Festa de Nossa Senhora das Dores: Missa Solene com assistência de Sua Eminência Reverendíssima Dom José Cardeal Freire Falcão

Na primeira festa da padroeira da Capela Nossa Senhora das Dores, Sua Eminência Reverendíssima Dom José Cardeal Freire Falcão assistiu, do trono, à Missa Solene em honra das Sete Dores da Santíssima Virgem celebrada pelo Pe. Daniel Pinheiro, com auxílio do Diácono Pedro Gubitoso, IBP, e outros seminaristas do Instituto do Bom Pastor. Seguem, por enquanto, algumas primeiras fotos.

[Importante] Missa, Benção e Confraternização na grande Festa de Nossa Senhora das Dores (padroeira da Capela)

Salve Maria!

Gostaríamos de lembrar a todos, mais uma vez, que nesta

SEGUNDA-FEIRA, 15 DE SETEMBRO DE 2014, ÀS 19H30, na CAPELA NOSSA SENHORA DAS DORES, haverá MISSA SOLENE seguida de BENÇÃO DO SANTÍSSIMO e CONFRATERNIZAÇÃO, na ocasião da grande festa litúrgica da padroeira da capela. Segue o convite.

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Repertório música para a Missa das Sete Dores de Nossa Senhora

  •  Kyriale: IX “Cum Jubilo”
  • Procissão de entrada: Michel Corrette, Plein Jeu I do Magnificat du 2e Ton (do 1e Livre d’Orgue)
  • Sequência Stabat Mater: Marc-Antoine Charpentier, a 2
  • Ofertório:Jean-François Dandrieu, Duo II — Dialogue VI, do Magnificat da Suite I (do 1er Livre d’Orgue)
  • Elevação: Louis Marchand, Fond’dOrgue VII (do 2e Livre d’Orgue)
  • Comunhão: Heinrich Ignaz Franz Biber, Sonata X para Violino e Baixo Contínuo “da Crucifixão” (das Sonatas do Rosário)
  • Procissão Final: Louis Marchand, Grand Dialogue du 5e Ton (do 3e Livre d’Orgue)

 

[Sermão] A exaltação da Santa Cruz e o sentido do sacrifício e do sofrimento para os cristãos

Sermão para Festa da Exaltação da Santa Cruz
14 de setembro de 2014 – Padre Daniel Pinheiro

Em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo. Amém. Ave Maria.

“Cristo fez-se obediente por nós até à morte e morte de cruz.”

Exaltation-de-la-sainte-croix-par-heracliusA Festa de hoje nos lembra do fato histórico ocorrido em 628, ano em que o Imperador Heráclio conseguiu tomar de volta a Cruz de Cristo, que havia sido levada de Jerusalém pelos Persas, que a profanaram enormemente. Tendo recuperado a Santa Cruz, Heráclio quis entrar em Jerusalém carregando ele mesmo o Santo Lenho em ação de graças pela vitória. Todavia, vestido com todas as insígnias imperiais, não pôde entrar em Jerusalém, detido por uma força invisível. O Patriarca de Jerusalém assinalou ao Imperador que não convinha carregar com tanto aparato a Cruz que Nosso Senhor carregou com tanta humildade. Despojado de todo o aparato imperial, Heráclio conseguiu entrar em Jerusalém carregando a Cruz.

Exalta-se, hoje, a Santa Cruz, da qual pendeu a salvação do mundo. Ó bem-aventurado lenho e benditos cravos que tão suave peso sustentastes, só vós fostes dignos de sustentar o Rei e Senhor dos céus. Foi pela Cruz que Nosso Senhor lançou fora o príncipe desse mundo. A cruz está tão profundamente associada que as relíquias da verdadeira cruz devemos prestar um culto relativo de latria, pois essas relíquias da verdadeira cruz representam o próprio Cristo e pelo contato que tiveram com Ele. É um culto de latria, quer dizer, um culto que se deve unicamente a Deus. É um culto relativo, isto é, não adoramos a cruz por si mesma, mas pela sua ordem a Nosso Senhor Jesus Cristo, pela sua relação com Nosso Senhor Jesus Cristo.

Nosso Senhor, para nos salvar, morreu na cruz. Ele ofereceu à Santíssima Trindade um verdadeiro sacrifício. O sacrifício é justamente o oferecimento de uma coisa sensível a Deus, com mudança ou destruição da mesma, realizada pelo sacerdote em honra de Deus, para testemunhar seu supremo domínio e nossa completa sujeição a Ele. Na paixão e morte de Cristo estão, em grau excelente, todas as condições que se requerem para um verdadeiro sacrifício. Nós temos a coisa externa que é o corpo, a vida de Nosso Senhor. Esse corpo vai ser imolado voluntariamente por Ele na cruz, por sua infinita caridade. Cristo é o Sumo Sacerdote que se oferece a si mesmo. Ele é sacerdote e vítima. E finalidade de Cristo não pode ser outra: dar honra a Deus, reparando pelo pecado e nos obtendo graças para nos convertermos a Ele. Nosso Senhor, na cruz, ofereceu-se em verdadeiro sacrifício. E o sacrifício de Cristo na cruz é o único, depois da sua vinda na terra, que pode oferecer a Deus.

Nosso Senhor se ofereceu voluntariamente por caridade, para honrar a Deus, para satisfazer por nossos pecados, para nos alcançar as graças que precisamos para nos salvar. Que grande o amor de Cristo, que vai até a morte e morte de cruz. Nosso Senhor, inocente e sumamente santo, sofreu, e sofreu mais do que todos nós juntos, para fazer a vontade perfeita de Deus e para nos salvar. Nós, se queremos nos salvar, se queremos seguir Nosso Salvador, deveremos tomar a nossa própria cruz e oferecer nossos sacrifícios, em sentido largo, em união com o sacrifício de Cristo. Nós precisamos saber sofrer, caros católicos, se quisermos chegar ao céu.

Nossa sociedade, neopagã, hedonista, tornou-se incapaz, como acontecia na antiguidade pagã, de compreender o sentido de sacrifício e de sofrimento. Nossos contemporâneos e nós mesmos temos horror ao sofrimento. Muitas vezes pensamos: tudo, menos o sofrimento. E, com razão, se perdeu em nossa sociedade o sentido do sofrimento, porque nós só podemos compreender o sentido pleno do sofrimento ao considerar os sofrimentos de Cristo. É somente com o exemplo de Cristo, com sua doutrina e com as graças que Ele nos dá que poderemos sofrer bem. Precisamos recuperar a noção de sacrifício em nossas vidas, em união com o sacrifício de Cristo.

Precisamos compreender que devemos deixar de lado nossa vontade própria, nossas más inclinações, nossos caprichos, para fazer a vontade de Deus. Devemos compreender que é preciso renunciar a muitas coisas para cumprir bem os deveres de estado. Precisaremos suportar a zombaria do mundo ou suas perseguições, ou a sua indiferença. Precisaremos suportar a eventual perda de amizades quando começamos a praticar mais seriamente a vontade de Deus. Precisaremos suportar eventualmente a perda da estima do mundo, quando nos convertemos a Cristo. A vida conjugal é uma vida de sacrifícios, a vida sacerdotal é uma vida de sacrifícios. Em todo estado de vida nós deveremos oferecer nossos pequenos sacrifícios do dia-a-dia, suportando com paciência as contrariedades e as provações. Nada impede que procuremos corrigir e melhorar as coisas, mas será preciso fazê-lo sempre com caridade.

O horror ao sofrimento é um dos maiores impedimentos contra a santificação. Nós precisamos deixar esse horror de lado. É preciso compreender que o sofrimento é necessário para reparar pelo pecado. O pecado que nos leva a uma satisfação ilícita deve ser reparado com uma pena. Ele é necessário para a santificação da alma. Se a santidade é se assemelhar a Cristo, devemos lembrar que Cristo é Cristo crucificado para depois ressuscitar. Santificação é igual a cristificação. Cristificação é igual a sacrificação, se assim podemos dizer. Não há outro caminho para chegar ao céu, a não ser pela cruz.

Nós sofremos todos, em maior ou menor grau, conforme à disposição divina, que dispõe tudo com sabedoria e caridade. O importante é sofrer bem, sem murmurar, sem revolta, mas com paciência e mansidão, procurando melhorar as coisas, mas sempre se submetendo à vontade de Deus. Se sofremos murmurando ou com impaciências, acrescentaremos um segundo mal ao primeiro e esse segundo mal será pior porque será um mal maior. Devemos sofrer bem. Sofrer passa, mas sofrer bem não passa nunca. O sofrimento cristãmente suportado expia nossos pecados, submete a carne ao espírito, nos desprende das coisas da terra, nos purifica e embeleza a nossa alma porque tira dela as desordens. Pelo sofrimento bem suportado e oferecido a Deus poderemos alcançar tudo dele. O sofrimento faz de nós também apóstolos. Quantas graças podemos alcançar para os outros por meio de nossos sofrimentos. Os sofrimentos nos assemelham a Nosso Senhor e a Nossa Senhora.

Precisamos, caros católicos, retomar o verdadeiro sentido do sofrimento, e saber que podemos tirar dele um grande bem. Essa noção de sacrifício, de oferecer nossos pequenos sacrifícios no dia-a-dia em união com Cristo precisa ser retomada por nós católicos. Precisamos exaltar a cruz de Cristo e nos unir a Ele.

O Papa bento XVI escolheu a Festa da exaltação da Santa Cruz para a entrada em vigor do Motu Proprio Summorum Pontificum, que confirmou para todos os fiéis o direito de assistir à Missa no Rito Romano Tradicional, como a celebramos aqui. O objetivo do Papa é que essa Missa seja conhecida por todos, como tesouro espiritual e monumento da fé católica que é. Ele associou a Missa Tradicional à Cruz. Ele fez isso porque nesse Rito Tradiional, na Missa Tridentina, a cruz de Cristo se renova de maneira clara. O caráter sacrificial da Missa está perfeitamente expresso na liturgia tradicional, sem receio, sem atenuações, sem respeito humano. Se queremos resgatar a noção de sacrifício entre os católicos e na sociedade, noção própria da doutrina de Cristo, é necessária uma liturgia que exprima claramente o sacrifício de Cristo.

Saibamos sofrer, caros católicos, inspirando-nos no sacrifício de Cristo no Calvário, sacrifício renovado no altar. Saibamos sofrer unidos ao sacrifício de Cristo.

Em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo. Amém.

[Sermão] Os princípios não negociáveis para os católicos na política

Sermão para o XIII Domingo depois de Pentecostes
07 de setembro de 2014 – Padre Daniel Pinheiro

 

Em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo. Amém. Ave Maria.

Caros católicos, hoje é dia 7 de setembro. Devemos procurar rezar de modo particular pelo nosso país.

Estamos às portas de mais uma eleição em nosso país. Surgem, então, as propostas de cada um dos candidatos, com relação aos mais variados temas. É doloroso, porém, constatar que os temas de capital importância para nosso país são deixados de lado ou rapidamente descartados sem muita discussão quando surgem. Como se fôssemos seres puramente materiais, o tema que mais ocupa o noticiário e os debates é o da economia, em uma visão reducionista do ser humano e da sociedade. A economia tem, claro, sua relevância, mas ela é bem inferior aos temas que dizem respeito aos fundamentos da nossa sociedade e que moldam o nosso país agora e no futuro.

Entre esses temas fundamentais estão os que o Papa Bento XVI havia chamado no seu pontificado de princípios não negociáveis para os católicos na política. O Papa mencionou três princípios não negociáveis, quer dizer, princípios que um católico não pode desconsiderar quando se trata de eleger um candidato, de votar. O primeiro deles é a proteção da vida inocente em todas as suas fases, desde o primeiro momento da concepção até sua morte natural. Nesse primeiro princípio, está claro que o Papa se refere ao aborto, à eutanásia e a outros assuntos conexos, como a pesquisa com células-tronco embrionárias. O aborto, como sabemos, é o assassinato do bebê ainda no ventre materno. A eutanásia é o assassinato de um doente, tirando dele os meios ordinários de sobrevivência ou matando-o simplesmente, com uma injeção ou algo do gênero. A pesquisa com células-tronco embrionárias é aquela que usa e mata os embriões, em geral fruto de inseminação artificial – inseminação artificial que é gravemente proibida pela Igreja Católica – para pesquisas nas mais diversas áreas ou simplesmente para se fazerem cosméticos. As pesquisas com células-tronco embrionárias são completamente ilícitas porque matam uma vida humana, e, além disso, têm mostrado pouquíssimos resultados. As pesquisas com células-tronco adultas, tiradas de órgãos de pessoas adultas não é ilícita e, essa sim, tem mostrado resultados. Deus faz as coisas bem feitas, caros católicos. Portanto, o primeiro ponto não negociável é a proteção da vida inocente em todas as suas fases, desde a concepção até sua morte natural.

O segundo ponto não negociável é a promoção da família natural, na verdade o único tipo de família que existe, com a união entre um só homem e uma só mulher pelo matrimônio indissolúvel. De modo particular, o católico deve defender a família diante das tentativas do reconhecimento legal de uniões de pessoa do mesmo sexo. Diz a nota doutrinal da Congregação para a Doutrina da Fé de 2003 sobre os projetos de reconhecimento legal das uniões entre pessoas homossexuais: “Em presença do reconhecimento legal das uniões homossexuais ou da equiparação legal das mesmas ao matrimónio, com acesso aos direitos próprios deste último, é um dever opor-se-lhe de modo claro e incisivo. Há que se abster de qualquer forma de cooperação formal na promulgação ou aplicação de leis tão gravemente injustas e, na medida do possível, abster-se também da cooperação material no plano da aplicação. Nesta matéria, cada qual pode reivindicar o direito à objecção de consciência.” Portanto, não se trata de se opor simplesmente ao “casamento” homossexual, mas trata-se de se opor a qualquer reconhecimento legal dessas uniões. No Brasil, um reconhecimento legal foi feito insidiosamente no Supremo Tribunal Federal e sua aplicação foi forçada pelo Conselho Nacional de Jusitça, à revelia da população majoritariamente contra.

Finalmente, o terceiro princípio não negociável mencionado por Bento XVI é o direito dos pais de educarem os filhos. A família antecede o Estado. Portanto, por direito natural cabe aos pais educar os filhos e não cabe ao Estado impor o que ele bem entende, como a ideologia do gênero ou o indiferentismo religioso, por exemplo. O Estado, com seus planos nacionais de educação, tem querido cada vez mais monopolizar a educação de nossas crianças e jovens, querendo obrigar a entrada na escola cada vez mais cedo, estendendo os horários, etc. A educação é direito e dever primeiramente dos pais, por lei natural.

Deve ser para todos evidente que uma sociedade em que os pais matam os filhos, em que os filhos matam os pais idosos, ou em que se mata uma vida inocente simplesmente para se poder viver com mais tranquilidade e sem ter tanto trabalho, é uma sociedade corrompida no seu fundamento. Uma sociedade que reconhece e legitima as uniões homossexuais, uniões que não se voltam para a perpetuação da espécie humana, uniões que não podem dar frutos, que não podem gerar vida, uniões que se opõem ao mais elementar dado da realidade, que é a complementaridade entre um homem e uma mulher – uma sociedade que reconhece e legitima essas uniões está corrompida no seu fundamento. Uma sociedade em que a família não é a principal educadora das crianças e dos jovens é também uma sociedade corrompida no seu fundamento. Pode até ser que tenha durante certo tempo uma prosperidade econômica, mas aquela prosperidade que realmente importa, que é a da virtude, já não existe. E uma sociedade corrompida moralmente a tal ponto está fadada a desaparecer e a ser castigada por Deus.

São esses os três princípios não negociáveis de que nos falava o Papa Bento XVI. É claro que os outros princípios da lei natural e da lei divina não podem ser negociados. Não se pode negociar o princípio, sempre afirmado pela Igreja, da impossibilidade de ser católico e socialista ou comunista ao mesmo tempo. Ou se é uma coisa ou outra. Não se pode negociar o princípio de que a Igreja católica é a verdadeira religião revelada por Deus e que, consequentemente, ela deva ser reconhecida como tal pelo Estado. E assim por diante. Nenhum princípio da fé, da Revelação ou da lei natural pode ser negociado. O que devemos destacar é que esses três princípios não negociáveis mencionados pelo Papa bento XVI estão realmente no fundamento de tudo, não só da sociedade civil, mas também da Igreja. Se uma sociedade cede em um desses três pontos, todo o resto automaticamente desmorona.

E esses três pontos de fundamental importância são completamente negligenciados pelos mais diversos candidatos. Os temas que realmente importam para a sociedade são silenciados, pois pode ser que a sociedade se dê conta desses gravíssimos erros e do suicídio que significam. Esses temas são silenciados porque os principais candidatos são favoráveis em maior ou menor escala a esses erros. Quando alguém ousa levantar algum desses temas e tratar deles devidamente, apontando os problemas e perigos gravíssimos, é logo tratado de fundamentalista religioso. De fundamentalismo religioso não há nada. Primeiro, são temas que dizem respeito à lei natural, independentemente da religião. Nossa razão compreende que não se pode matar um bebê, compreende que não se pode matar um doente. Nossa razão compreende que a união entre duas pessoas é em vista da procriação, da geração dos filhos. Nossa razão compreende que a família é a primeira sociedade onde se educam os filhos. E, ainda que fosse um tema estritamente religioso, é preciso dizer que a Igreja poderia afirmar e deveria reafirmar a sua doutrina, para, com a luz do Evangelho, evitar um grande mal para a sociedade.

Corremos o risco, caros católicos, de ver nosso país se afundar cada vez mais em um socialismo difuso – cada vez menos difuso e mais palpável -, em um relativismo moral ainda mais drástico e pernicioso, em um esquecimento completo da lei natural e da lei de Deus. Nós precisamos fazer a nossa parte. E nossa parte começa pelas nossas famílias, por famílias católicas, em que os filhos são bem educados, em que os membros buscam, cooperando entre si, cumprir a vontade de Deus em todas as coisas e chegar ao céu. Fazer nossa parte com famílias católica numerosas, de onde saíram bons padres, bons religiosos e religiosas. Famílias católicas de onde saíram futuros maridos e esposas católicas que terão famílias católicas numerosas, com vocações e assim por diante. É assim que faremos nossa parte para restaurar tudo em Cristo. Devemos também professar publicamente a nossa fé, sem respeito humano, nos ambientes em que vivemos e agir na esfera pública na medida de nossas possibilidades e sempre em conformidade com a doutrina católica.

Rezemos e façamos a nossa parte por nosso país, para que ele não seja como esses dez leprosos ingratos do Evangelho de hoje. As terras brasileiras receberam de Deus um grande favor, que foi a colonização feita pelos católicos portugueses, que nos trouxe a luz do Evangelho, que nos trouxe Nosso Senhor Jesus Cristo. Se renegarmos essa graça, corremos sérios riscos de cairmos em paganismo pior que o dos índios. Peçamos, nessa novena de Nossa Senhora das Dores, também pelo Brasil, e que Deus tenha piedade de nós.

Em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo. Amém.

[Aviso] Missas e Novena para a Festa de Nossa Senhora das Dores

Lembramos os horários para os próximos dias, repletos de Festas e de Missas em honra de Nossa Senhora, Mãe de Deus e nossa. Deus nos dá a graça de poder honrar Maria Santíssima de modo particular nesses dias.

Novena Nossa Senhora das Dores Calendário

  • Horários de Segunda-Feira à Sexta-Feira:

18:00 – Confissões

18:30 – Terço/Novena de Nossa Senhora das Dores diante do Santíssimo Sacramento exposto

19:30 – Missa

Segunda-Feira, dia 8/9: Missa da Festa da Natividade de Nossa Senhora

Terça-Feira, dia 9/9: Missa Votiva da Imaculada Conceição

Quarta-Feira, dia 10/9: Missa da Festa de São Nicolau de Tolentino

Quinta-Feira, dia 11/9: Missa Votiva de Nossa Senhora das Graças

Sexta-Feira, dia 12/9: Missa da Festa do Santíssimo Nome de Maria

  • Sábado, dia 13/9:

8:00 – Confissões

8:30 – Missa de Nossa Senhora do Sábado

Após a Missa – Novena de Nossa Senhora das Dores

  • Domingo, dia 14/9:

9:00 – Confissões

10:00 – Missa Solene da Festa da Exaltação da Santa Cruz

Após a Missa – Novena de Nossa Senhora das Dores diante do Santíssimo Sacramento exposto.

  • Segunda-Feira, dia 15/09:

19:00 – Confissões

19:30 – Missa Solene da Festa de Nossa Senhora das Dores, Padroeira da Capela

Após a Missa – Confraternização

Novena para a Festa de Nossa Senhora das Dores – início hoje, 6 de setembro

maria-ss-addolorata-san-marcello-roma Novena para a Festa de Nossa Senhora das Dores

 Do dia 6 de setembro ao dia 14 de setembro

 

“ Jesus prometeu graças extraordinárias aos devotos das dores de Maria.”

Santo Afonso Maria de Ligório, Glórias de Maria, p. 367.

Uma devoção salutar e muito favorecida pela Igreja

“Pelberto refere-nos a seguinte revelação de S. Isabel a esse respeito. São João Evangelista, depois da Assunção da Senhora, muito desejava revê-la. Obteve com efeito essa graça e sua Mãe querida apareceu-lhe em companhia de Jesus Cristo. Ouviu em seguida Maria pedir ao Filho algumas graças especiais para os devotos de suas dores, e Jesus prometer quatro principais graças. Ei-las: esses devotos terão a graça de fazer verdadeira penitência por todos os seus pecados, antes da morte; Jesus guardá-los-á em todas as tribulações em que se acharem, especialmente na hora da morte; Ele lhes imprimirá no coração a memória de sua Paixão, dando-lhes depois um prêmio especial no céu; por fim, os deixará nas mãos de sua Mãe para que deles disponha a seu agrado, e lhes obtenha todos e quaisquer favores.” (Santo Afonso Maria de Ligório, Glórias de Maria, p. 368)

“Essa devoção recebeu a mais alta sanção da Igreja, pois está tanto no Missal quanto no Breviário. Duas festas distintas são estabelecidas em honra dessas dores. Uma em setembro (dia 15) e a outra na sexta-feira da semana da Paixão (semana que antecede a Semana Santa). A Coroa ou Rosário de Nossa Senhora das Dores, assim como várias outras devoções foram abundantemente indulgenciadas. Entre elas, pode ser mencionado o Hino Stabat Mater, a devoção de uma hora empregada em qualquer época do ano para meditar as Dores, um exercício em honra de seu coração doloroso, sete Ave Marias com o Sancta Mater istud agas, um exercício para os últimos dez dias do carnaval e uma hora ou meia hora de oração na Sexta-feira santa e nas outras sextas-feiras. Nada, portanto, falta para a aprovação dessa devoção, nem a Igreja poupou meios para atrair seus filhos a essa devoção.

A Igreja escolheu especialmente, porém, sete dores de Maria para uma devoção mais particular. Ela as colocou no Ofício Divino por meio de antífonas, e fez delas os sete mistérios do Coroa das Dores. Essas dores são (1) a Profecia de Simeão, (2) a Fuga para o Egito, (3) a Perda do Menino Jesus no Templo por três dias, (4) o Encontro de Nossa Senhora com Jesus carregando a Cruz, (5) a Crucificação, (6) a Descida da Cruz, (7) o Sepultamento de Cristo. (…) Essas sete dores são misteriosas amostras de suas inúmeras outras dores e podemos encontrar nelas, talvez, o tipo de todas as outras dores humanas.” (Padre F W Faber, The Foot of the Cross, Tan Books, pp. 64 e 65)

Novena de Nossa Senhora das Dores

A novena é igual nos nove dias. Ela é composta de (1) sete Ave-Marias, cada uma acompanhada da estrofe Sancta Mater do Hino Stabat Mater, seguidas da (2) Ladainha de Nossa Senhora das Dores com suas orações.

(1) Ave Maria, gratia   plena…Sancta Mater, istud agas,Crucifixi fige plagasCordi meo valide. Ave Maria, cheia de graça…Santa Mãe, dai-me isto,Trazer as chagas de CristoGravadas profundamente em meu coração.

(2) Ladainha de Nossa Senhora das Dores

(Composta por Pio VII em 1809, no cativeiro sob Napoleão. Para uso privado somente. Original latino em Golden Manual, 1870.)

Kyrie, eleison.

Christe, eleison.

Kyrie, eleison.

Christe, audi nos.

Christe, exaudi nos.

Pater de caelis, Deus, miserere   nobis.

Fili, Redemptor mundi, Deus,

Spiritus Sancte Deus,

Sancta Trinitas, unus Deus,

Sancta Maria, ora pro nobis

Sancta Dei Genetrix,

Sancta Virgo virginum,

Mater crucifixa,

Mater dolorosa,

Mater lacrimosa,

Mater afflicta,

Mater derelicta,

Mater desolata,

Mater filio orbata,

Mater gladio transverberata,

Mater aerumnis confecta,

Mater angustiis repleta,

Mater cruci corde affixa,

Mater maestissima,

Fons lacrimarum,

Cumulus passionum,

Speculum patientiae,

Rupes constantiae,

Ancora confidentiae,

Refugium derelictorum,

Clipeus oppressorum,

Debellatrix incredulorum,

Solatium miserorum,

Medicina languentium,

Fortitudo debilium,

Portus naufragantium,

Sedatio procellarum,

Recursus maerentum,

Terror insidiantium,

Thesaurus fidelium,

Oculus Prophetarum,

Baculus Apostolorum,

Corona Martyrum,

Lumen Confessorum,

Margarita Virginum,

Consolatio Viduarum,

Laetitia Sanctorum omnium,

Agnus Dei, qui tollis peccata mundi, parce nobis, Iesu.

Agnus Dei, qui tollis peccata mundi, exaudi nobis, Iesu.

Agnus Dei, qui tollis peccata   mundi, miserere nobis, Iesu.  

 

Oremus. Respice super nos, libera nos, salva nos ab omnibus angustiis in   virtute Iesu Christi. Amen.

Scribe, Domina, vulnera tua in corde meo, ut in eis legam dolorem et   amorem: dolorem, ad sustinendum per te omnem dolorem: amorem, ad contemnendum   per te omnem amorem.

Credo, Salve Regina, et ter Ave Maria

Senhor, tende piedade de nós. (2x)

Cristo, tende piedade de nós. (2x)

Senhor, tende piedade de nós. (2x)

Jesus Cristo, ouvi-nos. (2x)

Jesus Cristo, atendei-nos (2x)

Deus Pai dos Céus, tende piedade   de nós.

Deus Filho, Redentor do mundo,

Deus Espírito Santo,

Santíssima Trindade, que sois um só Deus,

Santa Maria, rogai por nós.

Santa Mãe de Deus,

Santa Virgem das virgens,

Mãe crucificada,

Mãe dolorosa,

Mãe lacrimosa,

Mãe aflita,

Mãe abandonada,

Mãe desolada,

Mãe despojada de seu Filho,

Mãe transpassada pela espada,

Mãe consumida pelas tribulações,

Mãe repleta de angústias,

Mãe cravada na Cruz em seu coração,

Mãe tristíssima,

Fonte de lágrimas,

Ápice dos sofrimentos,

Espelho de paciência,

Rochedo de constância,

Âncora de confiança,

Refúgio dos desamparados,

Escudo dos oprimidos,

Vencedora dos incrédulos,

Conforto dos miseráveis,

Remédio dos enfermos,

Fortaleza dos fracos,

Porto dos náufragos,

Bonança nas borrascas,

Recurso dos aflitos,

Terror dos insidiosos,

Tesouro dos fiéis,

Olho dos Profetas,

Báculo dos Apóstolos,

Coroa dos Mártires,

Luz dos Confessores,

Pérola das Virgens,

Consolação das viúvas,

Alegria de todos os Santos,

Cordeiro de Deus, que tirais os pecados do mundo, perdoai-nos, Jesus.

Cordeiro de Deus, que tirais os pecados do mundo, ouvi-nos, Jesus.

Cordeiro de Deus, que tirais os pecados do mundo, tende piedade de nós, Jesus.

 

Oremos. Lançai vosso olhar   sobre nós, livrai-nos e salvai-nos de todas as angústias pela virtude de  Jesus Cristo. Amém.

Imprimi, Senhora, as vossas feridas em meu coração, para que possa ler   nelas a dor e o amor; a dor, para suportar, por ti, toda dor; o amor para desprezar,   por ti, todo amor.

Credo, Salve Regina, et três Ave-Marias

Ato de Consagração a Nossa Senhora das Dores (para o dia 15 de setembro)

Maria, Santíssima Virgem e Rainha dos Mártires, queria ser levado ao Céu, para contemplar aí as honras dadas a vós pela Santíssima Trindade e por toda a corte celeste. Todavia, como ainda sou um peregrino nesse vale de lágrimas, recebei desse vosso servo, indigno e pecador, a mais sincera homenagem e o mais completo ato de submissão que um ser humano é capaz de vos prestar. Em vosso Coração Imaculado, transpassado por tantas espadas de dor, eu coloco, definitivamente, a minha pobre alma. Recebei-me como o companheiro de vossas dores e não permitais jamais que eu me separe daquela Cruz, na qual vosso Filho morreu por mim. Convosco, oh Maria, suportarei todas as tribulações, contradições e enfermidades com que, nessa vida, vosso Divino Filho se dignar me visitar. Eu ofereço tudo a vós, em memória das dores que sofrestes durante vossa vida na terra. Assim, que todo pensamento de minha mente, toda batida de meu coração, seja, de agora em diante, um ato de compaixão por vossas dores e um ato de comprazimento com as glórias de que agora vós desfrutais no Céu. Portanto, caríssima Mãe, enquanto eu agora me compadeço de vossas dores e me alegro de vossa glorificação, tende compaixão de mim e reconciliai-me com vosso Filho, Nosso Senhor Jesus Cristo, para que eu seja vosso filho verdadeiro e fiel. Vinde em meu último dia para assistir-me na agonia, assim como assististes ao vosso Divino Filho, a fim que, deixando esse exílio, possa partilhar de vossa glória no Céu. Amém.

[Aviso] Primeira sexta-feira e primeiro sábado do mês

Salve Maria! Lembramos sobre os horários das celebrações na Capela Nossa Senhora das Dores para esta primeira sexta-feira e para o primeiro sábado do mês de setembro:

Sexta-feira (5/09/2014): Hora Santa  às 19h e Santa Missa às 20h. Confissões a partir das 18:30 e durante a Hora Santa.

Sábado (6/09/2014): Santa Missa às 08h30. Confissões das 8:00 às 8:30.

[Sermão] O Bom Samaritano

Sermão para o XII Domingo depois de Pentecostes
31 de agosto de 2014 – Diácono Tomás Parra

 

Em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo. Amém. Ave Maria.

Reverendo Padre, Caros irmãos,

Neste 12º Domingo depois de Pentecostes, o Evangelho nos narra que, estando Jesus entre os doutores da lei, um deles levantou-se e disse-lhe, para tentá-lo: “Mestre, que devo eu fazer para possuir a vida eterna?”. Nosso Senhor, por sua vez, cheio de mansidão, lhe propôs também uma questão, seguindo seu custume quando era Ele mesmo testado, e disse: “Que é que está escrito na lei? Como lês tu?”. O doutor, respondendo, disse: “Amarás o Senhor teu Deus com todo teu coração, com toda a tua alma, com todas as tuas forças, com todo teu entendimento; e o teu próximo como a ti mesmo”. Nosso Senhor então, responde: “Respondeste bem; faz isso, e viverás”, como dizendo, faz isso sempre e terás a vida eterna.

“Mas quem é meu próximo?”. Esta pergunta do doutor mostra a soberba dos escribas, que acreditavam serem poucos os que mereciam seu amor. E foi também a ocasião para Cristo tomar a palavra e ensinar a parábola do Bom Samaritano, que é o quadro mais belo e mais perfeito que se poderia fazer do amor do próximo.

Nessa parábola do Evangelho, caros irmãos, Nosso Senhor descreve a Si mesmo. Ele é o Bom Samaritano que trata o homem com uma misericórdia admirável e divina. Ele é o exemplo perfeito de amor de Deus e do próximo.

Primeiramente, caros irmãos, o Bom Samaritano olha cheio de compaixão para aquele homem ferido e despojado de seus bens, e se aproxima dele. Ora, esse homem somos nós, pecadores, despojados de todas as riquezas de ordem sobrenatural por causa do pecado. Nosso Senhor se aproximou de nós pela sua Encarnação, mistério no qual ele manifesta a sua onipotência, e o tão grande amor que teve por nós, que o levou a rebaixar-se e a assumir, num ato de infinita humildade, uma natureza humana frágil, capaz de sofrer, de sofrer por nós. Ele aproximou-se, também, deste homem ferido, pela maneira que quis se apresentar ao mundo, comendo com os pobres, com os pecadores, levando uma vida humilde, e escolhendo, muitas vezes, no povo simples os seus apóstolos, aos quais devia confiar sua missão. Além disso, a cada dia, Nosso Senhor vem sobre o altar, na missa, para pagar pelos nossos pecados e nos fortalecer pela comunhão.

Tendo-se aproximado, o Bom Samaritano ligou-lhe as feridas. Eram muitas essas feridas deste homem abandonado meio morto pelos ladrões. Muitos eram os ferimentos do homem decaído pelo pecado. Na verdade, caros irmãos, depois do pecado, o homem havia perdido a graça santificante, que é a amizade com Deus, a vida sobrenatural da alma. Seu entendimento estava obscurecido para as verdades mais fundamentais da religião. Sua vontade, debilitada por ter apegado o coração à criatura e o afastado do Criador, deixando-se por isso, muitas vezes, dominar pela concupiscência; seu corpo estava submetido à doença e à morte, e suas paixões ficaram como revoltadas e seguindo sem controle a lei da concupiscência.

Mas Nosso Senhor, nosso Bom Samaritano, por amor, vai tratar e curar estes ferimentos. Na cruz, Ele nos alcança de novo a graça santificante, estabelecendo uma Nova Aliança entre Deus e os homens. Pelos seus ensinamentos, Ele iluminou nossa inteligência, ampliando a revelação divina. Ele fortaleceu nossa vontade, nos dando a esperança, que nos faz desejar as coisas do céu, e a caridade sobrenatural, que educa nossos amores segundo Deus. Com seu exemplo, ensinou-nos que a morte é uma passagem para uma vida incorruptível e bem-aventurada, e, morrendo por nós, fez das misérias desta vida meios para ganharmos méritos para a vida eterna.

Em seguida, o Bom Samaritano, deitando azeite e vinho sobre as feridas, representa Jesus Cristo, que através dos sacramentos aplica sua misericórida e seus méritos, apagando nossos pecados e nos fortalecendo pela graça para uma vida nova, uma vida santa. O azeite e o vinho são, por um lado, a doçura misturada com a severidade, com as quais Nosso Salvador nos cura, nos perdoando e nos corrigindo. Por outro lado, representam a palavra de Deus, que ao mesmo tempo revela verdades suaves que conduzem ao arrependimento e verdades terríveis que fazem o pecador temer por sua condenação.

Depois disso, caros irmãos, o Bom Samaritano coloca o homem sobre sua montada, para levá-lo. Fazendo isso, ele representa Cristo, que assumindo a natureza humana, nos elevou para perto de Deus. Pois Ele tomou sobre si nossos próprios pecados, de tal forma que pudéssemos ser incorporados a Ele para formar seu Corpo Místico. Além disso, Nosso Senhor nos eleva do chão, ou seja, nos tira de nossos vícios, oferecendo-nos um exemplo perfeito de obediência a Deus Pai, de humildade, de mansidão e de todas as virtudes. E, também, a cada dia nos auxilia em nossos trabalhos e sofrimentos, nos chamando com estas palavras: “Vinde a mim todos os que estais cansados sob o peso do vosso fardo, e eu vos aliviarei”. Este gesto de tomar nos braços o pecador significa também associá-lo à sua Cruz, à obra da Redenção.

A estalagem, para onde é levado o homem ferido, simboliza a Igreja Católica, a quem Nosso Senhor confiou todos os homens, antes de subir aos Céus; e é unicamente na Igreja Católica que eles acharão todos os auxílios próprios para curar as suas chagas, e para fazê-los obter uma saúde perfeita, a salvação.

O Bom Samaritano, que segundo o Evangelho de hoje, agiu como o próximo desse homem ferido, é figura de Cristo Nosso Senhor, que se fez homem para ser nosso próximo, e assim tudo dispôs para nossa salvação.

Tendo nos dado o exemplo deste amor ao próximo, que é, aliás, sinal e condição do amor de Deus, Cristo nos deixou o “mandamento novo”: “Amai-vos uns aos outros, assim como eu vos amei”.

Que a meditação destas verdades e o exemplo de Nosso Senhor Jesus Cristo nos façam, caros irmãos, estar atentos aos sofrimentos e necessidades de nossos próximos, nos ensine a ter compaixão e a dedicarmos, em favor deles, nosso tempo, nosso trabalho e nossas próprias pessoas, sobretudo para o bem da alma deles.

Em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo. Amém.

[Sermão] Fundamentos para o apostolado leigo

Sermão para o 11º Domingo depois de Pentecostes

24.08. 2014 – Diácono Tomás Parra

Em nome do Pai…

Ave Maria…

Reverendo Padre, Caros irmãos,

               Neste 11º domingo depois de Pentecostes, a leitura do evangelho narra o episódio da cura do surdo-mudo, descrita por São Marcos. É muito frequente, no Evangelho, que os judeus tragam seus doentes para serem curados por Cristo. São Marcos conta que na região de Genesaré, “em todos lugares onde (Ele) entrava, nos povoados, nas cidades ou nos campos, colocavam os doentes nas praças, rogando que lhes permitisse ao menos tocar na orla de seu manto.  E todos que o tocavam eram salvos”. Mais tarde, vindo de Tiro, no caminho em direção ao mar da Galiléia, “trouxeram-lhe um surdo-mudo”, e “suplicavam-Lhe que lhe impusesse a mão” para curá-lo.

                Caros irmãos, a atitude destes judeus é um exemplo do apostolado do qual trataremos hoje. O primeiro tipo de apostolado é aquele exercido pela hierarquia mesma da Igreja. Como dizia Tertuliano, “Deus Pai enviou a Cristo, Cristo enviou aos apóstolos; os apóstolos, aos bispos”. E Cristo confiou de modo especial aos apóstolos a Missão de converter todos os homens: “Ide, pregai o Evangelho a toda criatura, aquele que crer e for batizado será salvo”.

                O segundo tipo é o apostolado leigo, que existiu durante toda a vida da Igreja. E nós podemos perceber isto na atitude destas pessoas que levavam os doentes até Jesus para que fossem curados. Não eram os apóstolos ou discípulos de Cristo que os levavam, mas os amigos e parentes.

                No Evangelho, a doença é um símbolo do pecado, e como Nosso Senhor veio ao mundo para destruir o pecado, ele começa curando os doentes. E esses próximos dos doentes que os levam a Ele representam os que cooperam com a obra de Cristo, que é a conversão dos pecadores para a salvação de suas almas. Considerando isto, podemos dizer que mesmo os fiéis leigos participam de certo modo desta Missão confiada aos apóstolos por Cristo. “Ide, pregai o Evangelho a toda criatura…”.

                Assim, caros irmãos, como membros da Igreja, cuja cabeça é Cristo, devemos todos trabalhar para salvar nossa alma e a dos nossos próximos, para o crescimento do reino de Cristo. A primeira maneira de fazê-lo é através do apostolado da oração.

Isto é claro no Evangelho de hoje. Primeiramente, pelo exemplo das pessoas que suplicavam a Cristo pela cura para o próximo ou para si mesmas. E quão insistentes eram essas súplicas, e acompanhadas também de uma grande fé. Fé tal que levou uma vez alguns amigos a baixarem um paralítico em seu leito, através de cordas, tendo feito uma abertura no telhado para poderem alcançar o Mestre. E, na ocasião, não somente a cura foi dada, mas também o perdão dos pecados.

                Porém, caros irmãos, também mereceram um favor especial do Senhor as súplicas dos parentes do surdo-mudo.

Nosso Senhor não o cura imediatamente, mas “tomando-o a parte, de entre a multidão, meteu-lhe os dedos nos ouvidos, e tocou-lhe a língua com a sua saliva”. Cristo atendeu suas orações, mas antes, quis se afastar da multidão, para nos ensinar a encontrar Deus no silêncio e na oração. E também para não haver ostentação no fazer milagres, nos ensinando a fugir da vaidade. De fato, como diz São João Crisóstomo, não há maior milagre que professar a humildade e praticar a modéstia. E para combater o orgulho, que se opõe a estas virtudes, toda a vida de Cristo foi exemplo de humildade e é sobre esta humildade que Ele fundou a religião. “Cristo fez-se, por amor de nós, obediente até a morte e morte de cruz. Por isso, Deus O exaltou …”.

São João Crisóstomo diz também que Cristo podia ter curado o surdo-mudo com uma só palavra, mas “meteu-lhe os dedos nos ouvidos, e tocou-lhe a língua com a sua saliva”, para mostrar que seu corpo estava cheio do poder de Deus. Essas curas que realizava mostram que em Cristo veio a restauração da natureza humana, que, por causa do pecado de Adão, tinha sofrido feridas de toda sorte. Além disso, gestos semelhantes ao de Nosso Senhor são utilizados até hoje no rito do batismo, para lembrar o cristão do dever que terá de receber a palavra de Deus pelo ouvido, e de professá-la com a língua.

Em seguida, caros irmãos, Nosso Senhor nos incita à oração pelo seu próprio exemplo. “Levantando os olhos ao céu, (Ele) suspirou”, (do latim ingemuit, gemeu).

Ele levanta os olhos ao céu para nos mostrar que é de lá que vem todos os bens. De lá, vem a cura para os doentes, o perdão para os pecadores. Ele geme de compaixão da miséria do homem decaído, apresentando suas súplicas ao Pai Celeste. Não que precisasse fazê-lo para obter o milagre, pois Ele é Deus, mas para nos ensinar como recorrer à misericórdia divina.

                É muito importante saber que a oração deve anteceder o apostolado do sacrifício e da caridade. E para isso temos o exemplo dos apóstolos e dos discípulos, que estavam, “todos estes, unânimes, perseverantes na oração com algumas mulheres, dentre as quais Maria, Mãe de Jesus”, esperando a vinda do Espírito Santo antes de começarem a exercer a Missão de levar o Evangelho aos homens de todo o mundo. Apesar de terem sido discípulos do próprio Cristo, convivido com Ele, visto Seu exemplo e escutado seus ensinamentos pessoalmente, tinham ainda que rezar para receberem a força vinda do Céu, que lhes daria impulso para pregar a Boa Nova a todas as nações.

                Esta oração do Cenáculo, este recolhimento que antecede Pentecostes, é para nós um modelo. Pois nos ensina, caros irmãos, as três condições necessárias para que as nossas orações sejam atendidas com eficácia:

                Em primeiro lugar, a perseverança, pois lá estavam os apóstolos com os discípulos e Nossa Senhora, e ficaram em oração contínua, esperando que Cristo enviasse o Espírito Santo; e ali oraram durante dez dias. Esta perseverança vai de par, evidentemente, com a fé e a confiança na promessa divina: “Pedi e recebereis”. Não esqueçamos também a fé do paralítico, que desceu pelo teto para pedir a Cristo a sua cura.

                Em segundo lugar, a unanimidade: Também pela promessa divina: “Se dois de vós estiverem de acordo (…) sobre qualquer coisa que queiram pedir, isso lhes será concedido por meu Pai que está nos céus. Pois onde dois ou três estiverem reunidos em meu nome, ali estou no meio deles”. Caros irmãos, a oração em comum tem maior valor aos olhos de Deus que a oração individual, daí a importância de se rezar junto com os filhos em família, junto com bons amigos católicos.

                A terceira condição para que nossa oração seja eficaz para alcançar a vinda do reino do Pai, como pedimos no Pai-Nosso, é a mediação de Nossa Senhora. Ela estava no Cenáculo, em meio aos Apóstolos e discípulos cumprindo a missão de medianeira, missão que lhe foi dada por Deus desde a Encarnação do Verbo, pois, segundo o ensinamento de São Luís de Montfort, Deus Pai escolheu Maria para dar seu Filho ao mundo e, juntamente com seu Filho, lhe confiou todo o tesouro de suas graças e misericórdias. Ela se tornou o Canal que liga os homens à Cristo, que liga os homens ao único Mediador. E esta conduta, este modo de fazer, Deus não mudará até o fim dos tempos, de forma que recorrer à mediação de Nossa Senhora é o meio mais fácil de alcançar de Deus todas as graças.

                Jesus Cristo nos disse “é preciso rezar sempre, oportet semper orare”. A necessidade disso, caros irmãos, para os que têm a fé, é evidente. Em Fátima, Nossa Senhora dizia às três crianças: “Rezai, rezai muito e fazei sacrifícios pelos pecadores, que vão muitas almas para o inferno por não haver quem se sacrifique e peça por elas”. Este apelo se dirige também a nós. Ora, se na época de Cristo havia inúmeros doentes que procuravam remédio em sua misericórdia, hoje existem muitos pecadores, mas que diferentemente daqueles, não buscam sua cura espiritual – o perdão – e caminham para a danação eterna. Pensar também em nossos vícios, nas necessidades de nossos próximos, no sofrimento dos que sofrem perseguições pela fé no Oriente, deve nos incitar a rezar ainda mais. Além disso, hoje, como sabemos, pecados graves e alguns vícios que clamam vingança aos céus são tolerados e facilitados pelas leis civis.

                É preciso, todavia, caros irmãos, não olhar somente os males, para não nos desencorajarmos. Mas saber que os Corações de Jesus e Maria estão atentos às nossas orações.  Que Ele, sendo Deus, pode imperar sobre o mal, como quando disse “Ephpheta” (Abre-te, desatate), e imediatamente os ouvidos do surdo-mudo se abriram, sua língua se desatou e ele começou a falar normalmente o aramaico, língua que ele supostamente desconhecia.

Mas é necessário saber também, que a oração, só, não basta. São Tiago nos ensina que a “fé, se não tiver obras, está completamente morta”. É preciso agir, rezar e agir. É preciso se sacrificar, como pediu Nossa Senhora, e praticar a caridade.

Pode-se fazer apostolado pelo sacrifício, unindo-se a Cristo em sua Paixão; isto é, renunciando a si próprio, pelo bem dos próximos, sobretudo renunciando ao amor-próprio e aos caprichos que incomodam os outros, mesmo se isso proporcionará, por vezes, algo que seja menos cômodo. Pode-se fazer o apostolado do sacrifício praticando,  por exemplo, na medida do possível, algum sacrifício do paladar (começar já pela abstinência da sexta-feira, costume muito louvável que muitos já não praticam em nossos dias)… oferecendo tudo sempre em união a Cristo pelos próximos.

                O apostolado pode se exercer ainda pela prática da caridade, que é reproduzir a vida de Cristo em nós pela nossa entrega a Deus e ao serviço do próximo. É isso que faziam os parentes do surdo-mudo.

Enfim, caros irmãos, nosso apostolado, qualquer que seja, deve sempre levar a Cristo. Não deve ter como fim nossa promoção ou servir nossos interesses próprios, ou ainda  lutar por um bem puramente natural. Nosso apostolado deve lembrar os israelitas do Evangelho de hoje, que tinham um só desejo: levar os doentes até o Mestre “rogando que lhes permitisse ao menos tocar na orla de seu manto”. Ele, Cristo Nosso Senhor é quem cura, quem perdoa os pecados.

Consideremos que Cristo venceu o mundo e a morte, e tendo morrido pelos pecados de todos os homens, ressuscitou. E Ele deseja ardentemente que estejamos unidos a Ele na cruz, para ressuscitarmos com Ele para a glória eterna.

Peçamos, enfim, caríssimos irmãos, a Deus Nosso Senhor o que se reza hoje na colecta, que nos perdoe nossos pecados e nossa falta de merecimentos, e nos dê aquilo que não ousamos esperar da pobreza de nossas orações.

Em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo. Amém.