7º Dia da Novena de Natal – Santo Afonso de Ligório. Antífona – O Rex gentium

Seria conveniente fazer a meditação da Novena em família e rezar o Santo Terço em seguida.

Aqui está o arquivo PDF com a Novena completa: Novena de Natal Completa

Para os horários da Novena na Capela Nossa Senhora das Dores, ver o Calendário Dezembro 2014

Meditações de Santo Afonso de Ligório para a Novena de Natal

7º Dia – 22 de dezembro

 Novena de Natal VII

In própria venit, et sui eum non receperunt.

Veio para o que era seu, e os seus o não receberam (Jo 1, 11)

Um dia, durante as festas do Natal, S. Francisco de Assis andava chorando e suspirando pelos caminhos e florestas, e parecia inconsolável. Perguntaram-lhe a causa de sua dor e ele respondeu: “Como quereis que eu não chore, vendo que o amor não é amado? Vejo um Deus amar o homem até a loucura, e o homem ser tão ingrato a esse Deus!” Se a ingratidão dos homens afligia tanto o coração de S. Francisco, imaginemo-nos quanto mais afligiu o coração de Jesus Cristo.

Apenas concebido no seio de Maria, ele viu a cruel ingrati­dão, que devia receber dos homens. Viera do céu para acender na terra o fogo do amor divino; esse único motivo o levou a dei­xar-se imergir num abismo de dores e opróbrios: Vim trazer o fogo sobre a terra, e que quero senão que se inflame? E via um abismo de pecados que os homens iriam cometer depois de receberem tantas provas de seu amor! Eis, diz S. Bernardino de Sena, o que lhe causou uma dor infinita.    .

Nós mesmos sentimos pena insuportável vendo-nos tratados com ingratidão; é que, segundo a reflexão do bem-aventurado Simão de Cássia, muitas vezes a ingratidão aflige mais a nossa alma do que qualquer outra dor ao corpo. Qual não foi pois a dor de Jesus Cristo, nosso Deus, ao ver que cor­responderíamos a seus benefícios e amor com ofensas e injú­rias! Ele se queixou pela boca de Davi: Deram-me males em troca de bens, e ódio em troca do amor que eu lhes tinha; mas também hoje em dia parece que Jesus Cristo se lamenta: Sou como um estranho no meio de meus irmãos, por ver um grande número deles viver sem o amar e sem o conhecer, como se os não houvera beneficiado, e como se nada houvera sofrido por amor deles. Ah! que caso fazem hoje muitos cristãos do amor de Jesus Cristo? Nosso Senhor apareceu um dia ao bem-aventurado Henrique Suso sob a forma dum peregrino a men­digar de porta em porta um abrigo; mas todos o repeliam injuri­ando-o grosseiramente. Quantos se parecem com aqueles de que falava Jó: Diziam a Deus: Retirai-vos de nós…; E isso de­pois que enchera suas casas de toda a sorte de bens.

No passado, também nós fomos ingratos; queremos ainda continuar a sê-lo? Oh! não: esse amável Menino, que do céu veio sofrer e morrer por nós para obter o nosso amor, não me­rece tal ingratidão.

Afetos e Súplicas

É pois verdade, meu Jesus, que descestes do céu para vos fazer amar de mim; viestes abraçar uma vida de penas e a morte da cruz por meu amor, a fim de abrir-vos a entrada do meu coração; e eu vos repeli tantas vezes dizendo: Recede a me, Domine: Retirai-vos de mim, Senhor; não vos quero! —Ah! se não fôsseis um Deus de bondade infinita, e se não tivésseis dado a vossa vida para perdoar-me, não ousaria pedir-vos per­dão. Mas ouço que vós mesmo me ofereceis a paz: Converteis-vos a mim, dizeis, e eu me converterei a vós. Pois bem, meu Jesus, vós a quem ofendi, vos fazeis meu intercessor. Não  quero pois fazer-vos ainda a injúria de desconfiar da vossa misericórdia. Arrependo-me de toda a minha alma de vos haver ofendido e desprezado, o Bem supremo; recebei-me em vossa graça, conjuro-vos pelo sangue que derramastes por mim. Não, meu Redentor e meu Pai, não sou digno de ser chamado vosso filho depois de haver tantas vezes renunciado ao vosso amor; mas vós com os vossos méritos me tornais digno dele. Agradeço-vos, meu Pai, agradeço-vos e amo-vos. Ah! já a lembrança da paciência com que me suportastes tantas anos e das graças que me prodigalizastes após tantos ultrajes da minha parte, deveria fazer-me arder sem cessar de amor por nós. Vinde, pois, meu Jesus, não quero mais repelir-vos; vinde habitar em meu pobre coração. Amo-vos e quero amar-Vos sempre; inflamai-me cada vez mais recordando-me sempre o amor que me tivestes.

Minha Rainha e minha Mãe, ajudai-me, pedi a Jesus por mim: fazei que durante o resto da minha vida, eu seja grato  para com esse Deus que tanto me te amado mesmo depois de haver recebido de mim tantas ofensas.

Antífona – Ó Rei das nações

As belíssimas “Antífonas Ó” são as antífonas das Vésperas que antecedem a
Natividade de Nosso Senhor Jesus Cristo, do dia 17 ao dia 23. São uma obra-prima da liturgia católica. Deram origem ao título de Nossa Senhora do Ó.

Ó Rei das nações e desejado por elas, pedra angular, que fazes do dois povos um só: vinde e salvai o homem que formaste do limo da terra.

Calendário Litúrgico 2015

Salve Maria!

Calendário Litúrgico 2015, de acordo com o Rito Romano Tradicional (com o próprio das festas celebradas no Brasil), disponível para aquisição por meio deste blog, no valor de R$ 30,00 + valor do frete. Interessados devem contatar-nos pelo e-mail calendariumliturgicum@outlook.com (inclusive para informações sobre forma de pagamento e outras dúvidas).

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Para destacar a importância de se acompanhar o calendário litúrgico da Igreja Católica ao longo do ano, repetimos aqui trechos de um sermão do Padre Daniel, recentemente publicado neste blog.

“O ano litúrgico com seus tempos próprios, com suas graças próprias, não devem ser para nós algo distante e sem muito sentido. Ao contrário, o ano litúrgico, com seus tempos e suas festas, devem ditar o ritmo da nossa vida. Uma sociedade cristã se deixa influenciar profundamente pelo calendário da Santa Igreja.”

“A liturgia católica, que se desenrola ao longo de todo o ano litúrgico, é o nosso maior tesouro, caros católicos. É por meio dela que se formam as famílias católicas sólidas. É por meio dela que se forjam as almas sacerdotais e religiosas. É por meio dela que se forja uma sociedade cristã.  Que importância tem a Sagrada Liturgia! Não se voltarão em grande quantidade as almas a Deus se não houver uma restauração litúrgica. A liturgia precisa voltar a se centrar em Deus. A liturgia precisa voltar a expressar claramente as verdades católicas. É exatamente isso o que faz a liturgia tradicional, também chamada de tridentina. Essa velha liturgia, sempre nova, centrada em Deus. Essa velha liturgia que alegra a alma da juventude católica (juventude espiritual, do novo homem constituído pela graça divina). Essa velha liturgia, sempre jovem porque reflete a eternidade da Santíssima Trindade. Deixemo-nos, caros católicos, impregnar pela liturgia católica.”

6º Dia da Novena de Natal – Santo Afonso de Ligório. Antífona – O Oriens

Seria conveniente fazer a meditação da Novena em família e rezar o Santo Terço em seguida.

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Meditações de Santo Afonso de Ligório para a Novena de Natal

6º Dia – 21 de dezembro

 Novena de Natal VI

Factus sum sicut homo sine adjutorio, inter mortuos liber.

Tornei-me como um homem sem socorro, abandonado entre os mortos (Salm. 87,5).

Considera os sofrimentos de Jesus Cristo no seio de sua Mãe, onde esteve como numa prisão, durante nove meses. É verdade que as outras crianças se acham no mesmo estado, mas não lhe sentem os incômodos, porque os não conhecem. Jesus, ao contrário, tinha pleno conhecimento deles, pois des­de o primeiro instante de sua vida, teve o perfeito uso da razão: Possuía os sentidos e não podia servir-se deles; tinha olhos e não podia ver; tinha língua e não podia falar; tinha mão e não podia estendê-las; tinha pés e não podia andar, de sorte que durante nove meses teve de ficar no seio de Maria como um morto encerrado num sepulcro: Como um homem sem socorro, abandonado entre os mortos. Era livre, porque voluntariamente se fizera prisioneiro de amor naquele cárcere; mas o amor o privava da liberdade e lá o conservava tão estreitamente preso, que não podia mover-se: ele era livre, porém, entre os mortos. Ó paciência do Salvador! exclama S. Ambrósio ao considerar os sofrimentos de Jesus no seio de Maria.

O seio de Maria foi, pois, para o nosso Redentor uma prisão voluntária, porque era uma prisão de amor; não foi, todavia, uma prisão de injustiça: Jesus era inocente, mas se oferecera para pagar as nossa dívidas e expiar as nossas iniquidades. É pois com razão que a divina justiça o conservou assim encerrado, começando a exigir por esta primeira pena a satisfação que lhe era devida.

Eis a que se reduz o Filho de Deus por amor dos homens: priva-se de sua liberdade e se coloca em cadeias para livrar-nos das cadeias do inferno. E nós poderíamos sem injustiça não corresponder com gratidão e amor à bondade daquele que, sem estar a isso obrigado, mas por puro afeto para conosco, se fez nossa caução e nosso libertador, que se ofereceu para pa­gar nossas dívidas e de fato as pagou com sua vida divina, e se carregou das penas devidas aos nossos crimes? Não te es­queças, diz o Sábio, do benefício que te tez o que ficou por teu fiador, porque ele expôs á sua vida por ti.

Afetos e Súplicas.

Sim, meu Jesus, o vosso profeta tem razão de advertir-me a não esquecer a graça inapreciável que me fizestes. Eu era o devedor, o culpado; e vós inocente, vós, o meu Deus, quisestes expiar minhas faltas com vossas dores e com a vossa morte. Mas eu, depois disso, esqueci os vossos benefícios e o vosso amor e tive a audácia de voltar-vos as costas, como se não fôsseis o meu soberano Senhor, e um Senhor que me amou tanto! Mas, meu caro Redentor, se no passado fui ingrato, es­tou resolvido a não cometer mais a mesma falta: os vossos so­frimentos e a vossa morte serão o objeto contínuo dos meus pensamentos; recordar-me-ão sem cessar o amor que me ten­des. Maldigo esses dias em que, esquecido do que sofrestes por mim, fiz uso tão mau da minha liberdade; vós ma destes para eu vos amar, e dela me servi para vos ultrajar! Mas hoje, consagro-vos inteiramente essa liberdade que recebi de vós. Por favor, Senhor, preservai-me da desgraça de me ver outra vez separado de vós e caído na escravidão de Lúcifer. Prendei minha pobre alma aos vossos sagrados pés pelas cadeias do vosso amor a fim de que se não separe jamais de vós. — Padre eterno, pelo cativeiro de Jesus no seio de Maria, livrai-me das cadeias do pecado e do inferno.

E vós, ó Mãe de Deus, socorrei-me. Tendes o Filho do Al­tíssimo encerrado em vosso seio e estreitamente unido a vós: já que Jesus é vosso prisioneiro, fará o que lhe disserdes. Ah! dizei-lhe que me perdoe, dizei-lhe que me torne santo. Ajudai-me, minha Mãe, eu vos conjuro pela graça e honra que Jesus Cristo vos fez de habitar nove meses em vós.

Antífona – Ó Oriente

As belíssimas “Antífonas Ó” são as antífonas das Vésperas que antecedem a
Natividade de Nosso Senhor Jesus Cristo, do dia 17 ao dia 23. São uma obra-prima da liturgia católica. Deram origem ao título de Nossa Senhora do Ó.


Ó Oriente, esplendor da luz eterna e sol de justiça: vinde e iluminai os que
estão nas trevas e na sombra da morte.

5º Dia da Novena de Natal – Santo Afonso de Ligório. Antífona – O Claves David

Seria conveniente fazer a meditação da Novena em família e rezar o Santo Terço em seguida.

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Meditações de Santo Afonso de Ligório para a Novena de Natal

5º Dia – 20 de dezembro

 Novena de Natal V

Oblatus est, quia ipse voluit.

Foi oferecido porque ele mesmo quis (Is 53,7).

Desde o primeiro instante que o Verbo divino se viu feito homem e criança no seio de Maria, ofereceu-se sem reserva aos sofrimentos e à morte, para resgatar o mundo: Foi oferecido porque ele mesmo quis. Sabia que todos os sacrifícios de bodes e touros, oferecidos a Deus no passado, não podia satisfazer pelos pecados dos homens, que só uma pessoa divi­na podia pagar o preço de sua redenção: Eis por que, escreve S. Paulo, desde sua entrada no mundo ele diz: Não quisestes hóstia nem oblação, mas me formastes um corpo… Então eu disse: Eis-me que venho. Meu Pai! todas as vítimas que vos foram oferecidas até agora, não foram suficientes e não podiam sê-lo para desarmar vossa justiça; destes-me este corpo passível a fim de que pela efusão do meu sangue eu vos apla­que e salve os homens. Eis-me pronto: Ecce venio; aceito tudo e me submeto em tudo à vossa santa vontade.

É certo que a parte inferior sentia repugnância; recusava-se naturalmente a viver e morrer no meio de tantos sofrimentos e opróbrios; mas a vitória coube a parte racional, que estava inteiramente submissa à vontade de Deus, e Jesus aceitou tudo, começando desde então a sofrer todas as angústias e do­res que devia suportar no decorrer de sua vida. Eis o que fez por nós nosso divino Redentor desde o primeiro momento de sua entrada no mundo.

Mas nós, grande Deus, como nos temos portado para com Jesus, depois que, chegados ao uso da razão, começamos a conhecer pelas luzes da fé os santos mistérios da redenção? Quais foram os nossos pensamentos, as nossas ocupações? Que bens temos nós amado? Os prazeres, os divertimentos, o orgulho, a vingança, a sensualidade, eis os bens que prende­ram os afetos do nosso coração. Mas, se temos fé, havemos enfim de mudar de conduta e amar outra coisa. Amemos um Deus, que tanto sofreu por nós. Ponhamos ante os nossos oIhos as penas que o coração de Jesus suportou por nós desde a infância, e não poderemos amar outra coisa fora desse coração que nos amou tanto.

Afetos e Súplicas

Senhor, quereis saber como me tenho comportadopara convosco durante a minha vida? Desde que comecei a ter o uso da razão, comecei a desprezar a vossa graça e o vosso amor. Ah! vós o sabeis melhor do que eu; mas vós me tendes suportado, porque ainda me quereis bem. Eu vos fugia e vós não cessáveis de me perseguir chamando-me. O mesmo amor que vos fez descer do céu à procura das ovelhas perdidas, vos fez suportar as minhas infidelidades e não vos permitiu aban­donar-me. Agora, meu Jesus, vós me buscais e eu também vos busco; sinto que vossa graça me assiste: ela me assiste inspirando-me uma viva dor de meus pecados, que detesto sobre todas as coisas; ela me assiste fazendo nascer em mim um grande desejo de vos amar e de vos agradar. Sim, Senhor, quero amar-vos e agradar-vos quanto posso. Temo, é verdade, devido à minha fragilidade e fraqueza que contraí por meus pecados; mas o meu temor cede à confiança que me vem davossa graça e que, apoiando-se em vossos méritos, me enche de coragem e me faz dizer com o apóstolo: Tudo posso naque­le que me conforta. Se sou fraco, vós me dareis força contra os meus inimigos; se sou enfermo, espero que vosso sangue será o meu remédio; se sou pecador espero que me tornareis santo. Reconheço que no passado vos perdi por ter deixado de recorrer a vós nos perigos; doravante, meu Salvador e minha esperança, estou resolvido a recorrer sempre a vós, e espero de vós todos os socorros necessários e todos os bens. Amo-vos sobre todas as coisas e quero amar a vós só; ajudai-me por piedade, pelo mérito de tantas penas suportadas por mim desde a vossa infância — Padre eterno, pelo amor de Jesus Cristo, permiti que vos ame. Se vos irritei, aplaquem-vos as lágrimas de Jesus Menino, que vos pede por mim: Olhai para a face do vosso Cristo. Sou indigno das vossas graças, mas vos­so Filho inocente as merece por mim, ele que vos oferece uma vida de sofrimentos afim de que tenhais misericórdia de mim.

E vós, ó Maria, Mãe de misericórdia, não cesseis de inter­ceder por mim. Sabeis quanto confio em vós, e eu sei que não abandonais quem a vós recorre.

Antífona – Ó Chave de Davi

As belíssimas “Antífonas Ó” são as antífonas das Vésperas que antecedem a
Natividade de Nosso Senhor Jesus Cristo, do dia 17 ao dia 23. São uma obra-prima da liturgia católica. Deram origem ao título de Nossa Senhora do Ó.


Ó Chave de Davi e Cetro da casa de Israel, que abris e ninguém fecha; que
fechais e ninguém abre: vinde e tirai do cárcere o prisioneiro que está imerso
nas trevas e na sobra da morte.

4º Dia da Novena de Natal – Santo Afonso de Ligório. Antífona – O Radix Jesse

Seria conveniente fazer a meditação da Novena em família e rezar o Santo Terço em seguida.

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Meditações de Santo Afonso de Ligório para a Novena de Natal

4º Dia – 19 de dezembro

Dolor meus in conspectu meo semper.

A minha dor está sempre ante os meus olhos (SI 37,18).

Novena de Natal IV

Considera que, desde o primeiro instante em que foi criada a alma de Jesus Cristo e unida ao corpo no seio de Maria, o eterno Padre intimou a seu Filho a ordem de sacrificar sua vida pela redenção do mundo, e que ao mesmo tempo lhe pôs ante os olhos o espetáculo aflitivo de todas as penas que devia sofrer até a morte para salvar os homens. Mostrou-lhe então os sofrimentos, as humilhações, a pobreza que teria de suportar durante toda a sua vida em Belém, no Egito, em Nazaré, e de­pois todas as dores e todas as ignomínias de sua paixão, os flagelos, os espinhos, os cravos, a cruz, e os enfados, as triste­zas, as agonias, os abandonos, em que terminaria sua vida sobre o Calvário.

Quando Abraão conduziu seu filho à morte, não quis afligi-lo antes, nem mesmo no pouco tempo necessário para chegar à montanha, e guardou em segredo o seu intento; mas o Pai celeste quis que seu Filho encarnado, vítima destinada a satisfazer à sua justiça por todos os pecados, sofresse antecipada­mente todasas penas a que devia submeter-se durante a sua vida e na sua morte. Assim, essa cruel tristeza que Jesus provou no jardim das Oliveiras, e que bastava como ele mesmo declarou para lhe tirar a vida, ele a suportou continuamente desde o primeiro momento de sua existência no seio de Maria; e desde então ele sentiu e sofreu vivamente e em seu conjunto o peso de todas as dores e de todos os opróbrios que o aguardavam.

Toda a vida e todos os anos de nosso divino Redentor fo­ram pois uma vida e anos de dores e lágrimas: A minha vida vai-se consumindo com a dor, e os meus anos com os gemi­dos. O seu adorável coração não ficou isento de penas nem um instante: velando e dormindo, trabalhando e descansando, orando e conversando tinha sempre diante dos olhos essa cruel representação, que mais atormentava a sua alma do que todos os tormentos dos mártires os fizeram sofrer. Os mártires sofre­ram, mas ajudados pela graça suportaram seus tormentos com a consolação e a alegria que o fervor proporciona; Jesus Cristo sofreu, mas sempre com um coração cheio, de tédio e tristeza; e tudo aceitou por amor de nós.

Afetos e Súplicas

Ó doce, ó amável, ó amante coração de Jesus, fostes desde a infância repleto de amarguras e agonizastes no seio de Maria, sem nenhum alívio e sem que ninguém visse a vossa pena e vos consolasse com sua compaixão! Sofrestes tudo is­so, ó meu Jesus, a fim de me livrar da agonia eterna que me aguardava no inferno em punição dos meus pecados. Sofrestes um duro abandono, a privação de todo socorro a fim de salvar a mim que tive a audácia de abandonar a Deus e de lhe voltar as costas, para contentar minhas más inclinações. Agradeço-vos, ó Coração aflito e amoroso de meu Senhor! Agradeço-vos e me compadeço das vossas dores, mormente ao ver a insen­sibilidade dos homens diante de tudo o que sofreis por seu amor. Ó amor de Jesus! Ó ingratidão dos homens! — Ó homens! olhai inocente Cordeiro agonizando por vós, a fim de satisfazer a justiça divina por vossas ofensas; vede-o orando e Intercedendo por vós junto de seu Pai eterno; vede-o e amai-o. —Ah! meu Redentor, quão poucos são os que pensam em vossas dores e em vosso amor! ah! quão poucos são os que o amam! Infeliz de mim! Tive a desgraça de viver muito tempo sem pen­sar em vós! Sofrestes tanto para ser amado por mim, e eu vos não tenho amado! Perdoai-me, meu Jesus, perdoai-me; quero corrigir-me e quero amar-vos de hoje em diante. Quão infeliz seria, Senhor, se resistisse ainda à vossa graça e assim me condenasse! Todas as misericórdias que tendes usado para comigo e particularmente esse doce convite, com que neste momento me fazeis para amar-vos, seriam meu maior suplício nó inferno. Meu amado Jesus, tende piedade; não permitais que eu responda ainda ao vosso amor com ingratidão; esclarecei-me e dai-me a força de vencer tudo para cumprir a vossa santa vontade. Atendei-me, vo-lo suplico pelos méritos de vos­sa paixão, na qual ponho toda a minha confiança.

Ó Maria, minha querida Mãe, socorrei-me: vós é que me tendes obtido todas as graças que tenho alcançado de Deus; eu vos agradeço; mas se me não continuardes a proteger continuarei a ser infiel como no passado.

Antífona – Ó Raiz de Jessé

As belíssimas “Antífonas Ó” são as antífonas das Vésperas que antecedem a
Natividade de Nosso Senhor Jesus Cristo, do dia 17 ao dia 23. São uma obra-prima da liturgia católica. Deram origem ao título de Nossa Senhora do Ó.

Ó Raiz de Jessé, que estais posto como sinal para os povos, diante do qual os
reis se calam e que todos os povos invocarão: vinde para nos libertar, não
demorei mais.

[Sermão] Meios para alegrar a alma

Sermão para o 3º Domingo do Advento – Gaudete

14.12.2014 – Padre Daniel Pinheiro, IBP

Em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo. Amém.

Ave Maria…

Estamos hoje no 3º Domingo do Advento, Domingo chamado Gaudete, em razão da primeira palavra do Introito e em razão da Epístola. Trata-se de uma pequena pausa na penitência do advento, para antecipar a alegria do nascimento do Salvador. Do roxo se passa ao rosa, o órgão se toca, pode haver flores sobre o altar.

Lembro aos pais que devem explicar para as crianças o que é o Natal: que é o nascimento de Cristo e não a festa do Papai Noel ou uma simples troca de presentes nas férias.

Gaudete semper in Domino, iterum dico, gaudete. Alegrai-vos sempre no Senhor. Digo de novo, alegrai-vos.”

A ordem que nos dá hoje a Igreja, tomando as palavras de São Paulo, é essencial. Gaudete semper in Domino. Alegrai-vos sempre no Senhor. Essa advertência é importantíssima porque a alegria é indispensável para que possamos perseverar no bem, na graça. Nós devemos compreender que devemos ser profundamente alegres, se estamos em estado de graça e nos mantemos, assim, unidos a Deus. Com a graça santificante em nossas almas, sem o pecado mortal, possuímos o maior bem que podemos desejar, possuímos o maior bem que existe, que é a Santíssima Trindade, e não há alegria maior do que possuir o maior bem. Nossa alegria deve ser profunda e grande se estamos unidos a Deus, mesmo em meio a todos os males. É claro que essa alegria não significa estar sempre sorrindo. Não. Nosso Senhor na cruz não sorria, mas estava profundamente alegre na parte superior de sua alma, pois cumpria a vontade de Deus e, com todos os seus sofrimentos, oferecia um sacrifício perfeito à Santíssima Trindade e realizava a nossa redenção. Um católico deve ser profundamente alegre, sempre, no Senhor.

O Padre Ambrósio de Lombez, em seu livro “Tratado da Alegria da alma cristã”, enumera os principais meios para que sejamos alegres no Senhor. Baseado nele, podemos enumerar alguns desses meios. O primeiro deles é manter-se na justiça, quer dizer, na prática da virtude. A alma cuja consciência está tranquila e bem regrada pode ficar continuamente alegre. O segundo meio que podemos enumerar é ocupar o espírito com aquilo que pode alegrar a nossa alma. Isso não diz respeito ao que agrada à sensualidade, à vaidade, à ambição ou outra coisa desordenada. Não, o que devemos considerar aqui é, por exemplo, o amor de Deus por nós, que se encarnou e veio ao mundo para nos salvar, e nos salvar sofrendo e morrendo por nós sobre a cruz. Em particular, nesse tempo do advento, devemos ocupar muitíssimo nosso espírito com a caridade divina, com o Menino Deus que vem ao mundo para nos salvar. O terceiro meio para ter essa verdadeira alegria é pedir a Deus tal alegria. Tudo o que temos de bom, recebemos de Deus. Portanto, também essa alegria nos vem de Deus e devemos pedi-la, se quisermos possuí-la. O Padre Lombez nos diz também que essa alegria não é dada aos covardes e mornos, tíbios. Portanto, buscar amar a Deus sobre todas as coisas com afinco e servi-lo com prontidão da vontade e generosidade é o quarto meio necessário para alcançar essa alegria. Para alcançar essa alegria, é preciso também uma grande confiança em Deus, sabendo que todas as coisas conspiram para o bem daqueles que amam a Deus, mesmo os sofrimentos e as provações. Outro meio necessário é extinguir em nós o apego desordenado aos bens desse mundo. São esses alguns dos meios que o Padre Ambrósio de Lombez enumera e explica em seu livro e que são indispensáveis para a alegria da alma. Se pudéssemos resumir, podemos dizer que a alegria da alma nada mais é que um fruto da santidade, isto é, fruto da união profunda com Deus, fruto da conformidade plena da nossa vontade com a vontade de Deus.

Essa verdadeira alegria, essa alegria de praticar a virtude, de amar a Deus, de servi-lo com prontidão é um grande tesouro, necessário para perseverarmos até o fim e alcançarmos a alegria plena no céu. Poderíamos, porém, acrescentar, aos meios que o Padre Lombez enumera, a liturgia tradicional. Ela é um tesouro que nos conduz à verdadeira alegria e que deve nos alegrar. Não é por acaso que na Missa tradicional fala-se três vezes do “Deus que alegra a nossa juventude”. A nossa juventude que se alegra em Deus é o homem novo, gerado pela graça, pelo abandono do pecado, pela prática das virtudes. Portanto, a Missa Tradicional está distante de ser uma liturgia triste. Ela é, ao contrário, uma liturgia perfeitamente alegre. Ela é alegre porque nos transmite plenamente a verdade ensinada por Cristo. Ela é alegre porque pelos ritos e solenidade sóbria, nos deixa manifesta a majestade divina e sua onipotência, nos fazendo ter grande confiança nEle. Ela é alegre porque de modo claríssimo renova o sacrifício de Cristo na Cruz, aplicando as graças que Ele mereceu no Calvário, nos fazendo, assim, ver a bondade divina. Ela é alegre porque nos converte inteiramente a Deus, desde a posição do padre no altar, até o modo de os fiéis comungarem, passando pelo latim e pelo silêncio. Ela é alegre porque, por seus ritos abundantes e orações perfeitas, alcança de Deus inúmeras graças que nos dispõem a receber devidamente os frutos da Santa Missa. Ela é alegre porque nos conduz ao desapego dos bens terrenos e ao desapego de nossa vontade própria, ao nos centrar inteiramente em Deus, esquecidos de nós e do mundo. Ela é alegre porque nos ensina a rezar bem, como dissemos quando tratamos do silêncio em outro sermão. E quem reza bem se salva. Ela é alegre porque coloca Deus e nós homens nos nossos devidos lugares. Ele, no centro, com sua soberana majestade, com sua onipotência, com todas as suas perfeições, com sua misericórdia e justiça, com sua bondade infinita. Nós, como pobres pecadores, que devemos adorar a Deus, que devemos agradecer-lhe por todos as graças que recebemos,  que devemos pedir perdão por nossos pecados, que devemos implorar as graças que precisamos para nos salvar. Ela é alegre porque ontem, hoje e sempre, nos conduz à santidade com toda segurança. Que grande meio é a liturgia tradicional para sermos felizes sempre no Senhor.

Com muita frequência, todavia, aqueles que buscam com seriedade amar a Deus sobre todas as coisas, e buscam a salvação da própria alma e a salvação do próximo são tentados por uma má tristeza. A má tristeza pode ser de dois tipos. A primeira delas é uma má tristeza em si mesma, quer dizer, quando nos entristecemos por algo que na verdade é um bem. Um exemplo dessa má tristeza seria entristecer-se por ter de vir à Missa no domingo, ou entristecer-se por não poder dizer uma grosseria. A segunda má tristeza, a que atinge principalmente os bons, é uma tristeza que tem razão de ser, mas que tem consequências ruins. Vemos, constantemente, os bons católicos tristes pelas ofensas que se cometem contra Deus, pelas infidelidades dos homens de todas as posições, pelo estado da Igreja e da sociedade, pelo desprezo com o que há de mais sagrado e pelo desprezo para com a lei natural. De fato, como não se entristecer diante de uma sociedade que sacrifica os filhos, pelo aborto, no altar da comodidade e do prazer e que se alegra em aprovar publicamente pecados que clamam aos céus por vingança, como o homossexualismo? Há motivo para que haja tristeza, não tem dúvidas. Todavia, será uma tristeza ruim, se, como consequência, ela nos leva ao abatimento da alma, se ela nos faz perder a confiança em Deus e nos faz perder o desejo de rezar. Ela será uma tristeza ruim, se ela nos faz buscar divertimentos exteriores ilícitos ou se nos faz buscar, mais do que o devido, divertimentos lícitos. Essa tristeza ruim nos impede muitas vezes de fazer o bem que podemos e devemos fazer aqui e agora, sob pretexto de que a situação da Igreja está muito difícil, ou com a desculpa de que já não se pode fazer nada ou porque, às vezes, aqueles que mais deveriam nos ajudar, infelizmente, atrapalham. Essa má tristeza é, lastimavelmente, bastante comum, mesmo entre bons católicos. Ela é uma praga. Como nos diz a Sagrada Escritura (Eclesiástico 30, 24 e 25): Fixa o teu coração na santidade do mesmo Deus e afasta para longe de ti a tristeza, pois a tristeza matou muitos e nela não tem utilidade. A tristeza, dominando muitas almas, matou-as espiritualmente, paralisando-as, levando-as ao desencorajamento, ao desespero. É preciso afastar com toda força para longe de nós essa tristeza. Diante dos verdadeiros males, devemos reagir com uma tristeza cristã, se assim podemos chamá-la: uma tristeza que nos leva à oração e ao fervor no serviço de Deus, que nos leva a buscar a união profunda com Deus, onde está a nossa verdadeira consolação, que não é uma consolação sensível. Essa boa tristeza não nos impede de fazer o bem que podemos e devemos fazer aqui e agora na nossa escala. Ao contrário, ela nos conduz a praticar esse bem com intensidade. A boa tristeza sabe tirar dos males um bem, sempre. Essa boa tristeza é motivo de alegria no fundo, pois ao nos fazer progredir na união com Deus e na prática da virtude, nos leva à alegria. Ela nos fixa em Deus.

Portanto, caros católicos, alegremo-nos sempre no Senhor. Afastemos para longe de nós a tristeza que nos tira as forças e nos conduz à morte espiritual. Devemos servir a Deus com alegria (Salmo 99, 2) e devemos nos rejubilar no Senhor (Salmo 99, 1), como nos diz a Sagrada Escritura. Deus alegrará a juventude da nossa alma, se aplicarmos os meios de que falamos.. Deus não nos quer sorrindo o tempo todo como diz uma canção que se canta por aí, mas Ele quer que sejamos profundamente alegres, de uma alegria e entusiasmo espirituais. O demônio e o mundo, por sua vez, querem nos fazer acreditar que ser católico é algo triste e melancólico, pois o católico renuncia a vários bens desse mundo. Um católico não aproveita a vida, se diz. Que grande ilusão o demônio e o mundo nos apresentam. É preciso, sobretudo, deixar claro para nossas crianças e jovens que ser católico é uma grande alegria. O católico abandona os bens aparentes desse mundo para possuir o verdadeiro bem, que é a Santíssima Trindade. Um católico aproveita mais do que ninguém a vida e a aproveita muito bem, juntando tesouros eternos. Alegrai-vos sempre no Senhor. Digo de novo, alegrai-vos.

Em nome do Pai, e do Filho e do Espírito Santo. Amém

3º Dia da Novena de Natal – Santo Afonso de Ligório. Antífona – O Adonai

Seria conveniente fazer a meditação da Novena em família e rezar o Santo Terço em seguida.

Aqui está o arquivo PDF com a Novena completa: Novena de Natal Completa

Para os horários da Novena na Capela Nossa Senhora das Dores, ver o Calendário Dezembro 2014.

Meditações de Santo Afonso de Ligório para a Novena de Natal

3º Dia – 18 de dezembro

Parvulus natus est nobis, et Filius datus est nobis.

Nasceu-nos um Menino e foi-nos dado um Filho (Is 9,3).

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Considera que após tantos séculos, após tantos suspiros e preces, o divino Messias, que os patriarcas e os profetas não tiveram a felicidade de ver, o Desejado das nações, o Desejo das colinas eternas, numa palavra, nosso Salvador veio enfim, nasceu, e deu-se todo a nós: Nasceu-nos um Menino, foi-nos dado um Filho…

O Filho de Deus se fez pequeno para nos fazer grandes; deu-se a nós, a fim de que nos demos a Ele; veio mostrar-nos seu amor a fim de que o correspondamos com o nosso. Rece­bamo-lo pois com afeto, amemo-lo e recorramos a Ele em to­das as nossas necessidades.

As crianças, diz S. Bernardo, dão facilmente o que se lhes pede. Jesus veio sob a forma duma criança para manifestar a sua disposição de comunicar-nos seus bens. Ora, nele estão todos os tesouros. Seu Pai celeste colocou tudo em suas mãos. Desejamos luzes? Ele veio precisamente para iluminar-nos. Desejamos mais força para resistir aos inimigos? Ele veio para fortalecer-nos. Desejamos o perdão das nossas faltas e a salvação? Ele veio para perdoar-nos e salvar-nos. Enfim dese­jamos o soberano dom do amor divino? Ele veio justamente para inflamar nossos corações, e para isso é que ele se fez Menino: se ele quis mostrar-se aos nossos olhos num estado tão pobre e tão humilde, e por isso mesmo mais amável, foi para tirar-nos todo o temor e ganhar o nosso amor. Além disso, Jesus quis nascer como criança para que o amemos não so­mente sobre tudo, mas também com amor terno. Todas as cri­anças sabem conquistar a afeição terna de quem as vê; ora, quem não amará com toda a ternura a um Deus, vendo-o feito Menino, necessitado de leite, tremendo de frio, pobre, desprezado e abandonado, que chora sobre a palha numa manjedoura? Por Isso S. Francisco inflamado de amor exclamava: Ame­mos o Menino de Belém, amemos o Menino de Belém. Vinde , ó almas, vinde e amai o meu Deus feito Menino, feito pobre; que é tão amável e que desceu do céu para dar-se todo a vós.

Afetos e Súplicas

Ó meu amável Jesus, por mim tão desprezado, descestes do céu para resgatar-me do inferno e dar-vos todo a mim, e como pude desprezar-vos tantas vezes e voltar-vos as costas? Ó Deus, os homens são tão gratos às criaturas; se alguém lhes faz algum benefício, se de longe lhes fazem uma visita, se lhes mostram sinal de afeto, não podem esquecer-se disso e sen­tem-se obrigados a pagar-lhes. E são tão ingratos para convosco, que sois o seu Deus cheio de amabilidade, e que por amor deles não recusastes dar o sangue e a vida. — Mas ah! eu tenho sido pior do que todos, pois que, apesar de me terdes amado, eu vos tenho sido mais ingrato. Ah! se tivésseis concedido a um herege, a um idolatra, as graças com que me favoreceste, ele se teria santificado; e eu, eu vos ofendi! Se­nhor, dignai-vos esquecer as injúrias que vos fiz. Vós dissestes que, quando um pecador se arrepende, esqueceis todos os ultrajes que dele recebestes. Se no passado eu vos não amei, no futuro não quero fazer outra coisa senão amar-vos. Vós vos destes todo a mim; eu vos consagro toda a minha vontade, e assim vos amo, vos amo, vos amo, e quero repetir sem cessar; amo-vos, amo-vos; e quero dizer sempre a mesma coisa en­quanto viver, e quero exalar o último suspiro tendo nos lábios a doce palavra:- Meu Deus, eu vos amo! — para começar depois, ao entrar na outra vida, a amar-vos sem interrupção, com um amor sem fim, com amor eterno. Aguardando essa ventura, ó meu Deus, meu único Bem, meu único Amor, estou resolvido a preferir a vossa vontade a todas as minhas satisfações. Venha o mundo inteiro, eu o repilo; não quero cessar de amar Aquele que tanto me amou; já não quero desgostar Aquele que merece amor infinito. Meu Jesus, secundai o meu desejo e a minha resolução com a vossa graça.

Maria, minha Rainha, reconheço que por vossa intercessão tenho recebido todas as graças que Deus me tem concedi­do; não cesseis de interceder por mim; obtende-me a perseverança, vós que sois a Mãe da perseverança.

Antífona – Ó Adonai

As belíssimas “Antífonas Ó” são as antífonas das Vésperas que antecedem a
Natividade de Nosso Senhor Jesus Cristo, do dia 17 ao dia 23. São uma obra-prima da liturgia católica. Deram origem ao título de Nossa Senhora do Ó.

Ó Adonai e guia da casa de Israel, que aparecestes para Moisés no fogo da sarça ardente e lhe destes a lei no Monte Sinai: vinde para nos redimir com a força do teu braço.

[Convite] Missa Solene Pontifical na Oitava do Natal

Na Oitava de Natal, Festa da Circuncisão do Senhor, Sua Excelência Reverendíssima Dom Fernando José Monteiro Guimarães, Arcebispo Militar do Brasil, celebrará Missa Solene Pontifical no Faldistório, segundo o Rito Romano Tradicional.

A cerimônia ocorrerá, portanto, no dia 1º de janeiro de 2015, às 10 horas da manhã, na Capela Nossa Senhora das Dores. Informações sobre endereço e mapa podem ser acessados neste link.

Convite - Missa Solene Pontifical na oitava do Natal 2015.001

2º Dia da Novena de Natal – Santo Afonso de Ligório. Antífona – O Sapientia

Seria conveniente fazer a meditação da Novena em família e rezar o Santo Terço em seguida.

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Para os horários da Novena na Capela Nossa Senhora das Dores, ver o Calendário Dezembro 2014

Capela Natal

 

Meditações de Santo Afonso de Ligório para a Novena de Natal

2º Dia – 17 de dezembro

 Hostiam et oblationem noluisti; corpus autem aptasti mihi.

Não quisestes hóstia nem oblação, mas me formastes um corpo (Hb 10,5).

   Imagem

Considera a grande amargura de que o coração de Jesus devia sentir-se penetrado e oprimido no seio de Maria, no momento em que seu Pai lhe colocou ante os olhos a longa série de desprezos, dores a agonias, que teria de sofrer durante sua vida para livrar os homens de seus males.

Eis como o profeta faz falar a Jesus: Desde a manhã o Senhor abriu-me o ouvido. Desde o primeiro instante de minha concepção, meu Pai me fez conhecer a sua vontade que eu levasse uma vida de penas, para ser depois imolado na cruz. E eu não contradigo… entreguei meu corpo aos que me batiam. Tudo aceitei para a vossa salvação, almas queridas, desde então abandonei meu corpo aos flagelos, aos cravos e à morte.

Tudo quanto Jesus Cristo teria de sofrer durante sua vida e na sua paixão pairou ante o seu espírito desde o seio de sua. Mãe, e Ele o aceitou com amor; mas para resignar-se a esse sacrifício e para vencer a repugnância natural dos sentidos, ó Deus! que angústia e que opressão não sofreu o coração inocente de Jesus! Ele sabia de antemão o que devia sofrer ficando encerrado nove meses na escura prisão do seio de Maria; sabia a que humilhação e penas devia sujeitar-se nascendo numa fria gruta que servia de abrigo aos animais, e passando depois trinta anos na oficina dum pobre artífice; sabia que os homens o tratariam como a um ignorante, um escravo, um sedutor, um criminoso digno de morte e da morte mais infame e mais dolorosa que se possa infligir aos celerados.

Nosso amantíssimo Redentor aceitou tudo isso a cada instante; e assim, a cada instante sofreu em conjunto todos os tormentos e todos os opróbrios que o aguardavam até a sua morte: O próprio conhecimento de sua dignidade divina lhe fazia sofrer mais profundamente as injúrias que deveria receber dos homens, e nunca as perdia de vista. A minha ignomínia está todo o dia diante de mim, dissera pelo profeta; e por essa ignomínia entendia, sobretudo, aquela confusão que devia provar um dia vendo-se despojado de suas vestes, flagelado, suspenso por três cravos de ferro e vendo assim terminar a vida no meio dos desprezos e maldições desses mesmos homens pelos quais morria: Foi obediente até a morte, até a morte da cruz. E por quê? Para salvar a nós pecadores miseráveis e ingratos.

Afetos e Súplicas

Ah! meu amado Redentor, quanto vos custou desde a vossa entrada neste mundo o livrar-me do abismo em que me lançaram os meus pecados! Para me libertardes da escravidão do demônio, ao qual me vendi voluntariamente entregando-me ao pecado, quisestes ser tratado como o pior dos escravos; e eu, sabendo isso, contristei muitas Vezes o vosso amabilíssimo coração, que tanto me amou! Mas já que vós, que sois inocente e que sois o meu Deus, aceitastes por meu amor uma vida e uma morte tão penosas, aceito por vosso amor, ó meu Jesus, todas as penas que me vierem de vossas mãos. Eu as aceito e abraço porque me vêm dessas mãos traspassadas um dia para me livrarem do inferno que tantas vezes mereci. O amor que me testemunhastes, ó meu Redentor, prontificando-vos a sofrer assim por mim, obriga-me deveras a resignar-me por vós a todos os sofrimentos, a todos os desprezos. Senhor, pelos vossos méritos, dai-me o vosso santo amor; o vosso amor tornar-me-á doces e amáveis todas as dores e todas as ignomínias. Amo-vos sobre todas as coisas, amo-vos de todo o meu coração, amo-vos mais do que a mim mesmo. Mas no decorrer de toda a vossa vida destes-me tantas e tão grandes provas de vosso amor, e eu ingrato, após tantos anos de existência, que prova de amor vos tenho dado até agora? Fazei, pois, ó meu Deus, que nos anos que me restam de vida eu vos dê qualquer prova do meu amor. Não ousaria, no dia do juízo, aparecer diante de vós, pobre como sou atualmente e sem nada haver feito por amor de vós. Mas que posso fazer sem a vossa graça? Só posso pedir me ajudeis, e mesmo essa oração é um efeito da vossa graça. Meu Jesus, socorrei-me pelos méritos das vossas dores e do sangue que derramastes por mim.

Santíssima Virgem Maria, recomendai-me a vosso divino Filho, conjuro-vos pelo amor que lhe tendes: considerai que sou uma das ovelhas pelas quais vosso Filho deu a vida.

Antífona – Ó Sabedoria

As belíssimas “Antífonas Ó” são as antífonas das Vésperas que antecedem a
Natividade de Nosso Senhor Jesus Cristo, do dia 17 ao dia 23. São uma obra-prima da liturgia católica. Deram origem ao título de Nossa Senhora do Ó.

Ó Sabedoria, que proviestes da boca do Altíssimo, atingindo de um extremo (da criação) ao outro, dispondo todas as coisas com força e suavidade: vinde para nos ensinar o caminho da prudência.

1º dia da Novena de Natal – Santo Afonso de Ligório

Seria conveniente fazer a meditação da Novena em família e rezar o Santo Terço em seguida.

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Meditações de Santo Afonso de Ligório para Novena de Natal

1º Dia – 16 de dezembro

Dedi te in lucem gentium, ut sis salus mea usque ad extremum terrae.

Eu te estabeleci para luz das gentes, a fim de seres a salvação que eu envio até a última extremidade da terra (Is 49,6).

Imagem

Considera o Pai celeste dizendo estas palavras a Jesus Menino no momento de sua concepção: Meu Filho, eu te estabeleci para luz das gentes e a vida das nações, a fim de que lhes procureis a salvação, que desejo tanto como se fosse a minha própria. É pois necessário que vos dediqueis inteiramente ao bem do gênero humano: “Dado sem reserva ao homem deveis dedicar-vos inteiramente em benefício dele”. É necessário que sofrais uma pobreza extrema desde o vosso nascimento a fim de que o homem se torne rico: Ut tua inopia dites. É necessário que sejais vendido como um escravo para pagardes a liberdade do homem, e que, como escravo, sejais flagelado e crucificado a fim de satisfazer à minha justiça pelas penas devidas aos homens. É necessário que deis vosso sangue e vossa vida para livrar o homem da morte eterna. Numa palavra, sabei que não sois mais vosso mas do homem, segundo a palavra de Isaías: Nasceu-nos um Menino, foi-nos dado um filho. Assim, meu caro Filho, o homem se sentirá constrangido a amar-me e a dar-se a mim, ao ver que vos dou todo a ele, vós meu único Filho, e que me não resta mais nada a dar-lhe. Eis até onde chegou o amor de Deus aos homens! Ó amor infinito, digno somente dum Deus infinito! Jesus mesmo, disse: Deus amou de tal modo o mundo que deu por ele seu unigênito Filho.

A essa proposta Jesus Menino não se entristece, antes se alegra, aceita-a com amor e exulta: Dá saltos como gigante para percorrer o seu caminho. Desde o primeiro instante de sua encarnação, Ele se dá todo ao homem e abraça com alegria todas as dores e humilhações que deve sofrer no mundo por amor dos homens. Essas foram, diz S. Bernardo, as montanhas e as colinas escarpadas que Jesus Cristo teve de escalar para salvar os homens: Ei-lo, aí vem saltando sobre os montes, atravessando os outeiros.

Notemos bem: enviando-nos seu Filho como Redentor e Mediador de paz entre Ele e os homens, Deus Padre obrigou-se de certo modo a perdoar-nos e a amar-nos; entre o Pai e o Filho interveio um pacto em virtude do qual o Pai devia receber-nos em sua graça, contanto que o Filho satisfaça por nós à divina justiça. De seu lado, o Verbo também se obrigou a amar-nos, não por causa do nosso mérito, mas para cumprir a misericordiosa vontade de seu Pai.

Afetos e Súplicas

Meu caro Jesus, se é verdade, como a lei o declara, que se adquire o domínio pela doação, vós me pertenceis porque o vosso Pai vos deu a mim: é por mim que nascestes, a mim fostes dado: Nasceu-nos um Menino, foi-nos dado um Filho. Posso pois dizer: Meu Jesus e meu tudo. Já que sois meu, todos os bens me pertencem. O vosso apóstolo me assegura: Como não nos dará também com ele todas as coisas? Por isso, meu é o vosso sangue, meus os vossos méritos, minha a vossa graça, meu o vosso paraíso. E se sois meu quem poderá jamais arrancar-vos de mim? Ninguém poderá tirar-me o meu Deus. Assim dizia com júbilo S. Antão Abade; assim também quero dizer no futuro. É verdade que vos posso perder ainda e afastar-me de vós pelo pecado; mas, ó meu Jesus, se no pas­sado vos abandonei e perdi, arrependo-me agora de toda a minha alma, e estou resolvido a perder tudo, a própria vida, antes que tornar a perder-vos, ó Bem infinito e único amor de minha alma. — Agradeço-vos, Pai eterno, por me terdes dado vosso Filho; e já que mo destes todo, eu miserável dou-me to­do a vós. Pelo amor desse Filho adorável, aceitai-me e prendei-me com cadeias de amor a meu Redentor, mas prendei-me tão estreitamente que possa dizer com o apóstolo: Quem me pode­rá ainda separar de meu Jesus? — E vós, meu Salvador, se sois todo meu, sabei que sou todo vosso. Disponde de mim, e de tudo o que me pertence como vos aprouver. E como poderia eu recusar alguma coisa a um Deus que me não recusou o seu sangue e a sua vida?

Maria,  minha Mãe,  guardai-me sob vossa proteção. Já não quero ser meu, quero ser todo do meu Senhor. A vós compete tornar-me fiel, confio em vós.

[Sermão] Nossa Senhora de Guadalupe: a mensagem contida na imagem

Sermão para a Festa de Nossa Senhora de Guadalupe
12 de dezembro de 2014 – Padre Daniel Pinheiro

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Em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo. Amém. Ave Maria. […]

O ano é 1531. Os missionários espanhóis encontram bastante dificuldade para evangelizar o povo asteca que habitava a região onde hoje está o México. Podemos atribuir essa dificuldade à influência enorme do demônio nesse povo. Em 1487, por exemplo, em torno de quarenta anos antes da aparição de Nossa Senhora de Guadalupe, houve a consagração do principal templo pagão. Durante 4 dias, 80 mil pessoas foram sacrificadas, em ritos brutais e macabros. Ao longo de cada ano, com essa religião, 50 mil pessoas eram sacrificadas. Sacrifícios humanos. Era essa a cultura dos indígenas. Dado um culto tão profundamente demoníaco, era difícil converter as almas.

Para amolecer esses corações tão endurecidos, Nosso Senhor não teve alternativa. Permitiu que sua Mãe, nossa Mãe, Maria, aparecesse. E com essa aparição as almas finalmente se voltaram a Deus. No dia 9 de dezembro, primeiro dia da oitava da festa da Imaculada Conceição, aquele pobre índio, convertido a Jesus Cristo, atravessava a colina de Tepeyac às 5:30 da manhã, para assistir à Santa Missa para receber o catecismo e cuidar dos seus negócios. Era um índio convertido que ia à Missa, às 5:30 da manhã a pé, atravessando uma colina. Nessa colina, tinham existido anteriormente três templos dedicados à deusa Tonantzin, considerada pelos pagãos astecas mãe dos deuses e dos astecas. Os templos tinham sido demolidos por Cortés. Lá apareceu a verdadeira Mãe de Deus, do único Deus Uno e Trino, dizendo a Juan Diego que ela pedia ao Bispo a construção de uma igreja católica naquele lugar. O índio relata ao Bispo todo o ocorrido. O Bispo age com prudência, sem dar muito crédito, inicialmente.

BishopJuanDiego-370x300É somente com a quarta aparição no dia 12 de dezembro que o bispo se convence da veracidade das aparições. Juan Diego chega, nesse dia, ao palácio episcopal. Com ele, estão rosas de Castilha. Não era a época de rosas e não era um local onde podiam ser encontradas rosas, sobretudo essas rosas. Ele desdobra, então, o seu manto e, nesse manto, aparece a imagem de Nossa Senhora, que hoje chamamos de Guadalupe. O Bispo e os seus servidores se ajoelham e veneram a imagem. Não me prolongarei na história, que cada um pode procurar conhecer a partir de fontes confiáveis.

Gostaria de considerar, porém, a mensagem contida na imagem. A imagem se dirige ao Bispo e aos já católicos, mas ela se dirigia sobretudo aos pagãos astecas. Ela fala, então, a linguagem que eles conheciam muito bem.

Como já dissemos, Nossa Senhora aparece na colina onde estavam os templos pagãos dedicados à deusa pagã considerada a mãe de todos os deuses e dos astecas. Ao aparecer lá, Nossa Senhora diz que ela é a Mãe de Deus e a Mãe dos astecas e de todos os homens. Ela apareceu em um ano que para os astecas significava a plenitude e o nascimento do sol. Ela vai trazer a plenitude e o sol verdadeiros, Nosso Senhor Jesus Cristo. Atrás da imagem, os raios dourados. Daquela Virgem está saindo o sol, que representa Deus.

Eternal_father_painting_guadalupeO manto onde aparece a imagem é grosseiro, de textura imperfeita, impossível de pintar nele. O próprio tecido não costuma durar muito tempo. O que dizer de uma imagem em tal tecido? Mas lá está a imagem até hoje.

Os cabelos estão soltos, indicando sua condição de donzela virgem. As índias casadas levavam o cabelo amarrado em trança.

Nos olhos da Imagem da Santíssima Virgem estão refletidos os bispos e os outros presentes no momento em que se desdobrou o manto de Juan Diego. Ninguém, àquela época, e em tal tecido conseguiria fazer isso. Os indígenas da época também não puderam ver isso na imagem. Apenas recentemente e com a tecnologia moderna é que se tornou possível constatar esse fato estupendo. É uma mensagem para a nossa época moderna, tecnológica. Há quase 500 anos, Deus nos falava claramente.

O broche no pescoço de Maria também é importante. Um colar com um broche no pescoço significa, para os indígenas, submissão e consagração a um Deus. O broche tem uma cruz, espanhola, e mostra a importância de Jesus Cristo sobre Nossa Senhora e mostra a veracidade do Evangelho trazido pelos missionários espanhóis. O único sacrifício agradável a Deus é o de Cristo, na Cruz.

nossa_senhora_de_guadalupeAs mãos de Nossa Senhora, postas em oração, representam também a Igreja que deveria ser construída a mando dela naquela colina. Uma das mãos é mais branca, enquanto a outra mais morena: todos devem se submeter a Maria, para se submeter, assim, a Cristo. O mesmo se pode dizer do rosto da Virgem. Não é europeu nem indígena, mas mestiço.

O laço escuro acima do ventre deixa claro para os indígenas que se trata de uma mulher grávida. Colocavam o laço acima do ventre para permitir o natural crescimento do ventre durante a gestação. E o laço indica também que se trata de uma mulher nobre. Ela é uma donzela Virgem, com os cabelos soltos, mas grávida, com o laço negro acima do ventre.

Na altura do ventre de Nossa Senhora, há uma flor – a única na imagem – com quatro pétalas, que é um símbolo fortíssimo para os astecas. Essa flor indica os quatro movimentos do sol. Representa que Maria está grávida do Menino Sol, daquele que é a Luz do Mundo, o Menino Deus, Nosso Senhor Jesus Cristo.

Nossa Senhora está sobre o centro da lua que na língua indígena se dizia praticamente México. O pé que aparece indica, para os indígenas, o movimento de oração. Nossa Senhora reza sobre o México, sobre a lua. O pé aparecendo é, na iconografia cristã, símbolo de que Nossa Senhora está grávida.

O anjo que sustenta o manto da Senhora tem as feições de um índio. É um jovem guerreiro do exército do sol, que agora deverá ser soldado de Cristo. Representa Juan Diego e nele todo o povo. O anjo tem asas de águia, animal que pode fitar o sol diretamente. O nome de Juan Diego na língua indígena fazia referência a uma águia.

Eis alguns símbolos contidos na imagem de Nossa Senhora de Guadalupe e que falaram claramente para os índios da época, trazendo-os a Cristo. No momento em que a Igreja perdia a metade de seus filhos na Europa em virtude da heresia e da revolta protestantes, Deus recebia em sua casa novos povos do novo mundo. Agradeçamos a Deus pela sua bondade infinita, pela sua inefável providência. Por nos ter permitido a chegada de colonizadores católicos em nossa pátria e em nosso continente, tirando-nos do tenebroso paganismo. Rezemos a Nossa Senhora de Guadalupe pelo Brasil, pelas Américas. O paganismo brutal que ela veio destruir com sua aparição na colina de Tepeyac está voltando, se é que já não voltou, sob nova forma. Os sacrifícios humanos estão voltando, no aborto, na eutanásia, no assassinato dos inocentes que vemos ocorrer no dia a dia de nossas cidades. Tudo isso fruto de uma sociedade sem s Cristo sem a Igreja.

Que Nossa Senhora nos traga novamente o Sol, que é Jesus Cristo.

Em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo. Amém.

[Sermão] A Imaculada Conceição

Sermão para a Festa da Imaculada Conceição

08.12.2014 – Padre Daniel Pinheiro, IBP

[Sermão] A Imaculada Conceição de Nossa Senhora: O Espelho de Justiça – 08.12.2013

A Imaculada Conceição de Maria Santíssima – 08.12.2012.

Em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito santo. Amém.

Ave Maria…

“Toda sois formosa, ó Maria, e a mácula original não está em vós.”

Que bela festa nós celebramos nesse dia de hoje, caros católicos, que bela festa de Nossa Senhora. A Imaculada Conceição de Maria Santíssima. No Tempo do advento, no tempo de espera do nascimento do Sol de Justiça, que é Jesus Cristo, nós comemoramos a aurora que surge, Maria Santíssima, concebida no ventre de sua mãe, Sant’Ana. Após o pecado dos nossos primeiros pais, Adão e Eva – o pecado original – todo ser humano está submetido a uma mesma lei: nascer com o pecado original, isto é, afastados de Deus, sem a graça divina, sem a sua amizade. Nossa Senhora, ela, não foi submetida a essa lei. Desde o primeiro momento de sua concepção no ventre de Sant’Ana, Nossa Senhora já estava em amizade com a Santíssima Trindade, já estava na graça divina. Maria foi concebida sem pecado. Podemos comparar Nossa Senhora a Esther. O Rei Assuero havia baixado um decreto pelo qual qualquer pessoa que entrasse nos seus aposentos reais sem ter sido chamado deveria morrer no ato. A rainha Esther entrou sem ser chamada e não morreu. Nossa Senhora entrou no mundo, mas sem o pecado original, como Esther entrou nos aposentos do rei sem ser morta. Nossa Senhora é o véu de Gedeão. Quando tudo em torno estava molhado, o véu permanecia seco. Quando tudo permanecia seco, o véu ficava molhado. Nossa Senhora, ao contrário de todos os filhos de Adão, nasceu sem o pecado original. Claro, com ela, também Nosso Senhor Jesus Cristo, sendo homem e Deus, não teve o pecado original.

Há 160 anos o Papa Pio IX proclamou infalivelmente essa verdade já universalmente professada pelos católicos. Assim disse o Papa em 1854: “[…] Com a autoridade de Nosso Senhor Jesus Cristo, dos bem-aventurados Apóstolos Pedro e Paulo, e com a Nossa, declaramos, pronunciamos e definimos que a doutrina que sustenta que a beatíssima Virgem Maria, no primeiro instante da sua Conceição, por singular graça e privilégio de Deus onipotente, em vista dos méritos de Jesus Cristo, Salvador do gênero humano, foi preservada imune de toda mancha de pecado original, foi revelada por Deus, e, por isso, deve ser crida firme e inviolavelmente por todos os fiéis.”

A Santíssima Trindade quis preservar Maria do pecado porque, sendo Mãe de Jesus, ela era Mãe de Deus. Não podia a Mãe de Deus ficar nem sequer um instante sob o domínio do pecado e do demônio. Isso ofenderia a honra de seu Divino Filho. Como sempre dizemos: todas as graças em Maria têm como raiz a sua maternidade divina, têm como raiz o fato de ela ser a Mãe de Deus. Depois de seu próprio nome – Maria – o título que mais agrada a Nossa Senhora é o de Mãe de Deus. Por isso, é a segunda invocação das ladainhas de Nossa Senhora. Por isso, está na segunda parte da Ave Maria. Mãe de Deus, Mãe de Jesus, verdadeiramente homem e verdadeiramente Deus.

Maria foi concebida, então, sem o pecado original. Todavia, caros católicos, essa concepção sem pecado é tão somente o aspecto negativo do mistério excelso que comemoramos hoje. Devemos considerar brevemente o aspecto positivo. Maria foi concebida sem pecado. Ela foi concebida, então, em graça. Mas que graça! Uma graça santificante maior que a de todos os anjos e santos juntos no céu. Deus faz tudo com ordem, peso, número. Se Deus escolheu Maria para Mãe do Verbo, Ele deve dar a ela as graças para exercer bem a sua função. Ora, a função de Mãe de Deus é tão sublime que a simples preparação para ela exige uma graça maior que a graça de todos os anjos e santos juntos no céu. No primeiro instante de sua concepção, Maria Santíssima possuía uma graça que não podemos medir. A sua amizade e proximidade com Deus eram imensas. Todavia, Nossa Senhora, ao longo de sua vida nessa terra, a cada ato, progredia nas virtudes, na caridade. Cada ato seu era mais perfeito e feito com maior caridade do que o anterior. Nossa Senhora avançava na caridade, no amor a Deus, em movimento acelerado. Mal podemos imaginar a perfeição das virtudes que habitava a sua alma no momento de sua concepção. O que dizer, então, no final de sua vida?

De Maria nunquam satis nos dizem os santos. Sim, de Maria nunca poderemos falar o suficiente. Maria, como nos diz o famoso hino Ave Maris Stella, mudou o nome de Eva, invertendo-o. De Eva, para Ave. Maria muda o nome de Eva porque faz o inverso da mãe natural de todo ser humano. Eva cooperou com o pecado original de Adão. A nova Eva, a Ave Maria, cooperou e coopera com o novo Adão, Jesus Cristo, na redenção. Assim, Eva gerou filhos para povoar a terra. Maria, sendo perpetuamente virgem, gerou filhos espirituais para o céu.

Pela Imaculada Conceição, Maria nos ensina, de um lado, a fugir do pecado e, do outro, a buscar a virtude, o amor a Deus, a prática dos mandamentos. É preciso fazer as duas coisas ao mesmo tempo. Não podemos buscar a virtude sem combater seriamente o pecado. Não podemos combater o pecado sem buscar seriamente a virtude. Nesse dia, em particular, a Igreja nos incentiva também a considerar a pureza de Maria Santíssima, Mãe Puríssima, Mãe Castíssima. Devemos imitá-la na pureza de nossos pensamentos, de nosso comportamento, de nossas vestimentas, de nossos olhares, de nossas diversões. Os cônjuges devem ter sempre a sua união voltada à procriação. Jamais separar união conjugal da procriação ou a procriação da união conjugal.

Maria é realmente a glória da nova Jerusalém, que é a Igreja. Ela é a alegria do novo Israel, que é a Igreja. Ela é o orgulho do povo cristão. Grande deve ser a nossa alegria, pois Maria é nossa Mãe e nossa Advogada. Ela é a Torre de Davi, pronta para nos defender dos ataques inimigos, se a Ela recorremos. Lembremo-nos, caros católicos, que nunca se ouviu dizer que alguém que tenha recorrido a Nossa Senhora tenha sido desamparado. Confiança em Maria! Ela ouve sempre os filhos que a ela recorrem com bons desejos, com desejos de chegar ao céu.

Em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo. Amém.

[Sermão] São João Batista, modelo para o advento. E a virilidade verdadeira e necessária.

Sermão para o 2º Domingo do Advento

07.12.2014 – Padre Daniel Pinheiro, IBP

Outros Sermões para o Advento:

O Tempo do Advento

[Sermão] Advento: Os Símbolos do Natal do Menino Jesus

Advento: mortificação e penitência

[Sermão] Advento: A verdadeira solução é a santidade

[Sermão] Advento: Meios para alegrar a alma

Advento: alegria

Advento: o pecado original, o motivo da encarnação e a salvação de Deus

Em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo. Amém.

Ave Maria…

“Eis que eu envio meu anjo diante de ti, o qual preparará o teu caminho.”

Como já falamos em outra oportunidade, a Igreja nos dá como exemplo no tempo do Advento o profeta Isaías – modelo de oração e súplica -, São João Batista – modelo de penitência – e Nossa Senhora – modelo de humildade.

Hoje, consideremos um pouco mais e melhor o precursor, São João Batista, a partir das palavras do Salvador no Evangelho. Antes de tudo, porém, devemos deixar claro que São João Batista envia seus discípulos para perguntar a Jesus se Ele é o Messias não porque ele mesmo duvidasse, mas ele envia seus discípulos demasiadamente apegados à sua pessoa para que pessoalmente comprovem que Jesus Cristo é, de fato, o Messias. Não podia aquele, cuja missão dada por Deus era a de anunciar o Messias desde o ventre da sua mãe, confundir-se e ter dúvidas em momento tão importante. É por caridade para com os seus discípulos que João Batista os manda fazer essa pergunta a Jesus. E Nosso Senhor responde com clareza, mostrando que cumpre todas as profecias relativas ao Messias. O Messias vai fazer os cegos verem, os coxos andarem, os leprosos serem limpos, os surdos ouvirem, os mortos ressuscitarem e os pobres (de espírito) serem evangelizados. Nosso Senhor Jesus Cristo não faz outra coisa, literalmente, mas também espiritualmente. Ele cura a cegueira com a luz da Verdade, que é Ele mesmo. Ele cura os coxos, dando força para as almas poderem andar na vida espiritual com a sua graça. Ele limpa os leprosos perdoando os pecados dos arrependidos. E assim por diante. Nosso Senhor provou por todos os meios que é o Messias, o Salvador prometido. Provou por todos os meios que é verdadeiramente homem e verdadeiramente Deus. Provou cumprindo as profecias messiânicas anunciadas em todo o Antigo Testamento. Provou pelos milagres que operou. Provou pela celestial doutrina que ensinou e pela vida perfeita que levou nesse mundo.

Voltemos, porém, à figura do precursor. Nosso Senhor diz que João Batista não é uma cana agitada pelo vento. E, de fato, o precursor não muda segundo as conveniências, mas é estável na fé e no cumprimento da sua missão. A cana agitada pelo vento vai de um lado para o outro, conforme a direção do vento. Ela se contorce e se submete ao vento. São João Batista, ao contrário, permanece fiel. Por vaidade, ele poderia ter dito que era o Messias quando os chefes dos fariseus e os chefes dos sacerdotes perguntam para ele se ele era o Messias. Ele poderia ter cedido ao pensamento e à insistência de alguns de seus discípulos que tinham inveja do Evangelho de Jesus Cristo. Ele poderia ter mudado suas palavras e sua doutrina diante da prisão e de sua condenação à morte por Herodes. São João Batista resistiu ao orgulho, à vaidade, ao respeito humano e ao medo da morte. Continuou inteiramente fiel. Não como uma cana agitada pelo vento, inconstante, mas firme como um cedro do Líbano. Assim devemos ser, caros católicos, se quisermos que nasça e que permaneça em nossa alma Jesus Cristo. Devemos permanecer firmes na fé católica, que recebemos de Cristo e que nos é transmitida pela Igreja sem alterações. Não devemos ceder às pressões do mundo, aos ventos do mundo, que sopram violentamente tentando quebrar a nossa alma, levando-a ao pecado, como quebra as árvores. Não devemos ser levados na mesma direção que o mundo, mas devemos levar o mundo para a Santíssima Trindade, para a Igreja. Não devemos ceder aos diversos lobbies da cultura de morte contra a família, em favor do aborto, das uniões homossexuais. São João batista foi decapitado por ter defendido a indissolubilidade do casamento, denunciando o adultério de Herodes. Não devemos ceder um só jota na doutrina católica e na sua moral. Na época de Nosso Senhor, ninguém se interessava em ir ver no deserto uma cana agitada pelo vento. Hoje, ninguém vai se interessar por Nosso Senhor Jesus Cristo, se os membros da Igreja são como uma cana agitada pelos ventos da mentalidade moderna. Se os pastores da Igreja seguem o mundo, ninguém se interessará por ela, pois ninguém procurará uma cana agitada pelo vento. Se, ao contrário, os pastores da Igreja permanecem firmes, as pessoas buscarão a Igreja e voltarão a ela como o filho pródigo. Também na nossa vida cotidiana devemos ser estáveis, firmes, para não cedermos aos ventos do mundo, da vaidade, do respeito humano, do medo. São João Batista não é uma cana agitada pelo vento.

São João Batista é um homem vestido de roupas delicadas? Tampouco, diz Nosso Senhor. Essa imagem das roupas delicadas significa as três concupiscências: da carne, dos olhos e da soberba. São João Batista não se entregava à intemperança (concupiscência da carne), à cobiça (concupiscência dos olhos) ou ao orgulho (concupiscência da soberba). Era um homem mortificado, penitente. Desapegado das coisas desse mundo, preocupava-se unicamente em anunciar o Messias, em preparar os caminhos para a vinda dEle e para a vida pública de Cristo. Utilizava as coisas desse mundo somente em vista de Cristo. São João Batista, humilde, sabia exatamente o seu lugar, a sua Missão: não é ele o Messias, não é ele o esposo. Ele é o precursor e o amigo do esposo. Ele sabe que deve diminuir para que Jesus Cristo possa crescer. São João Batista não usava roupas delicadas. Isso serve também de lição para os homens, pessoas do sexo masculino, de nosso tempo. Muito se fala, com razão, do feminismo, que destrói a feminilidade e a verdadeira dignidade da mulher, que é de ser mãe, de educar os filhos. Fala-se menos do fato de que também a masculinidade é bem atacada. A mulher se masculiniza e o homem se feminiliza. Já não ocupa o lugar que lhe é devido no seio da família, de chefe de família, que deve governar para o bem da esposa e dos filhos. O homem se tornou, hoje, efeminado, tendo cada vez menos domínio sobre suas paixões. Vemos bem concretamente e na prática a perda da virilidade em muitos dos rapazes de nossos dias: dominados pelos sentimentos, preocupados em demasia com as roupas, preocupados em se ornar, preocupados em excesso com a aparência, escravos de filmes, músicas e livros que tiram a força da alma, fala delicada, afetação nos gestos, nos comportamentos. E isso muitas vezes dentro da Igreja, pois se confunde religião com sentimentalismo. A religião e a devoção não são um sentimentalismo, não é algo açucarado. Como nos diz o Salmo XXX, 25: Viriliter age. Age virilmente. É preciso retomar também a virilidade dos homens na sociedade, além da feminilidade das mulheres. Virilidade que não se confunde com rudeza nem grosseria e ainda menos com a satisfação de más inclinações. A verdadeira virilidade existe quando o homem domina as suas paixões, guia-se pela razão iluminada pela fé, trata as pessoas com justiça e com urbanidade, veste-se em conformidade com seu estado, sem exageros. Ela existe quando o homem exerce o seu papel na sociedade e na família, em vista do bem de sua esposa – que é sua companheira de vida – e de seus filhos. Como São João Batista, o homem não deve se vestir com roupas delicadas, que significam a falta da virtuosa virilidade.

Nosso Senhor diz também que São João Batista é mais que um profeta. Ele é um anjo que prepara o caminho para o Messias. De fato, São João Batista não é um simples profeta, mas aquele que prepara imediatamente a pregação do Evangelho. Sendo assim, deve ser mais semelhante a um anjo que a um profeta. Um anjo pela fé profunda que lhe invade a inteligência, dando-lhe um conhecimento de Cristo semelhante ao conhecimento que os anjos têm dEle no céu. Um anjo pela firmeza com que combate o demônio e a mentira, em particular na defesa que faz da santidade do matrimônio. Um anjo pela sua pureza, adquirida e conservada com orações, com mortificações, com a fuga das ocasiões de pecado. Um anjo pelo desapego dos bens desse mundo, usando-os sempre para melhor servir a Deus. Um anjo pelo desprezo de uma vida mundana.

Eis, então, São João Batista, que deve nos servir de exemplo e a quem devemos recorrer para nos prepararmos bem para um Santo Natal. Procurem fazer uma boa confissão em preparação para o Natal.

Em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo. Amém.

[Download] Calendário Dezembro 2014

Calendário para dezembro em PDF.

Calendário Dezembro 2014

Além dos horários e dias habituais, notar as seguintes datas e atividades relevantes:

8/12: Festa da Imaculada Conceição, Festa de Preceito. Confissões às 19:00. Missa às 19:30.

12/12: Festa de Nossa Senhora de Guadalupe. Confissões às 18:30. Terço às 19:00. Missa às 19:30.

Do dia 16/12 ao dia 23/12, nos dias de semana: Terço e Novena de Natal às 19:00. Missa às 19:30.

24/12: Vigília do Natal. Terço e Novena às 9:00. Missa às 9:30.

25/12: Missa do Galo à Meia-Noite. Missa da Aurora às 7:15. Missa do dia às 10:00. Cumpre-se o preceito em qualquer uma das três Missas.

01/01: Oitava do Natal – Circuncisão do Senhor. Missa Pontifical Solene no Faldistório, celebrada por Dom Fernando Guimarães, Arcebispo Militar, às 10:00.

Dom Fernando Guimarães