[Sermão] O Sagrado Coração e a santificação da família

Sermão para o 4º Domingo depois de Pentecostes

21.06.2015 – Pe Daniel Pinheiro, IBP

 

Em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo. Amém.

Ave Maria…

Caros católicos, nesses poucos anos de apostolado, já entronizamos o Sagrado Coração de Jesus em vários lares e em outros tantos o faremos em breve. Consideremos, hoje, ainda mês de junho, o real sentido dessa entronização. Em cada lar, em cada família, procuro explicar o sentido desse belo ato que é a entronização do Sagrado Coração de Jesus. Convém, todavia, que o façamos também publicamente.

A devoção ao Sagrado Coração de Jesus tem seu início desde os primórdios do cristianismo. Nosso Senhor Ele mesmo nos aponta para o seu Sagrado Coração no Evangelho, dizendo : “Tomai meu jugo sobre vós e aprendei comigo, porque eu sou manso e humilde de coração e achareis o repouso para as vossas almas.”  Também na Última Ceia, quando São João se reclina sobre o Coração de Jesus, temos uma base para a devoção ao Sagrado Coração. Ainda na Sagrada Escritura, podemos ver a abundância da bondade do Coração de Jesus, quando, desse Coração transpassado pela lança, jorra sangue e água para a salvação do mundo. A devoção ao Sagrado Coração de Jesus vai se desenvolvendo ao longo dos séculos, favorecida pelos santos. Podemos citar de modo particular São Bernardo e São Francisco de Sales. E é justamente para uma religiosa da ordem fundada por São Francisco de Sales que Nosso Senhor aparecerá para difundir a devoção ao seu Adorável Coração. Ele aparecerá, no século XVII, para Santa Margarida Maria Alacoque, freira da Ordem da Visitação. A devoção ao Sagrado Coração foi, então, claramente, estabelecida e desejada pelo Divino Salvador Ele mesmo. E Ele próprio explicou a finalidade dessa devoção ao dizer as seguintes palavras para Santa Margarida Maria: “Eis aqui esse Coração que tanto amou os homens, que não poupou nada, ao ponto de se esgotar e de se consumir para demonstrar seu amor. E, em reconhecimento, eu recebo, da maior parte, ingratidões.” Amor e reparação é o que pede o Sagrado Coração de Jesus. Amor, para pagar, na mesma moeda, aquele que tanto nos amou. Reparação, para desagravá-lo e consolá-lo dos ultrajes feitos ao seu amor infinito. A devoção ao Sagrado Coração de Jesus deve ser, então, uma devoção de amor a Nosso Senhor Jesus Cristo e de reparação ao amor de Cristo ultrajado pelos nossos pecados. Não deve ser uma devoção sentimental (como sugerem muitas imagens do Sagrado Coração), mas uma devoção que nos leve efetivamente à santidade, que nos faça amar a Cristo, com todo a nossa alma, todo o nosso ser, nos levando a cumprir a sua vontade em todas as coisas, nos levando a cumprir seus mandamentos. Deve ser também uma devoção pela qual reparamos os nossos próprios pecados e os dos outros.

E para levar os homens a corresponder aos desejos de seu Sagrado Coração, Nosso Senhor fez 12 promessas generosas. A mais importante delas, chamada de “grande promessa”, é a seguinte : “Darei, diz o Sagrado Coração de Jesus, a todos aqueles que comungarem em nove primeiras sextas-feiras do mês seguidas, a graça da penitência final; eles não morrerão na minha desgraça, nem sem receber os sacramentos e o meu divino Coração será o seu asilo seguro no último momento.” É a devoção das nove primeiras sextas-feiras. Uma promessa tremenda, para uma devoção tão simples. Apenas posso incentivá-los, caros católicos, veementemente a praticar essa devoção da comunhão nas nove primeiras sextas-feiras em homenagem e em desagravo ao Sagrado Coração de Jesus. Claro, é preciso receber as comunhões em estado de graça, querer desagravar o Sagrado Coração, praticar a devoção com reta intenção, querendo levar uma boa vida católica. Mais uma vez, apenas posso incentivá-los veementemente, caros católicos, a praticar tão boa e tão frutuosa devoção.

Entre as doze promessas, duas delas dizem respeito diretamente à família. Aos devotos do seu Sagrado Coração, Nosso Senhor diz : « colocarei a paz em suas famílias ». Ele diz também : « Abençoarei as casas em que a imagem do meu Coração for exposta e honrada. » Se essas promessas relativas à família são importantes em todo tempo, elas são ainda mais importantes nesses tempos atuais, em que o demônio e o mundo atacam tão brutalmente a família.

Foi introduzida, a partir dessas duas promessas, a prática da entronização do Sagrado Coração de Jesus nos lares, para atrair sobre as famílias as bênçãos divinas e a paz de Jesus Cristo. Todavia, não basta expor a imagem do Sagrado Coração. Não basta o simples gesto da entronização, da consagração da família ao Sagrado Coração de Jesus. É preciso procurar vivê-la.

Ao entronizar o sagrado Coração no lar, a família afirma reconhecer NSJC como o soberano do lar, como o Rei da família. A família se engaja a obedecer às leis de Cristo, seus mandamentos. Ao entronizar o Sagrado Coração de Jesus, a família faz a entrega total de si a Nosso Senhor. Ela se consagra verdadeiramente a Ele. E aos que se consagram com reta intenção ao seu Sagrado Coração, Jesus fez a seguinte promessa: “ninguém que se consagra ao meu Divino Coração morrerá sem a graça.” Assim, a família deve procurar realmente viver a consagração ao Sagrado Coração de Jesus. Em primeiro lugar, cada um da família deve procurar ter uma devoção sólida ao Sagrado Coração de Jesus. Em seguida, a família deve ter uma devoção familiar ao Sagrado Coração de Jesus. Os membros da família devem fazer algumas das orações em família diante da imagem entronizada do Sagrado Coração. Procurem, por exemplo, rezar todas as sextas-feiras a Ladainha do Sagrado Coração de Jesus em família. Na primeira sexta-feira de cada mês, procurem renovar a entronização, guiados pelo pai de família, que é o principal responsável pela vida de oração familiar. Procurem praticar a devoção das nove primeiras sextas-feiras de que falamos. Sem essa devoção familiar, não haverá frutos da entronização ou muito pouco fruto.

Para que tenha fruto a entronização do Sagrado Coração, é preciso também que cada membro da família procure viver como bom católico, cumprindo bem seus deveres de estado, sobretudo, os deveres de estado relativos à família. Marido e esposa, principalmente, devem evitar, de modo particular, o uso do matrimônio contra a lei natural e de Deus, quer dizer, devem evitar a contracepção, que é pecado mortal e que tanto destrói as famílias. Se algum membro da família estiver, por infelicidade, afastado de Deus, recorram os outros membros ao Sagrado Coração com confiança.

É preciso viver a consagração da família ao Sagrado Coração de Jesus com uma devoção familiar a Ele, e procurando seguir as suas leis em todas as coisas. É preciso também afastar do lar as diversões perigosas, as intemperanças, tudo o que é hostil à religião católica e aos seus ensinamentos, e tudo o que representa perigo para a pureza. É preciso afastar da vida familiar a pretensão de conciliar a verdade com o erro, a licença nos costumes com a moral católica. É preciso afastar a tibieza. Não se pode estar no limite entre a virtude e o vício, entre o céu e o inferno. É preciso banir o espírito mundano da família, como diz o ato de entronização. A família que se consagrou ao Sagrado Coração deve entregar-se a Ele inteiramente, sem guardar nada para si.

Assim, essa família poderá suportar com méritos e alegria as fadigas dos deveres quotidianos, os sacrifícios próprios da vida familiar, todas as provações que a Providência enviar. A família encontrará repouso e consolo no Sagrado Coração. A família poderá enfrentar devidamente as cruzes e tirar delas frutos para a glória no céu.

Temos insistido um pouco, caros católicos, na santificação da família, de maneira oportuna e inoportuna. Como já dissemos, citando Monsenhor Tihamer Toth, é pelas famílias que virá a renovação da sociedade. Eis o que diz Pio XII a respeito:

“Não há dúvida de que, se queremos encontrar uma solução durável para a crise atual,[1] será preciso reconstruir a sociedade sobre fundamentos menos frágeis, quer dizer, será preciso reconstruir a sociedade sobre fundamentos mais conformes à fonte primeira de toda civilização, que é a moral de Cristo.[2] É igualmente certo que para fazer isso será preciso, antes de tudo, recristianizar as famílias. Aqueles que querem expulsar Deus da sociedade e jogá-la na desordem se esforçam de tirar da família o respeito devido às leis de Deus, exaltando o divórcio e a união livre, colocando diversos entraves à tarefa providencial dos pais para com os filhos, inspirando aos esposos o medo das fadigas materiais e o medo das responsabilidades morais que advém de uma família numerosa. É contra tais perigos que nós recomendamos que consagrem a família de vocês ao Sagrado Coração de Jesus.” Era muito frequente Pio XII recomendar a consagração ao Sagrado Coração de Jesus aos jovens esposos que iam em peregrinação a Roma depois das bodas.

Procurem, prezadas famílias, fazer a entronização do Sagrado Coração de Jesus e viver bem essa consagração a Ele. Procurem a santidade da família. A restauração de todas as coisas em Cristo virá pela santificação das famílias de um lado e pela santificação do clero do outro lado. E pela cooperação estreita das famílias com os sacerdotes.

Em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo. Amém.

 [1] Nota do Padre: A crise de que fala Pio XII, é a dos anos 40. Muito mais grave é a crise atual da sociedade e da família.

[2] Nota do Padre: Interessante notar que não pode haver verdadeira civilização que vá contra os princípios de Cristo.

[Sermão] Passar pelos bens temporais e não perder os eternos

Sermão para o 3º domingo depois de Pentecostes

14.06.2015 – Padre Daniel Pinheiro, IBP

 Antes do Sermão, o Padre deu um aviso sobre tatuagem e modéstia. Para mais detalhes ver os textos indicados aqui:

A tatuagem e sua moralidade

[Sermão] A modéstia no vestir

Instrução sobre a modéstia

Em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo. Amém.

Ave Maria…

Protector in te sperantium, Deus, sine quo nihil est validum, nihil est sanctum: multiplica super nos misericordiam tuam; ut te rectore, te duce, sic transeamus per bona temporalia, ut non amittamus aeterna. Per Dominum…

Ó Deus, que sois o protetor dos que esperam em vós, e sem o qual nada se sustenta, sem o qual nada é santo, multiplicai sobre nós a vossa misericórdia, para que governados e conduzidos por vós, passemos pelos bens temporais sem que percamos os bens eternos.

Essa é a belíssima Coleta da Missa do 3º Domingo depois de Pentecostes, que devemos considerar com atenção hoje. Já em outras ocasiões tivemos a oportunidade de falar de modo geral dessa oração chamada Coleta.

As Coletas são um lugar teológico, quer dizer, nelas podemos encontrar claramente a doutrina católica. Elas exprimem a fé católica e são uma fonte segura para conhecer a doutrina de Nosso Senhor Jesus Cristo.

As Coletas, junto com o Cânon Romano – Cânon Romano que é a única oração eucarística no rito romano tradicional – são o melhor exemplo e o modelo mais perfeito do latim eclesiástico. As Coletas são, em geral, composições dos séculos IV, V, VI, em prosa, com ritmo, vocabulário e estilo sóbrios e solenes, com várias figuras de linguagem. É um latim acessível, mas bem trabalhado. Os reformadores da liturgia diziam que era um latim decadente. Era um pretexto para se abandonar o latim e adotar cada vez mais a língua vernácula. Não é verdade que o latim eclesiástico seja um latim decadente. As orações em latim eclesiástico são uma poesia em prosa. Melhor e mais claro exemplo disso é o venerável Cânon Romano e as Coletas mais antigas. A origem desse estilo do Cânon Romano e das Coletas é o panegírico, isto é, o elogio que se fazia ao príncipe, agora dirigido a Deus. As Coletas têm, via de regra, quatro elementos: 1º) elevação da alma a Deus; 2º) ação de graças, ou uma glorificação, ou um elogio; 3º) o pedido e 4º) conclusão. É a mesma ordem do Pai Nosso. Elevação da alma a Deus: Pai Nosso. Glorificação de Deus: que estais nos céus. Pedidos, que no Pai Nosso são sete, e a conclusão. Portanto, as Coletas se baseiam profundamente na estrutura do Pai Nosso também e não só no panegírico latino profano. As Coletas não acrescentam nada ao Pai Nosso, apenas tornam mais explícitos os pedidos feitos ali. Essas orações são de uma riqueza espiritual e de uma precisão teológica imensas.

Temos, na Coleta de hoje, essa mesma estrutura. Primeiramente, a elevação da alma a Deus: “Ó Deus”. A elevação da alma que é, evidentemente, indispensável para toda oração, a tal ponto que muitas vezes a oração se define simplesmente como a elevação da alma a Deus. O vocativo, “Ó Deus”, nos coloca, então, plenamente no plano sobrenatural. Ele joga os nossos pensamentos em Deus, nos fazendo cumprir assim a ordem do salmo que está hoje no Gradual: “jacta cogitatum tuum in Domino”, joga, coloca no Senhor o teu pensamento. E colocando o pensamento no Senhor, Ele te nutrirá, ele te sustentará. Cumprimos também o que nos ordena São Pedro em sua epístola: colocar em Deus todas as nossas solicitudes, todos os nossos desejos porque Ele cuida de nós. E colocando os nossos desejos em Deus, abandonaremos os desejos que não são conformes à vontade dEle. Jacta cogitatum tuum in Domino. Joga, coloca o teu pensamento em Deus.

Tendo colocado o pensamento em Deus na primeira parte da Coleta, passa-se para a glorificação de Deus: “protetor dos que esperam em vós, sem o qual nada se sustenta, sem o qual nada é santo”. Quantas vezes se repete, na Sagrada Escritura, e de forma ainda mais constante nos Salmos, essa grande verdade: Deus, protetor dos que esperam em vós. Aquele que espera no Senhor, buscando o verdadeiro arrependimento, buscando fazer a sua vontade não será confundido e será protegido do adversário, do demônio, que, como diz São Pedro na epístola de hoje, anda ao redor como um leão que ruge, buscando a quem devorar. Se não rezamos, se não vigilamos, se não temos o pensamento em Deus, se não temos Deus como nosso protetor, seremos facilmente devorados pelo demônio, pelo mundo, enfim, pelo pecado. Deus é o protetor dos que esperam nEle. E sem Ele nada tem força ou nada se sustenta e nada é santo. Sine Deus nihil est validum. Sem Deus nada tem força, nada se sustenta, ou, ainda mais claramente, nada existe. É Deus a causa primeira de tudo o que existe, a causa primeira de todo ser, de todo bem, de toda ordem. Não é ele, porém, a causa do mal, que é justamente a ausência de ser, a ausência de bem e de ordem. Ou vendo sob outro aspecto: Deus é onipotente, o criador de todas as coisas, visíveis e invisíveis. É Deus quem nos aperfeiçoa, nos fortifica e nos consolida, como diz São Pedro na Epístola. E, sem Deus, nada é santo. Ninguém pode estar isento do pecado, a não ser pela graça de Deus, que é a própria santidade, que está separado de toda corrupção. E sendo Ele a própria santidade, sabemos que Ele quer também a nossa santidade: “sede santos como vosso Pai celeste é santo”, nos diz Nosso Senhor. Sabendo que Deus é o protetor dos que esperam nEle, sabendo que Ele é onipotente e que Ele quer a nossa santidade, podemos recorrer a Ele com grande confiança.

Na Coleta de hoje, recorremos a Ele com um pedido inicial: que multiplique sobre nós a sua misericórdia. Pobres pecadores que somos, precisamos da abundância da misericórdia de Deus. Não para abusar dela, adiando a nossa conversão. Não para abusar dela, esquecendo também da justiça de Deus. Precisamos da abundância dela porque somos fracos tantas vezes.  Reconhecendo as perfeições divinas, não devemos ter medo de pedir a Deus que nos dê abundantemente as suas graças. Não simplesmente para isso ou para aquilo, mas para a nossa salvação.

Já jogamos o nosso pensamento em Deus: jacta cogitatum tuum in Domino, dizendo “Ó Deus”. Já reconhecemos as perfeições de Deus, que nos dão confiança para fazer o pedido: protetor dos que esperam nEle, e sem o qual nada existe, sem o qual nada é santo. Pedimos que multiplique sobre nós a sua misericórdia, para que nos tire de nossas misérias. E assim chegamos ao pedido principal da Coleta de hoje, expresso em uma bela oposição entre os bens temporais passageiros e os bens eternos: “que governados e conduzidos por Ele, passemos pelos bens temporais sem que percamos os eternos”. São bastante precisos os termos do pedido. Pelo bens temporais, caros católicos, nós devemos realmente passar, pois são bens passageiros, bens transitórios. Não podemos nos demorar neles, não podemos nos fixar neles, mas sempre usá-los como instrumentos, como meios para que não percamos os bens eternos. Nós devemos passar por essa vida transitória, passageira, sempre com os olhos nos bens eternos. Se quisermos permanecer nessa vida transitória dos bens temporais, se quisermos nos fixar nessa vida transitória com seus bens passageiros, entraremos em grande contradição e perderemos os bens eternos. Pelo que é transitório, devemos passar, simplesmente. Não podemos nos demorar nisso, não podemos permanecer nisso. Quanto aos bens eternos, ao contrário, não devemos perdê-los. Não podemos fazer dos bens eternos bens transitórios e passageiros. Não devemos, pelos nossos pecados, fazer que a graça, o amor a Deus, as virtudes, sejam bens que vão e voltam da nossa alma. Não, eles devem ser bens nos quais permanecemos. Devemos buscar ser estáveis, constantes, perseverantes na graça, no amor a Deus.

Eis, então, caros católicos, essa bela oração da Coleta do 3º Domingo depois de Pentecostes, que deve nortear os nossos desejos na Santa Missa de hoje e que nos mostra o valor inestimável que tem cada parte, cada oração da liturgia católica formada ao longo dos séculos de Tradição, e como cada parte dessa liturgia é um alimento salutar para a nossa alma.

Em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo. Amém.

[Sermão] Omnia parata sunt – Algumas desculpas comuns para não chegar à santidade

II DOMINGO DEPOIS DE PENTECOSTES
07/06/2015 | Capela N. Sr.ª das Dores
Padre Daniel Pinheiro, IBP

Em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo. Amém.

Ave Maria…

Um homem fez uma grande ceia, nos diz Nosso Senhor na parábola contida no Evangelho de hoje. E, com antecedência, ele convidou muitos. À hora da ceia, ele mandou seu servo dizer aos convidados que viessem, porque tudo estava preparado. Esse homem é Deus ou o próprio Jesus Cristo. O servo que convida os homens são aqueles que, na Igreja, têm a função de transmitir a verdade divina aos homens, e que têm o dever de chamá-los à conversão. São os padres e bispos, em suma.

Era o costume convidar as pessoas com antecedência e, na hora da ceia, enviar alguém para chamá-las e dizer que estava tudo preparado. Assim, ao contrário do que parece à primeira vista, as pessoas não foram pegas de surpresa pelo convite. Elas já tinham sido convidadas antes e tiveram toda a possibilidade de se organizarem para comparecerem à ceia. E tudo, diz a parábola, estava pronto para os convidados. Omnia parata sunt. Tudo está preparado. Mas surgem as desculpas para não irem à ceia. Comprei uma vila, é preciso ir vê-la. Comprei cinco juntas de bois, preciso experimentá-las. E outro, casei-me, e por isso não posso ir. Já tinham aceitado o convite e, quando tudo estava já preparado, recusam-se a ir, com desculpas.

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