[Notícia] Capela Nossa Senhora das Dores, em Brasília: benção pontifical segundo o rito tradicional

No dia 13 de julho de 2014, um evento de grande monta na Arquidiocese de Brasília: a benção de uma igreja segundo a liturgia romana tradicional. Não é apenas a rara frequência dessa cerimônia nos tempos modernos que tornou o evento tão peculiar. Os inúmeros fiéis que acompanharam a solenidade da benção e a Santa Missa que a ela se seguiu testemunharam uma liturgia esplendorosa, um belíssimo e majestoso culto a Deus, uma profissão perfeitíssima de fé, em que foi honrada especialmente a Santíssima Virgem, pela imposição do título de Nossa Senhora das Dores à capela.

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Capela Nossa Senhora das Dores, em Brasília. (Jardim Botânico III, Av. das Paineiras, Entrequadras 9/10)

Foi Sua Excelência Reverendíssima, Dom José Aparecido Gonçalves de Almeida, Bispo Auxiliar de Brasília, quem procedeu à cerimônia da benção da Capela Nossa Senhora das Dores e, assim, “separou inteiramente do uso profano o seu edifício e fez dele verdadeiramente a Casa de Deus e Porta do Céu”, conforme ensinou o padre em seu sermão.

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Aspersão Externa da Igreja: inicialmente, o Pontífice vai diante da porta da Igreja a ser abençoada e entoa “Deus, in adjutorium meum intende…”.

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A Schola Cantorum canta a antífona “Bene fundata est” e o Salmo 86 enquanto o Pontífice asperge as paredes da Igreja com água benta em silêncio.

“Bene fundata est domus Domini supra firmam petram.”

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O Pontífice retorna à porta de entrada, recuperando a mitra e o báculo. Em procissão, precedido da Cruz, o Pontífice adentra a Igreja com o clero e o povo.

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Entoa-se a Ladainha de todos os Santos. O Pontífice e todos ajoelham-se. Na ladainha, entoa-se três vezes a invocação à Santíssima Virgem, pois é Ela quem dá seu nome à Igreja.

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Procede-se em seguida à aspersão interna da Igreja, enquanto a Schola Cantorum entoa as antífonas “Haec est domus Domini” e “Non est hic aliud” com os salmos 121 e 83, respectivamente.

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A solenidade da Benção termina com uma última oração do Pontífice, em que ele reconhece que Deus santifica os locais dedicados ao nome dEle e pede a benevolência divina para todos que O invocarem nesse lugar santo.

A benção foi seguida da Santa Missa, celebrada pelo Rev. Pe. Daniel Pinheiro e com assistência pontifical de Dom José Aparecido. Também no coro estavam presentes o Pe. Godwin, pároco da Paróquia Santa Clara e São Francisco, em cujo território está o edifício da capela; o Pe. João Batista, da Diocese de Anápolis; o Pe. Allan, Franciscano da Imaculada; além de seminaristas do Instituto Bom Pastor, ao qual pertence também o Pe. Daniel.

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A Santa Missa: incensação do Evangelho.

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Padre Daniel pronuncia o sermão do púlpito.

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A Primeira Missa na Capela Nossa Senhora das Dores após a solenidade da Benção.

Consagração (Cálice)

A Santa Missa: a elevação do cálice após a consagração.

Ecce Agnus Dei

A Santa Missa: Ecce Agnus Dei.

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A Santa Missa: a Comunhão dos fiéis.

Inclinação do Bispo

A inclinação de cabeça é um importante gesto de reverência na liturgia romana.

Acólitos

Acólitos, turiferários e outros ajudantes do altar.

Ao fim da Santa Missa, Dom José Aparecido dirigiu, ainda, algumas palavras aos fiéis. Finalmente, em ação de graças por tantos benefícios, cantou-se o jubiloso hino Te Deum.

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Dom José Aparecido, Bispo Auxiliar da Arquidiocese de Brasília.

Dom José Aparecido e seminaristas do Instituto do Bom Pastor

Seminaristas do Instituto do Bom Pastor com Dom José Aparecido.

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Procissão Final.

A Capela, que comporta 250 pessoas sentadas, estava lotada, com cerca de 350 fiéis; desta vez, muitos ainda ficaram em pé ou subiram ao coro para melhor assistir às celebrações. Como sempre, muitas jovens famílias e dezenas de crianças. Certamente, agora a capela comportará bem melhor a grande quantidade de fiéis que já assistiam à Santa Missa no rito tradicional do apostolado do Pe. Daniel, que celebrou na Capela das Irmãs de Santa Marcelina por quase dois anos. Aliás, como fiéis e junto com o padre, agradecemos imensamente às irmãs marcelinas pelo modo como acolheram e colaboraram com o apostolado durante todo esse tempo.

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Cerca de 350 pessoas assistiram às celebrações.

Capela PanoramicaSem dúvida, também como fiéis que usufruem dos grandes benefícios espirituais dessa grande obra, devemos agradecer especialmente ao Padre Daniel Pinheiro por toda sua dedicação e incansável zelo apostólico. Cabe lembrar que há pouco mais de dois anos de sua ordenação sacerdotal. Em tão pouco tempo, quantos frutos maravilhosos vemos por toda parte, sobretudo em virtude da Santa Missa Tradicional! Graças a Deus!

A própria construção da capela também já nos parece um milagre; por disposição da Divina Providência, e graças à colaboração de pessoas generosas, vimos uma capela ser erguida em poucos meses. Parece que Deus “tem pressa” em expandir esse apostolado, agora sob a proteção oficial e especial da Virgem Dolorosa. Com o Pe. Daniel, repetimos: “queremos que dessa Capela saiam verdadeiramente frutos de santidade, famílias santas, vocações santas”. E que Nosso Senhor recompense eternamente a família que muito particularmente contribuiu para o avanço desse projeto e também as muitas outras famílias e fiéis que colaboraram das mais diversas maneiras.

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IMG_4231 Uma feliz “coincidência” trouxe ainda mais um motivo para comemoração: era o dia do primeiro aniversário do episcopado de Sua Excelência Reverendíssima, Dom José Aparecido. Assim, com tantas razões, após as cerimônias todos se dirigiram ao salão da capela para festejar, sob o olhar de Nossa Senhora do Carmo, ali representada em uma belíssima imagem.

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Em seguida às cerimônias, uma confraternização para festejar a Benção da Capela e o Primeiro Aniversário de Episcopado de Dom José Aparecido

Foi um dia de muita alegria.

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Dom José Aparecido Gonçalves, Pe. Daniel Pinheiro, Pe. Godwin e demais clérigos e acólitos em frente à Capela Nossa Senhora das Dores após a cerimônia.

E também um dia de muita esperança.

Christe, cum sit hinc exire,
da per Matrem me venire
ad palmam victoriae.

Para colaborar com o apostolado da Capela Nossa Senhora das Dores:

ASSOCIAÇÃO NOSSA SENHORA DAS DORES
BANCO DO BRASIL
Agência: 2887-8
Conta: 18870-0
CNPJ: 17.888.584/0001-86

Pedido de oração

Caríssimos, salve Maria!

Pedimos a todos orações pela saúde do corpo e da alma do sr. Rodney José, participante e colaborador do apostolado pela Missa Tridentina em Brasília. O sr. Rodney passará por uma importante cirurgia amanhã, dia 10 de julho, assim, pedimos as mais fervorosas orações.

Nossa Senhora, Saúde dos enfermos, rogai por nós!

[Aviso] Importante: Bênção da Capela Nossa Senhora das Dores e novos local e horário das Missas dominicais

Atualizações em 10/07:

                É possível que, pelas circunstâncias, não seja possível atender confissões antes da Missa.

                Pede-se a cooperação de todos para a confraternização.

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O Padre Daniel Pinheiro, IBP, pede para que divulguemos dois avisos importantes para o apostolado em Brasília:

1. Bênção da Capela Nossa Senhora das Dores segundo o Pontifical Romano Tradicional, feita por Sua Excelência Reverendíssima, Dom José Aparecido Gonçalves de Almeida, Bispo Auxiliar de Brasília, domingo, dia 13 de julho, às 10:00.

Após a Benção da Capela, haverá Missa Votiva das Sete Dores de Nossa Senhora, Cantada pelo Padre Daniel Pinheiro coram Episcopo.

Após as cerimônias, haverá uma confraternização. O Padre pede a cooperação de todos para a confraternização, como já se faz usualmente.

Convite Bênção Capela

2. A partir de agora, as Missas Dominicais serão na Capela Nossa Senhora das Dores, às 10:00. Nosso agradecimento sincero a Dom Sérgio da Rocha, Arcebispo de Brasília, e a Dom José Aparecido, Bispo Auxiliar de Brasília.

Mapa Capela SatéliteMapa site Julho 2014Mapa Capela Julho2014

[Sermão] Primeira Comunhão e Festa de São Pedro e São Paulo

Ver abaixo o importante aviso sobre a Missa do próximo Domingo, dia 6 de julho.

Sermão para a Festa dos Santos Apóstolos Pedro e Paulo (1ª Comunhão)

29.06.2014 – Padre Daniel Pinheiro, IBP

O Sermão está dividido em duas partes. A primeira trata da Festa dos Santos Apóstolos Pedro e Paulo; a segunda é uma exortação às crianças que receberam a Primeira Comunhão

 

Em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo. Amém.

SERMÃO: Festa de São Pedro e São Paulo

Ave Maria…

 “Dai (, Senhor,) que a Vossa Igreja em tudo siga o preceito daqueles por meio dos quais vos dignastes fundá-la.”

                Caros católicos, Nosso Senhor, fundou a Igreja sobre pilares visíveis, que são os apóstolos. Nosso Senhor é o fundamento invisível da Igreja por Ele fundada, mas os apóstolos são os fundamentos visíveis. E, entre os apóstolos, dois se destacam de modo particular. Antes de todos, está São Pedro, que é o chefe de todos eles, que recebeu de Cristo as chaves do reino dos céus, para ligar e desligar, que recebeu de Cristo a jurisdição universal. São Pedro, que é a pedra sobre a qual se ergue a Igreja. São Pedro a quem Cristo confiou seus cordeiros e suas ovelhas. Se somos católicos, devemos estar necessariamente unidos a São Pedro e a seus sucessores, os papas. Essa união não é, simplesmente, uma união sentimental, mas é uma união na fé, que nos foi dada por Cristo e ensinada pelos apóstolos e que não pode ser reinventada por cada Papa. A função do Papa, como nos diz o Concílio do Vaticano I, não é pregar uma nova doutrina, mas conservar santamente e expor fielmente o depósito da fé. Essa união é também de submissão às ordens legítimas, bem como é uma união de oração pelo Santo Padre, para que exerça bem o seu múnus apostólico.

                O segundo apóstolo a se destacar é São Paulo. Fariseu que perseguia Cristo ao perseguir os cristãos, São Paulo se converte de modo estupendo, passando a ter um zelo ardente pela propagação do Evangelho, ao ponto de sofrer tudo, mas de permanecer fiel ao que recebeu do Salvador.

                São Pedro depois de percorrer uma parte do mundo pregando o Evangelho, estabelece a sua Cátedra em Roma. Ele se torna o primeiro Bispo de Roma. São Pedro, o chefe da Igreja, foi o primeiro bispo de Roma, de forma que São Pedro associou o Papado ao Bispado de Roma. O Bispo de Roma é o Papa. São Paulo, depois de suas inúmeras viagens apostólicas, também chega a Roma, preso. Mas, se ele estava preso, a palavra de Deus não pode ficar presa e ele continuou a pregar livremente o Evangelho, a ensinar verdades divinas. Os dois foram martirizados em Roma, ficaram na mesma prisão, o cárcere Mamertino, onde jorrou miraculosamente uma fonte, para que os apóstolos pudessem batizar os presos e guardas que se convertiam aos montes. São Pedro foi, então, crucificado de cabeça para baixo, pois se achou indigno de morrer crucificado do mesmo jeito de Cristo. Ele deu sua vida por Cristo em Roma, onde hoje está o Vaticano. São Paulo foi decapitado, pois era essa a pena de morte aplicada a um cidadão romano, como o era São Paulo. Sua cabeça tocou o chão em três lugares, de onde saíram três fontes, onde hoje é a Igreja de São Paulo das Três Fontes. São Pedro e São Paulo deram a vida por Cristo em Roma. Roma era a mestra do erro e do paganismo. Eles a transformaram em mestra de verdade e no centro do cristianismo. Por isso, somos católicos, apostólicos e romanos. Grande deve ser a nossa devoção por esses Santos Apóstolos. Rezemos a eles, pedindo pelo Santo Padre, o Papa Francisco. Este dia foi consagrado pelo martírio dos bem-aventurados Apóstolos Pedro e Paulo. Peçamos que a Igreja permaneça fiel em tudo aos preceitos deles, como rezamos na coleta. E, como as portas do inferno não prevalecerão, ela há de permanecer fiel à doutrina dos apóstolos, recebida de Cristo e do Espírito Santo.

Exortação para a Primeira Comunhão

                Agora, queria dirigir algumas palavras às crianças que vão receber a primeira comunhão. Mas será, também para nós, que recebemos a comunhão com frequência, oportunidade de reconhecer mais uma vez a importância desse alimento celestial e recobrar o fervor que devemos ter para com a Eucaristia.

                Beatriz, Maria Fernanda, Felipe, Éverton, Davi, Mateus, Carlos. Hoje é o dia mais importante da vida de vocês. Hoje, vocês vão receber o Corpo de Cristo. Hoje, vocês vão receber o próprio Deus. Para receber Deus na alma de vocês, para receber Jesus Cristo na eucaristia, é preciso estar preparado. E vocês se preparam. Nós estudamos o Credo, para saber tudo o que devemos acreditar. Nós estudamos os mandamentos para saber tudo o que devemos fazer e tudo o que não devemos fazer. Nós estudamos a oração para saber tudo o que devemos pedir e desejar. Nós estudamos os sacramentos para saber quais são as ajudas que Deus nos deu para conseguir fazer todo o resto. Assim, vocês acreditam que existe um só Deus em três pessoas: Deus Pai, Deus Filho, Deus Espírito Santo. Vocês acreditam que Deus criou todas as coisas. Vocês acreditam que Deus Filho se fez homem e veio para nos salvar, para nos tirar do pecado e nos levar para o céu. Vocês acreditam que Jesus é verdadeiramente homem e verdadeiramente Deus. Vocês acreditam que Ele fundou uma só Igreja, a Igreja Católica, Apostólica, Romana, fora da qual não há salvação. Vocês acreditam que existe a vida eterna: o céu para os que morrem em amizade com Deus, o inferno para os que morrem separados de Deus. Vocês acreditam em tudo o que Jesus nos falou, porque Ele é Deus e não pode se enganar nem nos enganar.

                Vocês sabem como devem se comportar para serem pessoas boas e amigas de Jesus Cristo. É preciso amar a Deus sobre todas as coisa, não tomar seu Santo Nome em vão, guardar Domingos e festas, honrar pai e mãe, não matar, etc. Vocês já conhecem os mandamentos. Vocês precisam agora fazer um esforço para seguir os mandamentos.

                Vocês sabem o que devem pedir a Deus na oração. Vocês conhecem o Pai Nosso, a Ave Maria, o santo Anjo e tantas outras orações. Vocês sabem que o mais importante que vocês devem pedir é a amizade com Deus, o que vocês mais devem desejar é de serem bons cristãos, o que vocês mais devem desejar é chegar ao céu. O mais importante, Beatriz, Maria Fernanda, Felipe, Éverton, Davi, Mateus, Carlos, é amar a Deus e ir para o céu, para o paraíso. É preciso preferir o paraíso a todas as outras coisas.

                Vocês sabem que para fazer tudo isso bem, vocês terão que receber com frequência os sacramentos. Com frequência vocês deverão se confessar e com frequência vocês deverão receber a Eucaristia, o Corpo de Deus. Vocês se lembram do que é preciso para receber bem a Eucaristia? Para receber bem a Eucaristia vocês não podem ter nenhum pecado mortal na alma, vocês têm que estar em jejum de uma hora, têm que ter devoção e estar trajado modestamente. É sempre assim que vocês devem receber a Santa Eucaristia. Em breve, vocês vão também se preparar para receber o sacramento da Crisma, para se tornarem soldados de Cristo.

                Vocês se prepararam bem para esse dia que é o mais importante da vida de vocês. Mas lembrem-se, Beatriz, Maria Fernanda, Felipe, Éverton, Davi, Mateus, Carlos, de que é agora que começa para valer a vida de vocês como cristãos. A Primeira comunhão não é o fim, mas o começo. É a partir de agora que vocês terão que estudar ainda mais o catecismo, procurar conhecer a vida dos santos. É a partir de agora que vocês terão que rezar mais e melhor. Rezem o Terço, rezem muito para Maria Santíssima. É a partir de agora que vocês terão que praticar os mandamentos. Vocês devem se lembrar de que o maior mal que existe é o pecado mortal e que o segundo maior mal que existe é o pecado venial. Vocês devem se lembrar do exemplo de São Domingos Sávio. São Domingos Sávio, para quem rezamos em todas as nossas aulas, preferia morrer a pecar. Vocês também devem se comportar assim: eu prefiro morrer a cometer um pecado, eu prefiro morrer a fazer mal a Cristo que só me fez bem e que morreu para me salvar. A partir de agora, vocês devem buscar a confissão. Pais, padrinhos e madrinhas são vocês os responsáveis de vigiar e de favorecer para que essas crianças sejam cada vez mais semelhantes a Nosso Senhor Jesus Cristo.

                Vocês, crianças, vão receber o próprio Jesus, o próprio Deus. Vocês devem, então, assistir à Santa Missa com muita devoção, sem conversar, sem se distrair. Vocês devem pedir a Deus para que vocês sejam santos. É isso que vocês devem pedir para Jesus na Eucaristia: Jesus, eu quero ser santo, eu quero ser bom como Jesus foi bom, quero viver longe do pecado e quero ajudar os outros a se salvarem. Jesus, eu quero ser um bom cristão. É isso que vocês devem pedir para Jesus antes e depois de receberem a comunhão. Depois de receber a comunhão agradeçam a Jesus e a Maria por terem dado um presente tão grande para vocês.

                Beatriz, Maria Fernanda, Felipe, Éverton, Davi, Mateus, Carlos, hoje é o dia mais importante da vida de vocês. Vocês vão receber o próprio Deus.

                Em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo. Amém.

O Padre Daniel Pinheiro, IBP, pede-nos que publiquemos a ladainha do Sagrado Coração de Jesus, para que os interessados no apostolado da Missa Tridentina em Brasília possam rezar nesses últimos 4 dias de junho. Não deixem de rezar, pedindo a Jesus, manso e humilde de coração, que se digne continuar favorecendo esse apostolado em Brasília.

Senhor, tende piedade de nós.
Jesus Cristo, tende piedade de nós.
Senhor, tende piedade de nós.

Jesus Cristo, ouvi-nos.
Jesus Cristo, atendei-nos.

Pai celeste que sois Deus, tende piedade de nós.
Filho, Redentor do mundo, que sois Deus, tende piedade de nós.
Espírito Santo, que sois Deus, tende piedade de nós.
Santíssima Trindade, que sois um só Deus, tende piedade de nós.

Coração de Jesus, Filho do Pai Eterno, tende piedade de nós.
Coração de Jesus, formado pelo Espírito Santo no seio da Virgem Mãe,

Coração de Jesus, unido substancialmente ao Verbo de Deus,
Coração de Jesus, de majestade infinita,
Coração de Jesus, templo santo de Deus,
Coração de Jesus, tabernáculo do Altíssimo,

Coração de Jesus, casa de Deus e porta do céu,
Coração de Jesus, fornalha ardente de caridade,
Coração de Jesus, receptáculo de justiça e de amor,
Coração de Jesus, cheio de bondade e de amor,
Coração de Jesus, abismo de todas as virtudes,
Coração de Jesus, digníssimo de todo o louvor,
Coração de Jesus, Rei e centro de todos os corações,
Coração de Jesus, no qual estão todos os tesouros da sabedoria e ciência,
Coração de Jesus, no qual habita toda a plenitude da divindade,
Coração de Jesus, no qual o Pai põe as suas complacências,
Coração de Jesus, de cuja plenitude nós todos participamos,
Coração de Jesus, desejo das colinas eternas,
Coração de Jesus, paciente e misericordioso,
Coração de Jesus, rico para todos os que vos invocam,
Coração de Jesus, fonte de vida e santidade,
Coração de Jesus, propiciação pelos nossos pecados,
Coração de Jesus, saturado de opróbrios,
Coração de Jesus, atribulado por causa de nossos crimes,
Coração de Jesus, feito obediente até à morte,
Coração de Jesus, atravessado pela lança,
Coração de Jesus, fonte de toda a consolação,
Coração de Jesus, nossa vida e ressurreição,
Coração de Jesus, nossa paz e reconciliação,
Coração de Jesus, vítima dos pecadores,
Coração de Jesus, salvação dos que esperam em vós,
Coração de Jesus, esperança dos que expiram em vós,
Coração de Jesus, delícia de todos os santos,

Cordeiro de Deus, que tirais os pecados do mundo,
perdoai-nos Senhor.
Cordeiro de Deus, que tirais os pecados do mundo,
ouvi-nos Senhor.
Cordeiro de Deus, que tirais os pecados do mundo,
tende piedade de nós.

V. Jesus, manso e humilde de coração,

R. Fazei nosso coração semelhante ao vosso.

Oremos.
Deus onipotente e eterno, olhai para o Coração de vosso Filho diletíssimo e para os louvores e as satisfações que ele, em nome dos pecadores vos tributa; e aos que imploram a vossa misericórdia concedei benigno o perdão em nome do vosso mesmo Filho Jesus Cristo, que convosco vive e reina por todos os séculos dos séculos.

Amém.

 

[Sermão] O amor ao próximo, mesmo aos pecadores e inimigos

Sermão para o 2º Domingo depois de Pentecostes

22.06.2014 – Padre Daniel Pinheiro, IBP.

 

Em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo. Amém.

Ave Maria…

 “Sabemos que fomos transladados da morte do pecado para a vida da graça porque amamos os nossos irmãos. Aquele que não ama, permanece na morte. Todo o que tem ódio a seu irmão é homicida.”

Nosso Senhor Jesus Cristo, durante sua vida entre os homens, e seus apóstolos, depois dEle, insistem na caridade fraterna, no amor ao próximo. É o que faz São João na Epístola de hoje. Essa caridade para com o próximo está no duplo mandamento divino de amar a Deus e ao próximo. É São João que nos diz também: “que aquele que ama a Deus, ame também seu irmão.” (I Jo 4, 21) Vejamos em que consiste essa caridade para com o próximo e vejamos que ela se estende mesmo ao pecador e ao inimigo.

Pode haver para com o próximo um amor puramente natural, em virtude de suas qualidades naturais. Esse amor natural que deseja o bem do próximo por motivos naturais não é um mal, claro, a não ser que envolva alguma desordem. Todavia, o amor que Deus nos ordena ter para com o próximo é um amor de ordem sobrenatural, muito superior ao mais perfeito amor natural. O amor sobrenatural que devemos ter é fundado no amor a Deus. Se amamos a Deus, desejamos a maior glória de Deus, isto é, desejamos que Deus seja mais conhecido, amado e servido. A maneira perfeita de Deus ser mais conhecido, amado e servido é justamente pela conversão dos homens a Deus e, sobretudo, pela salvação eterna dos homens, que, assim, poderão glorificar perfeitamente a Deus no céu. Ao amarmos verdadeiramente a Deus, amaremos necessariamente ao próximo, pois desejaremos o bem sobrenatural para o nosso próximo, que é a salvação dele, e agiremos para que ele alcance esse bem sobrenatural. Além disso, se amamos a Deus, obedecemos aos seus preceitos, entre os quais está, justamente, o de amar ao próximo. A razão de amar o próximo é Deus. Devemos amar ao próximo para que ele esteja em Deus (IIa IIae, q. 25, a.1).

O nosso próximo e o nosso irmão não devem ser entendidos como próximo fisicamente ou como irmão natural, é claro. Essa proximidade deriva do fato de sermos criados à imagem de Deus e pela possibilidade de alcançarmos a bem-aventurança eterna. (IIa IIae, q. 44, a. 7). Nosso próximo são todas as criaturas de Deus capazes de alcançar a bem-aventurança eterna. Nosso próximo são todos os homens que estão na terra, incluindo os maiores pecadores e nossos inimigos. Nosso próximo são também os bem-aventurados no céu e as almas do purgatório. Não são nosso próximo os que já estão condenados no inferno, pois são inimigos definitivos de Deus e incapazes da glória eterna. Já não é possível amá-los em Deus, pois eles rejeitaram definitivamente a Deus. Portanto, devemos amar com caridade todos aqueles que são capazes da glória eterna ou que já possuem essa glória eterna. Quanto aos primeiros, devemos desejar que cheguem à glória eterna e devemos cooperar para que a alcancem. Quanto aos outros, devemos nos alegrar pelo fato de já terem alcançado a glória eterna.

Como dissemos, o preceito de caridade se estende a todos os homens capazes de alcançar o céu. Ele se estende, então, mesmo aos pecadores e aos inimigos. É fácil amar quem é bom ou quem nos faz o bem, mas se estamos realmente no amor de Deus, amaremos também os maus e os inimigos. Dada a particular dificuldade de se amar o pecador e o inimigo, consideremos como deve ser o amor por essas duas classes de pessoas.

O preceito da caridade se estende ao pecador. O homem pecador – e falamos aqui mais propriamente daquele que se encontra em pecado mortal – enquanto pecador é mais digno de ódio do que de amor, já que, enquanto permanece nesse estado, é desagradável a Deus. Assim, se quisermos ser precisos não podemos dizer que devemos amar as pessoas como elas são. Não devemos amar um pecador como pecador, mas como capaz de se converter, de recobrar a amizade com Deus. O pecador, enquanto criatura humana, capaz ainda da bem-aventurança eterna pelo arrependimento de seus pecados deve ser amado com caridade. E, justamente, o maior amor e serviço que podemos prestar a esse nosso próximo é ajudá-lo a sair de sua triste e miserável situação. É, então, nosso dever amar os pecadores, mesmo os mais obstinados.

Não é lícito jamais desejar ao pecador um verdadeiro mal, como seria desejar que cometa um pecado ou que se condene. Desejar tais coisas seria o pecado do ódio, gravíssimo e diretamente oposto ao da caridade. É lícito, porém, desejar um mal material ou um mal físico para que desse mal venha um bem superior, como seria o bem da conversão da pessoa ou o bem da cessação de um escândalo que ela causa com suas ações. Mas a intenção não pode ser simplesmente que ocorra esse mal físico ou material por ódio à pessoa, mas em vista do bem dela ou da sociedade como um todo, sempre desejando também a salvação dela. Todavia, é preciso ter muito cuidado com isso, pois facilmente nossas boas intenções são deixadas de lado e pensamos exclusivamente no mal ao próximo.

O preceito da caridade se estende também aos inimigos. Inimigos são aqueles que nos fizeram um mal e que ainda não o repararam. Inimigos são aqueles que nos odeiam ou que são dignos de justa antipatia por um motivo racional, como por seus escândalos, seus maus exemplos, etc. Devemos amar mesmo aqueles que nos fizeram mal ou que nos odeiam. Não devemos amá-los porque são nossos inimigos, mas apesar disso. Devemos amá-los enquanto foram criados para conhecer, amar e servir a Deus. Devemos ter para com eles verdadeira caridade, desejando-lhes o céu e cooperando para que cheguem até lá, se temos a oportunidade para isso. Amar os inimigos não é ter por eles simpatia ou um algo sentimental, mas desejar-lhes o bem, rezar por eles e fazer-lhes o bem quando possível e necessário. É o que diz Nosso Senhor no Sermão da Montanha: “Tendes ouvido o que foi dito: Amarás o teu próximo e poderás odiar teu inimigo. Eu, porém, vos digo: amai vossos inimigos, fazei bem aos que vos odeiam, orai pelos que vos [maltratam e] perseguem. Deste modo sereis os filhos de vosso Pai do céu, pois Ele faz nascer o sol tanto sobre os maus como sobre os bons, e faz chover sobre os justos e sobre os injustos” (Mat. 5, 43-45).

O amor aos inimigos prescreve que se dê a eles os sinais comuns de amizade e de educação. Assim, é preciso responder a uma saudação cordial feita pelo inimigo, é preciso responder a perguntas normais que ele pode fazer. Enfim, somos obrigados a nos comportar com os inimigos como faríamos com uma pessoa desconhecida. Negar esses sinais comuns de educação equivaleria a manifestar ódio e levaria ao escândalo dos demais. A caridade para com o inimigo nos proíbe de excluí-lo de nossas orações. Se disséssemos, rezo por todo mundo menos por tal pessoa que é minha inimiga, estaríamos cometendo um pecado grave. Os sinais especiais de afeto ou amizade não são obrigatórios, a não ser que as circunstâncias o exijam. Se nosso inimigo está em grave necessidade da qual só pode sair com nosso auxílio, devemos ajudá-lo. O preceito de amar o próximo obriga a procurar a reconciliação assim que possível. Interiormente, o ofendido deve estar pronto para perdoar prontamente, sem guardar rancor nem ódio. Exteriormente, não se pode negar o sincero pedido de perdão feito pelo ofensor. É preciso perdoar, ainda que posteriormente não se restabeleça uma harmonia perfeita entre as partes.

O amor aos inimigos nos obriga a deixar de lado todo ódio e todo desejo de vingança. O ódio é desejar que o inimigo peque ou que se condene, ou desejar-lhe o mal pelo mal. A vingança pecaminosa é aquela pela qual se deseja a punição do próximo simplesmente para lhe fazer mal. Se essa punição fosse desejada para emendar o próximo, para coibir o mal que ele faz, ou para restabelecer a justiça ultrajada, não haveria problema, mas sempre com muito cuidado para guardar a reta intenção nesses desejos.

A vida cristã no trato com o próximo se resume a esse preceito de caridade. Amar ao próximo por amor a Deus. Amar ao próximo desejando-lhe a virtude e a glória eterna, e ajudando-o a alcançar a virtude e o céu. Deixar de lado todo ódio, pecado gravíssimo, que se opõe à caridade e que se opõe a Deus, pois o ódio nos leva a desejar que o próximo ofenda a Deus, nos leva a desejar ao próximo um mal contra a vontade de Deus. O ódio mata o próximo em nossa alma. Nos torna homicidas e leva a atos externos contra o próximo. Não estamos falando aqui de um sentimento passageiro de aversão ao próximo que pode surgir em nossa alma e que combatemos, mas do desejo de mal ao próximo realmente alimentado e que não é afastado. Esse é o pecado de ódio, gravíssimo. O cristão vive da caridade. Não dessa caridade sentimental ou que aceita o pecado, mas da caridade que está na vontade e que favorece a virtude. Nós, católicos, devemos sempre pagar o mal com o bem, como nos diz São Paulo. Por maior que tenha sido o mal que alguém nos fez, devemos amá-lo sobrenaturalmente. E nessa caridade perfeita nos distinguiremos dos pagãos, do mundo, e chegaremos ao céu.

Em nome do Pai, e do Filho, e do espírito Santo. Amém.

 

[Sermão] A Santíssima Trindade e nossa vida espiritual

Sermão para a Festa da Santíssima Trindade

15.06.2014 – Pe. Daniel Pinheiro, IBP.

 

Em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo. Amém.

Ave Maria…

                “Que ressoe na boca de todos a glória do louvor ao Pai, e ao Filho que Ele gerou; e que ao Espírito Santo se dê igualmente um louvor perene.” (Antífona de Vésperas).

A Santa Igreja, após reviver a vida de Nosso Senhor, do seu nascimento à sua ascensão aos céus, e depois de festejar a descida do Espírito Santo sobre os Apóstolos e Nossa Senhora no Cenáculo em Jerusalém, coloca diante de nós o mistério da Santíssima Trindade. Trata-se, junto com o mistério da encarnação e da redenção, de verdade importantíssima de nossa religião. Todavia, com a liturgia de hoje, não se trata simplesmente de se considerar abstratamente o dogma da Santíssima Trindade. Trata-se também de enxergar a ação da Santíssima Trindade em toda a nossa vida.

Relembremos, em primeiro lugar, o que conhecemos da Santíssima Trindade. Que existe um só Deus em três pessoas é uma verdade que não poderíamos jamais conhecer pela força de nossa razão. A existência de Deus e muitas de suas perfeições podem ser conhecidas pela razão humana sem o auxílio da Revelação. Assim, alguns filósofos da antiguidade chegaram à verdade da existência de Deus e de suas perfeições. Todavia, que Deus seja um em três Pessoas, não poderíamos jamais conhecer pela nossa razão. Em Deus, há uma só natureza, uma só substância em três pessoas. O Pai, o Filho e o Espírito Santo são iguais em tudo: são igualmente eternos, igualmente onipotentes, igualmente oniscientes. Eles são um só Deus e não três Deuses. A única coisa que distingue as três pessoas é que o Pai não procede de nenhum outro, enquanto o Filho é gerado desde toda a eternidade pelo Pai que se conhece perfeitamente, e o Espírito Santo procede do Pai e do Filho pelo amor mútuo entre eles. O Pai não é anterior nem superior ao Filho. O Pai e o Filho não são nem anteriores nem superiores ao Espírito Santo. O Pai, o Filho e o Espírito Santo são um só Deus em Três Pessoas. É bom lembrar que estamos aqui diante de um mistério, que ultrapassa nosso entendimento, embora não o contradiga. Nunca poderemos compreender perfeitamente como em um só Deus existem Três Pessoas, mas com o estudo da teologia, com a aplicação da nossa razão ao que Deus nos falou, podemos ver que não existe contradição entre a unidade e a trindade em Deus. Poderíamos fazer algumas comparações – certamente imperfeitas, claro – que podem nos ajudar a entender essa unidade na trindade. Por exemplo, em cada ser nós temos um ser, mas temos três dimensões: largura, comprimento, profundidade. Na música, o acorde perfeito é um, mas formado por três notas: a tônica, a terça e a quinta. Eis, então, resumidamente, o que conhecemos da Santíssima Trindade.

Vejamos, agora, a ação da Santíssima Trindade sobre nós, começando pela nossa criação. Deus, na sua vida íntima, conhece a Verdade e o Bem. Essa Verdade que Deus conhece e esse Bem que Ele ama só pode ser Ele mesmo, pois Ele é a Verdade Primeira e o Bem Supremo. A Santíssima Trindade é perfeitamente feliz, não precisando de nada além de si mesma para completar essa felicidade. Todavia, a Santíssima Trindade, na sua bondade infinita e na sua liberalidade infinita, quis que outros seres participassem de algum modo de sua própria vida, de sua felicidade. Assim, a Santíssima Trindade nos criou, para nos dar a possibilidade de sermos participantes da vida dela, já aqui na terra pela fé e pela caridade, mas, sobretudo, no céu, com a visão face a face dela. Quando recitamos o Credo, atribuímos a criação a Deus Pai, pois se atribui a onipotência a Deus Pai, como se atribui a sabedoria a Deus Filho e a bondade ao Espírito Santo, embora as três Pessoas tenham igual onipotência, igual sabedoria e igual bondade. Atribuímos a criação a Deus Pai, mas foi a Santíssima Trindade que nos criou e que criou – e cria – todas as coisas. A Santíssima Trindade está presente em nossas vidas desde o primeiro momento de nossa vida natural. É ela quem nos dá essa vida.

Mais importante e sublime do que isso, no entanto, é o fato de que é a Santíssima Trindade que nos dá a vida sobrenatural no batismo. Nós somos batizados em Nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo. É por obra da Santíssima Trindade – em virtude dos méritos de Cristo, Deus Filho encarnado – que somos gerados para a vida da graça, para a vida de união com Deus, para a vida de amizade com Deus. Pelo batismo, nos tornamos Filhos adotivos de Deus Pai, nos tornamos irmãos de Nosso Senhor Jesus Cristo e nos tornamos Templos do Espírito Santo. Na medida em que permanecemos fiéis às promessas feitas no batismo, promessas de fidelidade a Cristo e à Sua Igreja e de rejeição ao demônio e ao pecado, a Santíssima Trindade faz em nossa alma a sua morada pela graça santificante. Nosso Senhor mesmo o diz: “Se alguém me ama, guardará a minha palavra e meu Pai o amará e nós viremos a ele e faremos nele morada.” (Jo XIV, 6).

A Santíssima Trindade nos gera para a vida sobrenatural e nos mostra claramente o caminho da salvação no Evangelho. Esse caminho é Nosso Senhor Jesus Cristo. No Batismo de Cristo no Jordão, Deus Pai nos diz que todo seu amor está em Jesus Cristo e o Espírito Santo sob a forma de pomba lá está para confirmar o que é dito. Se queremos, então, ser amados por Deus eternamente, devemos estar unidos a Cristo. Na Transfiguração, Deus Pai diz que Nosso Senhor é seu Filho e que devemos ouvi-lo. E, novamente, lá está o Espírito Santo para confirmar o que é dito, dessa vez sob a aparência de nuvem. Se queremos nos salvar, devemos ouvir o que nos diz Nosso Senhor Jesus Cristo.

A Santíssima Trindade está conosco desde o início de nossa vida natural e de nossa vida sobrenatural. Devemos invocar a Santíssima Trindade em todos os nossos atos, sobretudo aqueles que se referem mais diretamente a Deus. Se vamos começar os estudos, façamos ao menos o sinal da Cruz. Se vamos começar o trabalho, façamos ao menos o sinal da cruz. Devemos procurar começar nossas ações com o sinal da Cruz, tão bom resumo de nossa religião: no sinal da Cruz está contido o mistério da Encarnação e da Redenção pelo gesto, e o mistério da Unidade e Trindade em Deus pelas palavras.

Se é o Deus Uno e Trino que nos dá tudo o que somos e temos, se é a Santíssima Trindade que nos governa com bondade e sabedoria, ela é também o objeto primário do culto, da liturgia.. A santa Missa é oferecida à Santíssima Trindade. Na Missa Tradicional, isso é muito claro. No ofertório, após o Lavabo, o padre recita: “Recebei, ó Santíssima Trindade, essa oblação que vos oferecemos…” Antes da bênção, o padre diz: “que vos seja agradável, Trindade Santa, a homenagem deste vosso servo…” As orações da Igreja se concluem com uma referência à Santíssima Trindade. Na recitação do Breviário pelo padre, todos os salmos se concluem com o “Glória ao Pai”. Na Santa Missa, o primeiro gesto do Padre é o sinal da Cruz, profissão de fé na Santíssima Trindade.

É a liturgia que nos ensina, então, o primeiro de nossos deveres para com a Santíssima Trindade: adorá-la, como os anjos que cantam no céu dizendo “Sanctus, Sanctus, Sanctus” em homenagem à Santíssima Trindade. Devemos prestar o mesmo culto de latria às três pessoas da Santíssima Trindade. O segundo de nossos deveres é a gratidão para com a Santíssima Trindade, que nos criou e fez de nós filhos adotivos de Deus pelo batismo. O terceiro de nossos deveres é procurar reproduzir em nós a imagem da Santíssima Trindade: buscando ser santo como ela é Santa, conformando nossa vontade à dela, conservando entre nós uma união baseada em Deus. Ninguém mais do que Nossa Senhora reproduziu tão bem em sua alma a imagem da Santíssima Trindade. Peçamos a ajuda dela, caros católicos, para honrar e imitar a Santíssima Trindade.

“Bendita seja a Santíssima Trindade e a indivisível unidade. Louvemo-la porque fez conosco a sua misericórdia.”

Em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo. Amém.