam também a realeza de Cristo, pois mostram a causa dessa realeza: Cristo é rei porque é Deus e Cristo é rei porque adquiriu domínio sobre nós com sua morte na cruz.

Hoje, esse primeiro domingo depois da Epifania (Festa da Epifania que é no dia 6), é dedicado à Sagrada Família. Nós podemos fazer um paralelo entre os dons dos reis magos e os bens do matrimônio. Os reis magos oferecem ouro, incenso, mirra, três bens que receberam de Deus e que oferecem de volta a Deus. No matrimônio, os esposos recebem de Deus três bens: a fidelidade conjugal, a indissolubilidade e os filhos. A fidelidade conjugal é como o ouro, pois permite que a união conjugal persevere intacta ao longo dos anos, das décadas. Como o ouro verdadeiro brilha de modo claro, a fidelidade conjugal faz resplandecer a beleza do matrimônio. A fidelidade é um tesouro preciosíssimo, que deve ser guardado e incrementado com todo o zelo. O ouro serve como base e medida para outras riquezas. Assim, a fidelidade conjugal é muitas vezes a base para a felicidade no lar, pois é ela que gera e favorece a confiança, é ela que permite o desenvolvimento da estima e o aperfeiçoamento do amor conjugal. O ouro para conservar sua beleza e esplendor deve ser puro. A fidelidade conjugal para dar todos os seus frutos deve ser inteira, em tudo, nos pensamentos, nos olhares… Em tudo se deve guardar a mais pura fidelidade no matrimônio. Esse é um bem que os esposos receberam no matrimônio e que devem oferecer a Jesus.

O segundo bem do matrimônio é a indissolubilidade, significada pelo incenso. A indissolubilidade permite que os cônjuges realmente se apoiem um no outro, com a certeza de que não serão abandonados nas dificuldades. E ela permite a devida educação dos filhos, com um pai e uma mãe, cada uma fazendo a parte que lhe cabe na educação da criança e do jovem. A indissolubilidade no matrimônio deve ser reflexo da união indissolúvel entre Cristo e a Igreja. Cristo tem uma só Igreja e isso até o fim do mundo. A marido tem uma só esposa e a esposa um só marido e isso até que a morte os separe. Mas por que razão a indissolubilidade pode ser associada ao incenso? Precisamente porque ela é reflexo da união entre Cristo e a Igreja. A indissolubilidade mais claramente expressa o caráter sobrenatural da união matrimonial e o seu caráter sacramental junto com as graças associadas ao sacramento. O incenso significa a divindade de Cristo. A indissolubilidade lembra que a união estre os esposos é reflexo da união entre Cristo e a Igreja, lembra que se trata de um sacramento, de algo instituído por Deus, e lembra aos esposos o dever de fidelidade à graça e de pedir a Deus as graças necessárias para o matrimônio.

O terceiro bem do matrimônio é a prole, os filhos. A mirra como dissemos, por seu relativo amargor, representa o sofrimento, o sacrifício de Cristo. A obra de gerar e de educar os filhos envolve sofrimento e sacrifícios. Na geração dos filhos, os esposos se associam a Deus criador. Na educação dos filhos, eles se associam a Deus redentor. E a redenção se faz com sacrifício. Todavia, além do amargor, a mirra tem um cheiro agradável e serve para preservar o corpo dos mortos da corrupção. Gerar e educar os filhos exige sacrifícios, mas é também uma grande alegria. Nosso Senhor sofreu e morreu para ressuscitar. Pelos sacrifícios na geração e educação dos filhos, os pais preparam, para os filhos e para si mesmos, a felicidade eterna no céu e a felicidade possível já aqui nesse mundo.

Enumeramos aqui esses três bens do matrimônio sem pretender colocá-los em ordem, mas seguindo a ordem mais comum dos presentes trazidos pelos reis magos: ouro, incenso e mirra. A ordem dos bens do matrimônio é: filhos, fidelidade e indissolubilidade.

Que três bens esplêndidos esses do matrimônio – filhos, fidelidade, indissolubilidade – que Deus deu aos esposos e que os esposos devem oferecer de volta a Deus.

Em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo. Amém.

[Sermão] Dia de São Silvestre: Restrospectiva 2016

Sermão para o Dia de São Silvestre

31.12.2016 – Pe Daniel Pinheiro, IBP

Em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo. Amém.

Ave Maria…

Estamos no último dia do ano de 2016. Foi mais um ano de provações, como sempre. Estamos aqui nessa terra, que é um vale de lágrimas. Claro, repleto também de verdadeiras alegrias. Continuamos as provações em nosso país com a crise na economia, com a crise na vida política, com a crise moral, com a crise na sociedade, de modo geral. Cada vez maiores dificuldades para a prática de nossa santa religião. Uma oposição cada vez mais ferrenha à lei natural e também à lei divina, com consequências cada vez piores em virtude da difusão da ideologia de gênero, por exemplo. Uma sociedade em que a vida do próximo não tem praticamente valor, em que se mata por um nada ou por algum punhado de dinheiro. Uma sociedade em que querem matar os mais indefesos, as crianças não nascidas. O Supremo Tribunal Federal continua, infelizmente, caminhando no sentido de aprovar e promover todas as ideologias absurdas anticristãs, contrárias à lei natural e mesmo ao simples bom-senso.  No mundo, continuamos vendo o flagelo islâmico, propagando-se brutalmente. De um lado, esse flagelo islâmico. Do outro o liberalismo, com capa de esquerda ou de direita. Os países, tendo abandonado a fé católica e tendo aderido ao laicismo, já não podem resistir ao islamismo e nem à própria decadência moral e social advinda do liberalismo de todo os matizes. Precisamos rezar pelo nosso país e pelo mundo. Precisamos fazer a nossa parte, começando por santificar a nós mesmos e as nossas famílias e buscando que a lei de Cristo seja observada em toda a sociedade. As dificuldades, as provações são também meios que Deus nos dá para exercer a virtude, para suportar os males com paciência, para vencê-los com a virtude contrária e, sobretudo, com o amor a Deus.

Turbulência também na Santa Igreja Católica, em particular, com os frutos que ainda saem do Sínodo dos Bispos. Na verdade, os frutos saem da causa mais profunda que é o modernismo, baseado nos princípios da filosofia moderna subjetivista. O modernismo tem a intenção de adaptar a Igreja à mentalidade dos homens da época, como se o homem fosse o centro de tudo. Nós vivemos a época do culto do homem, da divinização do homem. Tudo deve ser feito para agradar à sensibilidade do homem e à sua mentalidade atual. Assim, alguns dizem que também a Igreja deve ter esse culto do homem e se adaptar a ao homem, para não ficar ultrapassada. Deve adaptar sua doutrina, sua moral, sua liturgia, de forma que que o homem seja o centro em tudo. Infelizmente, podemos perceber claramente em muitas coisas essa reviravolta, mesmo dentro da Igreja. Deve ser, porém, o contrário. São a inteligência e a vontade dos homens que devem se submeter à verdade imutável ensinada sempre pela Igreja. Nem sempre a verdade agrada a sensibilidade. E daí? Não somos animais que buscam sempre o que agrada. Somos seres dotados de inteligência e de vontade que buscam a verdade e o bem, ainda que desagradem em certas circunstâncias. Encontraremos na verdade e no bem e no belo não algo que agrada momentaneamente a sensibilidade, mas encontraremos algo que nos traz a verdadeira felicidade. Deus é a Verdade e causa de toda verdade. Deus é o Bem e causa de todo bem. Deus é o Belo e causa de todo belo.  Deus não muda. Sua Revelação não muda. A doutrina católica não muda. A moral católica não muda. A liturgia católica não pode mudar radicalmente e sem basear-se em princípios muito claros. Deus é o centro. Não é o homem. A Igreja guardará a sua juventude e frescor na medida em que permanece como uma rocha na doutrina e na moral de Cristo. Na medida em que utiliza meios semelhantes aos meios que tanto funcionaram ao longo dos séculos para converter as almas. Hoje se buscam tantos e tantos meios de evangelização e se esquece do principal: pregar a doutrina de Cristo tal como Ele a ensinou para os apóstolos e tal como a Igreja sempre nos transmitiu. A fórmula para reenvagelizar os povos é simples: pregar o Evangelho. Sem mutilações. Sem adaptações. Sem acréscimos. Sem atenuações. Sem querer conciliar Cristo e o mundo. Pregar o Evangelho, isto é, a doutrina da Igreja.

Que alguns Bispos da Santa Igreja Católica discutam certa legitimidade de atos e uniões contra a natureza é algo difícil de acreditar. Que se discuta também admitir à comunhão quem se encontra objetivamente em estado de pecado mortal, em adultério ou outro, é igualmente um absurdo. Confundir misericórdia com o relaxamento da lei de Cristo e da Igreja é afastar-se inteiramente do Evangelho. Contrapor justiça e misericórdia é igualmente um grande erro. Em Deus, as duas coisas estão perfeitamente harmonizadas. Deus é Misericórdia e é Justiça. O pecado continua, sim, a existir. A moral da Igreja, que é a moral de Cristo, continua a mesma de sempre. O casamento continua indissolúvel, e entre um só homem e uma só mulher.

Devemos, em meio a essa crise, que atinge todos os níveis hierárquicos da Igreja, guardar bem todos os princípios católicos. Devemos exercer a romanidade, amando profundamente o Santo Padre (respeitando-o e rezando por ele) e comportando-nos sem servilismo – que é a obediência a ordens ilegítimas – e sem desobediência – que é rebeldia a ordens legítimas da autoridade legítima. Alguns grupos parecem, às vezes, querer medir a temperatura para declarar um cisma, para declarar que o Papa Francisco não é mais o Papa. Seria uma solução pior que o problema. A doutrina católica é clara: se uma autoridade erra em um ponto ou ordem, não se obedece nesse ponto ou ordem, mas se obedece em todas as suas outras ordens legítimas.

Mais uma vez, caros católicos, devemos começar pelo cuidado das nossas famílias, combater o bom combate e guardar a fé e a caridade. De pouco adianta ser um paladino da Missa no Rito Romano Tradicional e da moral católica, se, com os nossos pecados mortais não combatidos seriamente, cooperamos para o reino do demônio. Não é suficiente louvar a Cristo com a boca, se o crucificamos com nossos pecados. É preciso amar, defender e propagar a liturgia tradicional, bem como defender e propagar, na sociedade, a doutrina e a moral católicas, sobretudo guardando a fé e observando os mandamentos de Cristo. Devemos nutrir a nossa fé e a nossa alma não com redes sociais, nem com fotos de internet com uma frase atribuída a alguém ou com mera informação, mas com os tesouros da espiritualidade e da fé católicas: os bons livros, que são nossos melhores amigos.

Essas provações, permitidas por Deus, devemos aproveitá-las para a nossa santificação. Tudo cooperará, efetivamente para o bem do justo (Rom. VIII, 28), que, nos bens e nos males, sabe encontrar meios para sua santificação e para estender o reino de Cristo na sua alma e na sociedade.

Foi o ano em que continuamos a apontar três erros muito em voga entre os católicos mais sérios: (1) O primeiro erro é a redução dos problemas somente ao comunismo e socialismo, como se fossem os únicos males do mundo, esquecendo-se do liberalismo (Sermão: Verdadeira liberdade x liberalismo)  e do modernismo (Sermão: Modernismo, a pior das heresias), esquecendo-se da crise da Igreja que tampouco se resume à teologia da libertação. Aliado a isso, tendência, na prática, a reduzir o problema a algo meramente político ou puramente natural, esquecendo-se de que se trata de um combate espiritual, sobrenatural. Lembremo-nos sempre do que dizia o Cardeal Pie, grande defensor, no século XIX, da realeza social de Nosso Senhor Jesus Cristo. Ele afirmava que a “questão social será resolvida pela questão religiosa, e a questão religiosa diz respeito sobretudo à questão do culto.” Podemos acrescentar: a questão do culto diz respeito sobretudo à questão da Missa. Dentro dessa redução dos problemas somente ao comunismo, apontamos os graves erros da direita que se desenvolve no Brasil e no mundo, às vezes com uma capa de catolicismo (Sermão: Nem direita, nem esquerda, nem centro. Sejamos católicos). Uma direita eivada de liberalismo, já condenado pela Igreja, mesmo o liberalismo econômico (Sermão: A doutrina social da Igreja: socialismo ou liberalismo econômico? Nem socialismo nem liberalismo econômico). Uma direita, muitas vezes, com fundo esotérico. Uma direita próxima da maçonaria, inimiga jurada da Igreja. Uma direita que dissemina sutilmente seus erros com fachada de catolicismo e que muitos, católicos, com os olhos embaçados, não percebem. Uma direita que, sob pretexto de alta cultura e política (alta cultura que é pretexto constante da maçonaria para difundir as suas ideias, como menciona o Abbé Barbier no seu livro Les infiltrations maçonniques dans l’Église), destrói uma verdadeira restauração de todas as coisas em Cristo.  Querem conciliar direitismo e catolicismo e lei natural. Essa conciliação é impossível. Uma direita que adere, muitas vezes, ao gravíssimo erro do perenialismo, que afirma que todas as religiões são a expressão de uma única religião, que chamam de religião perene, sabedoria perene ou filosofia perene (esse último termo às vezes usado também para designar a filosofia aristotélico-tomista), como se a religião católica não fosse a única verdadeira, e como se não estivesse em contradição com as outras. Uma direita chamada conservadora, mas que se baseia, no mais das vezes, em autores que se fundamentam em filosofias modernas revolucionárias e que propagam a revolução de modo light como fizeram na revolução inglesa. Essa direita que surge tem, nas suas variadas vertentes, algum ou alguns desses erros. Direita, esquerda e centro sempre se uniram contra a Igreja. Monsenhor Jouin, elogiado por São Pio X, dizia que as coisas iriam melhorar quando os católicos não mais recuassem de suas convicções, quando os católicos retomassem a coragem mediante a prática das virtudes, quando retomassem a via do sacrifício para seguir o Messias pobre e sofredor, quando parassem de mendigar a salvação à direita e à esquerda e quando formassem o partido de Deus de que fala São Pio X (Encíclica E Supremi Apostolatus). Partido de Deus que não é, em primeiro lugar, um partido político.

(2) O segundo erro é o erro do aparicionismo, que é o apego a aparições que não são devidamente aprovadas pela Igreja ou o apego desordenado mesmo àquelas aprovadas pela Igreja, baseando toda a vida espiritual em aparições, muitas vezes com interpretações puramente pessoais delas. Chamamos a atenção também para grupos que sob a aparência de promoção à devoção a Nossa Senhora, em particular a Nossa Senhora de Fátima, tiram proveito da boa-fé e da boa vontade das pessoas para conseguir dinheiro. É preciso, claro, levar a sério as aparições aprovadas pela Igreja, mas sem fazer delas o fundamento de tudo.

(3) O terceiro erro é o do culto de personalidade, que consiste em tornar uma pessoa a referência única para a solução de todos os problemas, em substituição à Igreja, à hierarquia, e ter uma reverência desordenada a essa pessoa. Muitas vezes, isso vem aliado ao fato de impedir além de impedir as vocações sacerdotais e religiosas de florescerem e famílias católicas de se formarem.

Procuraremos continuar combatendo o bom combate e pregando o Evangelho de modo oportuno ou importuno, como diz São Paulo. Não devemos ser, porém, pessimistas desesperados. Nem otimistas ingênuos. Devemos ser realistas com esperança sobrenatural.

Assim, tivemos nesse ano grandes alegrias, é evidente. Começando pelo nosso singelo apostolado. A chegada do Padre Thiago para ajudar na propagação do Evangelho aqui na Capela Nossa Senhora das Dores após a partida do Padre Tomás para Belém. Muitas crianças nasceram no apostolado, e algo em torno de 20 batizados foram realizados. Inclusive um bom número de adultos batizados. Fizemos a devoção das 40 horas em reparação pelos pecados do carnaval. Tivemos uma belíssima Semana Santa na Capela, digna do céu, enquanto isso é possível. 12 crianças receberam a primeira comunhão. Uma magnífica cerimônia de Crisma com o Bispo Auxiliar de Brasília, Dom José Aparecido, com 16 crismados entre crianças e adultos. Missas públicas diárias. Devoção das primeiras sextas-feiras e dos primeiros sábados em reparação ao Sagrado Coração de Jesus e ao Imaculado Coração de Maria respectivamente. Entronização do Sagrado Coração de Jesus nos lares de muitas famílias, aguardando aquelas que ainda não a fizeram.  Nossa Senhora honrada no dia da Festa de suas Dores com bela Missa Solene a presença do Cardeal Dom José Freire Falcão. Terço com formação doutrinária e espiritual para pais e mães de famílias. Grupo para as meninas e para os meninos, a fim de se nutrirem desde cedo com doutrina e ambiente católicos e formarem o caráter e as virtudes. No total, mais ou menos 60 crianças presentes regularmente nesses grupos, o Grupo de Moças da Capela N. Sra. das Dores e a Sociedade da Alegria de Dom Bosco, Maior e Minor. Aulas de história da Igreja, que muito ajudam a responder aos ataques contra a Igreja. E, como disse, o Cardeal Newmann, conhecer profundamente a história é deixar de ser protestante, ou seja, é tornar-se católico. Tivemos formações sobre a Sagrada Escritura, importantes para compreender bem essa fonte da Revelação. O início das Conferências sobre a vida dos Santos. Conferências de Quaresma, do Advento, conferências de férias em julho. Esse ano tivemos também os primeiros retiros para homens e para mulheres. Logo dois para cada. Tivemos também o recolhimento para casais, para as jovens e para os jovens. Começaram as formações para as jovens mulheres e para os jovens homens. Comemoramos os dez anos de fundação do IBP. Aqui em Brasília, com Missa Pontifical no dia 8 de setembro, celebrada por Dom Fernando Guimarães, que esteve conosco também no Domingo de Páscoa. Dez anos do IBP comemorados igualmente em Roma, com Missa celebrada pelo Cardeal Dario Castrillon Hoyos. Tivemos também os bons momentos com nossas tradicionais confraternizações após festas importantes. Tivemos a Festa de São João, a Festa dos Santos. Foi um ano em que Deus e Nossa Senhora das Dores nos permitiram implementar várias coisas úteis para o progresso individual de cada um e das famílias e continuar com várias outras. Se estamos ainda aquém do ideal, já demos, com a graça divina, alguns passos. É preciso que aproveitem tudo isso, caros católicos, o máximo que puderem. Minha viva exortação para que participem das atividades aqui da Capela e se deixem formar pela doutrina e pela espiritualidade católicas.

O mundo precisa de famílias católicas. Precisa, ainda mais, de bons padres. E, como insistimos algumas vezes, as duas coisas caminham conjuntamente: a família católica e o sacerdócio católico. Não pode haver restauração de tudo em Cristo sem as duas coisas trabalhando em união.

A expansão, ainda que pouco a pouco e com obstáculos, da Missa Tradicional é inegável. E com a propagação da Missa Tradicional, propaga-se também a fé católica com todo seu vigor, com toda a sua clareza. E com a fé católica vêm todos os bens, naturais e sobrenaturais. A Missa é o centro de tudo, já que é a renovação nos altares do sacrifício de Cristo no calvário.

Nesse último dia do ano, é bom pararmos e refletirmos, caros católicos. Como anda a minha alma? O que fiz nesse ano para santificá-la? Aproveitei essa liturgia imemorial, esse tesouro da fé e da piedade para aproximar-me de Deus? Aproveitei os meios que tenho à disposição para me santificar e santificar a minha família? Procurei formar-me bom católico? Procurei cumprir bem os meus deveres de estado? Como jovem homem ou mulher, procuro me preparar espiritualmente, humanamente e profissionalmente para o matrimônio ou para a vocação religiosa? Procuro atingir a maturidade espiritual e humana? Tenho cumprido meus deveres de estudante? De filho? Como pai de família, tenho assumido a responsabilidade pelo bem espiritual de minha família, tenho buscado agir para o bem da família e não o meu próprio? Tenho feito o que devo para a educação dos filhos? Estou consciente de que a santificação da família depende em grande parte de minha santificação? Tenho me esforçado para garantir também o sustento material de minha família? Como mãe de família, tenho sido generosa diante dos necessários sacrifícios quotidianos e muitas vezes escondidos ou tenho murmurado? Tenho me preocupado com a educação dos filhos? Tenho me preocupado com a saúde do lar? E como cristão, tenho me acomodado? Aproveitei os sacramentos e sacramentais? Comunguei com boas disposições, com fervor? Procurei a confissão com boa disposição e com frequência? Rezei o Santo Terço diariamente? Tive uma devoção real e não meramente sentimental a Nossa Senhora? Procurei pensar nas coisas do alto? Fiz as orações diárias? Da manhã? Da noite? A meditação? A leitura espiritual?

Aproveitemos esse próximo ano que se inicia e peçamos a Deus a fidelidade à sua graça. Peçamos a Deus a docilidade diante dos ensinamentos de sempre da Santa Igreja. Peçamos a Deus a graça de receber bem e com frequência os sacramentos. Peçamos a graça de fortalecer a nossa fé diante das tormentas. Peçamos a perseverança nos bons propósitos. Peçamos a Ele a santificação de nossas famílias, dos cônjuges e das crianças. Peçamos a Ele, com toda a força da nossa alma, a graça de sermos verdadeiramente santos.

Agradeçamos a Deus pelo ano que passou, também pelas cruzes. A todos, um santo ano de 2017.

Em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo. Amém.

Calendário Litúrgico do Rito Romano Tradicional – Ano 2017

Calendário Litúrgico 2017, de acordo com o Rito Romano Tradicional (com o próprio das festas celebradas no Brasil), disponível para aquisição na livraria da Capela Nossa Senhora das Dores ou por meio da loja virtual.

Acesse o site Calendarium Liturgicum para obter mais informações sobre preço, pedidos, etc.

Para destacar a importância de se acompanhar o calendário litúrgico da Igreja Católica ao longo do ano, repetimos aqui trechos de um sermão do Padre Daniel Pinheiro, IBP, publicado neste blog.

“O ano litúrgico com seus tempos próprios, com suas graças próprias, não devem ser para nós algo distante e sem muito sentido. Ao contrário, o ano litúrgico, com seus tempos e suas festas, devem ditar o ritmo da nossa vida. Uma sociedade cristã se deixa influenciar profundamente pelo calendário da Santa Igreja.”

“A liturgia católica, que se desenrola ao longo de todo o ano litúrgico, é o nosso maior tesouro, caros católicos. É por meio dela que se formam as famílias católicas sólidas. É por meio dela que se forjam as almas sacerdotais e religiosas. É por meio dela que se forja uma sociedade cristã.  Que importância tem a Sagrada Liturgia! Não se voltarão em grande quantidade as almas a Deus se não houver uma restauração litúrgica. A liturgia precisa voltar a se centrar em Deus. A liturgia precisa voltar a expressar claramente as verdades católicas. É exatamente isso o que faz a liturgia tradicional, também chamada de tridentina. Essa velha liturgia, sempre nova, centrada em Deus. Essa velha liturgia que alegra a alma da juventude católica (juventude espiritual, do novo homem constituído pela graça divina). Essa velha liturgia, sempre jovem porque reflete a eternidade da Santíssima Trindade. Deixemo-nos, caros católicos, impregnar pela liturgia católica.”

[Aviso] Dia 31/12 e 1º/01

Programação na Capela Nossa Senhora das Dores:

  1. Dia 31/12, Missa às 17h00. Confissões a partir de 16h30 e durante a Missa.
  2. A Missa do dia 31/12 é seguida do Te Deum cantado diante do Santíssimo Exposto. O Te Deum cantado na Igreja no ultimo dia do ano é indulgenciado com indulgência plenária nas condições habituais.
  3. Dia 1º/01, horários de um domingo normal: 10h00 Missa cantada e 19h00 Missa rezada.
  4. As Missas do dia 1º são precedidas do canto do Veni Creator. O Veni Creator cantado na Igreja no primeiro dia do ano é indulgenciado com indulgência plenária nas condições habituais.
  5. Condições para a indulgência plenária: cumprir a obra (os cantos, no caso), confessar, comungar, estar desapegado de todo pecado venial e mortal e rezar nas intenções (fixas) do Papa. Confissão e comunhão podem ser oito dias antes ou depois do cumprimento da obra.

9º Dia da Novena de Natal – Santo Afonso de Ligório

Seria conveniente fazer a meditação da Novena em família e rezar o Santo Terço em seguida.

Aqui está o arquivo PDF com a Novena completa: Novena de Natal Completa

Horários da Novena na Capela Nossa Senhora das Dores:

 

De 19/12 a 23/12: 19h30

24/12: 8h30

Meditações de Santo Afonso de Ligório para a Novena de Natal

9º Dia – 24 de dezembro

 Novena de Natal IX

Ascendit autem et Joseph… ut profiteretur cum Maria desponsata sibi uxore praegnante.

José foi também… para se recensear juntamente com sua esposa Maria que estava grávida. (Lc 2,4).

Deus havia decretado que seu Filho nascesse não na casa de José, mas numa gruta, num estábulo, da maneira mais po­bre e mais penosa que possa nascer uma criança; e por isso dispôs que César publicasse um edito pelo qual cada um era obrigado a ir inscrever-se no lugar de sua origem

Ao receber essa ordem, José ficou inquieto não sabendo se devia deixar ou levar consigo a Virgem Mãe, pois ela estava para dar à luz. — Minha Esposa e Senhora, disse-lhe, de um lado não vos quero deixar só, e do outro, se vos levar comigo fico aflito pensando no muito que tereis de sofrer em tão longa viagem e tão rigorosa estação; minha pobreza não me permite conduzir-vos com os devidos cuidados. — Maria, porém, encorajou-o dizendo: Meu caro José, não temais; irei convosco e o Senhor nos ajudará. — Ela sabia por inspiração e pelo conhe­cimento que tinha da profecia de Miquéias, que o divino Menino devia nascer em Belém. Tomou, pois, as faixas e os pobres pa­ninhos já preparados, e pôs-se a caminho com José: Ascendit autem et Joseph… ut profiteretur cum Maria.

Acompanhemos os santos esposos em sua viagem consi­derando as piedosas conversas que nessa viagem deviam ter tido sobre a misericórdia, a bondade, e o amor do Verbo divino, que iria logo nascer e aparecer no mundo para a salva­ção dos homens. Consideremos ainda os louvores e as bên­çãos, as ações de graça, os atos de humildade e amor, que de caminho faziam esses dois nobres peregrinos. Ela sofria cer­tamente muito, essa jovem e tenra virgem prestes a dar à luz, fazendo trajeto tão longo, por caminhos difíceis e no tempo do inverno; mas sofria em paz e com amor, e oferecia a Deus to­das as suas penas unindo-as às de Jesus que levava em seu casto seio.

Ah! unamo-nos a Maria e a José, e acompanhemos com eles o Rei do céu, que vai nascer numa caverna e fazer sua primeira aparição no mundo como uma criança, e como a cri­ança mais pobre e abandonada que jamais nasceu entre os homens. Peçamos a Jesus, Maria e José, pelos méritos das penas que sofrem nessa viagem, nos acompanhem na viagem que fazemos à eternidade. Felizes de nós, se na vida e na mor­te formos sempre acompanhados por esses três grandes per­sonagens!

Afetos e Súplicas

Meu caro Redentor, sei que os anjos do céu vos acompanham nessa viagem; mas entre os habitantes da terra, quais são os que vos acompanham? Vejo convosco só José e Maria que vos leva em seu seio; ó meu Jesus, permiti que me una a eles para vos seguir. Ah! tenho sido bem ingrato para convosco! Vejo agora o mal que fiz: descestes do céu para me fazer com­panhia na terra, e eu tive tantas vezes a ingratidão de deixar-vos, ofendendo-vos. Ó meu divino Mestre, quando penso que para seguir minhas malditas inclinações tantas vezes me sepa­rei de vós renunciando à vossa amizade, quisera morrer de dor. Mas viestes para perdoar-me; perdoai-me pois agora me arrependo de toda a minha alma de vos ter tantas vezes des­prezado e abandonado. Estou resolvido e espero, com a vossa graça, não me afastar nem separar de vós, meu único amor! Sim, minha alma está tomada de amor por vós, meu amável Deus-Menino! Amo-vos, meu doce Salvador, e já que viestes à terra para me salvar e me comunicar as vossas graças, eis a única que vos peço: fazei que me não separe jamais de vós; cativai-me prendendo-me estreitamente a vós pelas doces ca­deias do vosso santo amor. Ah! meu Redentor e meu Deus, quem poderia ainda deixar-vos e viver sem vós, privado da vossa graça?

Santíssima Virgem Maria, venho fazer-vos companhia em vossa viagem a Belém; e vós, minha Mãe, não cesseis de aju­dar-me na viagem que faço à eternidade. Assisti-me sempre, mas sobretudo no fim da minha vida, quando eu chegar a esse último momento que deve decidir se estarei, ou sempre con­vosco para amar a Jesus no céu, ou sempre longe de vós para odiar a Jesus no inferno. Minha Rainha, salvai-me com vossa intercessão; e a minha salvação seja amar-vos para sempre, a Jesus e a vós, no tempo e na eternidade. Sois minha esperan­ça, espero tudo de vós.

8º Dia da Novena de Natal – Santo Afonso de Ligório. Antífona – O Emmanuel

Seria conveniente fazer a meditação da Novena em família e rezar o Santo Terço em seguida.

Aqui está o arquivo PDF com a Novena completa: Novena de Natal Completa

Horários da Novena na Capela Nossa Senhora das Dores:

 

De 19/12 a 23/12: 19h30

24/12: 8h30

Meditações de Santo Afonso de Ligório para a Novena de Natal

8º Dia – 23 de dezembro

 Novena de Natal VIII

Apparuit gratia Dei Salvatoris nostri omnibus hominibus, erudiens nos, ut… pie vivamus in hoc saeculo, expectans beatam spem et adventum gloriae magni Dei et Salvatoris nostri Jesu Christi

A graça de Deus nosso Salvador apareceu a todos os homens e nos ensinou a viver no século presente com piedade aguardando a beatitude que esperamos, e a vinda da glória de nosso grande Deus e Salvador Jesus Cristo (Tt 2,11)

Considera que por essa graça de que aqui fala o apóstolo, entende-se o ardente amor de Jesus Cristo aos homens, amor que não merecemos e que por essa razão é chamada graça.

Esse amor em Deus foi sempre o mesmo, mas não apareceu sempre. Foi, primeiramente, prometido por um grande número de profecias e anunciado por muitas figuras; mas apareceu manifestamente quando o Redentor nasceu, quando o Verbo eterno se mostrou aos homens sob a forma duma criancinha, reclinada sobre palha, chorando e tremendo de frio, começan­do assim a satisfazer pelas penas por nós merecidas, e fazen­do-nos conhecer o afeto que nos tinha pelo sacrifício que fez de sua vida por nós. Nisto conhecemos o amor de Deus, diz S. João, em ter ele dado a sua Vida por nós,

Apareceu pois o amor do nosso Deus e apareceu a todos os homens: Omnibus hominibus, Mas por que não o conhece­ram todos, e, ainda hoje nem todos o conhecem? Eis como Jesus mesmo responde a essa pergunta .A luz veio ao mundo, e os homens preferiram as trevas à luz. Não o conheceram e não o conhecem porque não querem conhecê-lo, amando mais as trevas do pecado do que a luz da graça.   .        ‘

Procuremos não ser do número desses infelizes. Se no passado fechamos os olhos à luz pensando pouco no amor de Jesus Cristo, procuremos no resto da nossa vida não perder jamais de vista as dores e a morte de nosso Salvador, a fim de amarmos, como devemos, Aquele que tanto nos amou. Assim, teremos direito de esperar, segundo as divinas promessas, o belo paraíso que Jesus Cristo nos adquiriu com seu sangue: Esperando a beatitude, objeto de nossas esperanças e o glori­oso advento de nosso grande Deus e Salvador Jesus Cristo, No seu primeiro advento, Jesus veio sob a forma duma criança pobre e desprezada, nascida num estábulo, coberta de míseros paninhos e reclinada sobre palha; no segundo aparecerá como juiz sobre um trono glrioso. Eles verão o Filho do homem vir sobre as nuvens do céu, com grande poder e majestade. Feliz de quem o tiver amado! mas ai de quem o não tiver amado!

Afetos e Súplicas

Ó santo Menino, vejo-vos hoje sobre a palha, pobre, aflito e abandonado; mas sei que um dia vireis, para julgar-me, num trono resplendente e cercado de anjos. Ah! perdoai-me antes desse dia terrível. Então, devereis agir como juiz rigoroso; mas hoje sois Redentor e Pai de misericórdia. Eu, ingrato, fui um dos que vos não conheceram, porque não quis conhecer-vos; eis por que em vez de pensar em amar-vos considerando o amor que me testemunhastes, só pensei em satisfazer-me desprezando vossa graça e vosso amor. Entrego agora nas vossas mãos a alma que perdi; salvai-a. Ponho em vós todas as minhas esperanças, sabendo que, para resgatar-me do in­ferno, destes o vosso sangue e a vossa vida: Redemisti me, Domine. Não me fizestes morrer quando estava em pecado, e esperastes-me com tanta paciência, a fim de que, caindo em mim e arrependido de vos haver ofendido, comece a amar-vos, e vós possais depois perdoar-me e salvar-me. Ó meu Jesus, quero corresponder a tanta bondade; arrependo-me sobre todas as coisas dos desgostos que vos dei; arrependo-me e amo-vos sobre todas as coisas. Salvai-me por vossa misericór­dia, e a minha salvação consista em amar-vos sempre nesta vida e na eternidade.

Maria, minha querida Mãe, recomendai-me a vosso divino Filho. Dizei-lhe que sou vosso servo e que pus em vós a minha esperança; ele vos ouve e nada vos recusa.

Antífona – Ó Emanuel

As belíssimas “Antífonas Ó” são as antífonas das Vésperas que antecedem a
Natividade de Nosso Senhor Jesus Cristo, do dia 17 ao dia 23. São uma obra-prima da liturgia católica. Deram origem ao título de Nossa Senhora do Ó.

 


Ó Emanuel, nosso Rei e Legislador, esperança e Salvação dos povos: vinde para
nos salvar, Senhor, Deus nosso.

7º Dia da Novena de Natal – Santo Afonso de Ligório. Antífona – O Rex gentium

Seria conveniente fazer a meditação da Novena em família e rezar o Santo Terço em seguida.

Aqui está o arquivo PDF com a Novena completa: Novena de Natal Completa

Horários da Novena na Capela Nossa Senhora das Dores:

 

De 19/12 a 23/12: 19h30

24/12: 8h30

Meditações de Santo Afonso de Ligório para a Novena de Natal

7º Dia – 22 de dezembro

 Novena de Natal VII

In própria venit, et sui eum non receperunt.

Veio para o que era seu, e os seus o não receberam (Jo 1, 11)

Um dia, durante as festas do Natal, S. Francisco de Assis andava chorando e suspirando pelos caminhos e florestas, e parecia inconsolável. Perguntaram-lhe a causa de sua dor e ele respondeu: “Como quereis que eu não chore, vendo que o amor não é amado? Vejo um Deus amar o homem até a loucura, e o homem ser tão ingrato a esse Deus!” Se a ingratidão dos homens afligia tanto o coração de S. Francisco, imaginemo-nos quanto mais afligiu o coração de Jesus Cristo.

Apenas concebido no seio de Maria, ele viu a cruel ingrati­dão, que devia receber dos homens. Viera do céu para acender na terra o fogo do amor divino; esse único motivo o levou a dei­xar-se imergir num abismo de dores e opróbrios: Vim trazer o fogo sobre a terra, e que quero senão que se inflame? E via um abismo de pecados que os homens iriam cometer depois de receberem tantas provas de seu amor! Eis, diz S. Bernardino de Sena, o que lhe causou uma dor infinita.    .

Nós mesmos sentimos pena insuportável vendo-nos tratados com ingratidão; é que, segundo a reflexão do bem-aventurado Simão de Cássia, muitas vezes a ingratidão aflige mais a nossa alma do que qualquer outra dor ao corpo. Qual não foi pois a dor de Jesus Cristo, nosso Deus, ao ver que cor­responderíamos a seus benefícios e amor com ofensas e injú­rias! Ele se queixou pela boca de Davi: Deram-me males em troca de bens, e ódio em troca do amor que eu lhes tinha; mas também hoje em dia parece que Jesus Cristo se lamenta: Sou como um estranho no meio de meus irmãos, por ver um grande número deles viver sem o amar e sem o conhecer, como se os não houvera beneficiado, e como se nada houvera sofrido por amor deles. Ah! que caso fazem hoje muitos cristãos do amor de Jesus Cristo? Nosso Senhor apareceu um dia ao bem-aventurado Henrique Suso sob a forma dum peregrino a men­digar de porta em porta um abrigo; mas todos o repeliam injuri­ando-o grosseiramente. Quantos se parecem com aqueles de que falava Jó: Diziam a Deus: Retirai-vos de nós…; E isso de­pois que enchera suas casas de toda a sorte de bens.

No passado, também nós fomos ingratos; queremos ainda continuar a sê-lo? Oh! não: esse amável Menino, que do céu veio sofrer e morrer por nós para obter o nosso amor, não me­rece tal ingratidão.

Afetos e Súplicas

É pois verdade, meu Jesus, que descestes do céu para vos fazer amar de mim; viestes abraçar uma vida de penas e a morte da cruz por meu amor, a fim de abrir-vos a entrada do meu coração; e eu vos repeli tantas vezes dizendo: Recede a me, Domine: Retirai-vos de mim, Senhor; não vos quero! —Ah! se não fôsseis um Deus de bondade infinita, e se não tivésseis dado a vossa vida para perdoar-me, não ousaria pedir-vos per­dão. Mas ouço que vós mesmo me ofereceis a paz: Converteis-vos a mim, dizeis, e eu me converterei a vós. Pois bem, meu Jesus, vós a quem ofendi, vos fazeis meu intercessor. Não  quero pois fazer-vos ainda a injúria de desconfiar da vossa misericórdia. Arrependo-me de toda a minha alma de vos haver ofendido e desprezado, o Bem supremo; recebei-me em vossa graça, conjuro-vos pelo sangue que derramastes por mim. Não, meu Redentor e meu Pai, não sou digno de ser chamado vosso filho depois de haver tantas vezes renunciado ao vosso amor; mas vós com os vossos méritos me tornais digno dele. Agradeço-vos, meu Pai, agradeço-vos e amo-vos. Ah! já a lembrança da paciência com que me suportastes tantas anos e das graças que me prodigalizastes após tantos ultrajes da minha parte, deveria fazer-me arder sem cessar de amor por nós. Vinde, pois, meu Jesus, não quero mais repelir-vos; vinde habitar em meu pobre coração. Amo-vos e quero amar-Vos sempre; inflamai-me cada vez mais recordando-me sempre o amor que me tivestes.

Minha Rainha e minha Mãe, ajudai-me, pedi a Jesus por mim: fazei que durante o resto da minha vida, eu seja grato  para com esse Deus que tanto me te amado mesmo depois de haver recebido de mim tantas ofensas.

Antífona – Ó Rei das nações

As belíssimas “Antífonas Ó” são as antífonas das Vésperas que antecedem a
Natividade de Nosso Senhor Jesus Cristo, do dia 17 ao dia 23. São uma obra-prima da liturgia católica. Deram origem ao título de Nossa Senhora do Ó.

Ó Rei das nações e desejado por elas, pedra angular, que fazes do dois povos um só: vinde e salvai o homem que formaste do limo da terra.