[Aviso] Missa de Domingo na Capela das Irmãs de Santa Marcelina

O padre Daniel Pinheiro, IBP, pede para avisar que no próximo domingo (27/04) e nos seguintes as Missas voltarão a ser celebradas na Capela das Irmãs de Santa Marcelina, no horário habitual de 11:15, com confissões a partir das 10:15.

                  Padre Daniel com parte dos fiéis, após a Missa de Páscoa

Padre Daniel com parte dos fiéis, após a Missa de Páscoa

O Padre agradece a Deus e a Nossa Senhora das Dores o frutuoso e belíssimo Tríduo ocorrido na semana passada, bem como o belo trabalho feito pela equipe litúrgica e pela Schola Cantorum, assim como a todos os que cooperaram de alguma forma..

Círio Pascal


[Aviso] Programação para a Semana Santa: horários e local

O Padre Daniel Pinheiro, IBP, pede para transmitir as informações relativas à Semana Santa. Destaque-se que haverá confissões todos os dias uma hora antes das cerimônias.

Todas as cerimônias da Semana Santa, incluído o Domingo de Páscoa, serão no seguinte endereço (ver mapas mais abaixo): Jardim Botânico III, Av. das Paineiras, entrequadra 9/10.

  • Quinta-Feira Santa, in Cena Domini, Missa Cantada às 18:00.
  • Sexta-Feira Santa, in Passione et Morte Domini, Via-Sacra às 15:00 e Solene Ação Litúrgica às 16:00
  • Sábado Santo, de Vigilia Paschali, Missa Cantada às 20:00.
  • Domingo de Páscoa, Missa Cantada às 10:30.

Para chegar ao local de ônibus, pegar as linhas que passam na estrada para São Sebastião – DF 463 – e descer na parada da entrada do Condomínio Jardim Mangueiral.

As principais linhas saindo da Rodoviária são a 180 e a 197.3. Há também a 147; 147.3; 147.6;180.1;186;197.4

COnvite Semana Santa 2014 1

COnvite Semana Santa 2014 2.1COnvite Semana Santa 2014 3COnvite Semana Santa 2014 4

[Aviso] Missa de Nossa Senhora das Dores, sexta-feira, 11/04

N. Sra das DoresO Padre Daniel Pinheiro, IBP, pede para avisar que haverá a Missa da Comemoração de Nossa Senhora das Dores na próxima sexta-feira, dia 11/04, na Capela das Irmãs de Santa Marcelina, às 19:00.

Nossa Senhora das Dores é comemorada tanto no dia 15 de setembro quanto na sexta-feira depois do 1º Domingo da Paixão. A Novena preparatória para a festa dela pode ser encontrada aqui.

Santa Mãe, dai-me isto/ Trazer as chagas de Cristo/ Gravadas profundamente em meu coração. (Stabat Mater)

 

[Sermão] A paixão de Nosso Senhor Jesus Cristo

Sermão para o 1º Domingo da Paixão

06.04.2014 – Padre Daniel Pinheiro

ÁUDIO: 1º Domingo da Paixão: A Paixão de Nosso Senhos Jesus Cristo

Em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo. Amém.

Ave Maria…

“Este é o meu corpo, que será entregue por vós. Este é o Cálice do Novo Testamento, fundado no meu sangue, diz o Senhor.” (Communio)

Entramos hoje, caros católicos, no Tempo da Paixão. Veremos, nos textos da liturgia, a oposição cada vez mais clara entre Nosso Senhor Jesus Cristo, com sua doutrina celestial e sua caridade infinita, e os fariseus, preocupados em adaptar a doutrina divina aos seus próprios gostos. No Evangelho de hoje eles buscam lapidar NSJC, após ele afirmar a sua divindade de maneira clara dizendo: “antes que Abraão fosse, Eu sou.” Todavia, nos diz o Evangelho, de forma misteriosa, NS se escondeu e saiu do Templo.

“Eu sou” nos diz Nosso Senhor. Várias vezes nos Evangelhos Ele diz: “Eu sou.” Eu sou o caminho e a verdade. Eu sou a vida. Eu sou a luz do mundo. Eu sou o Bom Pastor. Eu sou, diz Nosso Senhor no jardim das oliveiras, e todos caem por terra. Quando os apóstolos temem ao ver Jesus andando sobre as águas, Ele diz: não tenhais medo, ego sum, eu sou. O “Eu sou” de NS nada mais é do que um eco, uma repetição, das palavras de Deus a Moisés, quando esse pergunta o nome divino. Deus diz a Moisés: “Eu sou aquele que é”. Deus é a plenitude do ser, ele é a causa de tudo o que existe. Sendo a plenitude do ser, Deus é infinitamente bom, onisciente, eterno, onipotente, infinitamente amável. Quando NS diz “antes que Abraão fosse, Eu sou”, os judeus compreendem que Cristo está afirmando a sua igualdade com Deus. Ele também é Deus, Ele é um só Deus com o Pai. Os judeus compreendem que Jesus está afirmando a sua eternidade, que Ele está a firmando que é aquele que é. E, em vez de convencidos pelos milagres e pelas obras de Cristo aceitar essa verdade, preferem acusá-lo de blasfêmia, levados pela cegueira do orgulho, pela cegueira de querer fazer a vontade própria, pela cegueira de querer seguir as paixões, pela cegueira de seguir a religião que haviam fabricado para si mesmos. Todavia, quando NS pergunta quem pode acusá-lo de algum pecado, os judeus ficam mudos. Então, caros católicos, Jesus não é somente um homem extraordinário ou o maior dos profetas. Não, Ele é verdadeiramente Deus, desde o momento de sua concepção. Ele é o Verbo que se fez carne. E Ele sabe que é Deus desde o primeiro instante de sua existência no seio de Maria. Nosso Senhor é Deus. Como não ouvir as suas palavras? Como não ficar com o ouvido atento e como não dobrar nossa inteligência e vontade diante das palavras de Cristo e de sua Igreja, Igreja que nada mais é do que Cristo prolongado no tempo e no espaço? Como não considerar o exemplo de todas as virtudes dado por NSJC em sua vida? Não é simplesmente um homem extraordinário que fala. É o próprio Deus quem nos fala. Deus amou tanto o mundo que enviou seu próprio Filho, Deus como Ele, para nos salvar. O Verbo se fez carne para nos salvar, propter nostram salutem, por causa da nossa salvação, como cantamos todos os domingos no Credo.

Nosso salvador é Deus, mas Ele é também homem. Sendo Deus, suas ações têm um valor infinito, mesmo a menor de suas ações tem um valor infinito. Sendo homem, Nosso Senhor nos representa, pois foi constituído por Deus como nosso chefe, como a cabeça do Corpo Místico. Adão, ao pecar, ofendeu infinitamente a Deus e, como chefe do gênero humano, Adão transmitiu a seus descendentes o pecado original, em virtude do qual nascemos todos, com exceção de NS e N. Sra., separados de Deus. E depois de Adão, também nós, pelos nossos pecados mortais, ofendemos infinitamente a Deus. Impossível para nós repararmos pelos nossos pecados, pois somos seres finitos, limitados, incapazes, por nós mesmos, de fazer algo que agrade mais a Deus do que nossos pecados lhe desagradaram. Portanto, para reparar em perfeita justiça, precisávamos de Cristo, que é verdadeiramente homem e verdadeiramente Deus. Deus amou tanto o mundo que nos entregou seu próprio Filho, para nos salvar. E é essa a finalidade da Encarnação do Verbo, da sua paixão e morte na Cruz: a nossa redenção, a nossa salvação.

Tudo na Encarnação de Cristo e na sua vida tem em vista a nossa salvação. Para nos salvar, Cristo precisava, basicamente, fazer duas coisas: merecer graças para nós, pelos seus méritos e satisfazer, reparar pelos nossos pecados. Nosso Senhor merece as graças para a nossa salvação pelas suas ações, que têm todas um mérito imenso, imensurável. Para que uma ação seja meritória ela precisa ser 1) livre, 2) honesta, 3) sobrenatural (procedente da graça e da caridade) 4) feita nesta vida, neste vale de lágrimas (isto é, que seja feita por um viator), 5) feita em estado de graça. É evidente que todas as ações de Cristo cumpriam essas condições. Eram ações livres, eram honestas, procediam da graça e da caridade, eram feitas enquanto ele estava nesse mundo e, como não podia ser diferente, foram feitas em estado de graça. Não só as ações de Cristo foram meritórias, mas foram meritórias ao máximo. Isso porque Ele fez tudo com liberdade plena (sua inteligência e vontades eram perfeitíssimas e não sofriam influência das paixões), com perfeita consciência das suas ações (Ele advertia exatamente o que estava fazendo e porque fazia), elas eram perfeitamente honestas e motivadas por todas as virtudes no grau mais alto possível e pela maior caridade possível. O mérito de uma ação depende da santidade da pessoa. Cristo era o mais santo possível, sendo também Deus. As ações de Cristo são o mais meritórias possível e nos alcançam todas as graças. Sua alma tinha todas as perfeições que potencializam o mérito. No entanto, além de merecer as graças, como dissemos, Cristo veio ao mundo também para satisfazer, ou seja, para dar a Deus algo que é mais agradável a Deus do que o pecado lhe é desagradável. Assim, Cristo satisfez por nossos pecados ao oferecer a Deus sua caridade sem medida em reparação pelos nossos pecados. Sobretudo ao suportar todos os sofrimentos com caridade imensa. Cristo quis sofrer para expiar pelos prazeres ilícitos causados por nossos pecados, para pagar pela pena devida por nossos pecados. Ele quis sofrer também para mostrar as consequências dos nossos pecados, mas, sobretudo, Ele quis sofrer para nos motivar a amá-lo em retorno. Em última instância, o sofrimento de Cristo foi motivado por seu amor por nós. Quanto mais sofremos para conseguir algo, mais mostramos o nosso amor por essa coisa. Cristo, desde o seu nascimento sofreu por nós. Ele chegou a suar sangue como consequência de tamanho sofrimento. Foi depois coroado de espinhos, flagelado, cuspido, batido, zombado, Ele carregou a cruz, caiu pelo menos três vezes, foi pregado na Cruz. Foi morto e perseguido pelo seu próprio povo, foi abandonado pelos seus amigos, praticamente toda consolação foi tirada da sua alma. NS sofreu mais do que todos os homens juntos. Ele quis sofrer, sobretudo, por causa de nossos pecados, sobretudo de nós católicos, que fazemos profissão de reconhecer que Ele é homem e Deus, que fazemos profissão de reconhecer que todo seu sofrimento foi para nos salvar, mas que não hesitamos em crucificá-lo novamente pelas nossas faltas.  Nosso Senhor sofreu tanto para nos mostrar o tamanho de seu amor por nós. E para tentar nos mover a amá-lo em retorno. É a nossa obrigação: amar a Deus sobre todas as coisas. Com uma só ação, Cristo já teria satisfeito pelo pecado, já que oferecia a Deus sua caridade sem medida. Mas Ele quis sofrer por nós para nos mostrar seu amor por nós. Em Cristo está presente, então, um corpo capaz de sofrer e capaz de sofrer ao máximo, para poder expiar pelos nossos pecados.

Assim, em Cristo está presente tudo o que pode favorecer a nossa redenção e a nossa salvação, pois foi para isso que Ele veio ao mundo. Nele, está presente tudo o que favorece os méritos e tudo o que favorece a satisfação. Estão presentes todas as virtudes em grau mais alto possível, está presente a maior caridade possível. Em Cristo está presente um corpo humano capaz de sofrer e que sofreu, de fato, mais do que qualquer outro, para satisfazer pelos nossos pecados. Cristo quis ter um corpo capaz de sofrer. Se Cristo não quisesse sofrer e se Cristo não quisesse morrer seria muito simples, como vemos no Evangelho de hoje. No Evangelho desse 1º Domingo da Paixão, é dito que Cristo escondeu-se e saiu do Templo, para que não o lapidassem. Um mero homem não foge de uma lapidação com tamanha tranquilidade. Sendo Deus, Ele poderia destruir seus inimigos com o sopro de sua boca. Mas Ele quis sofrer. A sua paixão, mais uma vez, foi para nos mostrar as consequências do pecado: nossos pecados levam NS, homem e Deus, a sofrer. Muitas vezes podemos ter dificuldade em enxergar os males causados pelos nossos pecados, que talvez consideramos abstratos. Em Cristo padecente, vemos concretamente as consequências, os males dos nossos pecados. A sua paixão foi para mostrar a sua caridade para conosco. Deus amou tanto o mundo, que entregou seu Filho à morte e morte de Cruz. A sua paixão foi obra de sua infinita misericórdia: não há meio mais eficaz para nos tirar da miséria do pecado do que nos mostrando a sua caridade para conosco. NS nos mostra seu amor infinito por nós na sua paixão. A nós cabe nos unir a Cristo, nos convertendo verdadeiramente a Ele e amando-o. Aproveitemos esse Tempo da Paixão, que precede o Tríduo Sagrado, para meditar a paixão de Nosso Senhor e para fazermos o propósito de morrer com Ele na cruz para o mundo e para o pecado, a fim de vivermos para a vida eterna.

Em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo. Amém.

Novena em honra de Nossa Senhora das Dores: do dia 2 ao dia 10 de abril

Abaixo, o Sermão para o Domingo Laetare: O católico e as diversões

Nossa Senhora das Dores Novena para a Comemoração de Nossa Senhora das Dores

 (Dia 11 de abril, sexta-feira depois do 1º Domingo da Paixão)

Do dia 2 de abril ao dia 10 de abril

 

“ Jesus prometeu graças extraordinárias aos devotos das dores de Maria.”

Santo Afonso Maria de Ligório, Glórias de Maria, p. 367. Continue lendo

[Sermão] O Católico e as diversões

Sermão para o 4º Domingo da Quaresma – Laetare

30.03.2014 – Padre Daniel Pinheiro, IBP

ÁUDIO: Sermão para o 4º Domingo da Quaresma/Laetare: O católico e as diversões

Em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo. Amém.

Ave Maria…

Peço a todos que rezem de modo particular nessa semana por nosso apostolado. Se possível, peço que comecem na quarta-feira, dia 2 de abril, uma novena para Nossa Senhora das Dores, que será comemorada na sexta-feira que antecede o Domingo de Ramos. Peço as orações de todos.

“Alegrei-me naquilo que me foi dito: iremos para a casa do Senhor.” “Laetatus sum in his, quae dicta sunt mihi: in domo Domini ibimus” (Introito)

Prezados católicos, estamos hoje no Domingo Laetare. No meio da Quaresma, a Igreja nos coloca um domingo claramente dedicado à alegria, para nos encorajar a perseverar, para termos um gosto da alegria que nos trarão nossos esforços nesse tempo. Essa alegria é manifesta na Liturgia. Os paramentos rosas são permitidos. As flores podem enfeitar o altar. O órgão pode voltar a soar. Sem falar, claro, nos textos da Santa Missa que exalam alegria no Senhor, a começar pelo Introito. E como dissemos em mais de uma oportunidade, o católico que vive habitualmente na graça de Deus pode e deve ser verdadeiramente alegre, pois ele possui o maior bem que existe e que ele pode desejar, que é o próprio Deus. Na verdade, o católico em graça de Deus é o único que tem direito de estar verdadeiramente alegre. Aquele que está em pecado mortal deveria mais se preocupar com o lastimável e perigosíssimo estado de sua alma, com o tênue fio da vida, que o separa da condenação eterna. Então, como nos diz São Paulo, dando uma ordem: alegrai-vos no Senhor (Filipenses IV, 4, e Missa Gaudete no Advento). Devemos, então, caros católicos, ser alegres.

Não deixa de ser curioso que a Igreja coloque as duas das Missas mais explicitamente alegres em tempos de penitência. Temos no Advento o Domingo Gaudete e na Quaresma o Domingo Laetare, que celebramos hoje. A intenção da Igreja é clara: nos trazer conforto e alegria para podermos continuar as nossas práticas quaresmais, práticas que têm como finalidade a virtude, a santidade, a união mais profunda com Deus. Portanto, um Domingo de grande alegria para nos repousar a alma a fim de que se restabeleçam nossas forças e continuemos ainda melhor aquilo a que nos propusemos na quaresma. Além dessa delicadeza da Santa Igreja para conosco, esses dois domingos da alegria incrustados em tempos penitenciais nos trazem uma lição importantíssima, de modo particular para a época em que vivemos. Esses dois domingos nos indicam qual o sentido das diversões e das recreações para um cristão: servir melhor a Deus.

Sob o nome de diversão, entendemos todas as coisas que são causa de distração, de descanso, de alegria, de deleite e que têm por fim nos proporcionar um bem-estar que repara as nossas forças.

Vivemos em uma sociedade, caros católicos, em que a diversão, o entretenimento, as recreações são onipresentes. Muitas pessoas vivem para isso. A diversão, a recreação é a finalidade delas. Se trabalham, é para, depois, poderem se divertir. Dá-se mais importância à diversão que ao trabalho e muitas vezes a diversão é colocada até mesmo acima da família.   Além disso, é inegável que as diversões em nossa sociedade são cada vez mais refinadas e cada vez mais imorais. Diante desse “culto” prestado à diversão e da imoralidade da maioria esmagadora das diversões de nossa sociedade, muitos poderiam pensar que é de todo ilícito ao católico divertir-se e recrear-se. Isso seria um erro e um erro grave. Convém, caros católicos, compreender o sentido católico do divertimento, que corresponde à virtude que se chama eutrapelia, virtude que nos inclina a regular nosso comportamento nos jogos e nas diversões em conformidade com a razão iluminada pela fé. 

O primeiro ponto é que a diversão é plenamente conforme à nossa natureza humana. Em todos os tempos e em todos os lugares os homens sempre buscaram divertir-se, em maior ou menor grau. Tal universalidade no tempo e no espaço só pode ter como causa algo que é comum a todos os seres humanos. O que é comum a todos os seres humanos é a natureza humana. Portanto, a diversão corresponde à natureza humana. A diversão é conforme à nossa natureza humana e é mesmo necessária para nossa vida física, intelectual e social. A diversão é necessária (1) para a vida física porque nosso corpo precisa de repouso e não pode suportar um trabalho contínuo. A natureza reage imediatamente diante de uma disciplina realmente desumana, e passa bruscamente de um rigor exagerado a uma intemperança desenfreada. E isso vale sobretudo para crianças e jovens. Eles precisam de diversão, de recreações, pois fazem esforço maior para manter a atenção do espírito. Mas é claro que essas diversões devem ser lícitas e moderadas, como veremos. A diversão é necessária (2) para a vida intelectual: depois de um trabalho intelectual que absorve o espírito, a alma tem necessidade de recreação, até porque depois de um tempo, dominados pelo cansaço, já teremos muita dificuldade para raciocinar devidamente. Nossas vidas física e intelectual precisam de recreação, isto é, precisamos recriar nossas forças para continuarmos depois fazendo o que temos de fazer. Elas precisam de diversão, quer dizer, de um pequeno afastamento do que estamos fazendo, para depois voltarmos com mais força e melhor disposição. A diversão é como o óleo que permite que as engrenagens funcionem melhor. A diversão é também necessária (3) para a vida social, pois as diversões sabiamente organizadas favorecem o convívio das pessoas, favorecem a amizade. O bom governo dos povos necessita de divertimentos bons e lícitos.  Está claro, então, que a diversão, em si não é um pecado, nem algo inútil. Ao contrário, a diversão é algo bom e útil, conforme a nossa natureza humana e necessária para que possamos viver uma vida virtuosa. Mesmo nas ordens religiosas mais austeras, como os cartuxos, as regras preveem momentos para que os monges possam se recrear e conversar santamente. São Tomás de Aquino relata a história de São João Evangelista que, ao perceber que alguns se escandalizavam ao vê-lo se recreando com seus discípulos, mandou que um deles que tinha um arco e flecha atirasse constantemente, sem parar. Ele respondeu ao Evangelista que se fizesse isso de maneira contínua, o arco iria quebrar-se, não aguentando a tensão. São João conclui que também a alma se quebraria, se nunca se recreasse.

A recreação e a diversão são, então, necessárias para nós, para restabelecer as forças das nossas almas. Todavia, essas recreações e essas diversões devem ser boas. O princípio básico que devemos compreender é que as diversões, como todas as outras coisas em nossas vidas, devem necessariamente estar subordinadas a Deus. Fomos criados para conhecer, amar e servir a Deus. Tudo o que fazemos deve ter em vista isso, de forma mais direta ou menos direta. Assim, a diversão deve ser um repouso da alma que não contradiga os mandamentos e deve nos permitir revigorar as nossas forças para servir melhor a Deus. Se a diversão, por alguma razão, vai contra a virtude, ou faz diminuir o nosso fervor no serviço de Deus, não será uma boa diversão.  Sigamos aqui São Tomás, com sua habitual clareza. Para que uma diversão seja boa é preciso, em primeiro lugar, se abster de todo ato ou palavra torpe ou que é de alguma forma nocivo para si ou para o próximo. Já dizia Cícero que existem diversões que são indecorosas, despudoradas, criminosos e obscenas. Não podemos nos divertir com aquilo que, de alguma forma, ofende a Deus. Poderíamos aceitar nos divertir com algo que crucifica novamente Nosso Senhor Jesus Cristo?  Enquanto rimos, Nosso Senhor é ofendido. Uma diversão dessas é contrária à razão e à lei de Deus. A recreação serve para nos restabelecer as forças para retomarmos melhor o serviço a Deus. Se na recreação nos afastamos de Deus pelo pecado, é evidente que a recreação deixou de ser boa e lícita. Em vez de nos revigorar nossas forças, as tira pelo pecado. Em segundo lugar, a diversão não pode tirar completamente a gravidade da alma. É preciso tomar cuidado, ao dar o descanso para a alma pela recreação, para que não nos entreguemos inteiramente às diversões, para que não as coloquemos como a finalidade de nossas vidas, para que não relaxemos tanto o espírito que esqueçamos a seriedade de nossa vida aqui na terra. A diversão não é um fim, mas é um meio para podermos nos aplicar melhor a Deus, a nossos deveres de estado, à virtude. As diversões, mesmo lícitas, devem ser usadas com moderação. São Tomás diz que bastam poucas diversões para repousar a nossa alma, como para temperar a comida basta um pouco de sal. A diversão, mesmo lícita, em excesso vai pouco a pouco enfraquecendo a nossa alma, que tenderá a ver na diversão um bem absoluto e não mais um meio para restabelecer as nossas forças para voltarmos a nos aplicar ao que é sério, isto é, à salvação da nossa alma, em última instância. O excesso de diversão nos torna a prática da virtude cada vez mais difícil, pois a prática da virtude exige desapego das inclinações próprias, o que não é favorecido pelo excesso de diversão. Não se pode, tampouco, levado pela diversão, perder o domínio sobre si mesmo. Em terceiro lugar, para que uma diversão seja boa é preciso que ela corresponda às circunstâncias de cada um: à pessoa e seu estado, ao tempo, lugar, etc…

A diversão, se são evitados esses três erros, é boa e lícita. Ela é virtuosa. E seria também um erro a austeridade excessiva, pela qual a pessoa se privaria de todo divertimento, jamais diria uma palavra que provoque salutarmente um riso ou não consentiria em divertimentos lícitos e moderados. Estes, excessivamente austeros, podem ser chamados de ásperos e rudes, como diz São Tomás citando Aristóteles. Todavia, é menos vicioso divertir-se aquém do necessário do que divertir-se além do necessário.

Como dissemos nos início, caros católicos, vivemos em uma sociedade em que as diversões são onipresentes. As diversões se tornaram o fim das pessoas. Elas vivem em função das diversões. Como diz o livro da Sabedoria (XV, 12), aquele que ama o mal julga que a vida é um divertimento. Além disso, não é fácil achar diversão que hoje não envolva palavras ou atos torpes e nocivos, ou levem a nos fazer perder inteiramente a seriedade da alma. Como não colocar em risco nossa alma com os filmes, os espetáculos, as músicas, os livros, as praias da atualidade, para dar alguns exemplos? Talvez em outra oportunidade tratemos particularmente de cada uma dessas diversões. Todavia, tanto ou mais grave do que as imoralidades é essa concepção pagã da vida que coloca a diversão como a finalidade última das pessoas. É como se dissessem e realmente dizem: comamos, bebamos e nos divirtamos porque em seguida morreremos. Essa mentalidade destrói o fundamento da vida cristã, e nos faz esquecer nossa finalidade aqui na terra e a seriedade de nossa vida aqui na terra: conhecer, amar e servir a Deus para poder chegar ao céu.

Que critério claro podemos usar para distinguir uma boa diversão de uma má diversão? Usemos um critério singelo, que são as palavras de São Paulo: “Alegrai-vos sempre no Senhor; de novo vos digo: alegrai-vos sempre no Senhor.” Podemos e devemos nos alegrar, mas no Senhor, isto é, dignamente, decentemente, cristãmente, em conformidade com a dignidade de filhos de Deus pelo batismo. Diante de qualquer espetáculo, de qualquer filme, de qualquer música ou entretenimento, de qualquer esporte, de qualquer leitura, diante de qualquer ambiente que frequentamos, diante de qualquer amizade, etc., devemos nos perguntar com toda sinceridade: isto é digno de um cristão? É compatível com minha dignidade de filho de Deus, é compatível com alguém que deseja o céu? Nosso Senhor e Nossa Senhora, no céu, estão agradados com essa diversão, ou ao contrário, ela lhes causa desgosto e desagrado?

O católico pode e deve se divertir, mas é preciso fazê-lo bem, de forma que a virtude, a santidade e o amor a Deus são favorecidos e não prejudicados. As nossas diversões têm a mesma finalidade da Missa que hoje celebramos: reparar as nossas forças para continuarmos melhor e com mais vigor no serviço de Deus. Nossas diversões devem nos fazer entrar na casa do Senhor, no céu. Aproveitemos o resto da quaresma que ainda temos pela frente para nos corrigirmos nesse importante aspecto de nossa vida espiritual.

Os santos são pessoas alegres. Já citamos São João Evangelista, poderíamos citar São Francisco de Sales, São Francisco de Assis, São Felipe Néri, São Lourenço e todos os outros. Mas muito mais do que as diversões, o que causa essa alegria é a fidelidade a Nosso Senhor Jesus Cristo.

Em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo. Amém.

 

[Sermão] A boa Confissão

Sermão para o 3º Domingo da Quaresma

23.03.2014 – Padre Daniel Pinheiro, IBP

ÁUDIO: Sermão para o 3º Domingo da Quaresma: A boa Confissão

 

Em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo. Amém.

Ave Maria…

 “Estava Jesus expulsando um demônio, e ele era mudo. E depois de ter expulsado o demônio, falou o mudo, e se admiraram as gentes.”

Caros católicos, temos insistido que a Quaresma é um tempo de conversão, de misericórdia, de busca da santidade. A verdadeira conversão nossa, a busca da santidade e a misericórdia divina se encontram de modo perfeito e pleno em um só ato: no sacramento da confissão, e na confissão bem feita.

Como sabemos, a confissão é o sacramento da nova lei no qual, pela absolvição do sacerdote, se confere ao pecador penitente a remissão dos pecados cometidos depois do batismo. Como cada um dos sete sacramentos, também o sacramento da penitência foi instituído por Cristo. A confissão foi instituída por Cristo no dia mesmo de sua ressurreição, ao dizer aos apóstolos: “recebei o Espírito Santo. Àqueles a quem perdoardes os pecados, ser-lhes-ão perdoados; e àqueles a quem os retiverdes, ser-lhes-ão retidos.” No sacramento da confissão, nós podemos ver a delicadeza da bondade e misericórdia divinas. Que meio sublime Deus nos deu para perdoar os nossos pecados, para purificar a nossa alma das quedas após o batismo. A confissão é a nossa segunda tábua de salvação, como nos diz o Concílio de Trento.

Nosso Senhor quis instituir o sacramento da penitência ou confissão para nos dar a certeza (na medida em que é possível) do perdão dos pecados confessados ao padre e absolvidos por ele, para que não tivéssemos angústias ou incertezas em campo tão importante. Nesse sacramento, Nosso Senhor nos diz como Ele disse ao Paralítico: “Tem confiança, filho, teus pecados estão perdoados.” Nosso Senhor quis também que os pecados fossem perdoados por meio da confissão ao sacerdote porque a sabedoria divina cura utilizando remédios contrários à doença. Todos os nossos pecados provêm, em certo grau, do orgulho, e a confissão é o contrário do orgulho, pois é certa humilhação para o pecador. Pecamos ao praticar a nossa própria vontade em detrimento da vontade divina. Na confissão, precisaremos exercer um grande desapego de nós mesmos, da nossa própria vontade e nos humilhar. A confissão diante do sacerdote foi o meio instituído pela sabedoria e misericórdia de Nosso Senhor Jesus Cristo para nos tirar do pecado.

A confissão, como nos diz o Padre Spirago (Catecismo Católico Popular, que recomendo), dá ao indivíduo muitas vantagens, além do essencial e mais importante que é o perdão dos pecados: a) ela dá o conhecimento de si mesmo ao nos confrontarmos com os mandamentos divinos; b) ela dá a delicadeza da consciência, que vai se formando com os bons exames de consciência e os bons conselhos recebidos; c) ela dá a firmeza de caráter, pois o sacramento nos dá a graça que ilumina a nossa inteligência e fortalece a vontade; d) ele dá a perfeição moral, pois a confissão exige humildade, como dissemos, e a humildade é a base de toda virtude. A confissão traz também vantagens para a sociedade civil: a) com ela, as inimizades acabam, b) se bens foram de alguma forma prejudicados pelo pecador, eles serão restituídos, c) muitos crimes são evitados; d) muitos vícios combatidos e etc.

Todavia, para obtermos o perdão dos nossos pecados e todos os outros benefícios que advêm da confissão, precisamos nos confessar bem. Para nos confessarmos bem, precisamos, antes de tudo, fazer um bom exame de consciência. Depois, precisamos nos arrepender dos pecados cometidos e ter o propósito de nos emendarmos. Em seguida, é preciso confessar os pecados, isto é, manifestá-los diante do sacerdote, com sinceridade. Finalmente, é preciso aceitar a penitência, receber a absolvição e cumprir a penitência recebida.

O exame de consciência é a consideração ou investigação séria e diligente dos pecados cometidos desde a última confissão válida. O exame de consciência é muito importante para nos formar bem a consciência, para nos dar o conhecimento de nós mesmos diante de Deus e para assegurar a integridade da confissão. O exame de consciência deve ser feito antes da confissão e não durante a confissão, o que certamente levaria ao esquecimento de algum pecado e tomaria mais tempo do que o realmente necessário. Convém começar esse diligente exame de consciência pela invocação do Espírito santo, para que Ele nos mostre os nossos pecados e nos dê o arrependimento. Se durante o exame de consciência surgem pecados mortais, é preciso considerar também a espécie e o número desses pecados, como falaremos mais adiante.

(Contrição) Feito o exame de consciência, é preciso se arrepender dos pecados cometidos: é o que chamamos de contrição. A contrição é a dor e detestação dos pecados cometidos enquanto são ofensa a Deus. Para que haja a contrição é preciso, primeiro, que reconheçamos que fizemos um mal, um pecado. Reconhecendo o mal que fizemos, devemos ter uma dor espiritual por ter cometido esse mal. Essa dor é espiritual, da vontade, que não afeta necessariamente a sensibilidade. Pode ocorrer e ocorre que um pecador esteja pesaroso de ter pecado sem que sinta sensivelmente dor alguma. Para ter essa dor, basta querer tê-la sinceramente e pedi-la a Deus, que ela surgirá. Tendo reconhecido o pecado cometido, tendo dor por tê-lo cometido, precisaremos, em segundo lugar, detestá-lo. A detestação surgirá quase naturalmente da dor, pois ao reconhecermos o mal que é o pecado, detestaremos esse mal, que ofende a Deus e nos separa dEle. A detestação acende em nossas almas o desejo de destruir o pecado, supõe a abominação ao pecado cometido.

Devemos notar que essa dor da alma, e essa detestação devem provir do fato de que o pecado é uma ofensa a Deus. No arrependimento, é preciso que esteja necessariamente presente, em maior ou menor grau, esse motivo de arrependimento: ofensa feita a Deus. A pessoa que se arrependesse unicamente por medo do inferno ou por amor à vida eterna, mas sem relação com a ofensa feita a Deus, não teria contrição suficiente para ser perdoado. Assim, por mais que o motivo principal seja o temor da condenação, por exemplo, é preciso que esteja presente, ao menos em parte, a rejeição da ofensa a Deus. O verdadeiro arrependimento, além disso, supõe que consideramos o pecado como o maior de todos os males possíveis e que estejamos dispostos a perder tudo, inclusive a vida, para não voltar a cometê-lo. E que o pecado é o maior mal que existe é claro, pois vai diretamente contra Deus e contra nossa felicidade eterna. A contrição deve ser também universal, isto é, ela deve englobar todos os pecados mortais. Se eu me arrependo de dez pecados mortais, mas não me arrependo de um, meu arrependimento não é verdadeiro porque se eu me arrependesse dos nove pelos bons motivos (ofensa a Deus e perda da vida eterna), me arrependeria necessariamente de todos. Assim, deixar de se arrepender de um pecado mortal significa que não se está arrependido verdadeiramente de nenhum.

(Propósito de emenda) Depois do arrependimento, dessa dor da alma e da detestação do pecado, vem o propósito de emenda. O propósito de emenda nada mais é do que a vontade deliberada e séria de não mais voltar a pecar. Esse propósito deve ser firme, isto é, devemos estar decididos a não pecar mais, ainda que tenhamos que perder todos os bens e suportar todo tipo de sofrimento, mesmo a perda da vida. Esse propósito de emenda deve ser universal, estendendo-se a todos os pecados mortais, que deverão, então, ser evitados no futuro, sem exclusão de nenhum. Não é preciso rechaçá-los todos individualmente nem é prudente, basta rechaçá-los em conjunto. Esse propósito de emenda significa também que o penitente quer, com vontade séria, empregar os meios necessários para evitar os pecados futuros: fugir das ocasiões de pecado, perdoar as injúrias, rejeitar o ódio, restituir o bem alheio, frequentar os sacramentos, rezar, etc… Quem quer evitar o pecado deve empregar os meios para isso, sob pena de contradição.

(Confissão dos pecados) Tendo feito o exame de consciência, tendo dor espiritual pelos pecados, detestando-os e tendo o propósito de não mais cometê-los, o penitente pode aproximar-se da confissão. A confissão é a acusação voluntária dos pecados cometidos depois do batismo feita ao sacerdote legítimo, a fim de obter o perdão dos pecados. A confissão dos pecados deve ser íntegra. Isso significa que o penitente deve obrigatoriamente confessar todos os pecados mortais cometidos desde a sua última confissão válida. Ele não pode omitir nenhum sequer. Se ele confessa dez pecados mortais, mas omite um, nenhum pecado é perdoado. Se ele tem um só pecado mortal e cinco veniais, mas confessa só os veniais, não há perdão de nenhum pecado. A confissão deve ser íntegra quanto aos pecados mortais. Aquele que omitisse voluntariamente um pecado mortal, além de não ter nenhum pecado mortal perdoado, cometeria um pecado grave de sacrilégio, por tornar inválida a confissão. Se por acaso alguém esqueceu um pecado mortal no momento da confissão, ele será perdoado, mas será preciso acusá-lo na próxima confissão. Além de confessar todos os pecados mortais, é preciso dizer a espécie deles, o número e as circunstâncias que podem mudar a espécie ou a gravidade. Assim, não bastaria dizer genericamente pequei gravemente contra o primeiro mandamento, mas é preciso dizer qual foi a espécie do pecado: negação da fé, participação em culto acatólico, etc… É preciso dizer o número: fiz isso uma, ou duas, ou três vezes. Se não se sabe ao certo o número, tentar estabelecer a frequência: por exemplo, cometi esse pecado em torno de uma vez por mês durante aproximadamente 5 anos, etc… É preciso também dizer as circunstâncias que podem realmente influenciar na espécie ou na gravidade. Por exemplo, roubei objeto de grande valor da Igreja. O “da Igreja” é importante porque, além de roubo, teremos o pecado de sacrilégio. É importante, muitas vezes, que a pessoa diga seu estado de vida: solteiro, casado, religioso, sacerdote… pois isso pode ter influência na gravidade ou na espécie do pecado. Como se sabe, não existe obrigação de confessar os pecados veniais, embora seja bom fazê-lo, por humildade, e, sobretudo, para receber as graças a fim de evitá-los no futuro. O pecado venial, embora não nos separe de Deus, é o segundo maior mal que existe, atrás apenas do pecado mortal.

A confissão precisa ser, então, íntegra quanto aos pecados mortais. Ela precisa sem íntegra porque o sacerdote atua na confissão como juiz, como médico, como mestre. Como juiz, é preciso que ele conheça inteiramente a causa, para poder julgá-la corretamente e poder dar uma sentença justa. Como médico, o sacerdote precisa conhecer as doenças graves do penitente para poder prescrever os remédios adequados. Como mestre, o sacerdote precisa conhecer a consciência do penitente, para poder corrigi-la. Além disso, o sacerdote é também pai na confissão, recendo o penitente benignamente, a exemplo de Cristo e pronto a ajudá-lo ao máximo. A confissão é um tribunal e o padre é um juiz. Mas as pessoas não devem ter medo desse tribunal. É um tribunal muito peculiar, pois basta admitir a culpa com verdadeiro arrependimento para ser perdoado. E o padre, ademais de juiz, é também médico, mestre e pai.

                A confissão deve ser também humilde, com a pessoa realmente se reconhecendo pecadora e sem buscar desculpas vãs para os seus pecados. A confissão deve ser clara, com a pessoa dizendo de modo transparente a sua falta para que o confessor possa conhecer com exatidão o verdadeiro pecado cometido. Uma linguagem imprecisa e obscura com o fim de que o confessor não se dê conta do que está sendo confessado é profanar o sacramento. A confissão deve ser discreta, isto é, não se deve revelar os pecados alheios, e com relação ao sexto mandamento a clareza e a integridade são necessárias, mas sem o emprego de termos grosseiros ou expressões desnecessárias. A pessoa não deve contar toda a sua vida, mas somente o que diz respeito aos pecados confessados. A confissão deve ser secreta, ou seja, ela deve ser feita unicamente ao confessor, para evitar escândalos.

                (Penitência) Feita a confissão, o sacerdote dá os conselhos, prescreve os remédios, e impõe a penitência proporcional ao pecado. O penitente deve, então, aceitar a penitência, a não ser que esteja impossibilitado de cumpri-la, caso em que o confessor dá outra penitência. O penitente deve buscar cumprir a penitência o quanto antes, a fim de não esquecer qual foi a penitência imposta. A verdadeira e sincera aceitação da penitência é indispensável para a validade da confissão. Se depois, apesar de ter aceitado a penitência sinceramente, não a cumpre, a confissão foi válida, mas se comete um pecado pela omissão voluntária da penitência (grave ou leve dependendo da gravidade da penitência e da gravidade do pecado em função do qual ela foi imposta). A penitência sacramental é importantíssima, pois tem eficácia particular para satisfazer pela pena temporal dos pecados. Ela é muito mais eficaz do que mortificações e penitências pessoais. Destaque-se que a pessoa já está em estado de graça após receber a absolvição, mesmo se ainda não cumpriu a penitência. Assim, se ela se confessou antes da Missa, pode comungar ainda que não tenha feito a penitência imposta.

                (Absolvição) Imposta a penitência pelo confessor e tendo sido aceita pelo penitente, o sacerdote dá a absolvição.

                Uma confissão relativa a pecados mortais que foi mal feita por falta de arrependimento, por falta de propósito de emenda ou por omissão voluntária de um pecado, é inválida e sacrílega. E são sacrílegas também todas as comunhões subsequentes e todas as confissões subsequentes. O único meio de remediar essa situação é fazer uma confissão que envolva todos os pecados dessa primeira confissão ruim e todos os pecados subsequentes, incluindo as comunhões e confissões sacrílegas.

                Vemos hoje no Evangelho, caros católicos, Nosso Senhor expulsar um demônio mudo. Infelizmente, o demônio mudo age na confissão, ao nos afastar dela incutindo em nós uma falsa vergonha ou nos fazendo omitir voluntariamente um pecado mortal. É preciso afastar esse demônio mudo e recorrer a tão belo sacramento. Uma certa vergonha e uma certa humilhação existem na confissão e são um bem, porque são já uma pena pelo pecado e nos permite satisfazer por ele. Mas essa vergonha e essa humilhação devem nos levar justamente à confissão e não a nos afastar dela. O sacerdote, caros católicos, é obrigado ao segredo de confissão, sob a pena das mais duras sanções canônicas. O padre que revela diretamente o segredo de confissão incorre em excomunhão, que somete a Santa Sé pode tirar. O que o padre conhece no confessionário, ele conhece, em certo sentido, por ciência divina, que ele não pode comunicar a ninguém. O sacerdote deve morrer para guardar o segredo de confissão e muitos, de fato, morreram por causa disso. Portanto, não deixemos agir esse demônio mudo. Confessemo-nos. E depois que o mudo falou, as pessoas se admiraram, nos diz o Evangelho. Do mesmo modo, depois que um penitente faz uma boa confissão, o sacerdote se admira, junto com a corte celeste, que se alegra pela conversão de uma alma.

                Portanto, caros católicos, aproveitemos esse tempo da quaresma para recorrermos à misericórdia divina, que tão sabiamente instituiu o sacramento da confissão.

                Em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo. Amém.