[Aviso] Programação para os próximos dias: de 29/11 a 8/12

Avisos

 O Padre Daniel Pinheiro nos pede para divulgar as seguintes informações:

Além das atividades regulares da Capela Nossa Senhora das Dores, ocorrerão as que vão abaixo.

[Sermão] Fim do mundo? Sinais precursores.

Sermão para o 24º Domingo depois de Pentecostes

23.11.2014 – Padre Daniel Pinheiro, IBP

Em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo. Amém.

Ave Maria…

“Diz o Senhor: Eu tenho pensamentos de paz e não de aflição.” (Introito)

Prezados Católicos, estamos hoje no último domingo do ano litúrgico. Se o ano litúrgico revive, à sua maneira, toda a história da Salvação, o último domingo depois de Pentecostes trata do fim do mundo. Diante da situação do mundo hoje, diante da dissolução moral e do grande abandono da fé na sociedade civil e na Igreja,  muitos ficam alarmados, aflitos, obcecados com o suposto fim do mundo. Cooperam muito para isso aparições ou “locuções” não aprovadas, não reconhecidas pela Igreja, mas às quais as pessoas se apegam erroneamente, muitas vezes por uma fraqueza na fé. Como nos dizem os autores de espiritualidade – São João da Cruz – em primeiro lugar, o apego excessivo a fenômenos extraordinários ou o basear a vida espiritual em fenômenos extraordinários é uma fraqueza na fé. Isso, mesmo para aparições aprovadas pela Igreja. O que dizer, então, daquelas que não o são? Alarmados, aflitos, cegos com a suposta proximidade do fim do mundo, as pessoas esquecem muitas vezes de fazer o bem que podem e devem fazer aqui e agora. Esquecem que o que mais importa é nos prepararmos para o fim do nosso mundo, que virá com a nossa morte.

O conhecimento preciso do fim do mundo ou do dia da volta de Cristo, para julgar os vivos e os mortos, a Parusia, não nos foi revelado.  A ninguém foi dado conhecer nem o dia nem a hora, nos diz Nosso Senhor. Ele afirmou também que o dia virá de improviso, como um ladrão invisível na noite, como um relâmpago que brilha repentinamente, como o dilúvio, que surpreendeu os contemporâneos de Noé, como a chuva de fogo que caiu sobre Sodoma ou, ainda, como a armadilha feita aos pássaros. Só Deus conhece o momento preciso. Nosso Senhor, porém, nos anunciou sinais precursores, muitos deles genéricos. Podemos, junto com os teólogos, enumerar seis desses sinais :

  1. Um sinal: O anúncio universal do Evangelho. Perguntado sobre o fim do mundo, Nosso Senhor diz aos discípulos: “E será pregado esse Evangelho do reino por todo o mundo, em testemunho a todas as gentes; e então chegará o fim” (Mt. 24, 14). Não se trata aqui da conversão de todos, mas do fato de que o Evangelho seja pregado a todos os povos e em todas as regiões, e que seja praticado com maior ou menor proveito por eles. Já aconteceu isso? Difícil dizer com certeza. Parece haver ainda alguns povos, sobretudo na África, que ainda não conheceram o Evangelho, sobretudo porque muito cedo caíram sob o domínio do Islamismo.
  2. Outro sinal: A vinda do Anticristo. Anticristo em sentido largo é todo adversário de Cristo. Mas falamos aqui do anticristo em sentido estrito. Embora a Igreja não tenha definido nada a respeito, o mais provável, segundo a quase unanimidade dos Padres da Igreja, é que o anticristo seja realmente um indivíduo, um ser humano, um inimigo de Cristo, que se fará adorar como Deus e que poderá ser identificado com certa facilidade, pelo contexto, com o que diz a Sagrada Escritura. São Paulo, por exemplo, diz (2 Tessalonicenses, II, 3-4): “Ninguém de modo algum vos engane; porque isto (a vinda de Cristo) não será antes que venha a apostasia (quase geral dos fiéis), e sem que tenha aparecido o homem do pecado, o filho da perdição, o qual se oporá a Deus e se elevará sobre tudo o que se chama Deus ou que é adorado como Deus, de sorte que se sentará no templo de Deus, apresentando-se como se fosse Deus.” Templo de Deus não é aqui a Igreja Católica, que não chama os edifícios sagrados de “templos”, mas de igrejas, como diz São Roberto Belarmino. Esse templo será provavelmente um templo em Jerusalém, tentativa de reconstrução do antigo templo judeu. A vinda do anticristo certamente não aconteceu ainda. Houve, isso sim, prefigurações do anticristo, como alguns imperadores romanos perseguidores da Igreja, ou como Hitler e Stalin, mas o anticristo ainda não veio.
  3. Outro sinal: A grande apostasia. Está no texto de São Paulo que acabamos de citar: “isto (a vinda de Cristo) não será antes que venha a apostasia.” A apostasia será um abandono suficientemente generalizado da fé, pelo ateísmo, pelo materialismo, pelo indiferentismo, ou por algum sopro de falsa doutrina ou religião. Nem todo mundo perderá a fé, até porque a Igreja continuará sempre a existir tal como fundada por Cristo e ensinando o que Cristo sempre ensinou. O Papa João Paulo II falou em uma ocasião que vivíamos uma apostasia silenciosa. Trata-se da apostasia que precede a vinda de Cristo e o fim do mundo. Não sabemos. Parece que não. Mais provavelmente, vivemos uma prefiguração dessa apostasia.
  4. Outro sinal: Conversão dos judeus. São Paulo escreve aos Romanos (XI, 25-26): “Não quero que ignoreis… este mistério, que uma parte de Israel caiu na cegueira até que tenha entrado na Igreja a plenitude dos gentios, e assim todo o Israel será salvo.” Haverá a conversão de uma grande quantidade de judeus antes do fim do mundo. Assim interpretam os dizeres de São Paulo os padres da Igreja. Isso evidentemente ainda não ocorreu e não parece estar tão próximo de ocorrer.
  5. Mais um sinal: A volta de Elias e Henoc. Os Padres da Igreja são também unânimes em afirmar a volta de Elias e de Henoc, embora a Igreja não tenha definido o sentido exato disso. Eles voltariam justamente para cooperar na conversão dos judeus.
  6. Outro sinal. Grandes tribulações e calamidades. Ora, tribulações e calamidades sempre existiram. E graves. Aquelas que precederão o fim do mundo poderão ser identificadas claramente? Talvez. Por enquanto, nada parece ter um caráter excepcional nessa ordem.

Como vemos, caros católicos, os sinais precursores nos foram dados por meio de profecias, e as profecias dificilmente são compreendidas perfeitamente até que ocorram. Mesmo no discurso de Nosso Senhor que hoje ouvimos no Evangelho não é fácil distinguir o que pertence à destruição de Jerusalém e o que pertence ao fim do mundo. Além disso, ao longo da história, há prefigurações do fim do mundo. Na época de São Gregório Magno, no século VI, muitos pensaram que era o fim do mundo. Não foi. Foi uma prefiguração. No tempo de São Vicente Ferrer, entre o século XIV e o XV, muitos pensaram que era o fim do mundo. Não foi. Foi uma prefiguração. Hoje, muitos, alarmados com a decadência moral e o esfriamento da fé e da caridade, pensam que será em breve o fim do mundo. Alguns sinais até parecem estar presentes. Outros certamente não estão. Parece-nos mais uma prefiguração. De toda forma, ninguém sabe nem o dia nem a hora, só Deus. A nós cabe não nos paralisarmos diante dos males que vemos, esperando um suposto fim do mundo. A nós cabe não cair em desânimo. A nós cabe, isso sim, crer no Evangelho e praticá-lo com alegria, entusiasmo e coragem. A nós cabe difundir o Evangelho nos ambientes em que vivemos, começando por dar o exemplo de bons católicos. A nós cabe preservar a nossas famílias da dissolução que o mundo quer impor e educar bem as nossas crianças. A nós cabe nos prepararmos para o fim do nosso mundo, que é a nossa morte.

Em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo. Amém.

[Sermão] Lições do Evangelho da hemorroíssa

Sermão para o 23º Domingo depois de Pentecostes

16.11.2014 – Padre Daniel Pinheiro, IBP

 

Em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo. Amém.

Ave Maria…

Avisos

Aviso modéstia. Regras básicas: texto no livreto, texto e desenho nos cartazes (ver Instrução sobre a modéstia no vestir e Sermão sobre a Modéstia no vestir). Não andar no limite. Quem ama o limite, quem ama o perigo, perece pelo perigo. Generosidade. Cuidado também com transparências. Muito facilmente certas roupas se tornam transparentes contra a luz. Colocar forro nas saias e forros que correspondam às regras da modéstia, que correspondam às dimensões da saia e não mais curtos. Algo semelhante vale para rendas. Precisa ter forro e que o forro seja claramente visível. Não me é agradável tratar desses detalhes, mas sou obrigado a fazê-lo.

Sermão

 “Tem confiança, filha, a tua fé te salvou.”

No Evangelho de hoje, o Evangelho da ressurreição da filha de Jairo e da cura da hemorroíssa, Nosso Senhor nos mostra alguns traços interessantes de sua vida pública nessa terra, para salvação dos homens.

Nós podemos imaginar a cena, relatada com alguns detalhes a mais por São Marcos e São Lucas. Nosso Senhor se dirigia à casa de Jairo, onde a filha desse chefe da sinagoga acabara de morrer. Já está a multidão fora da casa, lamentando o falecimento da jovem. Havia também uma multidão de pessoas que seguiam Jesus. Eis, então, que uma mulher, que sofria de um fluxo de sangue toca a fímbria da veste de Cristo. Não só ela sofria dessa doença, nos diz São Marcos, mas ela estava também na miséria, tendo gastado tudo o que possuía com os médicos, que não conseguiram curá-la. Ao contrário, ela só piorava dessa doença que lhe causava vergonha. Tanta vergonha que ela não ousa falar com o Senhor para lhe pedir a cura. Conhecendo os relatos dos milagres anteriores de Nosso Senhor, ela considera que é suficiente tocar a fímbria, a borda das vestes de Cristo.

No meio dessa multidão que comprimia e apertava o Salvador, a hemorroíssa o tocou. Nosso Senhor se volta, então, para a multidão e pergunta, como nos dizem São Lucas e Marcos: “Quem me tocou?” São Pedro e outros que estavam com Ele dizem: “Mestre, as multidões apertam-te e oprimem-te e tu perguntas: Quem me tocou?” Os discípulos, São Pedro em primeiro lugar, ficam abismados com aquela pergunta do Mestre porque era uma multidão que tocava Jesus de todos os lados. Como pode o Salvador perguntar: “quem me tocou?” Todo mundo o tocava. O que os discípulos e a hemorroíssa não compreendiam ainda é que Cristo conhecia todas as coisas. Nosso Senhor sabia exatamente quem o tinha tocado e quem era a pessoa que tinha sido curada. A cura da hemorroíssa foi um ato voluntário da parte de Nosso Senhor Jesus Cristo e não uma espécie de mágica pelo simples toque na roupa do Mestre. A virtude que saiu de Jesus para curá-la foi ato de misericórdia do seu Sacratíssimo Coração. Na verdade, então, Ele pergunta quem o tocou com verdadeira fé ao ponto de lhe alcançar a cura. Jesus aproveita essa demonstração de fé da doente, que acredita poder ser curada ao tocar as vestes do Senhor e opera o milagre. Nós veremos algo semelhante com os apóstolos depois de Pentecostes. Deus fez milagres até com a sombra deles.

O fato é que Nosso Senhor sabe exatamente quem o tocou e que Ele curou a hemorroíssa. A mulher resolve, então, cheia de medo e tremendo, prostar-se diante dele contando-lhe o ocorrido. Nosso Senhor quis que se tornasse pública a cura da hemorroíssa para corrigir o erro dela e dos discípulos, que pensavam que algo podia ser feito sem seu conhecimento ou às escondidas. Nosso Senhor mostra que conhece todas as coisas. No meio daquela multidão que o tocava de toda parte, ele sabe que uma mulher com grande fé o tocou e que ele a curou do seu fluxo de sangue. Nosso Senhor é onisciente e nada está escondido diante dos seus olhos. Ele quis tornar público esse milagre para nos propor como modelo a fé dessa doente. Quis também tornar público esse episódio a fim de preparar a multidão para o milagre maior da cura da filha de Jairo. Na verdade, “esse contratempo” (entre aspas) da cura da hemorroíssa é que permite a morte da filha de Jairo ou uma maior certeza quanto à sua morte. Aos olhos do pai da menina morta, esse contratempo deve ter sido incompreensível: minha filha morre enquanto Ele cura uma mulher de um fluxo de sangue no meio da multidão querendo saber quem o tocou. Mas Jesus, a sabedoria eterna encarnada, dispõe bem todas as coisas. Permite que a filha de Jairo morra e que passe um certo tempo para fazer um milagre ainda maior, para que as pessoas possam acreditar. Grande é a sabedoria e a bondade divinas, caros católicos, que muitas vezes não compreendemos ou não queremos compreender.

A hemorroíssa, nesse episódio, não somente foi curada de seu fluxo, mas encontrou a salvação. Como diz Nosso Senhor: “filha, a tua fé te salvou.” Salvou não do fluxo de sangue, mas a justificou, a santificou. A hemorroíssa demonstrou com sua ação que acreditava plenamente em Jesus Cristo e que agia em consequência: fé e obras. Saiu santificada.

A hemorroíssa que se antecipa ao milagre da ressurreição da filha de Lázaro representa os gentios, enquanto a filha de Lázaro simboliza os judeus. Nosso Senhor se dirigia à filha de Lázaro, mas foi a hemorroíssa curada em primeiro lugar. Nosso Senhor veio para os judeus, mas os primeiros a se converterem a Ele em grande número foram os pagãos. Os judeus, conforme nos diz São Paulo, se converterão no final dos tempos. A hemorroíssa simboliza também o pecador inveterado. Doze anos de doença vergonhosa e que a tirava do convívio da sociedade e que lhe diminuía as forças, como o pecado habitual que priva a alma da graça – sociedade com Deus – e vai lhe tirando as forças para tudo o que é sobrenatural. Nada mais difícil de ser curado, a não ser por um milagre espiritual, que tira a alma desse estado.

Devemos, então, caros católicos, saber que estamos sempre na presença de Deus. Ele conhece todas as coisas, mesmo os nossos mais recônditos pensamentos. Essa presença de Deus nos evitará muitos pecados, principalmente os ocultos, e nos levará a fazer muitas boas obras, mesmo pequenas e desconhecidas do mundo inteiro. Devemos recorrer a Jesus Cristo com confiança, para que ele cure as nossas doenças espirituais, por mais enraizadas que estejam na nossa alma e por mais vergonhosas que sejam. Devemos tocar Jesus nos seus sacramentos (não quer dizer tocar a Sagrada Hóstia com a mão, mas tocá-lo espiritualmente, com a recepção digna dos sacramentos). Já não temos a roupa de Cristo, mas temos seus sacramentos, principalmente a confissão e a comunhão.

Em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo. Amém.

[Sermão] A Igreja e a casa de Zaqueu

Sermão para a Festa da Dedicação da Basílica do Santíssimo Salvador

09.11.2014 – Padre Daniel Pinheiro, IBP

 

Em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo. Amém.

Ave Maria…

Avisos

Estamos hoje no 22º Domingo depois de Pentecostes, mas é a Festa da Dedicação da Basílica do Santíssimo Salvador. Sendo ela uma festa de 2ª classe e sendo uma festa de Nosso Senhor, tem precedência sobre o domingo.

Altar das relíquias. A reverência devida é uma inclinação profunda. Claro, depois de fazer a devida reverência, podem se ajoelhar e rezar diante das relíquias. Último dia em que as relíquias estarão expostas.

Sermão

 “É terrível este lugar. É a casa de Deus e a porta do céu. E será chamada a habitação do Senhor.”

Festejamos hoje, caros, católicos, a Dedicação da Basílica do Santíssimo Salvador. É o antigo nome da Basílica romana hoje mais conhecida como São João de Latrão. A Basílica do Santíssimo Salvador ou de São João de Latrão é a Catedral do Papa, ela é, portanto, a mater et caput, mãe e preceptora de todas as Igrejas da Urbe e do Orbe, ou seja, de Roma e do mundo. É importante, nesse dia de hoje, rezar pelo Santo Padre, o Papa Francisco, para que cumpra a sua missão, que é confirmar os homens na fé, ensinar o depósito revelado e confiado por Cristo à Santa Igreja, deixando de lado as novidades e rejeitando claramente a tentação de se conciliar com o mundo. Como nos diz o Concílio Vaticano I, o Espírito Santo não foi prometido aos sucessores de Pedro para que manifestem uma nova doutrina, mas para que conservem santamente e exponham fielmente a revelação transmitida pelos apóstolos, ou seja, o depósito da fé.

A Santa Igreja escolheu para as Missas de Dedicação o Evangelho de Zaqueu, chefe dos publicanos, quer dizer, um pecador público. E Nosso Senhor, vendo Zaqueu, logo lhe disse, “convém que eu fique hoje em tua casa.” O Salvador faz da casa de um pecador a sua casa, e Zaqueu logo se converte, prometendo restituir com o quádruplo o que tinha fraudado. Nosso Senhor aproxima-se dos pecadores para convertê-los, para lhes trazer a verdade e a virtude, e não para confortá-los nos seus pecados. Nosso Senhor fez da casa desse pecador a sua casa, para convertê-lo. Nosso Senhor faz da obra de nossas mãos pecadoras, que são as Igrejas, a sua casa, para nos converter até Ele, para nos dar a sua graça, pelo Santo Sacrifício da Missa, pelos sacramentos, pela sua presença real e substancial em corpo, sangue, alma e divindade na eucaristia, pelas instruções das autoridades eclesiásticas. Isso se faz pela bênção de uma Igreja, como foi feito aqui em 13 de julho, por Dom José Aparecido, ou pela dedicação ou consagração da Igreja.

Devemos, então, considerar os pontos de semelhança existentes entre a casa de Zaqueu e a Igreja:

  1. Na casa de Zaqueu, estavam Jesus e seus apóstolos. Em uma Igreja, encontramos Nosso Senhor, principalmente na Eucaristia, e encontramos os ministros do Senhor, que são os sacerdotes.
  2. Na casa se Zaqueu, além de Jesus e de seus apóstolos, estão Zaqueu e seus amigos e colegas, publicanos e pecadores, muitos deles. Em uma Igreja, estão os justos, mas também os pecadores, misturados, e todos vêm assistir livremente aos atos de culto a Deus. Os justos devem vir para buscar a perseverança na graça e uma santidade cada vez maior. Os pecadores devem vir buscar o arrependimento. Ao contrário do que muitos pensam, não é uma hipocrisia que alguém que esteja em pecado venha à Missa ou à Igreja. Na verdade, é bom e necessário que o pecador venha à Missa e à Igreja. É a sua obrigação. É assim que ele encontrará misericórdia.
  3. Na casa de Zaqueu, Nosso Senhor anuncia a todos os presentes as verdades eternas. Em uma Igreja, os sacerdotes pregam – ou, ao menos, deveriam pregar – as mesmas verdades, indistintamente a todos os presentes.
  4. Na casa de Zaqueu, acontece a sua conversão e, podemos supor, a conversão de muitos outros. Em uma Igreja, a liturgia, os sacramentos e a doutrina divina convertem continuamente os pecadores. E no confessionário o sacerdote absolve os pecados.
  5. Na casa de Zaqueu se faz um banquete, no qual estão Jesus e todos os presentes. Na Igreja, ocorre o santo Sacrifício da Missa e todos podem receber a Eucaristia, desde que tenham a fé e vivam segundo os mandamentos de Cristo e da Igreja.
  6. A casa de Zaqueu, enquanto nela esteve Jesus, foi escola de verdade, fonte de graça, casa de paz. Uma Igreja é a escola da verdade evangélica, manancial de todas as graças, e a casa de paz entre Deus e os homens, e dos homens entre si.

Em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo. Amém.

[Sermão] Prática para a Comemoração de Todos os Fiéis Defuntos (Dia de Finados)

Prática para a Comemoração de Todos os Fiéis Defuntos – Dia de Finados

03/11/2014 – Padre Daniel Pinheiro

 

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Em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo. Amém.

Ave Maria…

“Libertai, Senhor, as almas dos fiéis defuntos dos laços do pecado.”

Ontem, a Igreja, olhando para o céu, exultou de alegria com todos os santos. Hoje, voltando-se para o purgatório, ela se enche de misericórdia pelas almas do purgatório. Ela se enche de misericórdia por essas almas que, após a morte, expiam pelos pecados veniais não perdoados ou que expiam pela pena ainda não satisfeita dos pecados já perdoados. Essas almas, ao contrário daquelas que morreram em pecado mortal e que estão eternamente condenadas, expiam por suas culpas leves ou expiam pelas penas de pecados já perdoados para poderem entrar no céu. O purgatório, como o nome indica, purga, purifica essas almas.

Essas almas no purgatório já não podem merecer nada propriamente falando. Elas não podem fazer boas obras no purgatório a fim de expiar pelas suas culpas. A elas cabe, simplesmente, sofrer com paciência, unidas a Cristo. Elas formam, por isso, o que se chama de Igreja padecente, de padecer, sofrer. Pelo dogma da comunhão dos santos, nós da Igreja militante, podemos ajudá-las oferecendo por elas as nossas orações, as nossas boas obras, os nossos sofrimentos, as indulgências.

Neste dia de finados, a tristeza é bem natural. Mas deve ser uma tristeza contida, temperada pela esperança da ressurreição e temperada pelo bem que ainda podemos fazer por essas almas. Nesse dia, lembramo-nos dos entes queridos, procuramos adornar os túmulos deles com flores, etc. Mas não é esse o grande bem que podemos fazer por essas almas. Nós podemos ajudá-las realmente. Nesse dia de hoje – e não só nele, evidentemente – podemos e devemos rezar pelos nossos parentes, pelas pessoas conhecidas falecidas e por todos os fiéis defuntos. Devemos pedir ao Senhor, com insistência, que lhes dê o descanso eterno e a luz perpétua, como faz a Igreja na Missa de Requiem. Esse sufrágio, essa ajuda às almas do purgatório se faz principalmente encomendando Missas pelo descanso eterno delas. É grande obra de piedade e de misericórdia ajudar essas almas. E é também obra de justiça, quando se trata dos nossos familiares e de pessoas que lá estão por nossa culpa.

A Igreja volta-se, então, para essas almas. É o que se vê claramente na liturgia da Missa de Defuntos, da Missa de Requiem. O salmo 42, nas orações ao pé do altar, e que nos estimula à alegria é omitido, porque, diante da morte, há motivos para uma tristeza, ainda que moderada pela fé. No Introito, o Padre não faz o sinal da cruz sobre si mesmo, mas sobre o Missal, como que dirigindo uma bênção, um sufrágio às almas do purgatório. Não há o Glória, canto de alegria dos anjos. O padre não pede o perdão dos pecados depois do Evangelho porque sua preocupação não é com os vivos, mas com os defuntos. Ele não abençoa a água porque a água simboliza os fiéis vivos. No Agnus Dei não se pede a misericórdia para nós, mas se pede o descanso eterno para os fiéis defuntos. Não há a benção final. Depois da Missa, a Igreja dá a possibilidade de se fazer a absolvição sobre a essa, que é esse caixão vazio. É também um rito que alivia muito as almas do purgatório. Imitemos a Igreja e voltemo-nos para essas almas, que precisam de nossa ajuda.

Neste dia de finados, pensemos também em nossa própria morte e pensemos em nos preparar para ela. Não para daqui a 60, 50, 40, 5 anos. Mas para agora. Não sabemos nem o dia nem a hora de nossa morte. É preciso estarmos sempre preparados, caros católicos, para, na hora da nossa morte, entrarmos na vida, na vida eterna. Meditemos as palavras tremendas do Sequência da Missa de hoje, o Dies Irae, que nos faz lembrar do dia do juízo e da nossa miséria. Supliquemos a Deus misericórdia e convertamo-nos a Ele.

Em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo. Amém.

[Sermão] As bem-aventuranças: programa de santidade

Sermão para a Solenidade de Todos os Santos

02/11/2014 – Padre Daniel Pinheiro

 

Em nome do Pai, e do Filho e do Espírito Santo. Amém.

Ave Maria…

 “Vinde a mim todos os que trabalhais e estais sobrecarregados e eu vos aliviarei” (Aleluia da Festa de Todos os Santos).

Caros católicos, estamos hoje naquela que é, praticamente, a última grande festa do ano litúrgico. Veneramos e prestamos nossas homenagens aos santos, dos mais conhecidos aos totalmente anônimos. Ao mesmo tempo, pedimos a eles que intercedam por nós diante do trono do Cordeiro, e consideramos os exemplos dos santos.

Entre os santos, encontramos homens e mulheres, ricos e pobres, reis e mendigos, clérigos, religiosos e leigos. Virgens e casados. Crianças e adultos. Todavia, têm todos algo em comum. Colocaram em prática os ensinamentos de Nosso Senhor Jesus Cristo. Eles colocaram em prática esse sublime programa de vida cristã que acabamos de ouvir no Evangelho de hoje, em trecho do sermão da montanha, que é o resumo da moral cristã. Devemos fazer o mesmo, caros católicos.

Todos nós desejamos ardentemente a bem-aventurança, a felicidade. Todos desejamos o reino dos céus. Todos desejamos possuir a terra. Desejamos ser consolados. Desejamos ser saciados de justiça. Desejamos alcançar misericórdia. Todos desejamos ver a Deus e desejamos ser chamados filhos de Deus. Para alcançar todas essas bem aventuranças, é preciso, porém, empregar os meios que nos levam até elas. É preciso pegar a estrada que nos conduz a elas.

  1. Bem-aventurados os pobres de espírito porque deles é o reino dos céus. A pobreza de espírito não é a pobreza material; ela não consiste em não possuir os bens desse mundo. Do contrário, todos os pobres seriam santos e quanto mais pobres, mais santos. A pobreza material, porém, ajuda em muito a pobreza do espírito, se a pessoa suporta com paciência a sua condição. Essa pobreza de espírito é, portanto, o desapego dos bens desse mundo, ainda que a pessoa os possua, mas é também o desapego das honras e é também a humildade. O pobre de espírito sabe que sua única riqueza é Deus. Usando das coisas desse mundo sem colocar o nosso coração nelas, utilizando-as para servir a Deus e colocando nosso coração nos bens eternos, possuiremos definitivamente esses bens eternos no reino dos céus.
  2. Bem-aventurados os mansos porque possuirão a terra. Manso é aquele que submete sempre a ira ou cólera à razão iluminada pela fé. A mansidão não implica ausência total de ira, mas implica que a ira esteja sempre submetida à razão iluminada pela fé, quando for preciso irar-se, como o fez Nosso Senhor, por exemplo, na expulsão dos vendilhões do templo. O que é manso assim, sabendo moderar a sua ira, possuirá a terra. A terra é a pátria, é o céu, mas é também a própria pessoa, que, no céu, possuirá plenamente todas as suas faculdades, isto é, ordenará todas as suas faculdades a Deus.
  3. Bem aventurados os que choram porque serão consolados. Esse choro do homem é a sua boa tristeza pelos pecados que cometeu ao usar das coisas criadas contrariamente à lei de Deus. É o choro do pecador arrependido. E dessa boa tristeza o homem será consolado plenamente no céu, quando receber a recompensa pelo seu arrependimento.
  4. Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça porque serão saciados. A justiça aqui não é tanto a virtude particular de justiça que nos faz dar a cada um aquilo que lhe é devido, mas a virtude em geral ou a santidade. Aquele que deseja ardentemente a santidade e que a deseja efetivamente, isto é, colocando em prática os meios para alcançá-la será plenamente saciado no céu, com a santidade perfeita.
  5. Bem-aventurados os misericordiosos porque alcançarão misericórdia. Os misericordiosos são aqueles que buscam tirar o próximo, com bondade, de suas misérias materiais, mas, sobretudo, de suas misérias espirituais. O misericordioso o faz sem se opor, claro, aos ensinamentos de Cristo e aos seus mandamentos. A misericórdia tem como fundamento justamente a doutrina de Nosso Senhor Jesus Cristo. Aqueles que assim exercem a misericórdia para com o próximo, alcançarão de Deus misericórdia, à semelhança do que é dito no Pai-Nosso: alcançaremos o perdão das nossas dívidas para com Deus na medida em que perdoarmos os nossos devedores.
  6. Bem-aventurados os puros de coração porque verão a Deus. Essa pureza de coração é, de um lado, a pureza pela qual se repelem todos os pecados e os afetos desordenados e, de outro, a pureza da inteligência que repele todos os erros contra a fé. Essa pureza nos dois âmbitos levará à visão de Deus face-a-face no céu.
  7. Bem-aventurados os pacíficos porque serão chamados filhos de Deus. Pacífico aqui não é aquele que evita qualquer tipo de combate ou embate. É preciso combater pela salvação da nossa alma. É preciso combater pela honra de Cristo, da Igreja e de Nossa Senhora e dos Santos. Os pacíficos são aqueles que estão na paz. Está na verdadeira paz aquele que está na graça de Deus e com estabilidade. A paz é a tranquilidade na ordem. Pacífico é aquele que está ordenado a Deus, pela graça, de maneira estável. O que é assim pacífico é filho adotivo de Deus pela graça.
  8. Bem-aventurados o que padecem perseguição por amor da justiça porque deles é o reino dos céus. Mais uma vez, caros católicos, justiça é aqui a santidade como um todo. Chegarão aos céus aqueles que suportarem bem as perseguições sofridas por amor a Deus, por amor a Nosso Senhor Jesus Cristo, por amor à verdade, por amor ao bem, por amor à virtude.

Aquele que colocar em prática todos esses sublimes ensinamentos de Nosso Senhor será bem-aventurado quando for injuriado, perseguido e caluniado. Grande será a alegria dos discípulos de Cristo no meio de todos esses sofrimentos porque ele sabe que a recompensa é a vida eterna.

Esse programa de vida, caros católicos, é o nosso programa de vida. Uma grande multidão o cumpriu antes de nós. Nós devemos cumpri-lo também. Não buscando fatos extraordinários nem reconhecimento, mas buscando a santidade nas nossas ações quotidianas.

Hoje, com grande alegria, celebramos a festa de todos os santos. O céu exulta com a presença deles, a terra se alegra com a proteção e intercessão deles, a Igreja é coroada pelos triunfos dos santos. Os santos são aqueles que confessam mais fortemente a fé quanto maiores são os sofrimentos, merecendo, assim, maior honra. Os santos são aqueles que no combate aumentam a sua glória, adornando-a com o martírio, se necessário for.

Alegremo-nos com os santos e imitemos os santos.

Em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo. Amém.

[Aviso] Importante: Horários e indulgências

Assinalamos os horários (indicados já no calendário de novembro) e as indulgências para os próximos dias:

Sexta-Feira, 31/10 – 18:30, Confissões; 19:00, Santo Terço; 19:30, Missa.

Sábado, 01/11, primeiro sábado do mês – 8:00, Confissões; 8:30, Missa.

Domingo, 02/11, Solenidade externa da Festa de Todos os Santos – 09:00, Confissões; 10:00, Missa; Bênção de objetos após a Missa.

Segunda-Feira, 03/11, Comemoração de Todos os Fiéis Defuntos – 7:00, Missa de Requiem; 7:30, Missa de Requiem; 19:00, Confissões; 19:30, Missa Cantada de Requiem com absolvição sobre a essa.

 

* ALERTA DE INDULGÊNCIA PLENÁRIA *

Uma indulgência plenária, aplicável somente às almas do purgatório, é concedida ao fiel que:

1) entre os dias 1º e 8 de novembro visita devotamente um cemitério e reza pelos defuntos, ainda que só mentalmente;

2) no dia 2 de novembro visita piedosamente uma Igreja ou um oratório e recita um Pater e um Credo.

É preciso cumprir as outras condições para ganhar indulgência plenária: desapego de todo pecado, mesmo venial, confissão sacramental, comunhão eucarística e oração nas intenções do Sumo Pontífice (essa oração pode ser um Pater e uma Ave Maria ou outra).

Lembrete: com uma só confissão sacramental pode-se lucrar várias indulgências plenárias, mas cada indulgência plenária requer uma comunhão e uma oração pelo Santo Padre. A indulgência plenária nesses dias deve ser aplicada a uma alma do purgatório determinada, ainda que seja dizendo “aquela que mais precisa de vossa misericórdia”.

[Links] Novos textos no site Scutum Fidei

Divulgamos neste post os novos textos publicados no site de estudos Scutum Fidei (já falamos de outras publicações aqui e aqui, por exemplo).

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São quatro os textos:
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1. NOTA SOBRE AS ELEIÇÕES (Pe. Daniel Pinheiro) LINK

“Com o resultado das eleições, muitos católicos têm demonstrando perplexidade, falta de coragem, cansaço na batalha. Uma certa tristeza é natural, mas não pode ser uma tristeza ruim, que nos leva ao abatimento da alma, que nos faz perder a confiança em Deus ou que nos impede muitas vezes de fazer o bem que podemos e devemos fazer aqui e agora. Diante de tudo isso, é bom considerar ou reconsiderar algumas verdades importantes. (…)”

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2. NAMORO CATÓLICO (IV): MEIOS PARA GUARDAR A CASTIDADE  (Pe. François Dantec) LINK

“Os noivos devem saber que a castidade nem sempre é fácil durante o noivado, sobretudo quando este é demasiadamente prolongado. Todavia, eles devem também estar convencidos de que esta castidade lhes será sempre possível, com a ajuda da graça de Deu, com a qual eles poderão sempre contar.  Para guardar a castidade durante todo o noivado, lhes será preciso cumprir certas condições e pôr em prática certos meios sem os quais eles só poderiam chegar a lamentáveis fracassos. (…)”

3. CANONIZAÇÃO E INFALIBILIDADE (I): TEXTOS DO PADRE DANIEL OLS, OP. LINK

“Como se sabe, e como se verá, a veneração litúrgica quanto a certos defuntos nasceu espontaneamente, mas bem rapidamente as autoridades eclesiásticas perceberam a necessidade de uma regulação, para o próprio bem das almas dos fiéis. Era preciso, de fato, assegurar-se, quanto possível, de que a pessoa venerada estivesse verdadeiramente no céu (o que parece ter sido “provado”, no início, sobretudo pelos milagres operados post mortem). (…)”

4. CANONIZAÇÃO E INFALIBILIDADE (II): TEXTOS DE MONSENHOR GHERARDINI LINK

“Já faz algum tempo que se fala novamente deste assunto. O tema é sem dúvida muito interessante. Entretanto, nada nos fazia pensar, até pouco, que a posição alcançada definitivamente com Bento XIV (1) seria novamente colocada em discussão. Para falar a verdade, as últimas intervenções propuseram poucas novidades; apenas chamaram a atenção para a relação entre infalibilidade papal e canonização. (…)”

Esperamos que o leitor aproveite!

VF

[Sermão] O remédio é o reinado social de Nosso Senhor Jesus Cristo

Sermão para a Festa de Nosso Senhor Jesus Cristo Rei

26.10.2014 – Padre Daniel Pinheiro

Aviso dado pelo Padre antes da Missa: Se houver reeleição da candidata à presidência, não deve haver desespero. Se houver a eleição do candidato, não se deve achar que tudo está resolvido. Em ambas as hipóteses, será preciso continuar o árduo combate pelo reino de Cristo sobre a sociedade e sobre nossas famílias.

Em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo. Amém.

Ave Maria…

“Que os governantes das nações vos honrem publicamente, que os magistrados e juízes vos reverenciem, que as leis e as artes exprimam vossa realeza.” (Hino de Vésperas)

A Festa de Cristo Rei, caros católicos, foi instituída por Pio XI no ano santo de 1925 pela Encíclica Quas Primas. No calendário tradicional, ela se celebra no último domingo de outubro e não no último domingo do ano litúrgico, para deixar claro que Nosso Senhor não é Rei somente no final dos tempos ou na sua última vinda, mas que Ele é Rei desde já, aqui e agora. Antes da instituição da Festa de Cristo rei, havia festas em que o reinado e a realeza de Nosso Senhor eram relembrados – Epifania, Domingo de Ramos –  mas não de forma explícita e direta. O Papa Pio XI quis, então, criar a Festa de Cristo Rei, em que o reinado de Cristo é explicitamente e diretamente reconhecido, confessado e honrado.

Pio XI, na Encíclica Quas Primas deixa muito claro o motivo da instituição da Festa de Nosso Senhor Jesus Cristo Rei. Diz o Papa:

“Para Nós também soou a hora de provermos às necessidades dos tempos presentes e de opormos um remédio eficaz à peste que corrói a sociedade humana. Fazêmo-lo, prescrevendo ao universo católico o culto de Cristo-Rei. Peste de nossos tempos é o chamado “laicismo”, com seus erros e atentados criminosos. Como bem sabeis, Veneráveis Irmãos, não é num dia que esta praga chegou à sua plena maturação; há muito, estava latente nos estados modernos. Começou-se, primeiro, a negar a soberania de Cristo sobre todas as nações; negou-se, portanto, à Igreja o direito de doutrinar o gênero humano, de legislar e reger os povos em ordem à eterna bem-aventurança. Aos poucos, foi equiparada a religião de Cristo aos falsos cultos e indecorosamente rebaixada ao mesmo nível. Sujeitaram-na, em seguida, à autoridade civil, entregando-a, por assim dizer, ao capricho de príncipes e governos. Houve até quem pretendesse substituir à religião de Cristo um simples sentimento de religiosidade natural. Certos estados, por fim, julgaram poder dispensar-se do próprio Deus e fizeram consistir sua religião na irreligião e no esquecimento consciente e voluntário de Deus.”

O Papa enumera, em seguida, os frutos trágicos dessa apostasia dos indivíduos e dos estados. Alguns desses frutos são os germes de ódio esparsos por toda parte, as invejas e rivalidades entre nações. Frutos desta apostasia são as ambições desenfreadas, que muitas vezes se encobrem com a máscara do interesse público e do amor da pátria, e suas tristes consequências: dissensões civis, egoísmo cego e desmedido, sem outro objetivo nem outra regra mais que vantagens pessoais e proveitos particulares. Fruto desta apostasia é a perturbação da paz doméstica, pelo esquecimento e desleixo das obrigações familiares, o enfraquecimento da união e estabilidade no seio das famílias, e por fim o abalo na sociedade toda, que ameaça ruir.

Dizia isso o Papa em 1925. Quase um século depois, vemos muito concretamente todos esses frutos lamentáveis e muitos outros que talvez o Santo Padre nem tenha imaginado. Ao mal do laicismo deve-se opor, então, o reinado social de Nosso Senhor Jesus Cristo. Cristo é Rei não somente dos indivíduos, mas também das sociedades, das nações, dos estados.

Ele é Rei porque é Deus. Mas Ele é Rei também enquanto homem, em virtude da união hipostática com o Verbo e porque lhe foi dado pelo Pai todo poder no céu e na terra. Ele é Rei também por direito de aquisição, por ter derramado seu sangue na cruz e nos ter redimido. O Reinado de Cristo não é um reinado meramente individual, mas é um reinado social igualmente.

Toda criatura deve se submeter ao criador, ou seja, a Deus, a Nosso Senhor Jesus Cristo. A sociedade civil, o estado, é também uma criatura, saída das mãos de Deus. Deus criou o homem como um animal social, como um ser que precisa viver em sociedade para prover com perfeição às suas necessidades. Assim, ao criar o homem, Deus criou também a sociedade. Como toda criatura o estado deve reconhecer o soberano domínio de Deus e se submeter ao soberano domínio de Deus, de Nosso Senhor Jesus Cristo.

O estado se submete à realeza de Cristo quando os governantes honram publicamente Nosso Senhor Jesus Cristo, quando os magistrados e juízes o reverenciam, quando as leis e as artes exprimem a realeza de Cristo e se conformam às leis da Igreja, quando a verdadeira Igreja de Cristo, a Igreja católica, é reconhecida como tal.

Como nos diz Leão XIII, quando um organismo se corrompe e perece é porque ele deixou de estar sob o efeito das causas que lhe deram forma e constituição. Para fazer esse organismo saudável e florescente de novo, é necessário colocá-lo sob a influência vivificante das mesmas causas de antes. A sociedade, no seu esforço de escapar de Deus, rejeitou a ordem sobrenatural e a Revelação divina, rejeitou a Igreja. A sociedade colocou-se fora da influência do cristianismo, que é manifestamente a mais sólida garantia de ordem, o mais forte vínculo fraterno entre as pessoas, a fonte inesgotável de toda virtude, pública e privada. Ainda segundo Leão XIII, esse sacrílego divórcio – entre o Estado e a Igreja – trouxe ao mundo os problemas que agora o perturbam. Assim, é sob a órbita da Igreja que essa sociedade perdida deve entrar se ela deseja possuir novamente o seu bem, o seu repouso e a sua salvação.

Igreja e estado devem estar unidos sem se confundirem. Devem ser distintos sem separação. Quando se toca à salvação das almas, é a Igreja que tem a palavra e o estado deve se submeter a ela e às suas leis.

O remédio para a sociedade não é o simples antiesquerdismo, nem o simples antiliberalismo, tampouco a simples monarquia – que no Brasil, aliás, nunca brilhou por sua catolicidade exemplar enquanto existiu. A verdadeira solução é o reinado social de Nosso Senhor Jesus Cristo, que penetra a sociedade e todas as suas instituições realmente com os princípios católicos. O paganismo da antiguidade – e que já revive em nossos tempos com matizes ainda piores – não foi extirpado por uma doutrina humana, nem por um monarca, mas pela Igreja e pela submissão paulatina da sociedade a Cristo Rei e à sua Igreja.

E esse reinado de Cristo deve começar na nossa alma pelo fato de vivermos na graça divina. Ele deve começar pelas famílias, com o Sagrado Coração entronizado nos lares não só em uma cerimônia, mas efetivamente. Que as famílias tenham Jesus Cristo como o rei do lar e se submetam ao seu jugo suave e leve.

 A festa de Cristo Rei deve nos dar, caros católicos, a mais viva esperança de acelerarmos a tão desejada volta da humanidade a seu Salvador amantíssimo. Devemos fazer também a nossa parte. A Festa de Cristo Rei é, pelas circunstâncias atuais de nossa sociedade, das mais importantes em nossos tempos, caros católicos, e por isso a celebramos com grande solenidade e devoção, para reconhecermos o reinado social de Nosso Senhor Jesus Cristo e para o buscarmos em nossas vidas, em nossas famílias e nos ambientes em que vivemos. O Reinado social não será restaurado de uma hora para outra. Ele virá pela nossa conversão a Nosso Senhor Jesus Cristo.

Em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo. Amém.

[Aviso] Estacionamento – Questão prática

O Padre Daniel pede para avisar que não se deve estacionar nos balões próximos à Capela Nossa Senhora das Dores. O Detran esteve na Capela no último domingo durante a Missa e fez essa advertência. É também uma questão de bom senso, dado o risco que é parar em tal lugar. Portanto, evite-se estacionar nos balões, pelo bom senso e pelo risco de multa.

Aproveitamos para lembrar a programação de amanhã:

10:00 – Missa Cantada seguida de Bênção do Santíssimo Sacramento

Após a Missa e a Bênção – Confraternização. Pede-se a ajuda de todos com os alimentos e bebidas (doces, salgados, sucos).

Será também o dia das eleições. Cada um se organize para votar e votar bem, como católico, para tirar o partido vermelho do poder.

[Aviso] Missa de Cristo Rei, Bênção do Santíssimo e Confraternização

No próximo Domingo, último do mês de outubro, será celebrada a Missa de Nosso Senhor Jesus Cristo Rei.

Veja a programação:

10:00 – Missa Cantada seguida de Bênção do Santíssimo Sacramento

Após a Missa e a Bênção – Confraternização. Pede-se a ajuda de todos com os alimentos e bebidas (doces, salgados, sucos).

Será também o dia das eleições. Cada um se organize para votar e votar bem, como católico, para tirar o partido vermelho do poder. 

[Sermão] Questões atuais e a fidelidade a Nosso Senhor Jesus Cristo

Sermão para a Festa de São Pedro de Alcântara

19 de outubro de 2014 – Padre Daniel Pinheiro

 

Em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo. Amém.

Ave Maria…

“A boca do justo destilará a sabedoria e a sua língua falará a justiça. A Lei do seu Deus está fixa em seu coração e seus passos não vacilarão.”

Caros católicos, seria uma alegria, para mim, poder falar desse grande Santo, de quem hoje comemoramos a festa: São Pedro de Alcântara. Exemplo de oração, de penitência, de humildade, de fidelidade a Nosso Senhor Jesus Cristo. Todavia, não estamos aqui para fazer os nossos gostos, mas para fazer a vontade de Deus. E conhecemos a vontade de Deus também pelas circunstâncias do momento. E as circunstâncias do momento nos fazem tratar do Sínodo sobre a Família, ocorrido nas últimas duas semanas no Vaticano. As circunstâncias nos fazem voltar, mais uma vez, ao tema da família, do matrimônio. Tema central. A família, a única família que existe: homem e mulher unidos por um vínculo indissolúvel e exclusivo, com os filhos que Deus se dignar mandar é a base da sociedade. É a família que o demônio e o mundo, inimigos de Deus, querem destruir, para não sobrar pedra sobre pedra, para não sobrar meio por onde começar a reerguer a sociedade, para não sobrar meio por onde restaurar tudo em Cristo. Diante desse combate tremendo, caros católicos, é hora de acabar com as picuinhas, com as desavenças nas famílias e começar a formar lares que realmente sejam espelho daquele lar de Nazaré. É preciso que, em meio a todas as dificuldades, mesmo as maiores, os cônjuges carreguem juntos as cruzes para que possam chegar juntos ao céu. Foi para isso que casaram. Que os lares de nossas famílias sejam lares tementes a Deus, onde o que impera é a lei de Cristo Rei, onde o que impera é o Sagrado Coração de Jesus.

Mas voltemos ao Sínodo, caros católicos, porque é nosso dever tratar disso. Esse Sínodo extraordinário sobre a família ocorreu nas duas últimas semanas. Na primeira semana, houve as intervenções dos membros do Sínodo. Na segunda semana, os mesmos bispos se reuniram em grupos formados em função da língua para discutir pontos mais precisos e, depois, votar o relatório final do Sínodo. Ocorre que, no final da primeira semana – segunda-feira, dia 13 – foi publicado um relatório pós-discussão. Esse relatório continha enormidades. Impensável que um documento com tamanhos erros possa ter saído de uma reunião de bispos católicos. Depois, descobriu-se que o documento não correspondia exatamente ao pensamento da maior parte dos bispos, mas foi uma manobra de uma poderosa minoria desejosa de criar um novo Evangelho, diferente do Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo. Ao ponto de o presidente da Conferência Episcopal da Polônia dizer que esse documento era inaceitável. Ao ponto de um Cardeal Africano, Napier, dizer que o documento era irredimível, porque toda a mídia divulgou o documento como se fosse isso que a Igreja estivesse dizendo em definitivo. Ao ponto de grupos pró-vida afirmarem que se tratava de uma traição à família, e à lei natural. O documento afirmava os pretensos pontos positivos do casamento puramente civil e dos amasiamentos, contra a doutrina clara de Nosso Senhor Jesus Cristo. O documento afirmava a aceitação e a valoração ou valorização da orientação homossexual, contra ensinamento claro da Igreja em sua Orientação no cuidado pastoral das pessoas homossexuais, dada pela Congregação da Doutrina da Fé em 1986. Essa orientação dizia o seguinte: “a particular inclinação da pessoa homossexual, embora não seja em si mesma um pecado, constitui, no entanto, uma tendência, mais ou menos acentuada, para um comportamento intrinsecamente mau do ponto de vista moral. Por este motivo, a própria inclinação deve ser considerada como objetivamente desordenada.”  O documento favorecia também a contracepção. Enfim, um colapso, um novo “Evangelho”. Felizmente, houve, de grande parte dos bispos, fidelidade ao ensinamento de Cristo nesses pontos. Para o relatório final do Sínodo, os parágrafos relativos a isso foram mudados para melhor, mas, ainda assim, foram recusados, pois não atingiram os dois terços exigidos para aprovação. Assim, o relatório final do sínodo, embora não seja perfeito, é completamente diferente do relatório intermediário. Todavia, teremos, no próximo ano, outro sínodo sobre a família. A batalha continua. Esse documento não era, evidentemente, um ato do magistério infalível e nem mesmo um ato de magistério. Todavia, o prejuízo para as almas é enorme. Quantas pessoas agora pensam, por causa desse documento, que a Igreja aceita e incentiva todos esses pecados? Por mais que o relatório final tenha rejeitado essas concessões ao espírito do mundo e ao pecado, os efeitos nocivos são muito grandes.

Não faz muito tempo, caros católicos, falamos aqui sobre o modernismo, e sobre como ele leva a Igreja a adaptar-se ao mundo, ao pensamento do dia. Talvez o sermão tenha sido um pouco abstrato. Nessa semana, nós vimos na prática o modernismo em ação, tentando adaptar a Igreja ao mundo, às ideologias da hora presente. Tanto é assim que o relatório intermediário não trazia citação da Sagrada Escritura ou dos Padres da Igreja ao tratar dos problemas que mencionamos. Claro, não há base nenhuma para essa nova moral ou essa nova pastoral. Por isso, por essa falta de base, os fautores das mudanças e adaptações não dirão: “queremos mudar a doutrina.” Eles dirão: “queremos soluções pastorais.” Mas essas soluções pastorais, caros católicos, propostas por eles são contrárias à doutrina. Como se aplica na prática algo contrário à doutrina? É impossível. Mudando a prática, pouco a pouco, mudarão as mentalidades. E é isso que querem: mudar as mentalidades: para que se aceitem o divórcio e o adultério, para que se considerem normal a orientação homossexual e as uniões desse tipo. Nós terminamos pensado como agimos, caros católicos. Se agimos contra a doutrina de Cristo, vai chegar um momento em vamos desprezar a doutrina de Cristo. Querem uma mudança de pastoral contrária à doutrina – o que é absurdo – para mudar as mentalidades – o que ainda é mais absurdo. Não existe separação entre doutrina e pastoral. A pastoral não deve esquecer a doutrina. E a doutrina em todos esses pontos é clara.

Outro grande erro é achar que ainda se pode discutir na Igreja sobre esses assuntos. Não, esses assuntos já estão definidos pela Igreja, pelos seus ensinamentos bimilenares, recebidos de Cristo. Na Igreja, não se pode discutir sobre aquilo que já está definido. Fazê-lo é um grande erro e supor uma possível mudança quanto a esses aspectos. É um erro contra a fé, um pecado contra a fé.

Recorramos também à História, caros católicos. São João Batista foi decapitado por defender o verdadeiro matrimônio, contra o adultério de Herodes. Toda uma nação, a Inglaterra, separou-se da Igreja católica porque o rei Henrique VIII queria anular seu casamento sem ter motivo para isso, a fim de casar de novo. O Papa recusou porque não tinha fundamento para declaração de nulidade. São João Batista ou o Papa poderiam ter dito: não é o ideal, mas é um passo no bom caminho. Não fizeram porque não é um passo no bom caminho, mas, sim, uma ofensa a Deus. A Igreja sempre foi firme nessas questões, chegando ao ponto de ter de sofrer a perda de toda uma nação, mas sem ceder naquilo que nos foi ensinado por Nosso Senhor Jesus Cristo.

Nessas situações complicadas, é preciso exercer a misericórdia. Mas a misericórdia não é fazer da Igreja uma casa que acolhe e aceita tudo, como se tudo tivesse um aspecto positivo e isso bastasse. A Igreja exerce a sua misericórdia buscando efetivamente tirar as pessoas da miséria, isto é, do pecado, dando para elas os meios para sair do pecado: distribuindo a graça de Deus, fazendo suas orações, pronta para perdoar todo e qualquer pecado, desde que a pessoa esteja disposta a se converter. A Igreja ama os homens e por isso mesmo quer que eles alcancem o céu, o que só pode ser feito quando se observa a vontade de Deus, ou seja, quando se observam os mandamentos. É crueldade fazer a pessoa acreditar que a sua alma está em bom estado quando na verdade ela se encontra em pecado mortal. É crueldade fazer que uma pessoa que vive em concubinato pense que está tudo bem, que há pontos positivos nessa união não matrimonial e que isso basta. A Igreja é boa e, por isso mesmo, ensina a verdade, o que é obra valiosíssima de misericórdia espiritual.

O problema é que tudo hoje se centra no homem e não mais em Deus. Nós vemos isso muito concretamente, como dizia o Cardeal Burke em uma de suas recentes entrevistas, na reforma litúrgica ocorrida na Igreja. A liturgia nova é um sintoma desse antropocentrismo. E esse antropocentrismo se manifesta e vai se manifestar em outros aspectos da vida da Igreja e a consequência será tentar dobrar a Igreja ao gosto de cada indivíduo, para que ele se sinta bem.

Nós vivemos há 50 anos o abandono da doutrina católica para adaptar a Igreja ao homem, ao mundo. Esse abandono da doutrina leva também, ainda que lentamente, ao abandono da moral. A doutrina católica é una. Se um ponto é negado, todo o edifício vai desabar. O abandono de uma verdade leva ao colapso de tudo. O abandono do dogma leva ao desmoronamento da moral. A moral se apoia na doutrina e não subsiste muito tempo sem ela. Hoje, nós estamos chegando nesse ponto, na negação dos primeiros princípios da moral católica: negação do matrimônio indissolúvel e exclusivo entre homem e mulher.

Haveria ainda muito a dizer sobre o assunto, caros católicos. Se a segunda-feira, com o relatório intermediário, foi um dia de choro, e de lamentação, e de tristeza profunda para o católico, como Jeremias diante de Jerusalém abandonada e pisada pelos inimigos, o sábado, com o relatório final, foi um dia de esperança, sob a proteção de Nossa Senhora.

Lembremo-nos das palavras de São Paulo aos Coríntios, capítulo 6: “Não vos enganeis: nem os impuros, nem os idólatras, nem os adúlteros, nem os efeminados, nem os devassos… hão de possuir o reino de Deus.” É esse o ensinamento de Cristo. Qua não muda.

Lembremos a doutrina e a prática católica. A comunhão dos divorciados recasados seria adestruição completa da moral sexual católica. Os divorciados recasados são os católicos casados na Igreja, em seguida divorciados que, depois, se juntaram com outra pessoa e vivem como se casados fossem. A comunhão aos divorciados recasados seria a autorização de uma relação extraconjugal, com o casamento anterior que ainda existe. Além disso, com essa comunhão aos divorciados recasados, se destroem três sacramentos: o sacramento de matrimônio, da comunhão e da confissão. É destruído o sacramento do matrimônio porque a comunhão dos divorciados recasados iria contra a indissolubilidade e a exclusividade do matrimônio. É destruído o sacramento da comunhão porque se admitiria à comunhão alguém que está objetivamente em estado de pecado mortal. É destruído o sacramento da confissão porque a pessoa não estaria obrigada a confessar um pecado mortal e corrigir-se dele para poder receber o perdão divino. E, com isso, se abrem as portas para tudo. Se é possível fazer isso com esse pecado mortal, por que não é possível com outros? A comunhão aos divorciados recasados nunca foi, não pode ser, nem nunca será condizente com a doutrina e a pastoral de Cristo sobre o matrimônio. Diga-se o mesmo com os chamados eufemisticamente novos modelos de família. Existe um só modelo de família: pai, mãe, e filhos. Não se pode servir a dois senhores, a Cristo e ao mundo. É preciso servir a Cristo. Para os divorciados recasados, há apenas duas soluções possíveis. Ou se separam. Ou, se já possuem filhos que ainda precisam ser criados, devem viver como irmãos. Com a graça de Deus, é possível.

Lembremo-nos, caros católicos, de que a nossa luta é contra as potestades infernais. Devemos vigiar e orar. Não devemos recorrer a soluções fáceis e erradas, como seria dizer: o Papa Francisco não é o Papa. Sim, é ele o Papa, infalível somente sob certas condições bem precisas. Recorramos àquela que é nossa vida, a nossa doçura e a nossa esperança: Maria. E, pela nossa pátria, recorramos também a São Pedro de Alcântara.

Peço que rezem, caros católicos, pelos pastores. Em primeiro lugar pelo Santo Padre, o Papa Francisco. Também pelos bispos e pelos padres, também por esse que aqui vos fala. Rezem, rezem muito pelo clero, para que seus membros possam transmitir aquilo que receberam do Senhor. Se o clero é bom, muda a face da terra. Se o clero é ruim, destrói tudo. Rezemos muito a Nossa Senhora.

Em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo. Amém.