[Notícia] Ordenações do IBP no Brasil

Destacado

Fonte: Institut du Bon Pasteur

Comunicado do Distrito da América Latina do Instituto Bom Pastor

Com alegria, comunicamos que no sábado, dia 22 de agosto, festa do
Imaculado Coração de Maria, padroeira secundária do Instituto Bom Pastor, será celebrada Missa Pontifical Solene de Ordenação segundo o Rito Romano Tradicional por Dom Athanasius Schneider, Bispo Auxiliar de Santa Maria em Astana, em São Paulo.

Nesta cerimônia, serão conferidos o diaconato e o sacerdócio a membros do Instituto. Os Diáconos Pedro Gubitoso e Tomás Parra serão ordenados sacerdotes após os seis anos de estudos feitos integralmente no Seminário São Vicente de Paulo em Courtalain. Os subdiáconos José Luís Zucchi e Thiago Bonifácio serão ordenados diáconos.

A cerimônia será na Igreja São Paulo Apóstolo (R. Tobias Barreto, 1320, Belém, São Paulo/SP) , às 9h30.

Em nome do Superior Geral, Padre Philippe Laguérie, e de todos os padres
do IBP, agradecemos vivamente ao Cardeal Dom Odilo Scherer, arcebispo de São Paulo, por sua solicitude no acordo a essa cerimônia, e a Dom Athanasius Schneider.

Todos estão convidados a se unirem a ela pessoalmente ou pela oração.

São Paulo, 16 de julho de 2015.
Pe. Matthieu Raffray Bolívar, Superior do Distrito da América Latina

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[Sermão] Prestar contas dos bens que recebemos de Deus

Sermão para o 8º Domingo depois de Pentecostes

19.07.2015 – Padre Daniel Pinheiro, IBP

  Em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo. Amém.

Ave Maria…

Redde rationem vilicationis tuae. Dá conta da tua administração.

Todos nós, caros católicos, ouviremos da boca de Deus essa ordem: dá conta da tua administração. Ouviremos essa ordem da boca de Deus no juízo particular, no exato momento de nossa morte, em que saberemos se iremos para o inferno, para o céu ou para o purgatório, onde seremos purificados de nossas faltas leves ou expiaremos nossas penas temporais para irmos em seguida ao céu.

É nesse momento tremendo da nossa morte, quando a alma se separa do corpo, que teremos que prestar contas da nossa administração. Da administração dos bens espirituais que recebemos de Deus e dos bens materiais que recebemos de Deus. Ao contrário do feitor iníquo do Evangelho, não teremos mais, nesse momento, tempo para diminuir a nossa dívida para com Deus.

É importantíssimo notar, caros católicos, que somos apenas administradores de tudo o que temos: da nossa vida, da nossa inteligência, da nossa vontade, do nosso corpo, dos nossos bens materiais. Nós não temos o domínio pleno sobre essas coisas. Não podemos, portanto, fazer com elas o que nos agrade simplesmente. Não. Como administradores, devemos utilizar essas coisas para agradar ao Senhor delas, que é Deus. Apenas Deus tem o soberano domínio sobre todas as coisas. Nós, como administradores, devemos usar nossa inteligência, nossa vontade, nosso corpo, nossos bens materiais segundo a vontade de Deus. E sabemos qual é a vontade de Deus pela lei natural – que podemos conhecer pela razão – e pela lei divina – que conhecemos pela Revelação que nos é transmitida pela Igreja. Por exemplo, pela lei natural, ou seja, pelo simples uso da razão, podemos reconhecer que Deus distinguiu os seres humanos entre os sexos masculino e feminino e que Ele deu ao ser humano a faculdade de reprodução justamente para que houvesse a procriação, a preservação e propagação da espécie pela união de um homem e de uma mulher. Assim, a simples razão, considerando a natureza das coisas, mostra que o uso dessa faculdade deve sempre ser feita de maneira apta à procriação, sendo completamente irracionais e, portanto, gravemente pecaminosas as uniões homossexuais ou uniões que impeçam a procriação. Basta a razão para reconhecer isso. Pela Revelação, ou pela lei divina, sabemos, por exemplo, que devemos receber o Batismo, se queremos ser salvos.

Somos, então, administradores que devem usar todas as coisas em conformidade com a vontade do soberano senhor de todas as coisas, que é Deus. E isso, claro, é um grande bem para nós, pois a vontade de Deus é sempre perfeita e boa. Vejamos como devemos administrar os bens que Deus nos deu. Nossa inteligência deve se submeter a Deus pela fé, aderindo às verdades que nos foram reveladas por Ele e que nos são transmitidas pela Igreja. Administraríamos bem mal nossa inteligência se recusássemos acreditar em NSJC, se afirmássemos a independência de nossa inteligência com relação a Deus, que é a Verdade. Nossa vontade deve esperar em Deus, que é misericordioso e onipotente, e deve amar a Deus, que é o bem infinito. Administraríamos bem mal nossa vontade, se esperássemos em alguma criatura ou se amássemos uma criatura mais do que a Deus. Nossas emoções devem se submeter à razão iluminada pela fé e devem nos auxiliar na prática das boas obras. Administraríamos bem mal as nossas emoções, se nos deixássemos levar por elas, contrariando a razão e a fé. Nosso corpo deve servir a Deus e não simplesmente a si mesmo ou aos seus caprichos. Administraríamos muito mal nosso corpo se vivêssemos somente para ele. Também os bens materiais externos devem ser administrados em vista da glória de Deus e do bem da nossa alma.

A sociedade moderna, justamente, administra muito mal todas as coisas dadas por Deus. A inteligência se rebela contra Deus. A vontade espera nos bens desse mundo, ou em homens, ou em grupos, ou em formas de governo. A vontade ama mais as criaturas do que a Deus. Os sentimentos são soberanos e guiam a vida das pessoas. As pessoas acreditam ter um domínio pleno sobre o próprio corpo para fazerem o que bem entendem, ao ponto de os abortistas afirmarem que o aborto pode ser realizado porque o feto faz parte do corpo da mulher. Primeiro, é evidente que o feto não faz parte do corpo da mulher, mas, ainda que fizesse, não seria lícito o aborto, pois não podemos fazer o que bem entendermos com o nosso corpo. Assim, não podemos tirar a nossa própria vida, não podemos mutilar o nosso corpo, por exemplo, inutilizando uma parte dele sem necessidade grave. Podemos dispor de nosso corpo apenas para os usos estabelecidos por Deus.

No dia do juízo particular, quer dizer, no dia de nossa morte, Deus nos pedirá contas de nossa administração. Reparemos bem que Deus nos pedirá conta da nossa administração e não da administração de outra pessoa: “dá conta da tua administração.” Deus não nos pedirá a conta da administração de nosso vizinho, do nosso parente, de tal pessoa pública, de tal bispo, do Papa. Ele não nos perguntará o que fez fulano de tal, o que fez tal outro, o que fez o Papa. Ele perguntará o que eu fiz. Ele pedirá a conta da minha administração. Infelizmente, é muito comum, nesses tempos de confusão, nos preocuparmos demasiadamente com a administração dos outros, sobretudo se são pessoas constituídas em autoridade, e nos esquecermos da nossa própria administração. Claro está que as ações das autoridades têm consequências sérias para nós e que não podemos nos alienar, mas, em última instância, é da nossa vida, das nossas ações, dos nossos pensamentos que teremos que prestar contas a Deus nesse dia tremendo de nossa morte. De que me vale a preocupação excessiva com os outros se não consigo administrar, segundo a vontade de Deus, a minha própria vida, a minha própria família. De que me vale propagar supostamente o reino de Cristo por palavras, se, pelos meus pecados não seriamente combatidos, propago o reino do demônio?

Sejamos, caros católicos, administradores fiéis de tudo o que recebemos de Deus, para que não ouçamos da boca do Senhor no dia de nossa morte a terrível sentença: “Servo mau e preguiçoso! E a esse servo inútil, jogai-o nas trevas exteriores; ali haverá choro e ranger de dentes.” Que possamos viver de modo a ouvir no dia de nossa morte essas palavras suaves da boca de Nosso Salvador: “Muito bem, servo bom e fiel; já que foste fiel no pouco, eu te confiarei muito. Entra na alegria do teu Senhor.” Em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo. Amém.

[Sermão] Cerimônias da Santa Missa – razões e valor

Sermão para o 7º Domingo depois de Pentecostes

12.07.2015 – Padre Daniel Pinheiro, IBP

 

Em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo. Amém.

Ave Maria…

Convém tratar hoje daquilo que é o cerne do nosso apostolado: a Santa Missa. Em particular, tratemos hoje do valor dos ritos que circundam a Consagração, das cerimônias da Missa. A Missa não se resume simplesmente à Consagração, embora seja ela a parte essencial da Missa, em que o pão e o vinho se transformam no Corpo e no Sangue de Nosso Senhor Jesus Cristo e em que o sacrifício de Cristo se renova sobre os altares. As orações, as cerimônias, enfim, o rito que circunda as palavras da consagração tem um valor importantíssimo para a nossa fé, para a nossa espiritualidade. O fruto que tiramos do Santo Sacrifício da Missa depende em grande parte do valor do Rito que circunda a parte essencial da Missa, isto é, das orações e cerimônias que circundam a parte essencial da Missa, que é a consagração.

É preciso compreender que, na Missa e nos outros sacramentos, a Igreja quis que a essência do sacramento fosse cercada por várias cerimônias. Evidentemente, tais cerimônias permanecem acidentais em relação à essência da Missa, que são as palavras da Consagração pronunciadas sobre o pão e o vinho. Todavia, acidental não quer dizer descartável ou sem importância. Que um homem tenha um braço ou não é acidental, pois com ou sem o braço ele continua sendo um ser humano. Que uma pessoa esteja com saúde ou não é acidental. Que uma pessoa tenha o uso da razão ou não é acidental, pois, independentemente disso, continua sendo um ser humano. Que uma pessoa tenha o uso da razão é acidental. A graça santificante é acidental. Os acidentes, permanecendo sempre acidentes, são importantes, segundo diversos graus. As cerimônias que orbitam em torno da essência do sacramento são também importantíssimas, mesmo se elas são acidentais.

Vejamos o que diz São Tomás sobre essas cerimônias em torno dos sacramentos. O Doutor Angélico (falando do Batismo na Suma Teológica, III, 66, 10) diz que essas cerimônias existem primeiramente para favorecer a devoção dos fiéis e a reverência ao sacramento. Assim, as cerimônias servem para mostrar a importância e a grandeza do que está sendo feito. Os sacramentos em geral e a Missa de modo particular não são uma ação ordinária, corriqueira, mas são ações maiores do que a criação do céu e da terra por Deus, pois a criação do céu e da terra está na ordem natural, enquanto os sacramentos estão na ordem sobrenatural. As cerimônias da Missa, portanto, nos indicam a grandeza do sacramento, a sua importância e nos dirige à devoção e ao respeito pelo sacramento. Em segundo lugar, São Tomás, diz que as cerimônias em torno dos sacramentos servem para a instrução dos fiéis: nós, seres humanos, temos uma inteligência que parte do sensível para o espiritual. Nós devemos, portanto, também na liturgia, ser instruídos por sinais sensíveis. Assim, o ofertório da Missa Tradicional, por exemplo, nos diz claramente que o que se oferece na Missa é o Corpo e o Sangue de Cristo ao tratar o pão e o vinho como se já fossem o Corpo e o Sangue de Cristo. Desse modo, pelas cerimônias e orações da Missa, os fiéis são instruídos ou levados a uma sã curiosidade para saber o que significa tudo aquilo em torno do sacramento.

A liturgia deve ser rica de cerimônias e orações na medida justa. A Missa Tradicional tem essa medida exata na quantidade e na qualidade. Foram cerimônias e orações formadas ao longo dos séculos da Igreja, e formadas perfeitamente segundo a doutrina católica e segundo a natureza humana. E ninguém conhece a natureza humana mais do que a Igreja. Quando ela forja uma liturgia ao longo dos séculos, como é o caso da liturgia tradicional, ela sabe exatamente o que fará bem aos homens, o que os conduzirá efetivamente a Deus. A Igreja é uma Mãe sábia, a mais perfeita das pedagogas. E como a natureza humana não muda ao longo dos séculos, permanecendo sempre a mesma, também a liturgia não pode ser drasticamente alterada. Se a liturgia é drasticamente alterada, haverá, certamente, prejuízo para as almas. E se a alteração da liturgia da Missa vai no sentido da desaparição de muitas das cerimônias e orações forjadas ao longo dos séculos, teremos fatalmente a diminuição da reverência e da devoção ao sacrifício de Cristo, à Eucaristia. Além disso, quando a liturgia é despojada de cerimônias, gestos e símbolos, ela torna-se muito abstrata, de difícil inteligência para as pessoas (sobretudo as mais simples), que devem partir sempre do sensível ao espiritual.

Vimos, então, que as cerimônias, gestos, símbolos e orações da Missa, que compõem o rito da Missa, são importantes para favorecer o respeito e a devoção e para instruir os fiéis. Mas, além disso, devemos acrescentar que tais cerimonias são meritórias e nos alcançam graças. E o mérito dessas cerimônias é imenso porque o sacerdote realiza o rito enquanto ministro da Igreja Católica, de tal forma que é a Igreja que profere as orações, que realiza os gestos. As palavras da consagração são ditas pelo Padre na pessoa de Cristo. As outras cerimônias são realizadas pelo padre na pessoa da Igreja. Como a Igreja é a esposa imaculada de Cristo, essas orações têm um mérito imenso.

Assim, na Missa, as cerimônias e orações que circundam a consagração têm um valor importante, que não depende da disposição subjetiva do padre ou dos fiéis, mas que depende unicamente da perfeição Igreja e, evidentemente, da qualidade dessas cerimônias. Assim, o valor da Missa não se reduz às palavras da consagração de um lado e ao fervor pessoal dos padres e dos fiéis de outro. Entre os dois, há algo importantíssimo: as cerimônias e orações da liturgia, que têm um valor objetivo.

O valor de um rito litúrgico se define, então, pelas cerimônias e orações e pela qualidade dessas cerimonias e orações. É inegável a quantidade de cerimônias e orações bem ordenadas na Missa Tradicional, que rendem um culto devido a Deus, como todos os sinais da cruz que o padre faz, as genuflexões, as inclinações, a elevação dos olhos, as diversas posições das mãos, os ósculos, a mudança do lado do altar, da Epístola para o Evangelho, etc… Mas é inegável também que a qualidade das cerimonias e das orações da Missa tradicional é excelente. Como São Tomas diz: o culto é também uma profissão de fé. Ora, a liturgia tradicional exprime, em suas cerimônias e orações, a fé católica sem ambiguidades e sem omissões. Ela exprime a presença real, ela exprime o caráter de sacrifício da Missa, sobretudo de sacrifício pelo perdão dos pecados. Ela exprime (sobretudo no ofertório) a diferença entre o sacerdócio dos fiéis e o do ministro ordenado. Suas orações exprimem com clareza aquilo que é a Missa e suas finalidades. Suas orações e cerimônias são harmônicas entre si e perfeitamente ordenadas. Elas estão voltadas, sobretudo, para Deus e para a salvação da nossa alma. As referências às verdades e aos mistérios sobrenaturais são onipresentes: Santíssima Trindade, Encarnação, pecado, virtude, céu, inferno, etc… A integridade, a harmonia ou ordem e a manifestação desses atributos dão à Missa Tradicional a sua beleza incomparável, fundada no dogma e na sã espiritualidade. Ora, a beleza é definida justamente como aquilo que agrada a uma faculdade que pode conhecer: à visão, à audição e, sobretudo, à inteligência. A Missa Tradicional, sendo belíssima, porque perfeitamente íntegra e ordenada, é, então, agradabilíssima a Deus. A Igreja sempre considerou o Rito Romano Tradicional como o mais o belo, de uma beleza objetiva, fundada no dogma e na espiritualidade. Assim, o Padre Fortescue, renomado liturgista podia dizer no início do século XX: “Não há na Cristandade um Rito tão venerável quanto o nosso.” E O Padre Faber dizia desse rito: “é a coisa mais bela deste lado do céu.”

O valor do rito da Missa Tradicional é imensurável e é de suma importância, porque nos alcança graças e mais graças além das graças do sacramento. O rito tradicional, por todas suas qualidades, nos alcança graças imensas para uma melhor preparação para receber a Eucaristia, favorecendo a devoção, nos instruindo e permitindo assim que conheçamos melhor o mistério e que o amemos mais profundamente e nos disponhamos mais perfeitamente para a graça do sacramento. Dispondo-nos melhor para receber o sacramento pela devoção, pela instrução e pelas graças das cerimônias e orações do rito, poderemos receber com grande fruto o Santíssimo Sacramento e poderemos avançar com maior firmeza no caminho da santidade, para restaurar tudo em Cristo.

Em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo. Amém.

 

 

[Sermão] 1ª Comunhão – recordatório da doutrina cristã

Sermão Primeiro Comunhão

05/07/2015 – Pe Daniel Pinherio, IBP

Em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo. Amém.

Ave Maria…

Gostaria de dirigir algumas palavras às crianças que farão hoje a primeira comunhão. Essas palavras servem também para nós, que já fizemos a nossa primeira comunhão e que recebemos a Eucaristia com certa frequência.

João Pedro, Luís Felipe, Isabella, Lara, hoje é o dia mais importante da vida de vocês. Vocês vão receber o Corpo de Jesus. Jesus Cristo, que, como aprendemos no catecismo, é verdadeiramente homem e verdadeiramente Deus. Vocês se prepararam para esse dia. Vocês se prepararam para esse dia estudando o Credo, a Oração, os Mandamentos e os Sacramentos.

No Credo, nós estudamos tudo aquilo que Deus nos falou e em que devemos acreditar com certeza absoluta. Acreditamos com certeza absoluta no que Deus falou porque Ele não pode se enganar nem nos enganar. Vimos que há um só Deus em três Pessoas: Pai, Filho e Espírito Santo. Vimos que Deus filho se fez homem, nasceu e morreu por nós na cruz para nos salvar. Vimos que são os nossos pecados que fazem Jesus sofrer tanto. Vimos que Jesus ressuscitou ao terceiro dia, e subiu aos céus. Vimos que Ele fundou a sua Igreja, sobre Pedro, sobre o Papa, quer dizer, vimos que Ele fundou a Igreja Católica, que tem o Papa. Vimos que Deus dá os céus aos que morrem em amizade com Ele e o inferno aos que morrem separados dEle pelo pecado mortal. João Pedro, Luís Felipe, Isabella, Lara , vocês devem crer em tudo o que Deus nos falou e a Igreja sempre ensinou.

Na Oração, estudamos tudo aquilo que devemos pedir a Deus, tudo aquilo que devemos desejar. E estudamos como pedir. Em primeiro lugar, vimos que o que mais devemos desejar e pedir é que Deus, que Jesus e que sua Igreja sejam mais conhecidos, amados e servidos. Em seguida, vimos que o que mais devemos pedir a Deus é a salvação da nossa alma. Vimos que podemos também pedir bens materiais, desde que não prejudiquem a salvação da nossa alma. Estudamos o Pai-Nosso e a Ave-Maria. Vimos como é bom rezar o Santo Terço. Procurem, crianças, rezar o Santo Terço. Nossa Senhora pediu aos Pastorinhos de Fátima, que tinham mais ou menos a idade de vocês, para que rezassem o Terço todo dia. E tenham uma grande devoção à Mãe de Jesus, Maria, que é também nossa mãe. Se quiserem permanecer no bem, rezem para Maria. Vimos que devemos rezar principalmente nas tentações, nos perigos e na hora da nossa morte. Vimos que o bom católico reza de manhã ao acordar, de noite antes de dormir, antes das refeições, antes de toda ação mais importante. O bom católico reza várias vezes ao dia. E é isso, João Pedro, Luís Felipe, Isabella, Lara, que vocês têm que fazer: rezar.

Nos mandamentos, vocês aprenderam o que devem fazer e o que não devem fazer: amar a Deus sobre todas as coisas, não tomar seu Santo Nome em vão, guardar domingos e festas, honrar pai e mãe e todos os mandamentos. Vocês estudaram os mandamentos para colocá-los em prática, para fazerem o bem e evitarem o mal. Jesus falou: aquele que me ama guarda os meus mandamentos. Se vocês amam Jesus – e vocês devem amar Jesus – é preciso praticar os mandamentos de Jesus. E lembrem-se de que os mandamentos não são uma coisa ruim que somos obrigados a seguir. Não, os mandamentos nos foram dados por Deus e são uma coisa muito boa para nós e para todo mundo. Praticar os mandamentos nos traz a verdadeira felicidade, João Pedro, Luís Felipe, Isabella, Lara. Vocês devem se lembrar de que o maior mal que existe é o pecado mortal e que o segundo maior mal que existe é o pecado venial. Vocês devem se lembrar do exemplo de São Domingos Sávio. São Domingos Sávio, para quem rezamos em todas as nossas aulas, preferia morrer a pecar. Vocês também devem se comportar assim: eu prefiro morrer a cometer um pecado, eu prefiro morrer a fazer mal a Cristo que só me fez bem e que morreu para me salvar.

Nos sacramentos, estudamos os sete canais principais da graça. Vimos o Batismo, pelo qual temos o pecado original apagado, nos tornamos filhos de Deus e membros da Igreja. A Confissão, que apaga os nossos pecados e que vocês fizeram ontem. Vocês devem procurar com frequência a confissão e são obrigados a fazer isso se caírem em pecado mortal. Vimos a Crisma, que faz de nós soldados de Cristo. A ordem que faz do batizado, homem, sacerdote de Cristo. O Matrimônio, que une um só homem e uma só mulher para a geração e educação dos filhos e para que se ajudem mutuamente no caminho da salvação. A extrema-unção para ajudar a alma e o corpo em doenças com perigo para a vida da pessoa. E estudamos, principalmente, a Eucaristia ou Comunhão. O sacramento que vocês vão receber hoje pela primeira vez, João Pedro, Luís Felipe, Isabella, Lara. Vimos que para receber bem a Eucaristia é preciso estar em estado de graça, isto é, sem nenhum pecado mortal na consciência. Vimos que é preciso estar em Jejum de pelo menos uma hora. Vimos que é preciso estar trajado de maneira decente. Vimos que é preciso saber o que se recebe na comunhão. E vocês, João Pedro, Luís Felipe, Isabella, Lara, sabem o que vão receber. Na Eucaristia, está o Corpo, o Sangue a Alma e a Divindade de Jesus Cristo. Vocês já sabem que a Eucaristia parece pão, tem gosto de pão, mas que, na verdade, é Jesus Cristo. Vocês sabem que o Pão e o Vinho se transformam no Corpo e no Sangue de Cristo na hora da Consagração, quando o Padre diz: “Isto é o meu Corpo” e “Este é o Cálice do meu Sangue”. Vocês sabem que, na Comunhão, Jesus Cristo se entrega a nós como alimento para a nossa alma. Jesus Cristo é tão bom com vocês e com todos nós. Vocês devem ser bons com Jesus fazendo sempre a vontade dEle.

Hoje, é o dia mais importante da vida de vocês até aqui. Vocês vão receber o próprio Deus na alma de vocês. É preciso receber Jesus com devoção. Vocês devem, agora, ainda mais do que antes, prestar atenção na Missa, sem distração, sem conversar, sem brincar. Vocês sabem que estão diante do sacrifício de Cristo na Cruz que se renova no altar. Vocês sabem que é da cruz que vem a nossa salvação. Vocês sabem, então, a importância da Missa. Antes da comunhão vocês devem pedir a Jesus a graça de serem santos, de se salvarem, de chegar ao céu. Depois de terem comungado, vocês devem agradecer a Jesus a bondade dEle, vocês devem pedir mais uma vez a graça de serem santos, de se salvarem. Vocês devem pedir a graça de não mais pecar. Vocês devem pedir a graça de receber bem a comunhão e com frequência. Vocês devem pedir pela família de vocês, pela Igreja, pelo Papa, pela santificação de todos os padres e de todas as pessoas. Recebam bem Jesus Cristo, caras crianças, com devoção.

João Pedro, Luís Felipe, Isabella, Lara, hoje é o dia mais importante da vida de vocês. Vocês vão receber o próprio Deus. Vocês vão receber o Corpo, o Sangue, a Alma e a Divindade de Nosso Senhor Jesus Cristo.

Em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo. Amém.

[Sermão] Afastar-se do mal e fazer o bem: adquirir as virtudes

Sermão para o 5º Domingo depois de Pentecostes

28.06.2015 – Pe Daniel Pinheiro, IBP

 Em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo. Amém.

Ave Maria…

Declina a malo et fac bonum. Afasta-te do mal e faz o bem.

São Pedro nos diz que aquele que quer ver dias felizes, isto é, que aquele que quer chegar ao céu deve afastar-se do mal e fazer o bem. O primeiro Papa nos dá vários conselhos específicos: não retribuir o mal com o mal, nem a maldição com a maldição, mas bendizendo; refrear a língua do mal e que os nossos lábios não profiram mentiras. E ele nos dá também esse mandamento geral: afastar-se do mal e fazer o bem. Esse mandamento geral é exatamente o oposto do pecado. E por isso ele é tão importante.

O pecado pode ser definido como afastar-se do bem e fazer o mal. Ou seja, como dizia tão bem Santo Agostinho, o pecado é aversio a Deo et conversio ad creaturas. O pecado é afastar-se de Deus – o bem – para converter-se, de forma desordenada, às criaturas – conversão desordenada às criaturas que é o mal. No pecado mortal, por um lado, nos afastamos de tal forma de Deus – o bem – que nos separamos dEle. Com o pecado mortal, nos tornamos inimigos de Deus e réus da condenação eterna. Por outro lado, no pecado mortal, nos voltamos de tal modo a algo criado que o colocamos no lugar de Deus, dando as costas a Ele. No pecado venial, nos afastamos de Deus, mas sem nos separar dEle. Arrefecemos a nossa amizade com Ele, sem, porém, nos tornamos inimigos dEle, embora nos tornemos réus de castigos temporais aqui nesse mundo ou no purgatório. No pecado venial, nos voltamos de forma desordenada para as criaturas, mas sem voltar as costas para Deus. Está claro que o pecado venial não combatido nos levará para o pecado mortal. O pecado mortal é o maior mal que existe. O pecado venial é o segundo maior mal que existe, caros católicos. O pecado é, então, afastar-se do bem e fazer o mal.

São Pedro, na epístola de hoje, nos diz o contrário: afasta-te do mal e faz o bem. Afasta-te do pecado e faz aquilo que te aproxima de Deus, que te leva à vida eterna. Devemos notar, caros católicos, que muitas vezes tendemos a ficar somente na primeira parte do que nos diz São Pedro: “afasta-te do mal”. E muitas vezes somos negligentes na busca da segunda parte. Ficamos apenas no combate ao pecado e nos esquecemos de avançar solidamente na virtude. Claro, a primeira etapa de nossa conversão deve ser o combate sem trégua e determinado, mas ao mesmo tempo sereno, ao pecado mortal. Em seguida e também paralelamente, devemos lutar contra nossos pecados veniais e defeitos. Não basta, porém, simplesmente evitar o pecado se queremos perseverar na graça. Evitar o pecado é o primeiro passo em uma vida cristã genuína. É preciso, para perseverarmos, que nos exerçamos no bem. É preciso adquirir as virtudes, é preciso fazer que o bem seja algo quase natural para nós. Isso se faz adquirindo as virtudes.

A virtude nada mais é do que uma disposição bem enraizada na nossa alma que nos inclina a fazer o bem. Se consideramos as quatro virtudes cardeais, dizemos que a primeira delas, a virtude da prudência, nos inclina a escolher os melhores meios para alcançarmos um fim legítimo. A prudência pode ser para o indivíduo somente, a fim de que ele considere, em última instância, os melhores meios de alcançar o céu. Ela pode ser também a prudência familiar, para que o chefe da família a conduza à sua finalidade da melhor maneira, ou pode ser a prudência política, para que o governante conduza bem a sociedade como um todo ao seu fim devido.

A segunda virtude cardeal é a da justiça. Ela nos inclina a dar a cada um o que lhe é devido. Entre as virtudes derivadas da justiça poderíamos citar: a virtude de religião, que é dar a Deus o que lhe é devido; a virtude da piedade, que é dar aos pais o que lhes é devido; a virtude da veracidade, que nos leva a dizer sempre a verdade.

A terceira virtude cardeal é a da temperança. A virtude da temperança nos inclina à moderação nos prazeres sensíveis. Entre as derivadas da temperança, podemos citar a sobriedade, a castidade, a mansidão, a humildade, a modéstia nos trajes e nos comportamentos.

A quarta virtude cardeal é a da fortaleza. Ela nos inclina a não desistir de buscar um bem árduo quando necessário ou nos faz resistir aos males, quando necessário. Entre as derivadas da fortaleza, podemos citar a paciência, a longanimidade, a perseverança, a constância, a magnanimidade, a magnificência.

Quantas virtudes e quão necessárias todas elas…

Para adquirir a virtude, que é essa disposição bem enraizada na nossa alma para fazer o bem, é preciso, em primeiro lugar, pedi-la a Deus, que é o autor de todo o bem. Em seguida, é preciso repetir os atos próprios da virtude. Assim, alguém que é intemperante no comer, adquirirá a virtude da temperança pela graça de Deus e pela repetição de atos de temperança. Alguém que é dominado pela impaciência, adquirirá a virtude da paciência somente pela graça de Deus e pela repetição de atos de paciência, sabendo suportar as contrariedades. Então, para avançarmos e nos fixarmos no bem, precisamos da graça de Deus e, com a graça dEle, dos nossos próprios esforços.

O verdadeiramente virtuoso é aquele que se alegra em fazer o bem. Ele se alegra porque reconhece o bem que está fazendo e porque ele se inclina ao bem que faz, realmente. E quando fazemos aquilo a que nos inclinamos, nos alegramos. Para o virtuoso, a lei de Cristo é verdadeiramente um jugo suave. Aquele que ainda não é virtuoso, quando faz uma boa obra, ele reconhece o bem que faz, mas ainda não se alegra tanto, pois ainda sente o peso de suas más inclinações, e o jugo ainda parece um pouco pesado.

Devemos buscar, caros católicos, não só a necessária fuga do pecado, mas fazer o bem. Adquirir as virtudes pela repetição das boas obras.

Em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo. Amém.