[Sermão] Educar filhos convictos

Sermão para o 3º Domingo depois de Pentecostes

10.06.2018 – Padre Daniel Pereira Pinheiro, IBP

 

Em nome do Pai, e do Filho e do Espírito Santo. Amém.

Ave Maria…

 

O Evangelho de hoje nos fala da ovelha perdida e da dracma perdida. E Nosso Senhor mostra na parábola como Ele age em busca da salvação das almas. Gostaria, caros católicos, hoje de fazer algumas considerações para que evitemos, de nossa parte, que alguém se perca. Falo sobretudo aos pais com relação aos filhos. É importante considerarmos isso porque ocorre em muitos lugares do mundo vermos jovens que têm pouca convicção católica e pouca coerência na prática da religião católica, apesar de terem pais católicos sérios.

Antes de tudo, devemos compreender que a educação é obra, em primeiro lugar, dos pais. A educação ocorre principalmente na família. Sem a família, será quase impossível educar catolicamente alguém. Não bastariam uma excelente escola católica e uma excelente paróquia católica. Tudo isso, sem a família, adiantaria muito pouco na maioria esmagadora dos casos. Com a família, porém, é possível educar catolicamente, ainda que outros fatores não sejam tão favoráveis ou ainda que sejam mesmo contrários, como a falta de uma escola católica ou a falta de uma paróquia católica mais séria. Claro que o ideal deve ser buscado, e esse ideal é que haja a cooperação desses três fatores: família, Igreja e escola.

O que acontece é que vemos muitas vezes que há um problema de transmissão da fé para os filhos. Os filhos não apresentam convicção católica profunda. Isso apesar dos pais viverem uma vida católica correta e séria. Isso apesar dos pais levarem os filhos à catequese e a outras atividades. Os filhos vão assim seguindo, em linha geral as atitudes dos pais, mas não sabem explicar com profundidade o porquê das coisas. Sem essa convicção, não vão perseverar durante muito tempo. Aqui, caros católicos, em nossa Capela, no apostolado em Brasília estamos ainda no começo de nosso apostolado, que não chegou aos seus seis anos. Portanto, ainda podemos evitar esse mal quase universal, ou podemos lutar para evitar essa mal quase universal que é o problema da transmissão da fé e dessa convicção profunda na fé dos pais para os filhos.

As causas dessa falta de convicção dos filhos podem ser variadas. A primeira e mais óbvia pode ser uma falta de convicção mais profunda dos próprios pais. Às vezes, os próprios pais vão seguindo superficialmente, sem saber exatamente o que estão fazendo ou o porquê de estarem fazendo. Mas vão fazendo porque os conhecidos estão fazendo ou porque se sentem bem ou diferentes, ou porque se apegaram a alguma coisa de menor importância.

Essa falta de convicção dos filhos pode existir também em pais que têm uma convicção profunda, que se interessam mais seriamente pela doutrina da Igreja, que procuram praticá-la generosamente e que procuram entender as razões para isso. Como explicar então, a falta de convicção nos filhos em uma situação assim, em que os pais têm uma convicção mais profunda? Muitas vezes os pais não se dão conta que a convicção que eles têm não é ainda a convicção dos filhos. Não se dão conta que as lutas que enfrentaram são as suas lutas e não as dos filhos. Os pais têm convicção porque foram estudar, se interessaram, combateram para melhor servir a Deus, se opondo aos inimigos da alma. Então, os pais não se dão conta que essa convicção deles não é (ainda) a dos filhos.  Em alguns outros casos, os pais simplesmente se acomodam, dizendo: o ambiente familiar é bom, a Igreja que frequentamos é boa. E assim eles veem os filhos fazendo mais ou menos o que devem fazer e se contentam com isso. E esse comodismo tende a se agravar ainda mais quando há uma boa escola. Os pais tendem, então, a relaxar muito. Às vezes, vemos que as crianças fazem a primeira comunhão e a Crisma e depois praticamente não estudam mais nada da doutrina católica em casa e vão esquecendo aquele pouco que aprenderam. E pouco adiantaria acrescentarmos mais e mais anos de catequese, se os filhos não recebem esse estímulo em casa. Se não lêem o catecismo, se não lêem a vida dos santos e se não se interessam pelo que ensina a Igreja. Como se o catecismo preparatório para os sacramentos bastasse. De fato, não basta.  E assim os pais pensam que o filho já tem ou está formando uma convicção profunda. A tendência normal dos pais é sempre achar que seus filhos são diferentes e que com o próprio filho certas coisas não acontecem ou não acontecerão. Os filhos de cada um são exatamente iguais aos filhos de todo mundo. Não deve haver ilusão. Claro, tampouco deve haver pessimismo. Os pais muitas vezes acham que o filho está caminhando muito bem quando, na verdade, o filho segue, em linhas gerais, o que os pais estão fazendo porque não tem muita opção. Às vezes, os filhos não perguntam, não tiram dúvidas porque têm medo da reação dos pais. Às vezes, fazem coisas escondidas dos pais, sobretudo usando meios eletrônicos, e os pais nem imaginam. Às vezes, os filhos ainda não foram confrontados muito com o mundo e, portanto, ainda não tiveram como ceder ao mundo. E os pais acham que tudo está perfeito e, assim, não se dão ao trabalho de explicar as razões profundas das coisas aos filhos. E depois se espantam quando os filhos se entregam ao mundo quando são confrontados com ele, sobretudo quando saem de um ambiente mais controlado, indo, por exemplo, para a faculdade.

Caros católicos, se os pais não viverem profundamente a fé, se não explicarem as razões das coisas aos filhos, eles não serão bem educados e abandonarão logo a religião. A educação é dar os bons princípios, formar uma alma católica profundamente convicta para que a pessoa possa viver bem a sua liberdade, para que ela possa escolher viver bem como católica. Infelizmente, percebemos muitas vezes que isso não está acontecendo como deveria. Quando se pergunta a jovens de doze, treze anos, ou pouco mais ou pouco menos o que ele está fazendo aqui e a resposta não é muito clara ou é simplesmente um grande silêncio, nós temos um problema. E isso, de fato, tem acontecido. É preciso tomar tempo e explicar as coisas, ainda que os filhos não questionem. Mas os filhos são seres dotados de inteligência que precisam entender as razões das coisas. É preciso, então, explicá-las. Nós vamos à Missa Tridentina por causa disso e daquilo. Nosso pensamento com relação a tal coisa é esse por causa disso. Tais coisas são boas por esse motivo e outras aqui são ruins na vida por tal motivo. Nós nos vestimos assim por uma dada razão. Nós não nos divertimos com essas coisas aqui por causa disso e disso. Em tal situação, se ela ocorrer, você tem que se comportar de tal modo em função de tal princípio. Isso aqui devemos fazer por tal razão. Sem ir explicando cada vez mais as coisas conforme os filhos vão crescendo, eles nunca poderão se convencer verdadeiramente da verdade e vão abandoná-la.

Essas explicações, evidentemente, não precisam ser feitas em formato de aula. Deve-se aproveitar as situações da vida, deve-se também aproveitar as reuniões de família para isso. Inclusive, já falei isso em algumas outras ocasiões e gostaria de reiterar aqui mais claramente essa necessidade de que a família se reúna e que converse sobre assuntos sérios conjuntamente. É preciso que a família converse unida – pai, mãe e filhos – e que conversem sobre coisas relevantes. Separando mesmo, para isso, ao menos um momento na semana. Para falar de coisas importantes, para que sejam explicadas essas coisas para os filhos. Para que os pais falem de como foi a semana, para que possam mostrar aos filhos como lidar com as diversas situações. Para dar a eles um bom exemplo. Para ver também como foi a semana dos filhos, se querem falar sobre algo, se querem tirar alguma dúvida. Para ensiná-los a dominar as paixões e para ensiná-los a agir sempre com a razão iluminada pela fé. Para contar a eles, de modo adequado, a história da própria vida, como se formou a própria convicção católica, para que os filhos entendam os bons combates dos pais até que chegassem à vida católica.

Conheci uma família que mantinha uma reunião assim, de meia-hora, quarenta e cinco minutos no domingo. E nem era propriamente um contexto católico. Mas essa conversa ajudava a dar maturidade aos filhos, ajudava a mostrar o que era importante, ajudava a criar convicção, ajudava a mostrar o que os pais estavam fazendo pelos filhos, e tantas outras coisas. Essa reunião, essa conversa – pai, mãe e filhos – é uma coisa que se deve fazer, caros católicos. E que é plenamente possível. Não é uma coisa utópica. Se isso for impossível, será impossível viver catolicamente em família. Separem um tempo para isso. “Padre, eu faço isso, mas picado ao longo do dia e da semana.” Claro que se deve conversar em outros momentos e aproveitar ocasiões que surgem. E claro que será preciso conversar individualmente com cada filho também para tratar de suas situações mais particulares. Mas é muito bom separar esse período de conversa com a família inteira. Isso une a família e permite a transmissão da fé católica, para formar uma convicção profunda, para formar futuros homens e mulheres de caráter. Caros pais e mães, não se acomodem para criar a convicção católica nos filhos de vocês.

Essa é a parte dos pais. Claro que, em última instância, a decisão será do próprio filho, quando ele chegar em idade adulta. Cada um tem o seu livre arbítrio. Mas aos pais cabe dar os meios para que os filhos possam escolher bem, para que possam escolher Deus. E ainda que num primeiro momento o filho não escolha o que é bom, pode ser que toda a educação dada com todo o sacrifício dê frutos no momento oportuno. Mais adiante na vida, o filho pode parar e pensar: “de fato, meus pais tinham razão.”

Às vezes, o que falta também é os pais transmitirem aos filhos a grandeza de ser católico, a grandeza de combater o pecado, a grandeza e a heroicidade de lutar contra o mundo, entendido como aquilo que nos leva ao pecado. Falta transmitir aos filhos a grandeza que é servir a Nosso Senhor Jesus Cristo e a Nossa Senhora. A grandeza de sermos filhos fiéis da Igreja Católica Apostólica Romana. Falta transmitir a grandeza do que é a missão do católico: restaurar todas as coisas em Cristo, na sua escala, claro. E isso é grandioso. Muitas vezes, os pais não transmitem isso porque eles mesmos não se dão conta da grandeza do papel que desempenham. Imersos nas atividades do dia-a-dia, já não conseguem se dar conta da grandeza que tem a vida de um católico. Da grandeza que tem em formar uma família católica, fazendo todos os esforços para isso, sem fugir da Cruz. Caros pais e mães tenham sempre presente a grandeza de uma alma católica, a grandeza de uma família católica e mostrem isso para os filhos.

Quanto aos jovens que não chegaram aqui por conta própria, por convicção própria, mas que vêm trazidos pela família, evidentemente, isso é algo bom. Mas vocês precisam ser dóceis aos ensinamentos da Igreja e dos pais. Vocês precisam ter grande amor à verdade. Vocês precisam se interessar pela doutrina da Igreja Católica. Jovens, não se acomodem ou serão devorados pelo mundo, pelo pecado. É evidente que a juventude – a adolescência – é uma fase de combates internos: o querer ser independente, o querer se afirmar diante de colegas que vivem no mundo e para o mundo, o querer ser como todos os outros, as emoções que tendem a se tornar mais intensas, o próprio amadurecimento do corpo. Tudo isso vai gerar combates. O jovem precisa saber que a boa independência virá na medida em que ele deixar formar-se bem. Que a afirmação diante do mundo – ele deve compreender – não é se conformar ao mundo, mas lutar contra ele. Deve compreender que o amadurecimento do corpo tem por objetivo a geração dos filhos dentro do matrimônio. Deve compreender que as emoções devem ser ordenadas ao bem. Agindo assim, esse jovem amadurecerá e terá mais rapidamente uma boa independência, para servir melhor a Deus, para formar a sua própria família ou então para se consagrar ao serviço divino.

Aos jovens que chegaram aqui sozinhos e por convicção própria, alimentem essa convicção. Façam isso pela vida de oração, pela frequência aos sacramentos, pelo estudo ordenado da doutrina católica, pelas boas leituras. Não fiquem na superficialidade. Alimentem a alma e amadureçam também cada vez mais.

O objetivo principal desse sermão é evitar, na medida em que nos cabe, que a segunda geração – os filhos – vá se perdendo pouco a pouco no mundo. Que não se torne uma ovelha perdida. Isso acontecerá, se não for formada nos filhos essa convicção católica profunda. O objetivo principal é fazer que os filhos daqueles que chegaram aqui por conta própria tenham consciência do que estão fazendo e se entreguem, por convicção própria, profundamente a Deus. Ao, menos devemos dar a essas crianças e aos jovens, os meios para escolher bem. Procurar criar essa convicção é o dever principal de todos os pais.

 

Em nome do Pai, e do Filho e do Espírito Santo. Amém.

[Sermão] O sofrimento de quem quer servir a Cristo

Nesse sermão, o padre discorre sobre o sofrimento para aqueles que buscam servir a Nosso Senhor jesus Cristo. E como, assim, Ele vai purificando a alma e unindo-a a Si. Claro que há consolações, ainda que não abundantes durante essa purificação. Deus sabe que purificação convém para cada um de nós e a sua duração.

 

 

Sermão para a Festa do Sagrado Coração de Jesus

08.06.2018 – Padre Daniel Pereira Pinheiro, IBP

 

Em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo. Amém.

Ave Maria…

Caros católicos, nós não queremos sofrer. A grande pedra de tropeço na vida cristã é o sofrimento. O sofrimento é ainda um escândalo para quase todos nós. Muitos podem perguntar: padre, por que temos tão poucos santos, principalmente nos dias atuais? Porque diante do sofrimento, recuamos. Diante do sofrimento, retrocedemos. Diante do sofrimento, podemos mesmo chegar a abandonar a Deus. Se não entendermos o que é o sofrimento e como Deus age em nossa alma por meio do sofrimento, ainda não entendemos praticamente nada do que é ser um cristão. Para um cristão, não há outro caminho a não ser o caminho de Cristo: quem quiser vir após mim, tome a sua cruz, negue-se a si mesmo e siga-me. Nós, sendo pecadores, queremos nos assemelhar a Cristo sem passar pelo sofrimento. Queremos chegar à glória celeste, à vida bem-aventurada no céu sem passar pelo sofrimento ou querendo escolher o sofrimento que queremos aceitar. No fundo, queremos ser santos à nossa maneira, com os sofrimentos que desejamos ou que acreditamos razoáveis. Queremos ser santos como queremos ser santos. Isso não é possível. É Deus quem nos mostra como Ele quer que sejamos santos. É Deus que, por meio de tantos meios, e pelo sofrimento em particular vai nos fazer santos. Devemos renunciar a nós mesmos, à nossa vontade própria para sermos santos, claro, sempre na Igreja Católica, sempre com a fé católica, cumprindo os mandamentos e os nossos deveres de estado.

Alguns querem ser santos como idealizaram: sofrendo as tribulações que são honrosas, que trazem reconhecimento. Carregando as cruzes que idealizaram. Isso não é amar a cruz, mas a honra, o reconhecimento, é amar a si mesmo. Outros estariam dispostos a suportar o mal, desde que não fossem incomodados em seus desígnios ou desde que não sofressem tal coisa em particular. Diante do mal, nos diz São Francisco de Sales, devemos opor os remédios que forem possíveis e conformes à vontade de Deus. Feito isto, devemos esperar com inteira resignação o que Deus achar melhor. Se Lhe agrada que os remédios afastem o mal, devemos agradecer-Lhe com humildade. Mas se Lhe agrada que a provação perdure, devemos agradecê-lO e louvá-lO com paciência.  Nossa cruz nunca é maior que as nossas forças sustentadas pela graça divina. ”Meu Deus, essa cruz eu não aguento”. Isso não existe e no fundo é uma blasfêmia contra a justiça de Deus e a Sua sabedoria e bondade. Se Deus nos dá uma cruz, nos dá também as graças para carregá-la.

O caminho para atingir a santidade vai sendo, então, traçado por Deus ao longo de nossa vida. Jamais seremos santos como queremos, ou segundo o modo que nos agrada de sermos santos. Para sermos santos, é preciso que renunciemos a nós mesmos, tomemos a nossa cruz e sigamos a Cristo.

O sofrimento tem, basicamente, caros católicos, dois sentidos: o primeiro e mais básico é a reparação pelos nossos pecados. Diante de um só pecado nosso, ainda que venial, mereceríamos uma pena que nem podemos imaginar. Muitas vezes ouvimos: “Meu Deus, o que eu fiz para merecer isso?” Alguém que compreende a maldade de um só pecado venial, nunca ousará fazer tal questionamento a Deus. Pelo pecado, ofendemos a Deus apegando-nos à nossa própria vontade e o ofendendo. Pelo sofrimento, ocorre algo contrário à nossa vontade para que possamos suportar bem, adquirir virtudes e dar, assim, maior glória a Deus, glória externa de Deus que retiramos pelos nossos pecados. O primeiro e mais básico sentido do sofrimento é, assim, o de ser uma reparação a Deus pelos nossos pecados. Se os sofrimentos fossem apenas isso, já seriam uma coisa excelente, justíssima, sábia, pois os sofrimentos restabelecem a ordem lesada pelos nossos pecados.

O sofrimento, porém, tem ainda um outro sentido: nos santificar. Sem sofrimento, não podemos ser santos. Sem sofrimento não podemos ser santos? O que dizemos? Sem muito sofrimento não podemos ser santos!  E isso é claro, caros católicos. Para sermos santos precisamos ser purificados de nossos pecados, de nossos defeitos, de nossas más inclinações, de nossas imperfeições. Devemos ser purificados de nossos apegos. Essa purificação tem por objetivo justamente fazer que nos apoiemos inteiramente em Deus. A purificação de todas essas inclinações desordenadas nos fará necessariamente sofrer. E ela nos levará, então, como dissemos, a nos fazer com que apoiemos inteiramente em Deus. Que amemos a Deus por Ele mesmo. Deus vai, então, purificar a nossa alma, dando aridezes, permitindo dificuldades que antes não tínhamos nas orações, na prática dos mandamentos. Parece quase que Deus no abandonou. Ele pode ir permitindo todo tipo de provação e, muitas vezes ao mesmo tempo, as mais variadas provações, os mais variados e tremendos sofrimentos: perseguições, zombarias, problemas no seio da família, enfermidades, problemas econômicos, incompreensões mesmo da parte dos bons, problemas nas amizades. Também tentações muito baixas e persistentes. Deus sabe o que convém para cada um de nós, a fim de nos purificar. E devemos aceitar isso. A pessoa, então, muitas vezes vê o seu mundo praticamente desmoronar diante dela. Parece realmente que estamos perdendo tudo. Mas podemos justamente, sofrendo em união com o Sagrado Coração de Jesus, ganhar tudo, amar a Deus perfeitamente. E é isso que Deus quer com esses sofrimentos, com qualquer sofrimento: que o amemos perfeitamente.

Diante de todo esse sofrimento, algumas almas não compreendem e dizem: “Antes, eu me sentia melhor e tinha um grande entusiasmo para servir a Deus. Eu tenho rezado, tenho procurado servir a Deus e meu sofrimento só está aumentando. Não está dando certo. Vou voltar ao meu sentimentalismo de antes, ao meu grupo de antes. Eu me sentia melhor.” Essa alma, coitada, desconhece a ação de Deus que vai purificando a alma. E ela vai procurar consolações cada vez mais indignas.

Diante desse sofrimento tremendo, outras almas abandonam tudo: “Meu Deus, eu tenho procurado Vos servir e só recebo sofrimentos em troca. Não tenho mais confiança em Vós. Pedi a graça de ser santo e recebi apenas sofrimentos. Deus é injusto.” Ainda que essa alma não pronuncie essa última palavra – Deus é injusto – é esse o fundo do seu pensamento. Essa alma torna-se, então, uma alma rancorosa para com Deus. Se não mudar rapidamente de atitude, a tendência é abandonar a religião. Também essa alma não entende a ação bondosa de Deus nela e como Ele quer que ela seja santa.

Diante desse sofrimento tremendo, algumas poucas almas saberão se portar como verdadeiras almas católicas. Elas compreendem o que Deus está procurando fazer… Compreendem, ainda que de modo obscuro, que o amor de Deus quer conduzi-las à santidade. Elas sabem que para isso é preciso que elas sejam purificadas e que essa purificação vem pelo sofrimento. Essas almas compreendem o amor de Deus nessas cruzes. Elas continuarão fazendo, diante desses mais terríveis tormentos e provações, diante desse aparente abandono completo de Deus, elas continuarão fazendo tudo o que têm feito. Elas continuarão rezando do mesmo jeito ou melhor. Elas continuarão servindo a Deus do mesmo jeito ou melhor, apesar de sentir um desgosto nisso. Elas continuarão a cumprir seus deveres de estado do mesmo jeito ou ainda melhor. Elas cumprirão a rotina do mesmo jeito ou melhor, sem procurar mudanças bruscas que poderiam supostamente confortá-la. Essa alma compreende, ainda que de modo obscuro, que as tentações, por piores que sejam e por mais persistentes que sejam, são apenas tentações e não um pecado. Ela combate essas tentações firmemente, mas serenamente, sem se perturbar, sem se agitar. Sabe que pode adquirir virtudes nesse combate. Tomemos o exemplo de Santa Joana de Chantal. Tendo se tornado viúva e depois conhecido São Francisco de Sales, fundou a Ordem da Visitação. Levava uma vida santa e tinha tormentos tremendos, tentações baixas, tentações de largar a vida religiosa e de voltar ao mundo. O que fez Santa Joana de Chantal? Continuou como estava, nas mesmas ações dentro do Convento. Então, essa alma sabe que nessas tentações mais tremendas pode adquirir virtudes. Essa alma católica não fica jogando a culpa de todos os problemas nos outros: meu marido isso, minha esposa aquilo, meus filhos não sei o quê, minhas amizades aquilo outro, meus superiores isso, o padre não seio o quê. Em vez de ficar murmurando, essa alma aproveita tudo isso para se santificar, para deixar que Deus a purifique. Compreendendo tudo isso, ela compreende o valor do sofrimento e como o sofrimento a assemelha mais a Jesus Cristo. Essa alma compreende que em meio a tudo isso Deus está mais presente do que nunca. Ela vai passando da mera resignação diante do sofrimento à alegria no sofrimento, por compreender o valor dele. Pouco a pouco. Nos meios desses sofrimentos tremendos, inúmeras vezes essa alma não compreenderá tão bem, ou quase nada do que Deus está fazendo ou daquilo que Deus quer exatamente dela. Mas ela continua servindo a Deus generosamente. Ela não olha voluntariamente para o mundo. Podem vir tentações de voltar a uma vida mundana, mas ela permanece firme, mesmo sem entender o que Deus quer exatamente. Essa alma confia em Deus. Ela sabe que o que não é de Deus leva à vaidade. Essa alma sabe que tudo é vaidade. Essa alma, então, não tropeça nos sofrimentos, se ela confia em Deus se ela pede a graça divina. Essa alma, não abandona o caminho da santidade. Essa alma não tem medo de sofrer por Deus, pois não se apoia em si mesma, mas em Deus e em Maria Santíssima.

Infelizmente, algumas almas até compreendem um pouco essa ação de Deus, mas preferem não sofrer e desistem da santidade e colocam a própria salvação em considerável perigo.

“Padre, que sofrimento tremendo esse que o senhor descreveu: sensação de abandono de Deus, aridez nas orações, perseguições, problemas na família, incompreensões mesmo dos bons, problemas nas amizades, problemas econômicos e de todo tipo. Que sofrimento tremendo. Ainda bem que é coisa rápida”. Depende muito. São Francisco de Assis, por exemplo, foi sendo assim purificado durante dez anos. Santa Teresa d’Ávila durante dezoito anos. Santa Clara de Montefalco durante quinze anos. Santa Maria Madalena de Pazzi durante cinco anos e depois mais dezesseis anos. Santa Catarina de Bolonha durante cinco anos. Quando lemos a vida dos santos, às vezes, tudo parece muito simples. Não nos damos conta dos sofrimentos tremendos pelos quais passaram. “São Francisco de Assis botou fora os tecidos de seu pai e depois viveu tranquilo para o resto da vida.” Não é bem assim. Dez anos para ele nessas tremendas purificações, unindo-se cada vez mais a Deus, compreendendo cada vez mais o valor do sofrimento e passando a se alegrar cada vez mais com eles. Parece muito bonito o sofrimento da vida dos santos. Mas quando Deus quer nos fazer santos com sofrimentos e purificações semelhantes, recusamos, não compreendemos. Porque somos orgulhosos, achando que não merecemos sofrer.  Desprezamos, assim, uma grande graça. Quem pede para ser santo – e deve ser o pedido principal e mesmo obrigatório de cada um de nós – pede para sofrer. Necessariamente.

A graça que devemos pedir ao amorosíssimo Coração de Jesus é essa graça de sofrer bem, de compreender a ação de Deus em nossa alma.

É preciso sofrer e todos têm de sofrer. E isso é excelente. Excelente. É uma glória sofrer por Deus. Vou repetir: é uma glória sofrer por Deus. Se não quisermos sofrer por Deus, vamos sofrer do mesmo jeito, sobretudo no inferno, para dar glória a Deus manifestando Sua justiça. Quem carrega a sua cruz com paciência se salva; quem a carrega com impaciência se perde. As mesmas cruzes, diz Santo Agostinho, levam alguns para o Céu, e outros para o inferno. Com a prova do sofrimento se distingue a palha do trigo na Igreja de Deus: quem se humilha nos sofrimentos e se submete à vontade de Deus é trigo destinado ao Céu; quem é soberbo e fica impaciente, ou até mesmo chega a se revoltar a ponto de voltar as costas para Deus, é palha que é destinada ao inferno.

O Verbo Eterno, caros católicos, desceu à terra para nos ensinar, com Seu exemplo, a carregar com paciência as cruzes que Deus nos manda. “Cristo sofreu por vós, deixando-vos um exemplo, a fim de que sigais os Seus passos”, nos diz São Pedro (1 Pd 2,21). Jesus Cristo quis sofrer para nos encorajar no sofrimento. Qual foi a vida de Cristo? Foi uma vida de humilhações e sofrimentos. Como diz o profeta Isaías: “Desprezado, último dos homens, homem das dores!” (Is 53,3). O Filho de Deus estava com a aparência de um verme.

Como Deus tratou seu Filho predileto, do mesmo modo trata a todos aqueles que Ele ama e recebe como filhos. Santa Teresa diz que sentiu na sua alma como se Deus lhe falasse: “Fica sabendo que as pessoas mais queridas de Meu Pai são as que são mais afligidas com os maiores sofrimentos.” Por esta razão, quando ela se via nos sofrimentos, dizia que não os trocaria por todos os tesouros do mundo. Santa Teresa compreendeu o valor do sofrimento.

São Vicente de Paulo afirmava que se deve considerar como grande desgraça nesta vida o não ter nada a sofrer; e acrescentava que uma congregação Religiosa ou uma pessoa que não sofre e a quem todos aplaudem, está próxima de uma queda. Quando São Francisco de Assis passava um dia sem nada sofrer por Deus, temia que Deus tivesse se esquecido dele. E nós, insensatos, achamos que Deus esqueceu de nós quando estamos sofrendo.

E São João Crisóstomo escrevia: “Quando o Senhor concede a alguém a graça de sofrer, faz-lhe um bem maior do que se lhe desse o poder de ressuscitar os mortos. Quem padece alguma coisa por Deus, se não tivesse outra graça senão a de poder sofrer por amor a Deus, já deveria considerar-se muito recompensado”. Por isso, São Paulo apreciava mais a graça de ser preso por Jesus Cristo do que a graça de ser arrebatado ao terceiro Céu.

“A paciência – nos diz o apóstolo São Tiago – produz uma obra perfeita.” (Tg 1,4). Isso quer dizer que não existe coisa mais agradável a Deus do que sofrer por amor a Ele, com paciência e paz, todas as cruzes por Ele enviadas.

São João viu todos os santos no Apocalipse, vestidos de branco, segurando palmas nas mãos. (Ap 7,9). A palma é o símbolo do martírio; mas nem todos os santos foram mártires. Mas todos seguram palmas, nos diz São Gregório porque todos os Santos foram mártires ou pela espada ou pela paciência. E acrescentava o santo: “Nós podemos ser mártires sem a espada, se guardamos a paciência”.

O mérito de uma pessoa que ama Jesus Cristo consiste em amar e sofrer. Eis o que Deus fez Santa Teresa entender: “Pensa, minha filha, que o mérito consiste nos prazeres? Não, o mérito consiste em sofrer e amar. Veja minha vida cheia de dores. Acredite, minha filha, aquele que é mais amado por meu Pai recebe dEle cruzes maiores; ao sofrimento corresponde o amor. Veja estas minhas chagas, as suas dores nunca chegarão a tanto. Pensar que Meu Pai admite alguém na sua amizade sem o sofrimento é um absurdo”. Mas com o sofrimento, Deus manda as graças para podermos suportá-lo com paciência e mérito. Devemos ser fiéis a essas graças.

São três as principais graças que Jesus faz às pessoas amadas por Ele: a primeira, não pecar; a segunda, que é maior ainda, fazer as boas obras; a terceira, que é a maior de todas, sofrer por Seu amor. Dizia Santa Teresa que quando alguém faz algum bem a Deus, o Senhor lhe paga com alguma Cruz. Eis porque os santos agradeciam a Deus ao receberem os sofrimentos.

São Luiz, Rei de França dizia: “Eu me alegro e fico muito agradecido a Deus mais pela paciência que me concedeu na minha prisão do que se tivesse conquistado a terra inteira”. Santa Isabel, rainha da Hungria, tendo perdido seu esposo, tendo sido expulsa do lugar onde morava com seu filho, sem abrigo, abandonada por todos, dirigiu-se a um convento dos franciscanos e mandou cantar o “Te Deum”, um hino de ação de graças a Deus pelo favor que Ele concedia a ela ao fazê-la sofrer por Seu amor.

Falando desta vida, é certo que quem padece com mais paciência vive com maior paz. Dizia São Felipe Neri que neste mundo, nesta terra, nesta vida não há Purgatório: ou é Paraíso ou é Inferno. Os que suportam com paciência os sofrimentos desta vida estão como que no Paraíso. Quem assim não suporta os sofrimentos dessa vida com paciência, faz da própria vida um inferno. Sim, porque, como escreve Santa Teresa, quem abraça as cruzes que Deus lhe manda não as sente ou as carrega pouco a pouco com suavidade e doçura, mesmo quando as cruzes são grandes. Não abraçar a cruz é fazer da própria vida um inferno. Quem foge da sua cruz aumenta a sua cruz enormemente.

Um missionário religioso, nas Índias, assistia uma vez à execução de um condenado. Este, antes de morrer, chamou o missionário e lhe disse: “Sabe Padre, eu fui da sua Congregação Religiosa. Enquanto observava o regulamento de vida, eu era muito feliz. Mas desde que comecei a relaxar, achei tudo difícil e passei a me aborrecer com tudo. Abandonei a vida religiosa – quer dizer, abandonei a minha cruz – para me entregar aos vícios; eles finalmente me trouxeram a este fim desgraçado que agora o senhor está vendo. Digo-lhe isto para que o meu exemplo possa servir a outros.” A recusa do sofrimento vai gerando a revolta, que gera o afastamento de Deus, que leva à perda da fé.

O Padre Luís da Ponte dizia: “Considere como amargas as coisas doces desta vida e como doces as amargas; e assim terá paz.”

Caros católicos, o catolicismo não é água com açúcar. O catolicismo não é dos pusilânimes, dos fracos, dos medíocres. O Reino dos Céus é dos violentos, diz Nosso Senhor Jesus Cristo, isto é, dos que sabem sofrer em união com o Sagrado Coração de Jesus. As coisas não serão simples. Mas é possível, perfeitamente possível com a graça de Deus. Essa é a verdadeira religião de Nosso Senhor Jesus Cristo. É necessário que compreendamos isso. O quanto antes. Sem entender isso, não daremos um passo sério no caminho da santidade. Sejamos homens e mulheres capazes de sofrer por Cristo, com o auxílio da graça dEle. Deixemos de murmurar, de reclamar, de nos revoltar. Vale a pena sofrer por Deus. É grande sinal da amizade e do amor do Sagrado Coração de Jesus para com a nossa alma, as cruzes. Peçamos a Nossa Senhora das Dores a graça de compreender a ação de Deus em nossa alma por meio dos sofrimentos. Peçamos a Nossa Senhora das Dores e ao Sagrado Coração de Jesus nessa Festa dEle.

Em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo. Amém.

[Aviso] Festa de São João – Avisos aos que participarão

Prezados, Salve Maria!

Leiam tudo. Tem muita informação nova.
Informações para a Festa de São João da Capela Nossa Senhora das Dores.

1. A Festa de São João será nesse sábado, às 16h00, começando com a recitação do Santo Terço.

2. Aqueles que trouxerem alimentos (inscreveram-se na lista para isso) devem chegar antes das 16h00, de forma que deixem o alimento com a equipe responsável e possam rezar o Terço.

3. Quem se inscreveu na lista de alimentos, assume o compromisso de trazê-lo, ainda que não possa ficar para a Festa.

4. Calculamos aproximadamente 330 pessoas maiores de 5 anos. Considerando o número de pessoas que trarão o mesmo alimento, cada um pode ter uma base para saber a quantidade de comida que deve trazer.

5. Aqueles que trarão alimento devem trazer o necessário para que o alimento seja servido (concha, espátula, saquinhos, mas não descartáveis). Devem também identificar seus pertences para mais facilmente recuperá-los depois. Por favor, peguem seus pertences.

6. Todos deverão apresentar o convite (não trazendo ou trazendo prato).

7. Todos os que vierem (com alimento ou convite) devem trazer uma bebida, suco ou refrigerante. Do contrário, passaremos sede.

8. Haverá barracas com brincadeiras para as crianças e prendas para a premiação. As fichas para as brincadeiras estarão à venda no dia da festa.

9. Haverá o Bingo dos Santos com prêmios. Cartela a ser adquirida durante a festa.

10. As crianças podem vir à caráter, sempre dentro da decência. E lembrem-se que rezaremos o Terço no início.

11. Haverá também o Churros do Tio, com fichas à venda.

Grato. Deus abençoe.

[Sermão] Não desprezemos as graças de Deus

Sermão para o 2º Domingo depois de Pentecostes

03.06.2018 – Padre Daniel Pinheiro, IBP

 

Em nome do Pai, e do Filho e do Espírito Santo. Amém.

Ave Maria…

Caros católicos, a parábola do Evangelho de hoje representa, em primeiro lugar, os judeus desprezando os convites de Deus, isto é, desprezando as suas graças até que deixam de ser chamados por Ele. Nos Atos dos Apóstolos, Santo Estêvão resume bem essa história dos judeus dizendo: “vós resistis sempre ao Espirito Santo; assim como (foram) vossos pais, assim (sois) vós também. A qual dos profetas não perseguiram vossos pais? Mataram até os que prediziam a vinda do Justo, do qual agora fostes vós traidores e homicidas.” A história dos judeus começa com as rebeliões e murmurações contra Deus no deserto e se termina com o choro de NSJC sobre Jerusalém.

Todavia, caros católicos, devemos pensar bem se essa também não é a nossa própria história. Nosso Senhor tem chamado a cada um de nós mil vezes durante a nossa vida: “Eis que estou à porta (do teu coração) e bato. Se alguém ouvir a minha voz e me abrir a porta, entrarei nele, cearei com ele, e ele comigo.” Assim diz Nosso Senhor. Ele tem batido à porta de nossa alma e tem nos chamado: com pregações, com sermões, com leituras, com bons exemplos, com bons conselhos, mesmo com desgraças, com a morte repentina de alguém e com tantos outros meios análogos. Ele tem nos chamado também interiormente com a sua graça, inspirando-nos com bons pensamentos, fazendo-nos entender mais claramente alguma verdade da fé. Ele tem nos chamado com bons desejos, movendo a nossa vontade para o bem, ou nos movendo para o arrependimento de nossos pecados.

Deus chama, Deus bate à porta de nossa alma, mas não nos força a nada. Deus que nos criou sem nós não nos salvará sem nós, como diz Santo Agostinho. Deus quis a nossa cooperação com a graça. A santificação, de fato, caros católicos, é uma misteriosa união da graça de Deus com a livre cooperação do homem. Se não coopero com a graça, ela será desperdiçada. Quantas parábolas de Cristo mostram precisamente a necessidade dessa nossa cooperação. A parábola do semeador mostrando que é preciso um bom terreno para que a semente possa germinar e dar seus frutos. Esse bom terreno são as nossas disposições, a nossa cooperação.  A parábola dos talentos que mostra que cada um deve fazer a sua parte, ajudado por Deus, para multiplicar os talentos. E aquele que não multiplica, tem o seu talento retirado e dado a outro. Essas parábolas mostram claramente a nossa parte, aquilo que devemos fazer, cooperando com a graça divina. A nossa religião católica não é como essas falsas religiões, esses esoterismos, evidentemente falsos, que empregam uma fórmula mágica, instantânea, para simplesmente nos salvar ou nos tornar deuses, o que é propriamente um absurdo.

Quantas graças desperdiçamos, caros católicos. Quantas graças desprezamos. Deus dirá àquele que despreza as suas graças o mesmo que disse aos judeus no livro dos Provérbios: “eu vos chamei, e vós não quisestes ouvir-me, visto que estendi a minha mão, e não houve quem olhasse para mim, […] e não fizestes caso das minhas repreensões, também eu me rirei da vossa ruina, zombarei de vós; quando vos assaltar o terror, quando cair sobre vós, como furacão, o terror, quando vos colher a desgraça como um temporal, quando vierem sobre vós a tribulação e a angústia. Então me invocarão (os ímpios) e eu não os ouvirei, buscar-me-ão, e não me encontrarão, porque eles aborreceram a instrução, não abraçaram o temor do Senhor, não se submeteram ao meu conselho, e desprezaram todas as minhas repreensões. Comerão, pois, os frutos do seu (mau) proceder.” Palavras tremendas, caros católicos, para aqueles que não são fiéis à graça de Deus. Lembremo-nos de que aquele que não multiplicou seu talento teve até mesmo esse talento retirado, para que fosse dado a um outro. Se formos infiéis às graças, se desprezarmos as graças, essas graças serão dadas a um outro.

Cada graça de Deus que recusamos foi um motivo de sofrimento para Nosso Senhor Jesus Cristo em Sua vida, particularmente em Sua Paixão e morte na cruz. Cada graça recusada será motivo para sofrermos depois, expiando pelo nosso mal proceder. Cada graça é um elo de uma corrente. Desprezar uma graça é desprezar também tantas outras que estavam ligadas a essa graça recusada. Cada graça de Deus, caros católicos, é um degrau de uma escada que nos leva ao ápice da santidade. Cada graça desprezada pode ser, por outro lado, o princípio de uma queda que terminará no inferno. Os condenados no inferno conhecem bem a graça que desprezaram e que iniciou a sua ruína. Uma graça, talvez, que desprezaram, e que era dada para suportar um sofrimento, uma graça para vencer o orgulho, uma graça para vencer os pecados contra a castidade, ou tantas outras graças possíveis. Não conhecemos os planos da divina providência. A graça de hoje, a graça de agora pode ser a decisiva. Para Judas, por exemplo, pode ter sido a repreensão que recebeu do Salvador quando reclamou do gasto com o óleo usado por Maria Madalena para ungir o Senhor. Ou talvez, o beijo que recebeu do Senhor no Jardim das Oliveiras.

Nós temos, caros católicos, a salvação em nossas mãos. Deus nos dá graças em imensa abundância, pois Ele é infinitamente bom. Devemos, então, considerar tudo isso. Não para ficarmos desesperados nem receosos nem angustiados, mas para ficarmos atentos às graças de Deus, para não fazermos ouvidos surdos a essas graças como os judeus no deserto, para que não endureçamos o nosso coração. Não desprezemos as graças de Deus.

A parábola de hoje no evangelho nos mostra alguns motivos que nos fazem desprezar as graças de Deus. Em geral, desprezamos as graças de Deus inventando desculpas. Às vezes até dizendo: “Eu gostaria muito, mas eu não consigo”. “Eu gostaria muito” parece um ato de boa vontade, mesmo de humildade, “mas eu não consigo” é um ato de orgulho. Por maior que seja a nossa fraqueza, a graça, a bondade e o poder de Deus são maiores que a nossa miséria.

“Comprei uma quinta e tenho de ir vê-la.” Essa é a primeira desculpa da parábola e que utilizamos muitas vezes para desprezar as graças de Deus. Muitos padres da Igreja identificam aqui o orgulho, pois ter a quinta significa, como diz Santo Agostinho, o espírito de dominação, de não ter superior sobre nós. Significa o desejo de dominar e de não ter ninguém acima de nós. Quantos desprezam as graças de Deus porque não suportam as humilhações, quantos se perdem porque acham que são muito bons para sofrer. Quantos se perdem porque buscam simplesmente o reconhecimento dos homens com as suas honras. Temos grande dificuldade, de fato, em ver as graças de Deus nos sofrimentos, nas humilhações. E, no entanto, são as graças mais fecundas. Cheios de orgulho, dizemos “Comprei uma quinta e tenho de ir vê-la”. Cheios de orgulho desprezamos as graças de Deus.

“Comprei cinco juntas de boi e vou experimentá-los.” É a segunda desculpa da parábola para não atender ao chamado para a ceia. A junta de bois significa o apego aos bens desse mundo e uma vida superficial. Quantas vezes desprezamos as graças de Deus porque estamos apegados a um pecado, ou porque estamos apegados desordenadamente a algo ou a alguém. Preferimos os bens dessa vida passageira à vida eterna e à santidade. Quantas vezes desprezamos as graças de Deus porque nos deixamos absorver demais pelas coisas do quotidiano, não as fazendo com espírito sobrenatural, esquecendo as orações, esquecendo que devemos tudo fazer por Deus. Preferimos as coisas que perecem, que passam, preferimos essas coisas à própria eternidade. E assim vamos desprezando as graças de Deus.

“Acabo de me casar e por isso não posso ir.” Claro, o casamento não é uma desculpa para recusar os convites de Deus. O casamento, ao contrário, é um meio de salvação muito abundante, se ele é bem vivido. Essa desculpa significa, segundo Santo Agostinho, a sensualidade da carne. Quantos desprezam as graças de Deus porque não querem abandonar as suas impurezas. Quantos desprezam a graça de Deus preferindo uma satisfação instantânea e tão irracional no lugar da eternidade no céu. Quantos se deixam levar por essas baixezas e se esquecem das coisas de Deus pouco a pouco. Quantos pensam ser incapazes de vencer esse pecado enquanto na verdade podem vencê-lo tranquilamente se combatem firmemente e se perseveram nesse combate pedindo, implorando com humildade o auxílio da graça. Por mais baixo, por mais prolongado que seja um pecado contra a castidade (ou qualquer outro), é possível vencê-lo com o auxílio da graça e fazendo a nossa parte, cooperando com a graça.

De fato, caros católicos, o orgulho, o apego aos bens desse mundo ou a superficialidade e os pecados contra a pureza são os principais defeitos ou desculpas pelos quais os homens recusam a graça de Deus. Essas desculpas de nada servirão. Se assim procedemos, seremos rejeitados por Deus e a graça será dada a outras pessoas. Como aqueles que recusaram o convite para a ceia não puderam participar dela. Com a diferença que ainda podemos nos arrepender. Deus nos dá agora a graça para esse arrependimento sincero e profundo.

Não desprezemos as graças de Deus, caros católicos. Sejamos fiéis a elas. Saibamos que tudo coopera para a salvação do justo. Tudo coopera para a salvação daqueles que querem servir a Deus, tudo servirá para que purifiquem a sua alma de seus pecados e defeitos, para que sobre o amor a Deus. Sejamos fiéis às graças que nos são dadas nas nossas cruzes, nos nossos sofrimentos. Sejamos fiéis às graças que nos são dadas em um sermão, em uma formação, na leitura de um bom livro católico. Sejamos fiéis às graças que nos são dadas em bons conselhos. Sejamos fiéis também às graças interiores. Desprezar as graças, caros católicos, é desprezar a salvação eterna, é desprezar o próprio Deus. Que a Santíssima Virgem, medianeira de todas as graças, nos alcance essa fidelidade perfeita às graças divinas. Graças divinas que nos levam sempre à conformidade cada vez mais perfeita com a vontade de Deus, nas alegrias e nas tristezas, nas prosperidades e nas adversidades.

Em nome do Pai, e do Filho e do Espírito Santo. Amém.

Catecismo de Adultos – Aula 11 – A Ascensão, os juízos particular e final, e o Espírito Santo

Catecismo de Adultos – Aula 11 – A Ascensão, os juízos particular e final, e o Espírito Santo

Qual a importância do tempo entre a Ressurreição e a Ascensão?

Subida aos céus em corpo e alma pela própria virtude

A conveniência da Ascensão de Cristo: tomar posse do Seu Reino, nos enviar o Espírito Santo, elevar a nossa alma às coisas celestes

O que significa estar sentado à mão direita de Deus Pai?

Juízo particular: o que é, em que momento ocorre, mentiras do demônio

Juízo final ou universal: suas razões em que momento ocorrerá

Redondilha de Luís de Camões

Espírito Santo, terceira Pessoa da Santíssima Trindade

Descida sobre os apóstolos. Por que sob a forma de línguas de fogo?

Espírito Santo como a alma da Igreja, Corpo Místico de Cristo

Catecismo de Adultos – Aula 10 – A Cruz, os infernos e a Ressurreição de Cristo

Catecismo de Adultos – Aula 10 – A Cruz os infernos e a Ressurreição de Cristo

Os sofrimentos de Cristo no corpo e na alma
O porquê da Redenção pela cruz
As três fases da Lei Mosaica
Circunstâncias da crucificação e da morte de Nosso Senhor
A descida aos infernos.
Limbo dos justos. Propriamente, o Senhor desceu a esse inferno
Purgatório
Limbo dos bebês
Inferno
A Ressurreição de Nosso
Circunstâncias da Ressurreição
Corpo glorioso com seus dotes
As provas da Ressurreição
Aparição a Nossa Senhora

[Sermão] Erguei-vos, Espírito Santo – Oração para quem deseja a santidade

 

Sermão/Oração para a Festa de Pentecostes

20.05.2018 – Padre Daniel Pinheiro, IBP

 

Em nome do Pai, do Filho, e do Espírito Santo. Amém.

Ave Maria…

Que o Senhor se erga, e que sejam dissipados os inimigos dEle, e que fujam da presença dEle aqueles que o odiaram. São as palavras do Introito dessa Missa de Pentecostes.

Peçamos ao Espírito Santo que se erga nesse dia de Pentecostes e nos cumule com sua graça abundante. Peçamos que o Espírito Santo se erga e afaste de nós os inimigos de nossa alma.

Erguei-Vos, Espírito Santo, e não deixeis que seja perturbada minha alma pelas tentações.

Erguei-Vos, Espírito Santo, e não deixeis que eu tenha medo das armadilhas do demônio, pois me apoio em Vós e em Maria Santíssima, minha Mãe.

Erguei-Vos, Espírito Santo, e instruí a minha inteligência com a verdade da fé, para que eu possa aderir firmemente aos Vossos ensinamentos.

Erguei-Vos, Espírito Santo, e instruí a minha inteligência para que eu possa compreender o combate espiritual em minha alma.

Erguei-Vos, Espírito Santo, e instruí a minha inteligência para que possa viver da fé e tudo julgar profundamente com os olhos da fé.

Erguei-Vos, Espírito Santo, e instruí a minha inteligência para que em todas as coisas, favoráveis e adversas, eu possa ver a mão amorosa da Vossa divina bondade.

Erguei-Vos, Espírito Santo, e instruí a minha inteligência para que em tudo eu possa escolher o melhor meio de Vos servir.

Erguei-Vos, Espírito Santo, e dai-me a graça de Vos cultuar dignamente.

Erguei-Vos, e dai-me o zelo pela Vossa Santa Igreja Católica.

Erguei-Vos, Espírito Santo, dai-me o zelo pela salvação das almas.

Erguei-Vos, e concedei-me que meu único medo nessa vida seja o de ofendê-lO.

Erguei-Vos, Espírito Santo, dai-me a grandeza de alma e purificai-me de todo sentimento mesquinho. Purificai-me do meu orgulho, do meu amor próprio, das invejas, dos ciúmes, das picuinhas.

Erguei-Vos, Espírito Santo, e fazei que abandone todas as coisas inúteis.

Erguei-Vos, e dai-me a fortaleza para que possa suportar todas as cruzes que a Vossa providência me enviar.

Erguei-Vos, Espírito Santo, e dai-me a paciência, sobretudo quando as cruzes vierem de quem mais deveríamos esperar a consolação.

Erguei-Vos, e dai-me humildade para suportar todas as humilhações e desprezos.

Erguei-Vos, Espírito Santo, dai-me a graça de abraçar todas as minhas cruzes, pois me unem a Vós.

Erguei-Vos, Espírito Santo, dai-me a graça de compreender que os sofrimentos são obra de Vosso amor por mim, para que me desapegue de toda a criatura.

Erguei-Vos, Espírito Santo, e dai-me a graça de compreender profundamente que Vós quereis tudo me tirar para tudo me dar. Vós quereis purificar-me de todas as minhas desordens e apegos para tudo me dar. Como diz Santo Afonso: é preciso deixar tudo, para tudo ganhar. Para Vos ganhar, ó Senhor, é preciso deixar tudo. Tire-me tudo, Senhor.

Erguei-Vos, Espírito Santo, então, e tirai-me tudo, para que eu possa ter tudo.

Erguei-Vos, Espírito Santo, e dai-me a graça da sabedoria da Cruz, loucura mesmo para tantos católicos.

Erguei-Vos, Espírito Santo, e que eu não recue no caminho da santidade diante dos sofrimentos.

Erguei-Vos, e dai-me a graça de me conformar em tudo à Vossa santa vontade.

Erguei-Vos, Espírito Santo, e dai-me a graça da perseverança final, para que eu possa chegar ao Céu.

Erguei-Vos, Espírito Santo, e dai-me a graça de Vos amar sempre, sobre todas as coisas.

Erguei-Vos, Espírito Santo, para que minha vida seja inteiramente para a Vossa maior glória.

Erguei-Vos, Espírito Santo, para que, na minha fraqueza, eu possa fazer sinceramente esses pedidos, amparado na Vossa graça sempre. Sem isso, não poderei jamais ser verdadeiramente santo, chegar ao Céu e amar- Vos eternamente.

Erguei-Vos, Espírito Santo, e dai-me a Vossa graça.

Em nome do Pai, do Filho, e do Espírito Santo. Amém.